A
régua está subindo contra o besteirol. Tem uma luz no final do túnel contra a leviandade. Tem que ter muita paciência. Até para uma Marília Gabriela.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Pastor Silas Malafaia - A Fúria da Ciência contra o Dragão da Leviandade
Entrevista com o "Pastor" Silas Malafaia feita por Marília Gabriela em "Frente com Gabi". E verdades contestadas com fatos e dados por Eli Vieira.
A ciência, com um grande empurrão da tecnologia
e da velocidade com que a informação se pronuncia não permite mais espaço para
"achismos", "determinismos" e tentativas de manipulação. A questão passa a milhares de quilômetros de qualquer juízo de valor quanto a diferenças entre crenças. É a negação da vida como ela é e, o que pior, sem qualquer argumento que se sustente...
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Luis Fernando Veríssimo - fique um pouco mais, pode ser?
Luis Fernando, perdoe a intimidade. Não li nem um terço dos seus livros. Dos que li, normalmente nas
férias, numa cadeira de praia ou coisa assim, adorei todos. Setenta livros
publicados parece muito, mas nessas horas é pouco. Desejo apenas que fique mais tempo
conosco. Sua autenticidade faz falta. Não te conheço pessoalmente, mas quem te
conhece sabe. E estou confortável com a imagem que fiz de você ao longo dos anos. Fala pouco, trabalha muito e é um exemplo de simplicidade. A imprensa nunca exagerou, nem nos erros, nem nos acertos. Isso só dá certo ao longo dos anos pra pessoas com atitude. Está bem assim. No Brasil, entre nós, temos poucas pessoas públicas as quais podem mesmo servir de exemplo do bem. Infecção pra quê? Nada disso.
Lembro de uma entrevista sua sobre o lançamento de "As Cobras - Antologia Definitiva", em 2010. Rolava de rir com as respostas, simples, pra variar. O jornalista perguntava: "porque desenhar cobras?" Resposta: "porque é mais fácil, só tem pescoço...". Jornalista: "E porque parou com As Cobras nos anos 90?" Resposta: “Parei, como eu disse na época,
porque estava fazendo coisas demais. E também porque não ficava bem um homem de
sessenta anos ficar desenhando cobrinhas”. Nada mais Veríssimo...
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| As Cobras - simplicidade, pouco texto, muito significado |
Ok, se por uma absurda issíssima suposição, o pior viesse a acontecer, duvido que você pare de trabalhar onde quer que esteja. Nossa cultura e nossas artes precisam de uns joelhaços, tem muita gente sem noção, "se achando". Você poderia ajudar essas pessoas em outra esfera, dar um puxões de orelha, ensinar como se trabalha pela cultura do país. Não duvido disso.
Mas, em minha modesta opinião, ainda não é hora de entrar pra história, você tem que tocar sax ainda, em algum bar legal de Porto Alegre. Alguém lá encima certamente vai dizer "-pode entrar que a casa é sua", mas ainda não. Não entre nessa de "sentir uma imensa paz e uma luz maravilhosa", é furada. Queria ter a chance
de ao menos cumprimentá-lo um dia, te ouvir tocar. É famosa a sua cordialidade tímida pra com
admiradores. Também sou tímido, vai dar certo. Não vá ainda, fique um pouco
mais ou te damos um joelhaço...
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Fica em paz, Professor Tatata
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| Tatata Pimentel 1938 - 2012 |
Pois poucos professores me marcaram tanto quanto Tatata Pimentel. Cursava comunicação social na PUC/RS e lembro que existia na turma de “bichos” um misto de curiosidade e expectativa sobre como seria. Tatata já era muito famoso como intelectual do jornalismo e televisão, o que aumentava ainda mais a mística em torno daquela figura de baixa estatura, olhar glacial e meio arrogante. Não era nada disso. Era pose. Quando Roberto Pimentel entrava na sala, passo miúdo, sempre elegante, entrava o ser humano, não “a diva”. A envergadura daquele cara não cabia numa aula de Teoria da Comunicação. Então ele falava tudo que vinha a cabeça, às favas com o programa de aula: “- Vocês merecem mais que isso e eu vou lhes dar”. E tudo se absorvia naquelas duas horas. História da arte, guerras, comportamento, etiqueta, fofocas, misticismo, filosofia, política, moda. Só perdia o humor pra perguntas burras – o olhar mudava, atravessava o interlocutor, o cenho franzia. Mas nunca vi perder a elegância pra destratar um aluno, não descia do salto – a didática e a língua afiada eram o antídoto. Lembro que se orgulhava de jamais ter dirigido um carro – “- Mestrado na África e não tenho a menor coordenação com aqueles pedais”, dizia. Era um usuário contumaz dos táxis de Porto Alegre.
Por ficar muitos anos
fora do Rio Grande do Sul, não soube mais do Tatata até hoje. Saber que tinha
sido demitido do Grupo RBS no final do ano de 2011 só foi menos frustrante do que saber da sua morte
aos 74 anos, possivelmente de infarto. Morreu dormindo. Vá em paz professor,
fica aqui minha modesta homenagem. Vejam vídeo do último programa apresentado por Tatata Pimentel, no final de 2011.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
O mundo "entre aspas" 25 - Antônio Aleixo
Há tantos burros mandando
em homens de inteligência,
que às vezes fico pensando,
se a burrice não será uma ciência.
- '' António Aleixo''
Antônio Aleixo
foi um poeta português do início do século vinte, respeitadíssimo. A foto ao
lado é de uma estatua em sua homenagem, na cidade de Loulé (pequena cidade ao
sul de Portugual, na região do Algarve.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Museu da Pessoa - todo mundo é um acervo
Ganhei um livro do meu amigo Dr. Ricardo Tedeschi – “De onde vim, aonde cheguei”, escrito pelo Sr. Orlindo Tedeschi, avô do Ricardo. Com mais de 90 anos, muito trabalho e dedicação à família, Seu Orlindo achou que deveria deixar tudo em livro. E o fêz. Faleceu aos 94, deixando um legado. Lendo o livro, ganha sentido pra mim o fato de que histórias de pessoas comuns, célebres ou não, são partes da uma memória coletiva. E não tem forma mais autêntica de passar o bastão adiante do que essa – contar histórias. Vendo o orgulho com que Ricardo me confiou um exemplar do livro do Seu Orlindo, disso eu não tenho dúvida.
Não conseguia dormir, me peguei pensando então no meu avô. Por parte de pai. A família do meu pai sempre me pareceu pequena, as pessoas não cultivaram o hábito do convívio, assim não criaram redes, os primos se perderam. As gerações que vieram tiveram cada vez menos filhos. Então o caminho natural é o desaparecimento. Não é um assunto lá muito relaxante pra conciliar o sono, mas aquilo me perturbou. Sempre soube que meu avô era uma pessoa da qual todos gostavam, mas por mais que meu pai se esforce, ter saído cedo de casa e meu avô ter morrido novo teve um preço - as histórias sobre ele são realmente poucas. E ainda por cima, os poucos que gostaram dele foram morrendo. A mistureba de gente e as sucessivas gerações vão ficando só com as fotos, ninguém pra contar os detalhes, pra por legenda nas fotos. Lembrei de um erro de interpretação, fruto da minha imaginação infantil: por muito tempo achei que o pai do meu avô era maquinista de trem. Qual nada - consertava máquinas de costura, acho. Não que o oficio não seja igualmente nobre, mas digamos que pra uma criança, um tanto menos glamouroso. Já pensou se um erro destes se perpetua? Comecei a suar. A memória do meu avô se vai com o fim da família? Não pode. Aquilo me incomodou de tal maneira que uma tristeza se abateu, espécie de culpa. Levantei e fui pra internet. Lembro que tinha lido alguma coisa sobre a preservação da história das pessoas e não custou muito, coisa de 20 minutos, pra eu encontrar algo que me desse alivio: uma matéria de jornal sobre o Museu da Pessoa. Engraçado isso, mas alguém um dia encasquetou que bastava ser uma pessoa para ser acervo. Achei a pessoa: Karen Worcman, historiadora, fundadora e diretora do Museu da Pessoa. Então existe mesmo um museu que coleciona gente.
| Karen Worcman "Toda pessoa é, na verdade, um acervo pra sociedade" |
Segundo Karen, ainda na faculdade, após ter entrevistado mais de 90 pessoas para um trabalho sobre a chegada dos judeus ao Brasil, teve o insight. A pessoa morre, mas o seu “Eu” verdadeiro fica – era o que dizia uma das velhinhas entrevistadas, aliviada por ter contado a sua história. Karen, começou então a trabalhar. Juntou a função social da história com o valor que cada história de vida continha e fundou o Museu. Começou com acervos em fita cassete, vídeos. Hoje, após mais de 20 mil histórias coletadas, a web é o caminho natural de interação. Atualmente com mais de 30 pessoas engajadas, além do site, o Museu tem uma sede na Vila Madalena, São Paulo. Para sobreviver, vendem projetos de memória para empresas privadas (por exemplo, Vale e Votorantim), recebem patrocínios tanto de empresas públicas quanto privadas, além do apoio financeiro do Ministério da Cultura.
Qualquer um pode procurar o Museu da Pessoa pra contar sua história e imortalizá-la. Pode mandar o material pro site, ir até o museu ou mesmo participar das “Cabines itinerantes” – um pesquisador, vez por outra, monta um bureau numa praça ou mercado e se põe a ouvir histórias. Lendo mais a respeito, soube que iniciativas como esta também surgiram em Portugual, no Canadá e nos EUA. Mas todas após o Museu começado por Karen Worcman. Ainda não contei a história do meu avô. Mas no momento certo, já sei por onde começar - Museu da Pessoa. Obrigado, Karen.
Para conhecer o Museu da Pessoa, clique aqui.
fonte: site do Museu da Pessoa e Veja Online.
domingo, 27 de maio de 2012
Tributo MTV ao Legião Urbana - Legionários, uní-vos
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| Wagner Moura canta Legião (na foto, ensaiando com Dado Villa-Lobos) brrrr...que meda! |
Tributo ao Legião Urbana com o ator Wagner Moura nos vocais. Nada contra o Wagner Moura - bom ator, na minha modesta visão leiga. Mas cantar legião é forçar no papel. Dá pra entender ele. Se você fosse um cara famoso, ousado, em busca de emoções fortes e a MTV te ligasse pra sondar se você queria tocar com os caras do Legião Urbana, você negaria? Se fosse comigo, sinceramente não sei. Tem que estar com o ego muito em dia pra se achar o cara que NÃO VAI assassinar as músicas de Renato Russo nem sair chamuscado. Acredito que cantando na banda “Sua Mãe” ele até não faz feio, mas não é só o peso da responsabilidade, tem o peso da voz: e a vozinha dele é curta, é fato. Dado Villa-Lobos diz que não vai rolar turnê (ufa...), só uma homenagem. Isso deve até dar um bom dinheiro, deve mesmo, vá lá.
Sensato seria então convidar o Kim, da banda Catedral (se convidaram e ele não quis, ok. Posso estar dizendo bobagem mas não acredito que isso tenha acontecido). Aquilo sim é uma voz “Russoniana”, de arrepiar o cabelo do braço. Faria bonito, sem nenhuma pretensão de substituir Renato Russo. Não conhece o Kim? Pois lhes apresento: KIM, banda Catedral. Compare você mesmo. Wagner Moura, não leva a mal, mas volta pra “Sua Mãe”? Cara, muito obrigado, obrigado mesmo.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Halloween - Saci vs Jack
31 de outubro – eu e a TV frente a frente, coisa rara. E a campanhia toca. Parecia que toda a criançada da quadra tinha resolvido fazer protesto na minha porta. Não era protesto. Tinha uns três “Pânicos”, “dois diabos, três dráculas, um Zorro (?!) e apenas uma bruxa (curioso, normalmente tem mais). “Gostosuras ou Travessuras?”. Sempre ouvi isso em desenhos animados. Foi a senha proferida assim que abri a porta. E não saíram dali até que eu enchesse as mãos deles de balas.
Nunca entendi esse negócio de Dia das Bruxas no Brasil. O Halloween é comemorado nos países de origem inglesa. A festa veio pros EUA com os irlandeses celtas. Era a festa de Samhain, para marcar o final do verão e o Dia de todos os Santos (1 de novembro). O termo Halloween foi adaptado, vem de Hallow Evening (Dia Sagrado). A Igreja execrava a festa, taxando de pagã e coisa de Bruxas, daí a relação direta. E a abóbora iluminada não era abóbora. Os Irlandeses escavavam um nabo. Reza a lenda que um homem chamado Jack, pão duro de carteirinha, foi proibido de entra no céu. Também o diabo não o queria no inferno, forçando o coitado a ficar vagando no escuro. Ele implorou por uma luz e o diabo lhe deu um pedaço de carvão incandescente. Pra proteger a sua “lanterna”, Jack colocou o carvão dentro de um nabo. Por isso ficou conhecido como “Jack The Lantern”. Nos EUA haviam nabos de menos e abóboras demais. Os imigrantes irlandeses não se fizeram de rogados. Usaram abóboras mesmo.
Continuei pesquisando pra achar quem foi o culpado de trazer isso pro Brasil. Achei: o crescimento dos Cursos de Inglês somado à proliferação das tranqueiras chinesas, deu no que deu. Nessa data as lojas ficam lotadas de mascaras, foices e outros badulaques. Mas o que já era estranho, sempre pode piorar. Um projeto de lei antigo foi desengavetado pelo Ministro Aldo Rebello querendo instituir no Brasil o “Dia do Saci”. O Saci-Pererê é um personagem surgido no Sul do Brasil, um negrinho de uma perna só e piléo vermelho. Vivia atasanando a vida dos outros com suas brincadeiras. Ficou famoso desde que começou a frequentar as histórias de Monteiro Lobato. Voltando ao projeto de lei, é de 2003 e um dos autores é Angela Guadagnin (aquela da dancinha da Pizza, lembra? veja abaixo). Pensava que o legado deixado por ela era só a dancinha? Mas Dia do Saci? Tentei não rir, não dá. Fico imaginando meus próximos 31 de outubro. Vou abrir a porta pra uns 15 “Sacizes” à caráter (só que com perna) pedindo pé de moleque, milho verde e curau. Me poupe...
Fontes: blog sobreisso, lexiophiles website, folha online, youtube
Angela Guadagnin
Co-autora do Projeto Pelo Dia do Saci
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
A História do Dia da Criança
Era 1924 e o Rio de Janeiro sediava 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Inspirado nesse evento, em 1925, o Deputado Galdino do Valle Filho apresentou o projeto de lei número 4867 – o documento instituía o 12 de outubro como a data comemorativa do Dia da Criança no Brasil. Mas nem por isso a data passou a ser comemorada de imediato, permanecendo meramente decorativa por muito tempo. Em 1955, a Estrela, fabricante brasileira de brinquedos, bolou uma campanha de marketing demolidora em parceria com a Johnson e Johnson, a “Semana do Bebê Robusto”. O sucesso da campanha colocou os demais fabricantes de brinquedos de orelha em pé. Com campanhas e investimento maciço, criaram a Semana da Criança, com o objetivo de estender o período das vendas – ponto novamente. Daí para a revitalização do 12 de outubro foi um passo.
| Comemoração do Dia dos Meninos no Japão |
Mas a data não é uma unanimidade mundial. No pós II guerra mundial, a ONU criou o UNICEF para cuidar do problema das crianças, uma população enorme e muito sofrida pela guerra. A partir daí, o 20 de novembro ficou instituído como o Dia Mundial das Crianças. A oficialização Da Declaração dos Direitos da Criança ocorreu neste dia, em 1959. Mas as datas locais tem mais poder e são comemoradas em diferentes dias do ano, conforme o país: Portugal, Angola, Armênia e outroa tantos países comemoram em 1º de junho, já os alemães homenageiam a criançada em 20 de setembro. Os canadenses já o fazem no 20 de novembro e os americanos...no 3 de junho, mas depende de cada estado (tinha que ser os americanos). Os japoneses, sempre originais, segmentaram: lá, 3 de março é o dia das meninas (Hina Matsuri) e 3 de maio, dos meninos (Tango no Sekku). Coisas da tradição.
O importante é que, ao menos nas datas pré-definidas, cada sociedade se lembre de que a nossa sobrevivência futura depende do que entregamos nas mãos da criançada. Família, educação, saúde, caráter, princípios. Tudo isso independe de um dia específico vai garantir a nossa continuidade.
fontes: blog Mania de Saber, blog do Interney , Brasil Escola website
terça-feira, 20 de setembro de 2011
20 de setembro - Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo
Que mal há em um povo cultivar façanhas e querer que o mundo saiba de suas contendas revolucionárias? Querer ser forte, bravo e contestador. Se for em nome de um futuro pros filhos e netos, que mal há nisso? Um povo cantar seu hino, cheio de atitude. E cantam mesmo. Gaúcho aprende o hino do estado no colégio e canta.
Povo que teve coragem de dar um "chega pra lá" no governo imperial de 1835. Já pesnou se fosse nos dias de hoje? Na base do "sai pra lá que aqui mandamos nós"? Por muito menos que um Mensalão, a gauchada pôs medo no governo central e quase levou a melhor - cada um faz o melhor possível com o que a casa oferece e eles tentaram mesmo. Nada de separatismo, isso é bobagem. Civismo, civilidade e atitude pra rejeitar o que não está certo.
Que isso possa servir de modelo a outras terras. Já que não temos mais exemplos de bravura nos dias de hoje. Parabéns ao povo do estado do Rio Grande do Sul (Brasil) por comemorar a sua Semana Farroupilha.
veja o vídeo;Renato BorghettiQue isso possa servir de modelo a outras terras. Já que não temos mais exemplos de bravura nos dias de hoje. Parabéns ao povo do estado do Rio Grande do Sul (Brasil) por comemorar a sua Semana Farroupilha.
domingo, 21 de agosto de 2011
O fim do "Vovô viu a Uva" - Pra que?
Escolas americanas começam a banir o ensino da letra cursiva (a letrinha à mão, emendada, como essa que você está lendo) do dia a dia dos alunos. Começou no estado de Indiana. Um documento do Departamento de Ensino daquele estado declara sua presença “opcional” nos programas de ensino, dando à escola o poder de decisão sobre ensinar ou não, mas recomendando fortemente que não o faça. Argumenta-se que a criançada hoje precisa dominar o teclado do computador ou do smartphone, muito mais do que a caligrafia em papel. Não sou especialista em pedagogia, por isso apelo pro bom senso – atitude injusta e descabida contra a aprendizagem. Desenho desde pequeno e sempre gostei de escrever a mão. Cheguei a escrever histórias de trinta, quarenta páginas de caderno. Dessa época, adquiri um calo no dedo da mão esquerda que nunca mais saiu, é meu troféu. Mas não se trata de saudosismo, pelo contrário. Reconheço que minha caligrafia vem deteriorando sistematicamente pela falta do uso da escrita cursiva. Nunca gostei dos antigos cadernos de caligrafia, mas hoje vendo meu filho em suas lições nesse caderno, percebo o quanto ajuda em sua motricidade fina. Certamente é um fator que contribui pra liberdade com que suas mãos pequenas fazem surgir um belo desenho.
E se a letra é capaz de mostrar muito sobre um indivíduo, tal qual a própria impressão digital, como fica a Grafologia? Me parece que vai pelo ralo uma parte importante do conhecimento subliminar sobre pessoas e seus comportamentos. Desde o aparecimento da prensa, que mudou pra sempre o rumo da escrita, essa parece ser a transformação mais radical, porém não muito justificada. O caderno de caligrafia está fadado a ser o álbum de selos nos dias de hoje. E vem pela frente uma população enorme de pessoas dotadas de um aprendizado morto. A letra cursiva passa a ser um hieróglifo da vida moderna. Lápis Faber Castell e canetas Bic vão virar artigo “da vovó”, peça de museu. Há muito tempo a Bic deixou de fazer só canetas e isqueiros - visão de futuro. Não dá pra apostar que o velho hábito de fumar possa ter uma vida útil maior do que o de escrever a mão, mas parece que é exatamente isso que está acontecendo. Tanto quem faz lápis quanto quem faz caneta vai ter que se reinventar - escrever terá que ser gostoso e, sobretudo, "fashion".
Deixem a letra cursiva em paz, ela nunca fez mal algum pro mundo moderno. Já o cigarro e o isqueiro...
fonte: estadão.com e brasil escola website
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Paixão por livros
Meu pai devorava livros. Eu era um pingo de gente e já achava o máximo ele lá, naquele momento supremo em que a solidão encontra o trono sagrado. Lembro do título de um dos primeiros que li: "A Vida do Elefante Basílio", de Érico Veríssimo. Esse certamente foi um dos primeiros – me amarrei na história maluca daquele elefantinho viajandão, uma mostra do que era capaz um dos monstros sagrados da nossa literatura. Depois veio “Sete Noites de Joãozinho” – muito triste, me fazia lembrar uma história antiga chamada “Marcelino Pão e Vinho”. Mas não desanimei. Um dia ganhei da querida vó postiça Rogéria a Série Taquara-Poca, de Francisco Marins. Uma saga sobre o interior do Brasil nos tempos do descobrimento. Essa coleção despertou meu interesse por história, mas não passou daí. No colégio, a pressão para ler clássicos da literatura brasileira era grande. Pressão mesmo, porque se algum professor conseguiu seduzir alunos pra leitura ao invés de impor, esse eu não conheci. Tive que ceder: Memórias de um Sargento de Milícias. Mas por pouco tempo – meu pai estava lá outra vez. Bati o olho em Papillon, O Destino do Poseidon, Tubarão, Os Sobreviventes dos Andes...nada adequados pra um garoto, mas a curiosidade de um menino não podia ser tolida. Um dia, fui pego com um livro embaixo do casaco, saindo da biblioteca do colégio. A Irmã Dirce me segurou pelo braço e, no pavor, o livro caiu. O Tempo e o Vento, também de Érico Veríssimo. Um professor de filosofia disse numa aula que “quem roubava livros não era ladrão, mas sedento do saber”, uma piada que resolvi testar. Claro que não contei isso pra Irmã Dirce, pelo bem do Professor. Como frequentador de carteirinha da biblioteca, tive direito a um trato: dois meses ajudando a organizar os livros no recreio e orientando colegas sobre onde encontrar um ou outro título e a Irmã Dirce esqueceria aquele dia. Aceitei no ato, não queria aquela mancha pra envergonhar meus pais.
Meu pai e a Irmã Dirce, devo a eles o amor pelos livros. Um amor que procuro passar pro meu filho, como contribuição a uma geração feita de Pods, Pads e Tunes. E o livro do Érico Veríssimo? Ganheio o livro, mas tive que doar outro em troca para a biblioteca. Foi mais do que justo, foi transformador.
terça-feira, 8 de março de 2011
Crônica de Carnaval
Carnaval, mascarado festival
Carnaval, sob o véu cada qual é sempre o outro
Carnaval, quantas faces no plural
Carnaval, todo certo é igual a todo torto
Pensei: onde ele tirou essa pérola? Vinha tropeçando, cantando. Ops, desculpa, êpa...empurra não que tem espaço.
Carnaval, mascarado festival
Carnaval, sob o véu cada qual é sempre o outro
Carnaval, quantas faces no plural
Carnaval, todo certo é igual a todo torto
Tentei ficar na minha, mas o Miguel me viu e veio, gingando. Meu camarada, é carnaval! Põe um riso nessa cara Arlequim, é carnaval. O amigo Arlequim tá tristinho? Tô triste não, Miguel. Sorriso na cara pra comprar duas sobre coxas de galinha? Não força, né...
Miguel pediu licença, impondo respeito. Empurra não senhora, a calçada é do POVO, NÃO É SUA, tô certo Mentirinha? O dono do açougue não quis apimentar a briga, só sorriu. A mulher desviou mas não deu mole: SEU BÊBADO! Ao que teve que ouvir do Miguel: Bêbado sim, sua FEIA. Só que amanhã eu tô curado. A fila explodiu numa gargalhada. Nessas alturas, todo mundo já participava do papo e o Miguel era o próprio Mestre-Sala sem Porta-Bandeira. Um outro cara mais a frente não se segurou: teu nome é Anakin? Não, é ARLEQUIM mesmo, aquele que chora pela Colombina. O rapaz ficou meio sem jeito, remediei: Nada a ver com o Anakin Skywalker, do Guerra nas Estrelas. Relaxa, já tô acostumado desde as gozações do tempo de colégio. Meu pai era obcecado por carnaval e deu no que deu.
O Mentirinha me deu minhas sobre coxas e, distraído enquanto pagava, não vi mais o Miguel. Tomou rumo ladeira abaixo, bloco de um homem só, onde cada qual é sempre o outro, nesse mascarado festival. O celular me tirou do transe. No visor, minha Colombina lembrava: só faltam as sobre coxas do fricassé, vai demorar?
Segui meu caminho e aquela música na cabeça: Carnaval, quantas faces no plural...Nessa época do ano, queira ou não, é sempre Carnaval.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Moacyr Scliar, até breve
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| Moacyr Scliar - Acadêmico de humildade inexplicável |
Soube da morte de Moacyr Scliar pelo desabafo da amiga Fernanda Denardin: "Não chore muito, é perigo até de um peixe entrar-lhe no olho!!" Lamento! Morreu Scliar, médico dedicado a literatura. Conheci Scliar e estive com ele diversas vezes. Sujeito simpático e acessível, de uma modéstia inexplicável. As colunas dos jornais, a literatura pra jovens e adultos, perdem um excelente escritor. Nós perdemos uma boa leitura que estaria por vir - mas Scliar deixou herança pra todos aqueles que quiserem”.
Restou pouco pra dizer, Fernanda. Há muitos anos estive com o Dr. Moacyr Scliar para fazer-lhe algumas perguntas, um bate papo para um trabalho acadêmico sobre a Indústria Farmacêutica no Brasil. Eu que esperava encontrar um escritor famoso, encontrei um ser humano admirável, sentado ao canto de um sofá de uma sala de visitas no prédio do Jornal Zero Hora. Fala mansa, pausada, atencioso ao extremo. Me deixou desconcertantemente à vontade.
Cinquenta anos de literatura, oitenta livros, prêmios Jabuti, trabalhos versados para o cinema, cadeira na Academia Brasileira de Letras (ele sim, por mérito)... Dizia: "Não preciso de silêncio, não preciso de solidão, não preciso de condições especiais. Preciso só de um teclado". A literatura brasileira ficou menor sem ele. Pelo médico, pelo escritor e pelo homem. Até breve, Moacyr Scliar.
fonte: O Estadão.com.br
domingo, 19 de dezembro de 2010
Karaokê (em português, algo como “orquestra vazia”)
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| Daisuke Inoue pôs o mundo pra cantar |
Por um único momento, de microfone na mão, todo mundo é Sinatra, Madonna, Frank Aguiar. Microfones tem poderes, faz de um ninguém rapidamente o centro das atenções. É também a arte da camaradagem, literalmente. Não precisa cantar bem pra te aplaudirem – quem tem amigo nunca desafina e pra pontuar alto, é só não sair da trilha. Não se sabe ao certo o porque (na web, não encontrei nada sobre isso), mas é consenso que “gritar” a música ajuda na pontuação.
Daisuke Inoue, inventor e negociante de Osaka (Japão) começou tudo nos anos 70. Queria criar um jeito de as pessoas cantarem sem a necessidade de um conjunto ao vivo. Resolveu gravar umas fitas e alugar para bares. Não patenteou, por isso não ganhou quase nada com a explosão do karaokê pelo mundo a partir dos anos 80, mas virou referência no assunto e por isso, fatura com a fama como pode - inventou até um inseticida “mata baratas” para equipamentos de karaokê – no Japão, diferente do que acontece no Brasil (onde o karaokê é cantado em festa de família) o pessoal canta em bares, nos happy hours. Pra ter um inseticida pra karaokê, imagino como devem ser alguns desses bares. Inoue ganhou um prêmio em 2004, o “Ig Noble Prize” (algo como “Prêmio pouco nobre”), uma gozação séria sobre o Prêmio Nobel, que acontece todo outubro na Universidade de Harvard (USA). Segundo o juri, Inoue criou um novo caminho para que as pessoas aprendessem a tolerância e o respeito. Nem sempre tem sido assim – em Manila, nas Filipinas, as casas de karaokê tiraram May Way (Frank Sinatra) do cardápio. Seis “cantores” foram literalmente massacrados a bala em 2010 por desafinarem na hora daquele estrondoso “and did it myyyyyy waaay!!!”, fenômeno conhecido como “mortes My Way” – lá, onde o karaokê é um vício pior do que no Japão e onde o povo gosta de dar tiro, a tolerância é zero.
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| Roberto Casanova - o "Pelé" da música japonesa |
No Japão (e na Ásia toda) o karaokê é pra eles como a TV é para os brasileiros. Disputado em mega-concursos, tem até seus ídolos. Por sinal, num dos mais disputados (com 80 mil inscritos em 2010), quem levou a melhor na final especialmente transmitida pela rede japonesa NHK foi justamente um brasileiro: Roberto Casanova. Roberto é conhecido como o Pelé da Música Japonesa. Segundo ele, quando solta a voz, a reação dos japoneses é sempre a mesma: “como pode um brasileiro, negro e que não fala japonês cantar desse jeito?”.
fonte: revista Piauí, TIME Asia e Wikipedia
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
É preciso humanizar o Marketing...como assim?
Essa vai pra quem respira ambiente corporativo, trabalhando “de sol a sol” (como se diz no sul) e tomando decisões minuto a minuto, quer sejam sobre estratégias, pessoas ou as duas coisas. E não estou falando só de alta gerência, pois temos muitas pessoas em níveis hierárquicos ditos “menores” com responsabilidades de gente grande – aliás, estas me preocupam ainda mais, pois normalmente são as que recebem menos atenção, menos coaching dos seus “lideres”.
Philip Kotler é um senhor de 80 anos que pode se gabar de ter inventado o Marketing tal qual a gente conhece – marketing pessoal e marketing social são invenções dele, para dar apenas dois exemplos. Dá aulas na Kellogg Scholl of Management (EUA), escreveu pilhas de livros sobre estratégia e influencia fortemente a condução de grandes empresas mundo afora. Mas como ele está sempre muitos passos a frente da realidade, ser discípulo de Mr. Kotler não é pra qualquer um. Ele defende 3 pilares que seriam a escala evolutiva do Marketing: O Marketing 1.0 – a empresa centrada no produto; O Marketing 2.0 a empresa orientada ao cliente; Por fim, o Marketing 3.0 – A empresa que compreende seus clientes e partilha com eles seus valores. Esse processo é o que classificaria uma organização de sustentável no longo prazo e, segundo Mr. Kotler, hoje apenas 5% das empresas no mundo atingiram o 3º patamar. Em palestra na Expomanagement 2010 (de 08 a 10 de novembro, 2010 - São Paulo/Brasil), Philip Kotler listou oito características das empresas (e suas marcas) mais admiradas no mundo:
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| Philip Kotler Pai do Marketing há 60 anos |
- Alinham os interesses de todos os grupos de investidores.
- Os salários de seus executivos são relativamente modestos.
- Adotam uma política de “portas abertas” de acesso à alta gerência.
- Os salários e benefícios são acima da média da categoria;
- Contratam pessoas entusiasmadas por clientes, o treinamento destas é mais longo e a rotatividade é baixa.
- Consideram os fornecedores parceiros legítimos, que colaboram para melhorar a produtividade, qualidade e para reduzir os custos.
- Acreditam que a cultura corporativa é seu maior ativo e sua principal fonte é a vantagem competitiva.
- Seus custos de Marketing são muito menores que os de outras empresas do setor e, ao mesmo tempo, a satisfação e a retenção de clientes são muito maiores.
Lendo com atenção a lista, dá pra ver que boa parte destas boas práticas diz respeito a um balance entre pessoas+negócios. Não é pra menos que a defesa de Mr. Kotler tem sido a de "humanizar o marketing para diferenciar as empresas e suas marcas" (se Marketing envolve justamente a relação das pessoas com os produtos, tem algo de paradoxo nessa busca). Mas não vemos muita atitude rumo a esse balance na agenda dos Executivos de muitas empresas – falo de agenda do dia mesmo, não apenas intenção. Quer um exemplo simples? Reflita por três minutos sobre como funciona o RH da sua empresa – está mais para Departamento de Desenvolvimento de Pessoas ou para um “DÊPÊZÃO" focado em recrutamento, solução de contendas trabalhistas/gestão de folha de pagamentos? É a isso que me refiro quando afirmo que Mr. Kotler está sempre muitos passos a frente da realidade, o que é uma pena. Bom pra Mr. Kotler (vai ter sempre trabalho garantido pra ele e para várias gerações), nem tanto pra quem acredita realmente que Marketing é coisa de humanos para humanos.
fonte: HSM Online
sábado, 30 de outubro de 2010
Diário de Barrelas - pra degustar
Esses dias descobri o Diário de Barrelas através de um amigo, fã do Paul McCartney. Desolado, me mandou uma matéria preditiva: que Paul não cantaria os sucessos dos Beatles em sua turnê pelo Brasil. Quase acreditei – era o conto do Diário de Barrelas, muito bem escrito, satirizado, “fundamentado”. Segundo o próprio editorial: “No Diário de Barrelas, tentamos explicar a realidade por meio de meias-verdades. Ou meias-mentiras, se preferir.”
É impressionante o que essa turma faz com o cotidiano - as coisas acontecendo de acordo com a perspectiva de quem narra o fato e muito sarcasmo pra temperar. Uma dica? Chegue em casa depois de um dia daqueles, jogue o sapato longe, bote uma música do Spyrogyra (clip abaixo) e se dê ao direito de confortavelmente degustar alguns artigos do Diário de Barrelas. Depois você me diz como foi, ok?
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Um Brasil de Tiriricas e Urnas Biométricas – parte II
Nunca mais uma eleição presidencial vai ser a mesma, sejam quais forem os resultados destas majoritárias no Brasil. Nunca mais vamos esquecer 2010. O fator internet mudou o referencial de jogo, mudou e vai continuar mudando o norte de tudo o que se diz e faz numa eleição, foi assim na disputa que elegeu Barack Obama nos EUA e vai ser assim daqui pra frente. Antes do Youtube, do Facebook e dos HDs de 1 terabyte, quem guardava recortes de jornais era considerado um expoente, preciosista e as pessoas podiam creditar escolhas erradas à memória curta, mas na era pós-internet, jamais. Se por uma lado, as urnas biométricas mostram o futuro e as regras do jogo eleitoral ainda deixam o eleitor de saia justa, prestando contas com o passado, por outro lado, já não dá mais pra dizer “viu? eu avisei - passa o tempo, ninguém lembra mais”. Errado - só não lembra quem não quiser, bastará sempre 15 minutos de pesquisa na web, tá tudo lá, nada mais escapa – as gafes, as contradições, as declarações de hipocrisia, calúnia, as piadas de mau gosto. Está cada vez mais difícil desdizer o dito e afirmar que “não foi exatamente aquilo que queria dizer”. Quem não mantiver a coerência e a firmeza no discurso, dança.
Fiz as pazes com o passado - ter um HD de 1 terabyte em casa ainda acho um pouco de exagero, mas comprei um de 500 gigabytes. Minha gaveta de recortes ficou vazia, mas minha memória, jamais vai ficar.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Remédios Falsos - ANVISA dá o primeiro passo contra a praga
Falsificação de remédios, há tempos, se tornou problema de Saúde Pública. Está difícil de comprar um medicamento e ter certeza do que se está comprando. No início de setembro, publicamos aqui o artigo “Remédios falsos – uma praga para ricos e pobres”, sobre países que sofrem com a leniência dos governos a respeito de medicamentos falsos. Pois a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recentemente determinou que a partir de 2011 as caixas de medicamentos sejam etiquetadas com um selo de autenticidade – já era tempo.
Toda a cadeia de comercialização terá um ano para se adaptar à nova lei, mais precisamente até 15 de janeiro de 2012 pra que todas as caixinhas estejam devidamente etiquetadas – assim, através de uma leitora ótica instalada pela Casa da Moeda em todo o estabelecimento credenciado pela ANVISA, o consumidor vai poder conferir se o que está levando é falso ou verdadeiro. Apesar do protesto de entidades representantes da indústria farmacêutica, alegando que a medida aumenta o preço dos medicamentos, o Vice-Presidente da ANVISA, Dirceu Raposo, afirma que o impacto financeiro da medida vai ter que ser absorvido pela cadeia produtiva. Segundo a Interpol , enquanto o narcotráfico movimenta cerca de 360 bilhões/ano no mundo, a pirataria bate nos 520 bilhões (dados de 2006). O Porcurador-Geral de Justiça do Paraná Olympio Sotto Maior, em entrevista ao Jornal Gazeta do Povo, afirma que “Viagra falso rende mais que cocaína e os criminosos sabem disso, tanto que estão migrando pra esse tipo de crime”. Se a nova medida não for só “fogo de palha” eleitoreiro, parabéns à ANVISA. O futuro e os resultados práticos vão dizer se são parabéns merecidos ou não.
Fonte: G1, Gazeta do Povo, Hoje em Dia website
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Um Brasil de Tiriricas e Urnas Biométricas
Eleição 2010 é passado. Segundo turno, futuro. Então se juntar passado com futuro, o que pode dar? Essa é a pergunta que me faço, respondendo a um mail que recebi – um leitor do blog perguntava se teria algum post sobre eleições. Não ia, mas reconsiderei. Vejo dois momentos claros nas eleições brasileiras – um passado e um futuro. Momento futuro – nesta eleição 2010, 60 cidades testaram as primeiras urnas biométricas – você põe o dedo na dita, ela faz a leitura de sua digital e pronto – não precisa qualquer documento. Mais de um milhão de pessoas votou desta forma. Ter o resultado de um pleito no mesmo dia já é história, inovação é mais que isso. Não gosto de tripudiar, mas não posso deixar de pensar nos coitados dos americanos naquela mal fadada eleição Bush vs Al Gore (lembra do caso da fraude na Flórida?). Lá, voto ainda é no papelzinho... Momento passado - tudo tem o lado perverso. À exceção do voto para o Presidente, no instante em que apertamos o ”confirma” de uma "ultra-moderna" urna eletrônica (moderna para os outros, abroad - pra nós brasileiros, elas estão aí desde 1996), não sabemos mais o que foi feito do nosso voto. Pra Senador e Deputado a regra do jogo é confusa e tendenciosa, deixando toda a responsabilidade sobre a cabeça do eleitor. Michel Temer se tornou deputado por causa das sobras de legenda na época e não pelo voto dos eleitores – periga virar Vice-Presidente. O palhaço Tiririca faturou mais de um milhão de votos por São Paulo e levou com ele mais três afortunados, cada um com menos de 100 mil votos (precisava mais de 300 mil para ser um Deputado legítimo). Inovação ajuda mas não faz milagre, quando o problema é cultural e ético. Será que dá pra criar uma urna biométrica que proteja o eleitor de um voto equivocado?Fonte: estadão.com e talk show Lúcia Hipólito (rádio CBN).
sábado, 2 de outubro de 2010
Eu e Fred Flintstone
Dublar um personagem famoso deve ser o céu e o inferno na vida de um dublador – a estrela que não brilha, empresta o brilho. Depois de personificar aquela voz, pegar uma caroninha na fama... e se mudam o dublador? é aposentadoria forçada, em se tratando de memória auditiva, rapidinho ninguém mais lembra.
No briefing pro cliente, precisava desesperadamente achar a voz do Fred. Queria usá-la no fechamento do contrato, nos comerciais, nos spots de rádio. Onde achá-lo? “Tá aqui o telefone dele, em Mococa, Interior de São Paulo”, disse por telefone Attiliano Martins, nosso Gerente de Marketing.
Peguei o telefone, respirei fundo e liguei – “Por gentileza, posso falar com o Sr. Marthus?” Uma voz feminina no fundo chamou “- Fred, é pra você!” – meu coração disparou.
- Alooou! Quem me procura?
Gelei do outro lado. Estava vivendo uma experiência – foi meio segundo enquanto eu não respirava e “Fred Flintstone”, em pessoa, me aguardava do outro lado do Brasil. Passado o susto, disse o quanto admirava a história dele, mas tudo o que eu dissesse não ia traduzir o que estava acontecendo. Contei o projeto – Marthus não acreditava que se abria possibilidade de voltar a dublar o Fred. Os 166 episódios antigos que se via na TV nunca mais deram chance ao guerreiro, não surgiu um comercial sequer onde pudesse voltar a brilhar – meu projeto acendeu a chama daquele senhor-lenda. Falamos por 30 minutos e todas as “gags” foram repetidas, os “yahbadahbadoos”, tudo ao vivo, ali mesmo. Combinamos falar para acertar tudo, mas dias depois, o plano Collor deixou o desfile do Flintstones na lembrança - eu e Fred Flintstone só voltamos a falar quando lhe dei a notícia. Fizemos um pacto de que um novo projeto surgiria, mas não pude realizar seu desejo. Pensei que ouviria aquela voz no longa metragem em 1994, mas não era ele. Nova decepção.
Marthus, saúde e paz, esteja onde você estiver – nesses 50 anos de Flintstones, saiba que nunca esquecerei de você. Yahbadahbadooo!
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