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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Empresas Grandes versus Empresas Pequenas - "sutis" diferenças


Há quem defenda que empresas pequenas são totalmente diferentes das empresas grandes quando o assunto é gestão. Volta e meia ouço de pequenos empresários pérolas do tipo “mas aqui não funciona como uma empresa grande, somos pequenos”. É claro e obvio que uma empresa pequena não funciona como uma empresa grande. O impacto de cada decisão tomada e o custo dessas decisões tem diferenças proporcionais absurdas. Mas existem princípios de negócio que não dependem do porte da empresa, então a resposta à pergunta "são diferentes?" pode ser "sim e não"  - ter um plano de negócios que considere o investimento e o retorno no curto e no longo prazo, escolher as pessoas certas pra dar suporte ao trabalho (e nesse caso não importa se estamos falando de 2 pessoas ou de 50), jamais misturar o recurso da empresa com os recursos pessoais, definir claramente quem são seus concorrentes e investir pra superá-los são só alguns exemplos de como o que serve pra uma realidade serve também pra outra. Só que o micro empresário nem sempre olha pra isso, fica preso na sua própria “pequenez”. E vai tocando o negócio de ouvido, sem muito planejamento, mensurando o curto prazo e reagindo ao invés de AGIR frente ao humor do seu mercado.

A diferença mais gritante entre uma empresa grande e uma empresa pequena talvez esteja no chamado JOGO DE CINTURA, obviamente necessário nos dois ambientes, só que sob perspectivas bem diferentes. Numa grande empresa, tomar decisões significa ter que lidar com um pacote que envolve opiniões, visões de negócio e ambições diferentes das suas. Tudo isso levando em conta o impacto financeiro e o resultado esperado no curto, médio e longo prazo (e nesse ponto, nem sempre as pessoas que decidem enxergam da mesma forma). Numa empresa pequena, principalmente onde quem decide é o dono e talvez mais uma pessoa ou duas, as decisões ocorrem o tempo todo, em tempo recorde e com bem menos interferências. Em compensação, no instante seguinte, o impacto financeiro sobre uma decisão mal tomada pode definir a continuidade ou não do negócio e também a saúde financeira do próprio dono. 

Creio que o ponto mais bizarro e mais importante, pra variar, chama-se pessoas – numa grande empresa, reter talentos faz parte do jogo e isso é feito por meio de promoção ou engajamento em projetos novos, conforme avaliações de desempenho. Mas na realidade do dia a dia o impacto da perda de um talento pode ser rapidamente corrigido caso já se tenha um processo prévio de reposição (banco de talentos). Por isso, uma equipe dentro de uma grande corporação tende a ser menos vulnerável à derrapadas de gestão no lidar com pessoas (um gestor fraco ainda pode passar anos escondido por detrás do turn over da sua equipe, infelizmente). Mesmo que se erre com as pessoas, no final o trabalho será feito por outro, tendo a equipe absorvido a mudança rapidamente (isso não quer dizer necessariamente que o resultado apareça, isso é outra coisa). Já numa empresa pequena, movida por poucas pessoas, a necessidade de retenção também existe, porém a avaliação de performance é menos formal, pautada no dia a dia e o reconhecimento se dá na remuneração. Aqui, o impacto de uma atitude errada com pessoas pode custar a performance de um mês inteiro de faturamento. Nesse caso, vale um princípio muito falado em empresas grandes, mas cujo discurso raramente vira prática cultural – demore o tempo que for pra fazer uma boa contratação. Contratando bem, a chance de ter que demitir é vai ficando remota – em empresa pequena é o que muitas vezes difere um resfriado de uma pneumonia. É questão de sobrevivência. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os joaquins


Joaquim Barbosa e
Claudionei Penha - lenda e realidade
(Por Luiz de Souza)

Toda vez que alguém se torna popularmente um exemplo de sucesso, no seu entorno surgem os mitos e as lendas. Parece que o ser humano se alimenta disto. Ser bem sucedido não é credencial suficiente de sucesso, tem que ter o milagre, a lenda. É preciso que, num certo momento, surja na biografia do sujeito uma fagulha de algo inexplicável que faça disparar o herói da moda. Foi assim com Silvio Santos e as canetinhas vendidas na barca Rio-Niterói. Com Eike Batista garimpando ouro em Serra Pelada ainda guri (o próprio já desmascarou essa versão em biografia oficial, mas não adiantou) e assim acontece com o Ministro Joaquim Barbosa – menino negro, franzino, de família pobre e operário de olaria no interior de Minas Gerais.

Me pus a pensar nos silvios, eikes e joaquins que tivesse conhecido ao longo dos meus 70 anos e que passam há quilômetros da mídia. Pessoas comuns das quais ninguém fala e que não se tornam milionários nem juristas. Com esforço, romperam o ciclo familiar de pobreza e dificuldade, pra virar o jogo. Nenhum deles virou lenda urbana nem vai ganhar um epitáfio no fim de suas vidas. Lembrei de um que particularmente me marcou. Não por ser também negro e quase calvo. Mas pela dedicação ao trabalho, pelo desenvolvimento profissional que tem conseguido e por eu reconhecer nele um globe trotter incansável sempre na busca dos bons resultados. E o Meu joaquim ainda é um poço de modéstia e bondade. Já o da mídia, embora pareça ser um cara decente e que não gosta de cantar marra, eu não conheço pessoalmente – nada posso afirmar.


Poucos anos atrás fiz um endorsement dele no LinkedIn. Transcrevo no inglês em que foi redigido, assim os nativos dessa língua podem também saber mais sobre ele.


I´ve met Claudionei Penha for the first time in 1993, when I was Director of Marketing and sales for Czarina S/A -manufacturer of women´s shoes and handbags- which since 1953 has been regarded the most appraised brand of feminine shoes ever made in Brazil and also exported out of Brazil. I hired Claudionei Penha not only because he had the adequate background in all the stages of the footwear manufacturing and business, but mainly in the area of development of products for the trading companies that were in charge for the exports to USA and Europe. I hired him as Manager of the export business. Its responsibility was to co-ordinate the development of shoes, bags and accessories for the external market, keeping the accompaniment of the process from the development order until the shipping of the finished production items to the overseas customers. And he positively exceeded my expectations . Surely, Claudionei Penha was one of the best hiring that I´ve made during my extensive senior management career. I am proud of meeting him professionally and being in contact all these years in which I could witness his successful career development.


Meu joaquim, na realidade CLAUDIONEI PENHA, tem hoje intensa atividade acadêmica como Professor Adjunto do Departamento de design de calçados e acessórios na Faculdade de Moda - F.I.T. – Fashion Institute or Technology de Nova Iorque, sendo também Executive Member do FGI – Fashion Group International. E é consultor de mercado para marcas como Brown Shoe Company, Enzo Poli, Vitória’s Secret. Nasceu em Franca (São Paulo, Brasil). Aos 10 anos era entregador em uma pequena loja da cidade enquanto estudava em meio período e aos sábados pegava na vassoura, auxiliar de limpeza na mesma empresa. Com 14 anos chegou a vendedor da loja e aos 16 já estava em Porto Velho (Rondônia, Brasil), como auxiliar administrativo de uma lapidadora, tendo retornado a Franca com 18 já como tradutor e professor de inglês, segundo ofício por 19 anos. Em Franca, entrou para a indústria de calçados pela porta do escritório brasileiro da Lowell Shoe Inc., donde foi transferido para Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul, Brasil), para gerenciar o start up da empresa naquela região. Foi ali que nos conhecemos e o contratei. Tinha as competências pra função, mas vinha com “acessórios”: além do inglês (língua básica em Comércio Exterior), Meu joaquim era fluente em alemão, espanhol e italiano (assim como o outro). E tinha um hobby peculiar que chamou a atenção: o canto lírico. Mas em 1995, Claudionei recebeu um Green Card e foi quando o perdi para seus primeiros patrões nos Estados Unidos - Ann Taylor e depois Ralph Lauren, Via Spiga, Vera Wang Lavender, Sam Edelman, Etienne Aigner e Franco Sarto. Meio difícil concorrer.




terça-feira, 10 de julho de 2012

Museu da Pessoa - todo mundo é um acervo

Ganhei um livro do meu amigo Dr. Ricardo Tedeschi“De onde vim, aonde cheguei”, escrito pelo Sr. Orlindo Tedeschi, avô do Ricardo. Com mais de 90 anos, muito trabalho e dedicação à família, Seu Orlindo achou que deveria deixar tudo em livro. E o fêz. Faleceu aos 94, deixando um legado. Lendo o livro, ganha sentido pra mim o fato de que histórias de pessoas comuns, célebres ou não, são partes da uma memória coletiva. E não tem forma mais autêntica de passar o bastão adiante do que essa – contar histórias. Vendo o orgulho com que Ricardo me confiou um exemplar do livro do Seu Orlindo, disso eu não tenho dúvida.
Não conseguia dormir, me peguei pensando então no meu avô. Por parte de pai. A família do meu pai sempre me pareceu pequena, as pessoas não cultivaram o hábito do convívio, assim não criaram redes, os primos se perderam. As gerações que vieram tiveram cada vez menos filhos. Então o caminho natural é o desaparecimento. Não é um assunto lá muito relaxante pra conciliar o sono, mas aquilo me perturbou. Sempre soube que meu avô era uma pessoa da qual todos gostavam, mas por mais que meu pai se esforce, ter saído cedo de casa e meu avô ter morrido novo teve um preço - as histórias sobre ele são realmente poucas. E ainda por cima, os poucos que gostaram dele foram morrendo. A mistureba de gente e as sucessivas gerações vão ficando só com as fotos, ninguém pra contar os detalhes, pra por legenda nas fotos. Lembrei de um erro de interpretação, fruto da minha imaginação infantil: por muito tempo achei que o pai do meu avô era maquinista de trem. Qual nada - consertava máquinas de costura, acho. Não que o oficio não seja igualmente nobre, mas digamos que pra uma criança, um tanto menos glamouroso. Já pensou se um erro destes se perpetua? Comecei a suar. A memória do meu avô se vai com o fim da família? Não pode. Aquilo me incomodou de tal maneira que uma tristeza se abateu, espécie de culpa. Levantei e fui pra internet. Lembro que tinha lido alguma coisa sobre a preservação da história das pessoas e não custou muito, coisa de 20 minutos, pra eu encontrar algo que me desse alivio: uma matéria de jornal sobre o Museu da Pessoa. Engraçado isso, mas alguém um dia encasquetou que bastava ser uma pessoa para ser acervo. Achei a pessoa: Karen Worcman, historiadora, fundadora e diretora do Museu da Pessoa. Então existe mesmo um museu que coleciona gente.
Karen Worcman
"Toda pessoa é, na verdade, um acervo pra sociedade"
 Segundo Karen, ainda na faculdade, após ter entrevistado mais de 90 pessoas para um trabalho sobre a chegada dos judeus ao Brasil, teve o insight. A pessoa morre, mas o seu “Eu” verdadeiro fica – era o que dizia uma das velhinhas entrevistadas, aliviada por ter contado a sua história. Karen, começou então a trabalhar. Juntou a função social da história com o valor que cada história de vida continha e fundou o Museu. Começou com acervos em fita cassete, vídeos. Hoje, após mais de 20 mil histórias coletadas, a web é o caminho natural de interação. Atualmente com mais de 30 pessoas engajadas, além do site, o Museu tem uma sede na Vila Madalena, São Paulo. Para sobreviver, vendem projetos de memória para empresas privadas (por exemplo, Vale e Votorantim), recebem patrocínios tanto de empresas públicas quanto privadas, além do apoio financeiro do Ministério da Cultura.  
Qualquer um pode procurar o Museu da Pessoa pra contar sua história e imortalizá-la. Pode mandar o material pro site, ir até o museu ou mesmo participar das “Cabines itinerantes” – um pesquisador, vez por outra, monta um bureau numa praça ou mercado e se põe a ouvir histórias. Lendo mais a respeito, soube que iniciativas como esta também surgiram em Portugual, no Canadá e nos EUA. Mas todas após o Museu começado por Karen Worcman. Ainda não contei a história do meu avô. Mas no momento certo, já sei por onde começar - Museu da Pessoa. Obrigado, Karen.
Para conhecer o Museu da Pessoa, clique aqui.
fonte: site do Museu da Pessoa e Veja Online.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não Tenho Tempo


O Professor Luiz Marins é um gênio. Anos a fio dizendo as mesmas coisas que anos a fio continuam a fazer sentido. Diz coisas banais, aparentemente tão simples e que a gente não pratica. Quando leio uma “pérola” como essa abaixo, fico dividido entre dois sentimentos: o da obviedade (claro que todo mundo faz isso o tempo todo) e o da sagacidade (mas afinal, porque a gente sabe que não deve e faz?). Ah, esse Professor Marins...
Professor Marins
Não tenho tempo - Há pessoa para as quais o dia parece ter apenas 18 horas. Vivem dizendo que não tem tempo, que estão ocupadíssimas e parece mesmo que não fazem nada que realmente seja essencial. O Papa Paulo VI só dava novos cargos a Bispos e Cardeais que já tinham muitas atividades. Ele dizia que somente quem faz muita coisa arranja tempo para fazer ainda mais. (Professor Luiz Marins - Motivação & Sucesso)
 

sábado, 7 de janeiro de 2012

Compra por Impulso - quando o cortex é o culpado (ou o lesado)

Dr.John Kable: lesões no cortex
e a compra por impulso
Todo mundo conhece alguém que simplesmente não consegue manter a carteira fechada quando chega numa vitrine. Tem gente que nem precisa botar o pé pra fora de casa. Faz a festa via web mesmo, paga o dinheiro que não tem comprando coisas das quais não precisa. A resposta  a esse comportamento pode estar numa lesão cerebral. Existe um canto escondido do nosso cérebro que se responsabiliza por fazer escolhas e atribuir valor a estas escolhas. Uma pesquisa conduzida pelo Neuroeconomista e Professor da Universidade da Pensilvânia John Kable e publicada no Journal of Neuroscience aponta que pessoas com  lesões no córtex pré-frontal ventromedial (causadas por infarto, aneurisma ou um tumor) tem dificuldade de tomar decisões combinando variáveis racionais e acabam pagando caro e comprando por impulso coisas das quais não precisam. Mas o estudo também fez um achado preocupante e inesperado: foram usados dois grupos de análise, um sadio e outro com lesões cerebrais. No grupo de “lesados”, 89% das pessoas realizaram compras por impulso. No grupo dos “não lesados” esse percentual foi de 68%.
Moral da história (ou do estudo): não é preciso ter lesão alguma pra se encher de carnês entulhando a casa de utensílios pra cozinha e aparelhos de ginástica. É a natureza compulsiva do ser humano, ainda sem uma lógica plenamente estudável. Segundo Samuel Pessoa, economista e consultor em depoimento para o jornal Folha de São Paulo, o estudo mostra que “A maioria das pessoas não está preparada para avaliar racionalmente todas as escolhas. Ser racional também tem seu custo".
fonte: folha.com, psicologado website, Tedx penn website

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Redes Reais, Vidas Virtuais

Esses dias, conversando com um médico amigo sobre Redes Sociais, ele desabafou: “Cara, tá um saco esse negócio de rede social. Agora o Google vai lançar mais uma. Se quiser fazer parte, tenho que começar tudo de novo? Isso toma tempo” Tudo de novo. Fiquei pensando naquilo. O convívio com Redes Sociais está ficando mais desafiador, não digo difícil. É como quando você chega numa cidade, arruma um apartamento, dá um giro na vizinhança, descobre uma boa padaria, supermercado e farmácia. Compra móveis, instala um telefone e um ar condicionado. Nome na conta de luz, no recibo do condomínio. E aí vem os vizinhos, que logo não serão mais novos. Tudo certo até que...você tem que se mudar e começar tudo do zero. Novo apartamento, bairro legal...Qual a diferença disso pra uma rede social? Gerenciar rede Social é da vida. Preservar amizades ou começar novas é da vida, dá trabalho e toma tempo mesmo. E da mesma forma como na vida, não dá pra ter tudo nem atender a todos. Aquela história de “eu quero ter um milhão de amigos” não funciona aqui na vida real nem lá. Virtual e real são quase uma coisa só. E é difícil mesmo encontrar uma finalidade, manter-se fiel a ela e se renovar. Tanto lá quanto aqui. Nada mais que a vida e ela nos toma tempo.  

sábado, 13 de agosto de 2011

Histórias de Pais e Filhos

Agosto, segundo domingo, sempre é dia dos pais no Brasil. Sentei pra ver vídeos sobre “Dia dos Pais” na web, tem aos montes. Tem pai pra todo o gosto fazendo as coisas mais estranhas. Vendo aquilo tudo, penso que à medida que me vejo perdendo o interesse por coisas que vão ficando pra trás, vejo meu filho despertando pros interesses dele e sem muita medida. O tempo nos torna seletivos, mas eles, ao contrário, querem tudo e muito. O humorista e ex-Casseta Hélio de la Penã diz: “Ser pai é saber a hora de ser brother e a hora de ser mala”. Entendi o que o Hélio diz, mas seria perfeito demais. Como filho não veio com manual, acho que passo mais tempo sendo o mala do que o brother. Meu consolo é olhar pro lado e ver que não estou sozinho. Tem gente que prefere colocar o pêndulo só pro lado do brother, o que também não é bom. Resolvi ser mais mala, porque percebo que é melhor dificultar e, com o tempo, ir soltando a guia. Encontrei a frase "Sofrimento constrói o caráter" numa tirinha do Calvin (personagem de Bill Watterson). O pai dele (foto) entoa esse mantra em todas as histórias e faz todo o sentido pra mim, por isso não facilito muito as coisas. Mas pra não ser um déspota, vou pelo caminho do exemplo, o que torna as coisas mais complicadas ainda – só posso mostrar o melhor caminho se trilhar exatamente a mesma estrada, senão nada feito. Por essa via, quero acertar mais do que errar. O brother ou o mala? Só o futuro vai dizer quem tem razão. Um abraço a todos os pais e filhos. E um abraço especial ao meu pai e ao meu filho.

sábado, 6 de agosto de 2011

Abelhas e seus perfumes

Combinação perigosa: um fascínio secular por perfumes e minha fobia obsessiva por abelhas (e assemelhados). E eu atraio, ao menos é o que parece. Compenetrado no meu prato de massa com almôndega, percebi o zumbido e ela se veio. Abelha me tira a graça e a razão com muita facilidade. Aquele papo de que “se não mexer com ela, ela não faz nada”, pra um fóbico, é pura conversa. 
- Ou é a Coca Cola ou o perfume – veio a voz por detrás do balcão. Era o dono do boteco, vendo meu salto da mesa. Ainda me esquivando, perguntei: - Como assim o perfume?
- O seu perfume, claro. É meio doce, não é? Tenho apiário há mais de trinta anos. Esses perfumes fortes. Tem alguns que elas adoram. Quem tem medo desses bicho, não pode usar perfume.
Notei naquele finzinho de frase uma zoada boa, mas tudo certo, ele tem razão. Pelas abelhas (ou pela ausência delas), largo os perfumes fácil, fácil. Tenho que fazer esse sacrifício e acho justo, afinal nós roubamos os perfumes da natureza e os aprisionamos. A vida ensina e a gente não aprende, mas é da natureza o direito de buscar o que lhe é devido. Ainda que seja pra alimentar minhas fobias, é por uma boa causa. 

Com os meus botões

Falo comigo. Muito e o tempo todo, não é alucinação auditiva. Fico muito ao telefone, com muita gente, o dia todo. Mas tem um único momento em que sou absoluta e brutalmente honesto e transparente: quando falo comigo mesmo. Não tem mentira nem omissão quando se trava um diálogo desses. Gosto de ouvir a minha voz dizendo coisas, programando alternativas. Ouço as sentenças, me avalio, pondero. Discordo de mim e revejo. Me faço perguntas e respeito as respostas. As vezes me ouço em silêncio, em respeito absoluto. Aprendi a não esperar respostas de bate-pronto, “cozinho o galo”. E a solução vem, ainda que nem sempre da forma como eu esperava. Aí, me conto uma piada e alivio o stress. Resiliência e pronto. Parece mais fácil exercitar tolerância quando o próximo é a gente mesmo. Há muito tempo, não lembro exatamente a partir de quando, mas adotei um exercício que muito tem me valido: converso comigo mesmo antes de verbalizar o que seja pra quem quer que seja. É uma forma de buscar ser melhor compreendido. Nem sempre consigo, porque em tempo real, não dá. Mas sigo tentando.
Nunca estranhei gente falando sozinha, nem quando era criança. Não relacionava com nada que pudesse ser anormal ou um problema mental. A criançada faz isso com naturalidade o tempo todo, é parte do desenvolvimento delas, mas e os adultos? Pensam alto, falam com os botões. Fazem esquemas mentais e verbalizam. Acho que é isso. Acho não – mais gente acha isso. Um estudo da Universidade de Toronto diz que falar sozinho ajuda a manter o auto-controle e diminui a impulsividade na tomada de decisões. Michael Inzlicht, líder do projeto, afirma que quem não têm a capacidade de ouvir "a voz interior” se mostra muito mais impulsivo e despreparado.
Gostei disso. Não me sinto um Yoda, mas gostei disso. Não raro, topo com gente que fala muito, de tudo ao mesmo tempo e muito pouco se aproveita. Um papinho entre o ouvido esquerdo e o direito podia resolver. Não sei , mas vou perguntar pros seus botões.
fonte: article in press, julho de 2010

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Fábula da Motivação - sobre Cenouras e Burros

Por anos me pergunto se entendi bem esse negócio de motivação. Afinal quem engoliu quem? O mundo corporativo engoliu a motivação ou o contrário?  E essa palavrinha sempre vem junto com a tal da paixão. “Temos que motivar nosso time a cumprir desafios, realizar com garra para obter nossos resultados e tudo isso com paixão!” Pra não ser redundante nem piegas, me lembro claramente de algumas passagens: 
Convenção Nacional realizada em lugar paradisíaco. Mais de 700 pessoas chegando com colares havaianos, lindas garotas dançando axé, comida a valer, coquetéis de fruta, mar azul, sol de rachar. Tudo decorado, palco, iluminação, pirotecnia. O mestre de cerimônias era um ator famoso e tinha até um convidado especial pra falar de superar desafios – o maior jogador de basquete dos últimos tempos, querido por todos. Até uma montanha de bolas foi comprada pra ele autografar pra galera. A equipe de vendas estava com a adrenalina lá em cima. Flashes pra todo o lado. E nós, gerentes da turma, com a missão de manter a adrenalina da equipe em alta e olhos sempre brilhando. Tudo perfeito - sobe no palco o Presidente da empresa, seus diretores e o ator famoso. Tá lá toda a liderança da empresa reverenciando seus colaboradores, fizeram um filme cheio de gente se superando, suando, babando. O tema: futebol e Olimpíada, bem propícios. Uma grana federal investida, muito sacrifício pra estar ali com toda a equipe, alegria geral...até o anuncio das metas pro ano. Nos bastidores, a briga de um mês entre os diretores que concordavam com a meta super extrapolada e os que diziam que era loucura, estava no desfecho – “botou na apresentação pra matriz aquele número insano, agora temos que assumir com determinação”. Saiu gente chamuscada. A beleza do momento durou exatos 15 minutos e aquilo que era pra ser a famosa cenoura que vai na frente virou um nabo vindo por atrás. Na verdade, ficou difícil de saber quem é burro e quem é cenoura. Dali por diante, foram quatro dias de treinamento bizarro, onde as pessoas esqueceram o mar, o coquetel e as garotas dançando. Quase ninguém viu o mar, apenas 16 horas diárias de treinamento pra lançar os próximos quatro produtos, não deixar as vendas das marcas consolidadas caírem e preencher as planilhas do case de negócios. Aqueles cases quilométricos, como uma gincana onde o que sobra no final, além das noites mal dormidas, é suco de cérebro, o pó da equipe, só  a capa do Batman. Mas os olhos precisam continuar brilhando, olhos de sangue mirando o horizonte azul. O jogador de basquete disse: "vocês conseguem!" 

Tirando os clichês, quer saber o final dessa história? Passou um tempo, a liderança da casa já foi pra outra empresa, uns por opção, em cargos melhores. Outros, porque não concordaram com a bizarrice toda, foram demitidos ou se desgostaram. A Força de Vendas? Cada um foi pra um lado, os mais resilientes até foram ficando, outros foram promovidos por terem ajudado a tirar o sangue do pessoal com a tal “cenoura” e outros foram embora para o concorrente  – estão todos chegando em outro resort, pra uma convenção animal, com direito a meninas dançando, um jogador famosos falando de desafios, palco iluminado, tudo preparado...


sábado, 23 de julho de 2011

Rio pra não chorar

Bueiro na Rua Visconde do Pirajá
Nem o terrorismo entenderia
Bombástica revelação: existiu de fato um plano da Al Qaeda pra um atentado no Brasil. Mais especificamente no Rio de Janeiro. Mas descobriu-se também que o plano foi logo abortado. Chegaram à conclusão que um atentado no Rio de Janeiro daria muito trabalho pra pouco impacto e ainda daria um trabalhão extra reivindicar a autoria – a imprensa iria culpar o tempo todo a CEG ou a Light.

Ok, pode ser que exista uma célula da rede terrorista instalada debaixo do solo carioca. Pode até ser e, se for por esse caminho, dá pra ir mais longe: Pode ter gente deles infiltrada nas prefeituras das cidades vitimadas pelo ocaso dos temporais na Serra do Rio de Janeiro. Seria um plano perfeito: ao invés de jogar bomba, deixa que a natureza suje as mãos (é fácil responsabilizar Alah)  "e nós roubamos o dinheiro pra recuperação das áreas atingidas. Ficamos com aquela merreca dos dez milhões e os infiéis morrem de todo o jeito". Impecável e perverso, tal qual as tais escolas de pilotagem de aviões nos Estados Unidos - vários Al Qaeda estariam vivendo na Serra do Rio. Uma parte fez concurso para as prefeituras, virou funcionário público de carreira. Outra parte se instalou na política local, pra dar as cartas e preparar o terreno pro "juízo final". Todo mundo em seus postos, era só esperar o dia dos desabamentos. Como as áreas de risco não eram segredo pra ninguém, não precisou esperar muito.  


O Carioca não tem outra saída senão rir de si mesmo. Há pouco começaram a aparecer adesivos sarcásticos nas tampas de alguns bueiros. Uma forma criativa e bem humorada de encarar a triste realidade: o passivo do Rio é enorme e todo dia depõe contra os cariocas. A conclusão é simples. Deixou a porta de casa, é cada um por si e ninguém por todos. Uma miséria humana difícil de entender e de engolir. O imprevisível é sempre o prato do dia. Nem o terrorismo ousaria afrontar um concorrente o qual não conseguiria entender.
fonte: O Estado de São Paulo  

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um braço por uma Vida

James Franco como Aron Ralston
Num mato sem cachorro
James Franco é um ator franco, autêntico e que escolhe personagens densos e filmes autênticos pra atuar (ok, fora o Homem Aranha) - e trabalha muito. Tá estudando pra ser PHD em língua inglesa, que pena. 127 horas foi um filme aflitivo e autêntico – uma alpinista corta um braço pra salvar a vida. Quem, em sã consciência, cortaria o próprio braço pra se salvar? Ninguém. O personagem cortou por desespero mesmo. E não que não precisemos cortar um bracinho de vez em quando. Fica-se arrastando o morto a resolver antigas pendências. No filme, o personagem, preso numa pedra pelo braço direito, faz da angústia uma egotrip ao contrário. Desfia seus passos e atitudes até aquela pedra maldita. Descobre que, na verdade, aquela pedra sempre esteve ali esperando por ele (ups!). Lembrei do brasileiro Ranimiro Lotufo – foi modelo internacional e esportista radical. Um choque contra uma rede de alta tensão durante um vôo de parapente pôs fim a carreira de modelo. Qual nada – em toda palestra que dá, Ranimiro afirma que saiu da “experiência” um ser humano melhor e mais aberto pra vida, capaz de rir de si mesmo, dar valor ao que tem valor e de praticar esportes ainda mais radicais. Acredito nele - quem vê Ranimiro contando, acredita. Por ter apenas uma perna, os desafios se tornaram maiores, mas não menos sedutores. É o preço de encontrar a si mesmo? Pode ser, mas tomara que pra isso não seja necessário um braço ou uma perna...Veja o filme, vale à pena. 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Rejeição social - as dores não são só metáforas

Dr. C. Nathan DeWall

“Matar um leão por dia”, nos dias de hoje, significa ser aceito e legitimado em uma rede de proteção. Pessoas rejeitadas podem se tornar agressivas, compulsivas ou inconsequentes com seus atos. E o reflexo desse comportamento no meio profissional é a prova disso. Atitudes agressivas de quem não suporta ser contestado ou desafiado - insegurança. Ser aceito no trabalho e ser reconhecido por fazê-lo bem é sinônimo de aceitação, ao passo que as pessoas evitam ao máximo o fracasso pelo pavor da rejeição. E rejeição pode causar dor, uma dor que pode ser tão ou mais voraz que a dor física. 
O Dr. C. Nathan Dewall, da Kentucky University estudou a associação entre dor física e dor emocional, pra provar que ambas têm comportamentos em comum no organismo humano. Dessa forma, aplicando analgésicos comuns poderia, por exemplo, melhorar o estado emocional de uma pessoa que acabara de ser demitida. Com doses diárias de paracetamol (e placebo) por três semanas a um grupo de estudantes, o Dr. Dewall foi medindo o nível de stress e de dor emocional a que essas pessoas vinham sendo submetidas. Alguns dos testes incluíam jogos onde as pessoas eram socialmente excluídas. Conseguiu identificar a diminuição da atividade cerebral nos pacientes que tomaram o medicamento, Os pacientes que tomaram placebo se mantiveram inalterados. Segundo o pesquisador, isso tudo tem a ver com uma importante mudança social: ao longo do tempo, a sobrevivência mudou de cara – a inclusão social é a nova cara do “mundo hostil”.
Mas segundo o Dr. Dewall, ainda é cedo pra dizer que um analgésico pode efetivamente tratar a dor social, há que se estudar muito mais. E ainda assim, criar um ambiente mais saudável de convívio social pode ser uma solução mais imperiosa do que ter dar remédios pra todo mundo. Entender de forma racional que a rejeição faz parte da vida é uma coisa. Mas admitir que a dor social pode ter o mesmo impacto que quebrar um osso, isso não pode definitivamente passar despercebido
fonte: revista Harward Business Review

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Não vou não, posso não, quero não, minha paciência tá no chão

Gente que não retorna telefonema me irrita. Você liga e a pessoa do outro lado pede que deixe o número do telefone. É fatal, não vai retornar. Chego a acreditar que 80% do meu descrédito nas pessoas começa por ligações não retornadas. Pra que dizer que vai retornar se sabe que não vai dar a mínima? Então não diz nada, seja minimamente franco, desconversa.  A mesma coisa quando confirmam presença e nem aparecem. Acho que as pessoas não fazem por mal (com certeza, não todos), mas é coisa grave. O descompromisso com a palavra de honra é um vício insidioso praticado à exaustão e parece que vem aumentando. Aliás, não se houve mais essa expressão “palavra de honra” quando se quer reforçar o “pode crer no que estou dizendo” - ninguém quer empenhar a palavra. 
Também não ando com muita paciência com pessoas que se ACHAM. Gente que pensa que sabe tudo e se dispõe a aceitar uma premissa desde que a ótica seja a dela própria. Aquelas pessoas que te acham um ET se você não pensar como elas ou lhes beijar a mão. Pessoas que deveriam fazer um seguro do próprio umbigo, que falam de si e pra si desde que acordam. Os vaidosos em excesso, os arrogantes e soberbos são presas fáceis dos aproveitadores, é fato. Mas e quem não é aproveitador? Tem que aturar pra sobreviver. Não, não mesmo. Gente que não se compromete, que não assume erros, que não ri de si mesmo, que mede as pessoas de cima a baixo com desdém. Estou resolvido a ser cada vez menos resiliente com “espertos”, “maledicentes”, “ingênuos” de carteirinha, “rotuladores”, “bajuladores” e outras tribos. É sério, pois me põe no compromisso de me policiar o tempo todo – o discurso tem que ser a prática, sempre. As lições são feitas de pequenos gestos.  E aos telefonemas que não retornei ao longo da vida, peço sinceras desculpas pela minha descortesia. Isso não vai se repetir. Será que dá? Vai ter que dar.

terça-feira, 14 de junho de 2011

TAP Portugal - o valor do intangível

"Gentileza gera gentileza", dizia José Datrino. Diz outro ditado no mundo dos negócios que "não tem almoço de graça". Mas tem empresas que ao menos fingem muito bem que não estão de olho apenas no bolso do cliente, faz soar autêntico. A criatividade tem dessas coisas. E daí partem pra aposta no intangível, naquilo que nem sempre os gráficos tipo sismógrafo são capazes de prever. Vai dar retorno imediato ou não? Lucro ou rentabilidade? A empresa vai ganhar mercado? Como e em que tempo? Ninguém coloca dinheiro bom em estimativa ruim, mas tudo tem um limite. Em marketing existe aquela esquizofrenia de querer medir resultados de curto prazo com ações intangíveis. Ninguém merece... 
Nos 457 anos de São Paulo (janeiro de 2011), a TAP Portugal aprontou uma boa pra quem circulava no aeroporto de Guarulhos (São Paulo, Brasil) naquele dia. Boa mesmo, coisa pra quem viu e participou não esquecer.
Pois no domingo em que se comemorou o Dia dos Namorados no Brasil, 12 de junho, esses patrícios aprontaram de novo, desta vez em Porto Alegre. Colocaram o pessoal pra dançar. E já fizeram isso em Miami também, pra inaugurar uma rota. Mais que marketing vivencial, isso é arrancar carisma do público. Essa é a acepção real da expressão manjada: "Nós comemoramos e quem ganha é você". Parabéns à TAP pela inovação. Numa próxima viagem certamente vou consultar passagens com eles. "Gentileza gera gentileza".
vejam os filmes...

sábado, 11 de junho de 2011

Adesivos de "famílias felizes" - Um "Facebook" à moda parachoque de caminhão

O "legal" e o "real" - quem vai ganhar as ruas?
Gente quer sempre afiliação, aceitação e exposição de sentimentos é uma forma bem conhecida de preencher essa necessidade. Pra isso, redes sociais e micro blogs estão aí pra dar conta de toda essa exposição minuto a minuto. Gente que não desgruda do blackbarry. Escovou os dentes, postou. Deu três passos, postou. Respirou, postou. É a tecnologia à serviço das carências. Mas só isso não chega e os métodos tradicionais prevalecem, como por exemplo, personalizar o próprio carro. Essa tem sido uma forma milenar de aparecer e buscar aceitação – o carro do sujeito diz muito sobre ele mesmo e seus hábitos. Os parachoques de caminhão e os parabrisas com dizeres "Eu amo a minha família" ou "Não tenha inveja, trabalhe" são ícones e sempre puxaram a fila. A última mania: os tais dos adesivos “famílias felizes” grudados na tampa do porta-malas. Cachorrinho, gatinho, as crianças e seus papais de mãos dadas, sorridentes. Exteriorizar relações afetivas e dedicação à família é tido como importante (ainda que falsa) entre brasileiros e agora estampa nossos carros. Mesmo com o declarado risco de marcar o carro, dando informações a bandidos e agressores, ninguém liga - virou febre. 
Sempre que vejo esses adesivos enquanto espero abrir o sinaleiro, me arrepio. Me vem um sentimento bastante perverso de falsidade ideológica no àr – gente amarga, cheia de problemas e neuroses que se refugia num singelo adesivo  como se tudo fosse um mar de rosas. Pai que bate em mãe, filhos que não se entendem, cães que não existem. Como se as mazelas fossem a excrescência e a felicidade uma ordem. Ninguém me engana.  Mas esses dias começaram a aparecer uns adesivos vida real, de “famílias infelizes”. O exibicionismo ficou então mais mundano e os adesivos retratam pais viciados, mães depressivas, crianças brigando, um cachorro morto. Penso em algo mais frugal, que não vi ainda...como seria um adesivo de filho mimado e sogra marrenta? Longe de qualquer apologia, pelo menos esses servem de crítica bem humorada aos exageros que as pessoas cometem, os excessos pela simples necessidade mostrar aos outros que namoram, tem cães e gostam dos filhos, ainda que isso posso ser um mero desejo de quem nunca foi feliz de verdade. Pra quê isso tudo??   

terça-feira, 3 de maio de 2011

A "anti-auto-ajuda" 2

Um tornado é algo longe demais de nós brasileiros...esse era o pensamento até que em 2010 o pessoal do interior de São Paulo viu aquele canudo de vento rasgando algumas lavouras, coisa de filme, só que muito mais assustador porque era real. Um terremoto não é coisa do país do futebol...também pensava assim até o estado de Pernambuco registrar uns abalos aqui e ali. E, pensando bem, o Chile também não é tão longe. 


Quando acontece com os outros, é fácil ter sempre uma teoria na ponta da língua, acompanhado de um fascínio necrófilo. Mas e quando é com a gente? Quantos de nós se prepara pro inesperado? Quando o bicho pega, some o homem alinhado e fica a criança chorona. Resto de homem pessimista, reclamão, inseguro, fatalista e incapaz de aprender na dificuldade e de, muito menos, estender uma mão. Vergonha. Se a reação normal fosse o contrário, não existiriam os heróis solitários. Resposta típica de um herói solitário: “Na hora, não pensei muito, só me veio na cabeça fazer o que era certo” ou então “não me sinto um herói, fiz o meu trabalho da melhor forma que sabia”
Quantas vezes, quando as dificuldades chegam, remetemos o pensamento a uma atitude saudável e duradoura, tipo: “azar, vou fazer o melhor que posso, não vou desistir"? O normal é pensar “ih, a casa caiu” e tentar tirar o corpo fora? É na mudança, nos conflitos e nas dificuldades que temos as maiores catarses, mas infelizmente a tendência é afundar nelas ao invés de buscar um cipó firme e nadar contra. Será que, como teste, quando surgir a primeira dificuldade séria, a nossa reação for um passo pra frente não um passo pro lado, as coisas não poderiam ter um final diferente? Estou disposto a seguir tentando e desejo o mesmo pra você também.
para acessar "A anti-auto-ajuda" número um, clique aqui

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa 2011

Tenho um orgulho danado da minha turma de faculdade. Conseguimos superar os anos de gelo e retornar o contato, o calor humano dos tempos de PUC. Isso é raro. Tá cada um num canto, mas todo mundo sempre conectado. Sinal de que todo o carinho reprimido estava ali, precisando de um empurrão. Pois o meu amigo e colega de PUC Felipe de Oliveira presenteou a todos da turma com essa linda mensagem de Páscoa que divido com todos os leitores do "Se Espirrar, Saúde!".   Pessoas, eu sempre desejo dias felizes pra todos vcs...e não poderia ser diferente na Páscoa, né?
Ocorre que nós, eternos aproveitadores, transformamos a Páscoa de tal jeito, que hoje muitas crianças estão divididas sobre isso: umas acham que a Páscoa é do Coelhinho (entre estas existem, inclusive, algumas, que acham que o coelho bota os ovos da Páscoa. Isso, é claro, seria impossível, uma vez que são de chocolate e derreteriam ao passar pelo ânus do pobre animalzinho), outras acham que o dia da Páscoa é o dia da churrascada, aliás não sabem porque se come tanto peixe nesta época. Há, ainda as que associam a Festa, a uma visita ao Mac Donalds e até suspeitam que o Coelhinho fala inglês (nunca sei direito onde colocar esse acento circunflexo). Também existem aquelas que acham que a data é apropriada para ganharem aquela camiseta do time do coração (se for o Grêmio é claro que serão perdoadas). Assim o que fazemos, de verdade, é transformar a Páscoa em um grande bazar, onde se vende de tudo, e nos esquecemos do que ela realmente representa. Não que nós devamos nos enfurnar em algum lugar sozinhos e passarmos todo o dia fazendo retiro, mas vamos nesta Páscoa, por alguns minutos do dia, nos reunirmos com nossas crianças e ensinar a elas o que ela representa de verdade. Tenho a certeza que se agirmos assim esta será uma Páscoa maravilhosa. 
Um grande abraço a todos e Feliz Páscoa

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Psicólogos do Trânsito - paz no trânsito por um sorriso

Não entendo a intolerância no trânsito. Uma vez estava com um amigo, de carona. Ele demorou um pouco mais pra arrancar com o carro e fazer uma conversão. Foi o suficiente pra um taxista atravessar o Ômega na frente dele e emergir de lá de dentro com uma barra de ferro, espumando como um pitbull. Um pouco de “deixa disso” em troca de alguns palavrões o cara foi embora tão rápido quanto apareceu, mas ninguém mais dormiu naquela noite. Uma barra de ferro. Pra que isso?
Psicólogos do Trânsito: Fornecem sorrisos sem pedir nada em troca
A frota carros no Brasil mais que dobrou de 2000 a 2010. São quase 65 milhões, número superior à população da Argentina.  Assim, trânsito confuso não é mais “privilégio” de paulistanos há muito tempo. E com tanto carro na rua, intolerância, stress, socos e pontapés se multiplicam. Na capital paulistana, são cerca de 150 ocorrências por dia. Mas ainda tem salvação. Tem gente que dedica horas da semana, que poderiam ser usadas pra estar com família ou amigos pra fazer motoristas se desarmarem e sorrirem. Arrancar sorriso de motorista estressado no trânsito de São Paulo, ainda que por cinco segundos, assume outra perspectiva quando se trata do “rush” - e eles conseguem. Um dia, Guilherme Brandão, um ex-estressado no trânsito, resolveu passar pro outro lado. Inspirado no trabalho que a trupe Doutores da Alegria faz em hospitais, desenvolveu repertório semelhante só que tendo como palco a faixa de pedestres dos cruzamentos mais movimentados de São Paulo. Surgiu a trupe de palhaços “Psicólogos do Trânsito” – seis palhaços que usam o intervalo nos sinais de trânsito na tentativa de tornar aquele momento mais leve para os motoristas que assistem às performances.
Tenho inveja de quem, como Guilherme, descobre uma forma de exercer a cidadania e acredita nela. Gente assim desperta na gente a vontade de acreditar que as coisas podem melhorar. Só que essa é a inveja do bem. A inveja do mal faz outras coisas: o Conselho Regional de Psicologia reclama o uso do termo "Psicólogos", uma vez que são Palhaços. Engraçado, sabe que eu não tinha percebido? Achei que aqueles palhaços na esquina do escritório eram Psicólogos mesmo! - me poupe. 
Recado pra Dona Maria Bethânia (a cantora): Criaram coisa bem mais útil que um blog de poesia e não precisou um milhão e meio de reais pra isso!

fonte: site Psicólogos do Trânsito e Notícias Terra website