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sábado, 6 de agosto de 2011

Abelhas e seus perfumes

Combinação perigosa: um fascínio secular por perfumes e minha fobia obsessiva por abelhas (e assemelhados). E eu atraio, ao menos é o que parece. Compenetrado no meu prato de massa com almôndega, percebi o zumbido e ela se veio. Abelha me tira a graça e a razão com muita facilidade. Aquele papo de que “se não mexer com ela, ela não faz nada”, pra um fóbico, é pura conversa. 
- Ou é a Coca Cola ou o perfume – veio a voz por detrás do balcão. Era o dono do boteco, vendo meu salto da mesa. Ainda me esquivando, perguntei: - Como assim o perfume?
- O seu perfume, claro. É meio doce, não é? Tenho apiário há mais de trinta anos. Esses perfumes fortes. Tem alguns que elas adoram. Quem tem medo desses bicho, não pode usar perfume.
Notei naquele finzinho de frase uma zoada boa, mas tudo certo, ele tem razão. Pelas abelhas (ou pela ausência delas), largo os perfumes fácil, fácil. Tenho que fazer esse sacrifício e acho justo, afinal nós roubamos os perfumes da natureza e os aprisionamos. A vida ensina e a gente não aprende, mas é da natureza o direito de buscar o que lhe é devido. Ainda que seja pra alimentar minhas fobias, é por uma boa causa. 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011 - "Não Se Submeta..."

2010, um ano em paz comigo. Em legítima guerra com meu temperamento, a expectativa e minha inquietação quase infantil. E o melhor de tudo: sem arrependimentos nem mágoas. Fiz o que era pra fazer, cumpri um legado, fiquei “quites” com boas e más decisões do passado. Pra ter algum crédito, paguei as dívidas e durmo tranquilo. Se faço as pazes com a saúde, faço minha parte, mas não preciso pressa, nem foclore. É assim que deve ser um compromisso, é assim que ele se revela. Comigo mesmo, com os que amo e com minha caminhada. Sigo adiante, página virada. Um ótimo ano pra todos!
("Do It" - Lenine)
a letra está logo abaixo

“Se acredita, tenta
Se tá fora, entra
Se pediu, aguenta...

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Não tá bom, melhora...

Se tá chato, agite
Se não tem, credite

Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance


Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Quer saber, apure

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Não se submeta..."
p.s - Amigo Eduardo Gaspar, obrigado pelo "insight"

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Pessimismo salva - Acredite

O pessimismo é bom e sábio, acredite. Não existe a pessoa pessimista por completo, existe um estado, uma forma de ver um determinado acontecimento naquele momento. Existem episódios onde a visão pessimista salva, enquanto que a “Pollyana” morre sem saber de onde veio a martelada – não tinha plano “b”, nem conseguiu antever os fatos, coitada. Sim, eu li Pollyana, Eleanor H. Porter. Na época, era um livro de meninas, mas eu nunca nutri esse tipo de linha limítrofe, livro pra mim era livro e pronto (lia “Tubarão” com a mesma curiosidade com que lia “Memórias de um Fusca", de Ganimedes José).
Arthur Schpenhauer
O Filósofo do Pessimismo
O “estar” pessimista ajuda a raciocinar melhor, com frieza e sem o atributo da emoção. As vezes, atribuir valor atrapalha e o pessimista normalmente é desapegado a isso quando enxerga um fato e precisa tomar uma decisão – tem menos chance de quebrar a cara. E normalmente deixa os “otimistas” tomarem a frente, enquanto fica “mineirando” o lance para dar o bote. Aliás, tendo vivido em Minas Gerais, aprendi a admirar os mineiros por esse "pé atrás" no DNA. Um amigo meu, mineiro, declarou: "esse jeitão garante melhores negócios e maiores garantias". Acredito nele.
Arthur Schopenhauer dizia que o homem é escravo da sua vontade. Fora o fato de ser intelectualmente mais complexo, isso iguala o ser humano a todos os outros animais.  Por acreditar que a Vontade não pode ser exercida livremente, é apontado como o filósofo do pessimismo – mas é dele o exemplo de ver as coisas de forma fria e analítica “a coisa em si”, sem embelezamentos. A diferença clara é a atitude. O pessimismo destrutivo é o imóvel, contemplativo – o Titanic afunda enquanto a orquestra segue tocando. O pessimismo produtivo é o que se move em defesa. É o realismo em ação, desviando do obstáculo e buscando plano “b”, “c” e “d”. Esse é o pessimismo em estado puro, o que salva e não o entusiasmo festivo de primeira viagem. Schopenhauer estava certo e os mineiros também.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Entre bolinhas de papel e fita crepe

Se você não está seguindo detalhes da campanha pelo segundo turno das eleições majoritárias no Brasil, não se preocupe. Os detalhes vão te seguir de qualquer forma e, o que é uma pena, os piores detalhes. O vazio oco de Dona Dilma versus a falta de cintura do Serra já não são suficientes para alimentar essa “não campanha” pelos “não projetos” que vão “não conduzir” o Brasil. SBT e TV GlOBO travam picuinhas públicas, bem alcoviteiras, uma jogando bolinhas de papel ao que outra responde com bobinas de fita crepe – feio, muito feio. O Presidente da República morde a isca, Serra valoriza, Dona Dilma, pra variar, não diz quase nada. Até o Ricardo Molina foi chamado, perito figura carimbada, famoso por descobrir mistérios escondidos em gravações e pistas sobre a morte dos Mamonas, do PC Farias, do Prefeito Cesar Daniel. Tô sentindo falta de uma pesquisa IBOPE mostrando quantos por cento do eleitorado acredita que foi bolinha ou bobina, por mesorregião.
Prometi que não ia falar de eleições, porque elas passam e o blog continua, mas não me segurei, isso tudo é constrangedor ou engraçado, não escolhi ainda - talvez os dois. Capa do “The Economist” - “Elections in Brazil - Paper Balls or Masking Tape?”. Se ainda não saiu, está em tempo. Ok, Dia 31 de outubro de 2010, o Brasil vai afinal escolher se ficamos com a fita crepe ou a bolinha de papel, vida que segue. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um Brasil de Tiriricas e Urnas Biométricas – parte II

Nunca mais uma eleição presidencial vai ser a mesma, sejam quais forem os resultados destas majoritárias no Brasil. Nunca mais vamos esquecer 2010. O fator internet mudou o referencial de jogo, mudou e vai continuar mudando o norte de tudo o que se diz e faz numa eleição, foi assim na disputa que elegeu Barack Obama nos EUA e vai ser assim daqui pra frente. Antes do Youtube, do Facebook e dos HDs de 1 terabyte, quem guardava recortes de jornais era considerado um expoente, preciosista e as pessoas podiam creditar escolhas erradas à memória curta, mas na era pós-internet, jamais.
Se por uma lado, as urnas biométricas mostram o futuro e as regras do jogo eleitoral ainda deixam o eleitor de saia justa, prestando contas com o passado, por outro lado, já não dá mais pra dizer “viu? eu avisei - passa o tempo, ninguém lembra mais”. Errado - só não lembra quem não quiser, bastará sempre 15 minutos de pesquisa na web, tá tudo lá, nada mais escapa – as gafes, as contradições, as declarações de hipocrisia, calúnia, as piadas de mau gosto. Está cada vez mais difícil desdizer o dito e afirmar que “não foi exatamente aquilo que queria dizer”. Quem não mantiver a coerência e a firmeza no discurso, dança. 
Fiz as pazes com o passado - ter um HD de 1 terabyte em casa ainda acho um pouco de exagero, mas comprei um de 500 gigabytes. Minha gaveta de recortes ficou vazia, mas minha memória, jamais vai ficar.  

domingo, 10 de outubro de 2010

Tiririca & The Young Turks

The Young Turks. Isso diz alguma coisa? Pois pra mim, até ontem não dizia. The Young Turks é um famoso talk show americano transmitido via web, também pelo Youtube e pelo Sirius Satelite Radio (um modelo muito parecido com TV a Cabo, só que por rádio). Os vídeos são disponibilizados diariamente, como se fossem um podcast (ou videocast, no caso) e trazem entrevistas engraçadas falando de política, cultura, gente, moda, enfim de tudo um pouco. Mas de 18 milhões de pessoas acompanham o programa (e a gente acha que já conhece tudo por esse mundo).
Pois semana passada, o "TYT" veiculou um bloco especial sobre a eleição do palhaço Tiririca no Brasil. Isso mesmo. Marina Orlova, celebridade nacional na web, e Cenk Uygur, famoso comentarista de New Jersey, declaram ser fãs do Tiririca. Tirando qualquer conotação, foi a análise mais espontânea e realista que já ouvi sobre o assunto - mais próximo da vida real, o que mostra que desencanto com a forma de se fazer política num país há muito não tem sido um privilégio nosso, não mesmo. Vale à pena.

fontes: Youtube, TYT website & Wikipedia.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Um Brasil de Tiriricas e Urnas Biométricas

Eleição 2010 é passado. Segundo turno, futuro. Então se juntar passado com futuro, o que pode dar? Essa é a pergunta que me faço, respondendo a um mail que recebi – um leitor do blog perguntava se teria algum post sobre eleições. Não ia, mas reconsiderei. Vejo dois momentos claros nas eleições brasileiras – um passado e um futuro. Momento futuro – nesta eleição 2010, 60 cidades testaram as primeiras urnas biométricas – você põe o dedo na dita, ela faz a leitura de sua digital e pronto – não precisa qualquer documento. Mais de um milhão de pessoas votou desta forma. Ter o resultado de um pleito no mesmo dia já é história, inovação é mais que isso. Não gosto de tripudiar, mas não posso deixar de pensar nos coitados dos americanos naquela mal fadada eleição Bush vs Al Gore (lembra do caso da fraude na Flórida?). Lá, voto ainda é no papelzinho... Momento passado -  tudo tem o lado perverso.  À exceção do voto para o Presidente, no instante em que apertamos o ”confirma” de uma "ultra-moderna" urna eletrônica (moderna para os outros, abroad - pra nós brasileiros, elas estão aí desde 1996), não sabemos mais o que foi feito do nosso voto. Pra Senador e Deputado a regra do jogo é confusa e tendenciosa, deixando toda a responsabilidade sobre a cabeça do eleitor. Michel Temer se tornou deputado por causa das sobras de legenda na época e não pelo voto dos eleitores – periga virar Vice-Presidente. O palhaço Tiririca faturou mais de um milhão de votos por São Paulo e levou com ele mais três afortunados, cada um com menos de 100 mil votos (precisava mais de 300 mil para ser um Deputado legítimo). Inovação ajuda mas não faz milagre, quando o problema é cultural e ético. Será que dá pra criar uma urna biométrica que proteja o eleitor de um voto equivocado?
Fonte: estadão.com e talk show Lúcia Hipólito (rádio CBN).