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domingo, 31 de março de 2013

Precisamos de mais Fair Play


Na coisa de educar, sou um absolutista confesso. Leis são de caráter centralizador, são irrevogáveis até segunda ordem e não existem alternativas a não ser cumpri-las. Até não nego explicar o “porque” das coisas, mas uma vez só, pausadamente e favor não insistir – o bicho pega. A isso chamo impor limites. Chame do que quiser.

Ivan Anaya e Abel Mutai
Então, à medida que o filhote vai crescendo, vai ficando difícil passar certos conceitos por decreto, nem por lobotomia. A coisa de educar passa por um estágio mais sofisticado: o do interesse e da vontade, onde cada oportunidade tem que ser aproveitada ao máximo naqueles breves minutos de pura curiosidade. Do contrário, parece que uma fina camada protetora  de teimosia e descaso se forma no entorno do pirralho. Quer um exemplo? Tente ensinar ao seu filho o que é Fair Play sem um motivo de peso. Algo que realmente chame a atenção e desperte interesse. Vai parecer piegas ou amanhã ele não vai nem lembrar. Mas bastou um evento ou fato marcante e está feita a oportunidade. A sofisticação passa por mostrar atitudes, mais do que palavras, mas no momento certo pra que tenham seu duradouro efeito.

Durante uma corrida no interior da Espanha em dezembro de 2012, Ivan Fernandez Anaya, 24 anos, vinha em segundo lugar e percebe que o queniano Abel Mutai, líder da corrida, erra o ponto, diminuindo a marcha. Abel encerra a corrida antes da chegada, já festejando e nem percebe a chegada de Ivan. Ao invés de aproveitar a distração do adversário e ultrapassá-lo, Ivan diminui o ritmo e alerta o companheiro, quase empurrando-o para a linha. Abel chega em primeiro. Ao ser questionado por um jornalista sobre a atitude, Ivan justifica:

“Ainda que ganhar me valesse um lugar na seleção espanhola, não teria ultrapassado. O que fiz é melhor do que ter ganho a corrida. Isso é importante, porque do jeito que as coisas estão no futebol, na sociedade, na política, onde parece que tudo vale, um gesto de honestidade vai bem.”

É disse que precisamos. É a isso que me refiro. 
Veja o vídeo.

sábado, 9 de junho de 2012

Filhos - direitos, deveres e recompensas


Um legado que quero deixar pro meu filho é a noção saudável entre direitos, deveres e recompensas. O que vem do coração não pode ser precificado. Solidariedade e respeito às obrigações diárias, por exemplo, são gestos de cidadania que começam em casa. Mas um pequeno deslize pode por tudo isso, lindo de morrer, a perder. Meu filho na saída do colégio:
- Pai, vai ter prova essa semana. E se o Charles tirar dez, a vó dele vai dar 50,00 pra ele.
Dan Kadlec
remunerar por obrigações? jamais.
Pra ganhar tempo antes da resposta, devolvi: “-Quem é Charles, filho?”
- É meu colega, pai. A mãe dele aumentou a mesada dele porque ele ajudou a limpar o pátio e tirar o mato dos vasos da casa. Puxa, pai a gente podia fazer isso, né...
Tema espinhudo. Tomava fôlego, quando meu pequeno foi de súbito distraído por outro amiguinho que passava. O assunto mudou radicalmente e isso me deu tempo pra elaborar. Direitos, deveres e recompensas – não posso ser leviano com uma coisa dessas, tenho que pesquisar.
Achei Dan Kadlec, respeitado escritor e colunista de finanças do Time e da Money Magazine. Em seu artigo no CBS Money Watch, Kadlec menciona as cinco situações onde jamais se deveria pagar aos filhos em troca de algo. São elas:
Para ter boas notas na escola – incentivar o estudo pesado dando uma grana caso a criança tire 9 ou 10 numa prova é forçar a barra – ser bom aluno é pro futuro da criança e não uma moeda de troca com os pais. E, segundo Kadlec, pode causar problemas de baixa estima em crianças esforçadas, mas com dificuldade de aprendizado.
Tarefas domésticas – tão perigoso quanto o de cima. Tarefas são uma contribuição ao bem estar da família, não um trabalho remunerado. E pode plantar a dúvida, ainda que inconsciente, sobre a real participação da criança na família. Se quiser remunerar o pimpolho, use atividades que não fazem parte de sua rotina de contribuições livres.  
“Aparições sociais” – não raro, a criança acha “um saco” ter que ir num recital da irmã ou na casa da vovó. Isso faz parte do “ser criança” e do fazer parte dessa família. Jamais deve ser remunerado. Segundo Kadlec “-qual será o próximo passo? Suborná-lo para amar você?”
Por praticar boas ações – um trabalho voluntário com alguma remuneração combinada é bom pra formação de um curriculum, mas isso é outra coisa. Não faz sentido remunerar por ajudar uma velhinha a atravessar a rua, por exemplo. O reconhecimento deve ser demosntrado com atitudes de valorização da estima também.
Comportar-se bem – respeitar os outros ou não bagunçar num teatro faz parte do comportamento de um ser humano equilibrado. Mas é triste ver um pai quase suplicando pro filho não ter um chilique numa loja de brinquedos. Quase sempre o preço do silêncio é um lindo e vistoso G-Joe indo pro caixa. Boas maneiras jamais serão motivo pra recompensar.

Concordo com cada ponto escolhido por Dan Kadlec. Não me cabe atribuir juízo de valor à forma como você que lidar com isso junto a seus filhos. Espero que sirva pra você também. A questão é que, assim como no meu e no seu tempo, educação financeira foi (e continua sendo) um tema distante demais da sala de aula. Meus pais não fizeram milagres, mas se esforçaram pra dar essas noções, ainda que de forma intuitiva. Ou seja, o tema sempre esteve e continua nas nossas mãos e ainda podemos fazer algo a respeito. E, se não se importa, tenho ainda um papo pra levar com um carinha lá em casa...
fonte: Dan kadlec.com, CBS Money Watch, Exame.com

domingo, 14 de agosto de 2011

Histórias de Pais e Filhos parte II

Se você perceber que pra ser feliz precisa ser menos executivo, menos doutor, menos celebridade e mais pai dos seus filhos, não entre em pânico. Na hora da verdade, seus filhos vão mostrar o que eles realmente prezam. E você vai se surpreender. E vai aprender que valor não se discute, ainda mais quando expresso no olhar de um filho. Quando queremos dizer pra eles o quanto somos poderosos, eles apenas querem saber de nós porque o sol se pôe. Daí virá o verdadeiro valor do aprendizado e o que aprender com os filhos representa pra sua vida e pra deles. 

domingo, 27 de março de 2011

Resiliência - A Revanche

Como ensinar Resiliência pros nossos filhos?

“Quando a família do meu avô migrou pra o Brasil fugindo dos efeitos do pós-guerra, não sabiam falar uma palavra em português, só japonês. Foi assim que meu avô foi pra escola - apanhava direto da garotada, porque não entendia o português. Aprendeu idioma deste jeito: apanhando – e hoje o pessoal fala de bulling como se fosse a pior coisa do mundo.”
Ouvi isso do meu amigão Ricardo, parceiro de Squash. Nada mais sensato. Então lembrei da coisa da resiliência. Resiliência. Já falamos dela no blog (clique na palavra). Com essa história do Ricardo, penso em filhos. Como é que se ensina a usar a inteligência para que possam resistir às pressões e obstáculos do dia a dia e da vida? Parece um pensamento comum? Pense nessa população de vinte e poucos anos que invade as empresas de hoje e que não sabe esperar nada, não se apega a nada nem sabe levar desaforo pra casa. Vejo neles bacuris mimados, cheios de proteção, resguardo e soberba, sem receber um “não” decente. Uma vida sem frustrações nem perdas. Tá assim ó de gente desse tipo querendo espaço.
A dica mais coerente que encontrei sobre como um pai pode tirar filhos do caminho da soberba li num artigo do Professor Luiz Carlos Cabrera. Esportes coletivos, trabalhos manuais e o aprendizado de um instrumento musical impõem à pessoa desafios absurdos. Anos de persistência podem criar um resiliente. Então tá, nem apanhar por não saber um idioma, nem dar passagem a um pequeno monstro arrogante.
Ricardo, se nossos avós não tiveram lá muita escolha, nossos filhos terão perspectivas bem mais interessantes e nós podemos dar isso a eles, só nós. Saúde pra nós! 

domingo, 5 de dezembro de 2010

"Pai, o que é um Gay?"

Ouvi esta pergunta "em off”, por sobre meu ombro, enquanto enfiava a cara nas notícias do dia. Do perguntador, só via o cabelo em pé escondido atrás do encosto do sofá, num mar de carrinhos. Nessa hora, ganhar tempo é precioso, experiência é o que conta. Devolvi no ato, como quem não quer nada: “-Onde tu ouviste essa palavra?”. “-O Beto, meu colega, vive chamando todo mundo de gay. Disse que é o homem que gosta de beijar homem, arrgh! Pai, isso é verdade?”.  Essa minha mania de querer ganhar tempo – o assunto complicou, resolvi ir por partes.
aprendendo sobre as diferenças
Esperava ser colocado, um dia, no canto da parede por uma pergunta destas. Esse dia ia chegar de qualquer jeito - filhos crescem. Então é besteira querer se preparar pra isso – na hora “H”, a matéria prima ao alcance das mãos é o que você realmente acredita e aí, a máscara cai. Evoquei o mundo como um lugar cheio de pessoas diferentes, ninguém é igual a ninguém. E que as diferenças fazem parte da vida. Enquanto falava, fui “tirando a febre”, pelas reações daquele par de olhos pretos, atentos, me testando em cada palavra. Dei exemplos de animais, de plantas, diferentes idiomas. E que entre as pessoas, funciona do mesmo jeito. Que fisicamente, embora os seres humanos sejam homens e mulheres, o corpo escondia outras diferenças: existem homens que gostam de homens e mulheres que gostam de mulheres e que esta é mais uma das diferenças criadas pela mãe natureza. Pedi que ele me desse exemplos de seres diferentes. Achei graça quando mencionou japoneses. “-Pai o japonês é diferente, porque tem olhos puxados e mora no Japão, mas aqui também tem japonês”. "-Isso mesmo filho." “-E esse negócio de homem beijar homem?”.
“-Cara, as pessoas se beijam quando querem demonstrar carinho, não é? Beijar não é feio, quando é feito com carinho, pelas razões certas. E todo o motivo certo tem também o momento e o lugar certo. Um casal dando aquele beijão tipo desentupidor de pia, no meio da rua ou em novelas, não é exatamente bonito. E aí, não importa se é homem ou mulher, concorda filho?". “-Verdade, pai.” Vi que tinha achado um bom caminho e tomei mais coragem: “-Esse teu amigo infelizmente não teve a chance de ter essa conversa que estamos tendo. Ele está usando a palavra “gay” pra agredir os outros colegas e isso não é certo. Poderia ser outra palavra qualquer, de todo o modo, não é certo querer agredir os colegas gratuitamente, concorda?" Parei ali, quando percebi que os carrinhos já estavam mais interessantes que a minha prosa.
Educar não tem fórmula e não é pra ter, vai depender do que acreditamos e praticamos. É claro que essa conversa ainda vai voltar, porque eles não se contentam com pouco e estão certos – a próxima conversa vai ser sobre “preconceito” e vou estar o mais bem preparado possível. Aprendi com um amigo e guru, Sr. Osvaldo Munhoz: “Na hora do instinto, a pessoa reproduz a atitude que ela mais sabe e sempre praticou”. É assim com os filhos e é assim na vida. Quem sou eu pra contrariar?
fontes: Mente e Cérebro - notícias & Wikipedia

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Livros ruins também podem fazer nascer "Monstros"

Se a criançada em casa vier com a orientação da escola de ler o “Quando Nasce um Monstro” - Sean Taylor e Nick Sharratt Ed. Salamandra (isso mesmo, o nome do livro é esse), questione a escola. Esse título já me desceu quadrado, mas fui à cata do tal livro, cuja capa sugere um humor leve, um monstrinho verde sorridente, dentro de um carrinho de bebê. A chamada na contra-capa também é curiosa: “Para quem ler este livro de monstro, existem duas possibilidades: ou a pessoa o lê à noite, e ri até cair da cama, ou... lê de dia, e ri até cair no chão... Mas de jeito nenhum vai escapar de dar monstruosas gargalhadas! Um livro cheio de possibilidades e de piadas!” Saí da loja e, enquanto lavava o carro, fui ler o livro pra ver as "piadas" – até agora estou me perguntando que livro é esse.
32 páginas de desenhos com, no máximo, 3 até 5 linhas de texto e com letras BEM garrafais, um belo presente à preguiça da garotada, mas tudo bem, vá lá. Mas o texto não ajuda – é pobre, pobre “de marré de si”. Criança fantasia tudo, mas tem limite - não sei como alguém pode engolir algo como: “Se o Monstro Come você, acabou a história. Mas se você o leva pra escola, existem duas possibilidades: ou ele senta quietinho, faz toda a lição e se torna o primeiro monstro a jogar no time da escola, ou...ele come a sua Professora”. Deixa eu esclarecer: aqui no caso, não existe nenhuma alusão maldosamente bi-transitiva no verbo “comer”. É um texto de puro mau gosto mesmo. E o texto viajandão continua: “Se o Monstro senta na praça, acabou a história. Mas se ele segue para as Florestas Distantes, existem duas possibilidades: ou ele encontra um Hotel Carésimo no caminho, e resolve dormir lá (uma nota minha: notem a vírgula antes do “e resolve” – Deus do Céu, ESTÁ NO LIVRO!), ou ele dá a volta no prédio, encontra um guarda-chuva velho e resolve dormir embaixo dele.”. Perguntei pro meu moleque o que ele achou do livro: “Pai, forçou a barra, muito ruim”Será que a professora que indicou essa pérola sabe o que é “O Pequeno Príncipe “(Saint-Exupery), ou mesmo “Flicts” e toda a ótima produção do Ziraldo? Me preocupa muito o que esse pessoal do ensino anda lendo lá na escola. Por isso, cuidado. Se esse livro bater à sua porta, afaste seus pequenos leitores dele e pergunte mesmo qual a orientação pedagógica da escola quando o assunto é leitura. Eu estou fazendo isso e aguardando uma resposta. O que será que vai vir? Existem duas possibilidades: se a orientadora aceitar minha queixa...

domingo, 4 de julho de 2010

Não dê refresco aos bullies - parte II

Participei de uma de várias reuniões para avaliação de pessoas ao estilo 360 graus em minha empresa. Processo novo, denso, desgastante, mas funciona mesmo. Saí de lá com a cabeça cheia de idéias (e dúvidas) sobre como as pessoas se percebem avaliadas e o impacto disso no comportamento delas – de saída, ninguém fica confortável sabendo que outra pessoa está te “dissecando” e que isso vai gerar uma percepção (legítima ou não, é uma percepção) e essa percepção traz conseqüências. O que “consequência” quer dizer? Depende da atitude de quem avalia. Boas atitudes geram bons feedbacks, que geram mudanças positivas (isso se o avaliado tiver a fim, claro).
Pós-reunião, entre um chope e outro com colegas, a conversa enveredou pro medo que as pessoas têm de expor “fraquezas”. Acredito mesmo que exista uma raiz mal resolvida na forma como se avaliam pessoas e isso vem desde a escola. Provas, testes, campeonatos, quizzes. Tudo técnico, conteudista, mas cadê a competência e os valores? A primeira vez que ouvi falar de avaliações PPA, por exemplo, foi quando fui avaliado em minha primeira empresa. Era como estar entrando num enorme tomógrafo.
Desconheço métodos de ensino formal que privilegiem um forte mapeamento comportamental por competências. Se tiver alguma escola que invista fundo nisso, merece um prêmio. Fico imaginando um filho trazendo pra casa junto com o boletim, um PPA ou coisa do gênero – no mesmo dia, a orientadora liga pra mãe do garoto pra marcar uma sessão de feedback e, a partir daí, definem juntos um plano de ação para ajudá-lo a enfrentar as dificuldades e potencializar aquilo em que ele é "the best". Tudo de forma muito positiva e engajada no que é melhor pra criança, sem apelar pra estereótipos de comportamento ou coisas do tipo. Será que não funcionaria? Duvido. Pessoal do ensino, isso poderia ser uma poderosa arma anti-bullies, anti assédio moral nas empresas, etc...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Não dê refresco aos bullies

Assunto do momento: O bullying“todo o ato de violência, seja física ou não, intencional e repetitiva contra alunos de uma escola, impossibilitados de fazer frente às agressões sofridas”, segundo Ana Beatriz Barbosa Silva, psiquiatra da UFRJ e autora do livro “Bullying - Mentes Perigosas nas Escolas". E o criminoso se chama bully (agressor).
Começando a pesquisar, percebi que o bullying sempre esteve lá, não é novo, só o nome. Uso óculos desde os quatro anos, sempre adorei livros e era muito tímido – combinação explosiva - onde eu ia, tinha confusão. Seria o kit bullying perfeito, se eu fosse um pré-adolescente de hoje. Se emprestasse a juros todo o dinheiro de lanche que me roubaram só por sacanagem, era um homem rico. Só usava cordas duplas nas calças do moleton, senão...vuupt, era calça arriada em público a toda a hora. Ninguém merece.
O repúdio ao diferente sempre existiu, como uma patrúlia dos padrões de comportamento, nem sempre silenciosa, mas certamente eficaz. Hoje nas empresas, quando vejo um executivo á cata de um estereótipo entre seus subordinados, por exemplo, consigo ver esse cara no pátio do colégio, com seus 13 anos, humilhando um “nerd” em público e instaurando a lei da mordaça (“abre a boca e te cubro de porrada! E se amarelar,..também”). É uma pena, fico pensando quanta gente de valor desaparceu atrás de uma máscara de baixa estima porque um descerebrado desses achava isso normal e prazeiroso. Uma criança perturbada é mais cruel que dez adultos empilhados – usam, com precisão cirúrgica, o assédio psicológico.
Lembro que um dia enchi o saco de ser saco de pancada e fui à luta. Fiz dos meus óculos meu sabre jedi e aprendí a tocar violão – bem na época, pra insuflar o ódio dos meus bullies, a sorte deu uma mãozinha: Herbert Vianna lança “Óculos” (porque você não olha pra mim, por trás dessas lentes tem um cara legaaal...). A partir dalí, passei a dar as cartas pacificamente na turma do colégio, era o ínicio do meu aprendizado de liderança, sempre respeitando as diferenças e os diferentes. Mas não vou dizer que não foi doído, foi sim, não dá pra esquecer.
Quem é pai tem que olhar pra isso com atenção, não deixar o bullying barato. Vá pra cima com tudo, pois pode significar o futuro do seu filho. A Saúde dele, com certeza, agradece (Por trás dessas lentes também bate um coraçãão....).
fonte: "Bullying - Mentes Perigosas nas Escolas (Ana Beatriz Barbosa Silva - ed. Fontanár/2009).

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Lição do Figo Rosado (parte II)

Sábado cedo, acordei inspirado e fui ver a figueira. Eram 6 figos ensacados, para não trazer pássaros – perfeito. ROSATUS FIGUS LECIONITIS ONNIA VINCIT (como não sei dizer “A lição do figo rosado sempre vence" em latim, inventei), mas...como evitar que o vento leve os saquinhos? Tem sempre uns 3 ou 4 destes saquinhos espalhados pelo pátio. Capaz que eu vou amarrar “a perna do figo” como meu avô fazia. Ele tinha uma paciência tibetana, coisa bem rara nos dias de hoje, muito menos eu. Meu jardineiro, estimado Valcir, estava em volta. Respirei fundo e comecei a amarrar cuidadosamente o barbante no primeiro figo (eram mais 4 pra ensacar e amarrar). Com calma, levei os primeiros 3 nós cegos na esportiva. Tentei uma 4ª vez, suando, já tinha platéia. O Valcir me olhava complacente por uns 10 minutos: “O Senhor tem daqueles grampeador de escritório?”. Olhei pra ele e o que pensei, lógico, não falei - muita sinceridade força a amizade: “Claro, você precisa de um?” Ante o aceno dele, me levantei resignado e fui buscar – voltei e passei pra ele o grampeador. O Valcir fechou um saquinho em torno do figo e tascou: “O Senhor pega o grampeador, clica aqui desse lado e aqui desse outro lado e tá pronto, não precisa barbantinho não, sô.” Me senti uma besta. Mas a Lição do Figo Rosado Sempre Vence, com ou sem grampeador.

sábado, 12 de junho de 2010

A Lição do Figo Rosado

“Figo rosado traz a atenção dos pássaros, ensacai-vos”. Meu avô dizia sábio enquanto ensacava cada fruto com saquinhos daqueles pra acondicionar pipoca em festa de criança – feito o serviço, garroteava cada um com um barbante fino, para que o vento não levasse. Era pouco mais que um pitoco de gente quando presenciei o ensinamento. “Vô, esse cordão não vai prender a perna do figo?”. Meu vô era um sabio das coisas simples, como simples ele foi a vida inteira. Não era de complicar nada, com poucas palavras, falava tudo. Riu da expressão “perna do figo” e, terminado o serviço, sentou-se para ouvir Internacional e Juventude no radinho Evadin.
Isso me veio enquanto cuidava da nossa figueira. Ensacar os figos é um ritual. Uma homenagem silenciosa ao Seu Antônio - a lição do figo rosado cumpriu seu legado. Essa figueira me supreende, nunca fui de me dedicar à plantas. Comprei a muda porque vi na casa de um amigo e a achei surpreendentemente bonita, pelada e sem fruto algum (vai entender). Dizem que as plantas reagem à mão do dono. Ou enganei essa figueira ou tenho mais apreço por ela do que pensava – até agora, 24 figos, em 3 etapas. Os primeiros 2, não dei muita bola. Os passarinhos chegaram antes, deixando os restos mortais. Ví aquilo e, envergonhado, lembrei da lição do figo rosado.
Hoje, o ato solene de ensacar os figos teve o dobro do público habitual. Meu filho olhava atento. “Pai, pra quê ensacar os figos?”. Ao ouvir aquilo, me senti dono de um imenso legado. Impostei a voz, me preparei, enchi o peito e tasquei – “Filhão, figo rosado traz a atenção dos pássaros. Eles comem e aí a gente fica sem.” Obrigado vô, fique certo de que seu legado está preservado.

sábado, 27 de março de 2010

Não Roube o Sonho do Seu Filho (a)

Se você não viu o filme 300, veja. É violento sim, muito. Mas veja, e se fixe nas mensagens, pois são muitas. Uma delas diz respeito a como a gente rouba de nossas crianças os sonhos e lhes damos em troca o mundo real. É forte a forma como Leônidas se torna homem no filme. Era um garotinho, mas acima de tudo era espartano e um espartano vira guerreiro como? Pelo sofrimento, pela privação, pela ansiedade, pelo abandono – pela sede de enfrentar a fera logo, sem chorar. Mas sede de quem? É só um garotinho.

Fazemos isso com nossos filhos. A criança nasce, brinca um pouquinho, passas os primeiros aniversários, já começa: toma curso de inglês, aula de música, basquete, espanhol também é importante. Hoje se fala também em desenvolver habilidades de liderança (tem pai que entra em êxtase “meu filho será um LÍDER!”). Quem sabe uma escola bilíngüe! Com tanta coisa numa cabecinha só, cadê o tempo pra criar laços de amizade, ler um bom livro, desenhar, sujar as mãos. Ser um suposto bom líder requer algo raro nos líderes de hoje: CRIATIVIDADE e CURIOSIDADE. Isso demanda um pouco de ociosidade e tempo. “Adultizar” a ferinha pra que??

Pára aí. Eu quero sim preparar meu filho para o mundo, mas não só porque o mundo é competitivo, mas, sobretudo porque o mundo é fascinante. E não tenho o direito de transferir pra ele o macaco das coisas que não conseguir realizar, isso é sacanagem.

Esse é meu esforço para ter um adulto infeliz e angustiado a menos na face da terra no futuro. Já terá valido muito à pena.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Natal Chegando 1

Abro uma mensagem do meu amigaço Rico Teixeira (e um mp3 anexado) com um apelo simples pra me convencer a abrir o arquivo (sim, porque eu fujo de abrir anexos):
“As vezes me dá uma saudade danada dos meus filhos pequenos. Veja esta gravação do Brunno (com 28 anos hoje) aos 3 anos escolhendo um presente de Natal. Acho que tô ficando bobão. Meu olho encheu d'água.
p.s. Já escolhi meu presente de Natal pra este ano: quero um peixe!”
Quem não vai abrir uma mensagem destas, sem sequer saber o que tem lá dentro? O conteúdo é uma pérola rara. Somente a natureza das ostras e o coração das crianças são mesmo capazes disso - não tem jeito, é terra arrasada. Depois de ouvir, paro de respirar por 3 segundos e lembro do meu pequeno (que de fato, ainda é pequeno) - respondi então a mensagem do Rico da forma mais inspirada que pude:
Rico, é que passa tão, mas tão rápido... como diz o poeta Luiz Vieira – “Saudade é vontade de ver de novo”. E quando nos damos conta, a gente nem viu. Estivemos ocupados com a ausência. Sir John Lennon, rico e doidão o suficiente aos 34 anos, quando Sean Lennon nasceu, sabiamente fez o mundo parar por 5 anos anos e foi viver esse momento. Viva a loucura.
Só espero que tenhamos tempo pra curtir o futuro com eles e que cada sorriso que possamos endereçar valha cada uma das horas que não estivemos lá. Eles vão entender. Na verdade eles já entenderam. A gente é que não se acostumou com isso.