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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Como pode alguém Amar Muito Tudo Isso??

Ana Falk,
direto de Zurique, Suiça
É dieta da proteína, do carboidrato, da alface, da lua, disso e daquilo. Todas prometem um único objetivo: “reduzir medidas”. Brasileiros tem obsessão por estética, normalmente mais prioritária que a saúde.

Alguém já ouviu falar em dieta para engordar? Talvez, para subnutridos, mas e que tal uma dieta para engordar muito em pouco tempo e ficar doente de propósito? É exatamente essa a proposta (meio maluca, cá pra nós) de Morgan Spurlock em seu documentário “SuperSize Me”(2004). Com o objetivo de criticar a alimentação baseada em fast-food e a cultura americana de ingerir este tipo de alimento, ele mandou ver por 30 dias consecutivos só nas lanchonetes do Ronald. Com três refeições diárias e uma ingesta de cinco mil calorias por dia, Morgan literalmente "provou" as transformações no seu corpo (antes magro) as quais estes alimentos extremamente calóricos e gordurosos podem causar. Relatou mal estar, dor de cabeça, depressão, disfunção sexual, tontura e todo o tipo de inferno astral. Um Cardiologista, um gastroenterologista, um clínico geral, uma nutricionista e um preparador fisico monitoraram função hepática, cardíaca, colesterol pra garantir um mínimo de racionalidade científica à sessão de sadismo.

Momentos tensos (quando ele passa mal) se alternam com momentos curiosos e até engraçados, quando ele visita lojas do Mac e entrevista americanos grandes e espaçosos (no Brasil já temos os nossos também). Mesmo o desespero tragicômico da namorada (vegetariana) ao vê-lo comendo um “torpedo de gordura e colesterol” fica engraçado. Os resultados finais do "experimento" de Morgan são catastróficos, claro. Quase não pôde chegar ao fim dos 30 dias e levou mais de um ano para perder o peso ganho com a empreitada e ter sua saúde de volta. Para os céticos de plantão sobre a quão nocivo é o tipo de gordura usado em fast-foods, vale conferir o filme. Pra quem é ligado na boa dieta alimentar, ficam as reflexões (mostre pra um namorado ou amigo). Mais do que uma crítica sobre essas lanchonetes, existe todo um contexto cultural alimentar. O brasileiro da era emergente é cada vez mais simpático a essa gordureba.  Mas o nosso bom, bonito e barato arroz e feijão de cada dia ainda e a base da alimentação de muita gente e jamais deve ser ignorado ou trocado por congelados ou semi-prontos. Que a nossa geração (e as futuras) não se deixem levar pela preguiça e nunca substituam a boa cozinha de alimentos frescos e saudáveis por “lixo alimentar”. Ok, você é do time que gosta dessas gordurebas? Não leve a mal, claro que não vai ser um post que vai salvar suas coronárias, mas pense nas pessoas que gostam de você, talvez ajude. Tô pedindo muito?

Ana Falk, direto de Zurique...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Laboratório AMGEN avança contra o Colesterol Ruim


Anticorpos Monoclonais
Os anticorpos monoclonais (mAbs, em inglês) são proteínas geradas em laboratório e que tem a capacidade de se ligar a qualquer antígeno (um vírus, uma bactéria, um agente estranho ao organismo) para o qual sejam programados. É como um míssil teleguiado, que vai em busca do seu alvo de forma específica. É muito usado no tratamento de tumores, mas sua possibilidades estão sendo ampliadas. A Amgen está desenvolvendo uma injeção à base de um anticorpo monoclonal chamado AMG145 – esta anticorpo age inibindo o regulador de colesterol PCSK9. Essa substância interfere na capacidade do fígado de eliminar o colesterol ruim (LDL).
Na primeira fase de testes, 54 homens e duas mulheres entre 18 e 45 anos foram divididos em dois grupos: os que receberam o anticorpo e os que receberam placebo em cinco doses diárias. No grupo que recebeu o anticorpo, houve redução de 64% dos níveis de colesterol ruim. Os níveis de triglicérides e HDL não sofreram alterações significativas. O estudo foi apresentado no último encontro da Associação Americana do Coração, em 14 de dezembro de 2012.
colaboração - Alexsander Poubel
fontes:  Revista Istoé on line e G1 Online 

sábado, 17 de setembro de 2011

O Óleo de Vitor



Vitor Guidi - uma decisão judicial inédita no Brasil
(e no mundo) com base numa atitude de amor
Se não viu “O Óleo de Lourenzo”, veja. E saiba que no Brasil temos o nosso Lorenzo Odone. Nunca tinha ouvido falar da família Guidi, até ler a respeito. Vitor Guidi sempre soube que era uma criança diferenle. Um dia, recebeu o diagnóstico de gangliosidose GM1, uma doença degenerativa e irreversível. O pai se orgulha de chamá-lo de guerreiro, mas não advoga pra si nenhum mérito por Vitor ter desafiado o caminho natural da doença.  A sociedade médica mundial diz que a sobrevida de quem sofre de gangliosidose GM1 é de cerca de dois a três anos. Em resumo, a gangliosidose GM1 é uma doença metabólica rara que afeta o cérebro. O organismo tem déficit de uma enzima, a beta-galactosidase, que tem função antioxidante e neuroprotetora no organismo humano. Sem essa enzima, não ocorre a quebra de uma substância chamada gangliosídio (no caso, o GM1), que é neurotóxica. Sem serem quebradas, essas substâncias se acumulam no cérebro, fígado e baço.  Seu principal efeito é o atraso no desenvolvimento psicomotor, deformidades esqueléticas e outros mais ou menos nefastos. A criança regride no seu desenvolvimento neurológico. É o caso de Vitor Guidi, de Curitiba (Paraná, Brasil). Em 2011, com 21 anos, seu comportamento e dependência dos pais se iguala aos de um bebê. Só que, contrariando as estimativas, os primeiros diagnósticos foram dados quando ele tinha quatro anos, mas a batalha pra saber exatamente o que era levou cinco anos. Desde então, Adolfo Guidi (o pai) resolveu dedicar grande parte do seu tempo para suprir Vitor de todas as suas necessidades. O tiro de misericórdia foi a perda do emprego, que fez com que toda essa dedicação fosse de 100%. O pai, então inconformado com as poucas chances de sobrevida do filho, foi estudar tudo o que podia sobre a doença. Descobriu que a reposição da enzima deficitária poderia ser a solução e gastou todo o patrimônio da família pra obter um remédio homeopático, repositor como “soro antiofídico”, seguindo palavras de Alfredo Guidi. E desta forma vem tratando e cuidando de Vitor.

Mas tudo tem um lado perverso - com isso, deixou de pagar a casa em que morava a família. Quase foram despejados até que o processo foi parar nas mãos da Juíza Ana Karina Costa. Numa audiência de conciliação, Alfredo Guidi contou sua história e o porque de não conseguir saldar a dívida. Como mecânico nas horas vagas, a renda era ínfima. A Juíza teve a idéia de propor o uso de um fundo com dinheiro pago por condenados da justiça pra saldar a conta. Deu certo.

Vitor recebe alimentação balanceada com muito cálcio e vitaminas, além do medicamento manipulado à base de enzimas - e tudo isso com muito amor. Seu Alfredo resume sua atitude de forma serena: “era uma questão de decisão e eu resolvi lutar pela vida dele”. Para a ciência, o fato de Vitor estar vivo é quase um milagre. Desde quando é novidade que o amor faz milagres?





fontes: folha online, neurolipitoses.com, soperj website, Istoé website

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Hepatite C - Novo medicamento no Brasil

Foi aprovado recentemente pela ANVISA o Boceprevir (Merck Sharp & Dohme), um antiviral pra tratamento da Hepatite tipo C em terapia combinada tripla – deve ser administrado junto com o Peginterferon e a Ribavirina. 
O Boceprevir, conhecido lá fora como Victrelis@, aumenta em até três vezes a possibilidade do paciente adquirir a cura da Hepatite C. A aprovação da ANVISA foi baseada nos resultados de dois importantes estudos aprovados pelo FDA (agência americana), pela EMA (agência européia) e pelo CHMP (Comitê de Medicamentos de uso Humano da EMA):  O HCV SPRINT-2, com pacientes que nunca haviam contraído a doença e o HCV SPRINT-2,com pacientes que não tiveram boa resposta com outros tratamentos. Existem hoje no Brasil cerca de 3 milhões de pacientes portadores de Hepatite C dos quais grande parte desconhece que tenham a doença. A Hepatite C é uma doença silenciosa, onde o portador só a percebe quando está em estagio avançado, evoluindo para uma cirrose ou câncer de fígado.  
fonte: estadão.com, rcmpharma.com, Correio do Estado wesite e Dr. Drauzio Varella website

domingo, 26 de junho de 2011

Testes para detecção do HIV ainda mais rápidos

imunoblot rápido DPP® HIV 1/2

Hoje existem no Brasil cerca de 630 mil portadores do vírus da AIDS. Destes, mais de 150 mil pessoas que foram ao laboratório e fizeram o teste para saber se tinham HIV nunca voltaram pra buscar o exame. Um exame leva um mês pra dar o resultado – é uma vida inteira pra que alguém enfrente o medo e decida saber a verdade. E a pessoa se torna uma bomba-relógio a solta, podendo infectar outras pessoas simplesmente por negação. Depois de dois anos de trabalho, o Instituto Fio Cruz desenvolveu o único método no mundo capaz de dar o resultado em apenas vinte minutos - assim como os já conhecidos exames pra medição de colesterol, basta uma gota de sangue. O exame se chama imunoblot rápido DPP® HIV 1/2, é confirmatório e feito depois do primeiro exame de triagem. A rapidez permite que o paciente não tenha tempo pra se arrepender e possa ser encaminhado pra tratamento imediato. Com a disponibilização do teste para laboratórios particulares e para o Sistema Único de Saúde, teremos mais pacientes tratados e a diminuição do risco de propagação da infecção.
fonte: Revista Veja e site Biomanguinhos 

sábado, 21 de maio de 2011

AIDS - O potencial dos antirretrovirais

Vírus HIV

Um Trial feito pelo Instituto de Saúde Global e Doenças Infecciosas da Universidade da Carolina do Norte, (Chapel Hill, Carolina do Norte) provou que o risco de transmissão de HIV é consideravelmente reduzido se a pessoa portadora iniciar imediatamente o tratamento com antirretrovirais. O estudo assegura queda de 96% na transmissão do vírus de um infectado para um não infectado. Foram analisados 1.763 casais em 13 países do mundo e, segundo Myron Cohen, responsável pelo Trial, esse foi o primeiro estudo aleatório realizado com o objetivo de avaliar o valor potencial dos antirretrovirais e sua capacidade de tornar os indivíduos portadores menos contagiosos.  


Wafaa el-Sadr, membro do comitê executivo do grupo que realizou o estudo, afirma que o estudo foi formulado para ser mantido até 2015, mas o conselho independente de segurança e monitoramento antecipou seu final "graças aos benefícios muito claros e notáveis que foram apresentados. Eles determinaram que estas descobertas foram tão importantes que tinham de ser compartilhadas imediatamente", disse.
fonte: folha.com

domingo, 24 de abril de 2011

O Óleo de Lorenzo - longo aprendizado

 Uma locadora de DVDs numa cidade de menos de três mil habitantes é um baú de filmes raros. Salinha apertada, no centro da “cidade”, perto da igreja e do coreto, com um acervo de não mais do que setecentos títulos. Normalmente filme antigo não sobrevive em locadoras de grandes cidades onde dois mil títulos é considerado um acervo ínfimo e a rotatividade é enorme.  Então estava eu na minha mini locadora e achei “O Óleo de Lorenzo” – 1992, com Suzan Sarandon (indicada ao Oscar pelo filme) e Nick Nolte.
Lorenzo Odone - 1978-2008
O filme, pra quem não lembra, é sobre a vida de Lorenzo Odone. Normal até os cinco anos de idade, Lorenzo na verdade tinha uma doença genética rara chamada adrenoleucodistrofia ou simplesmente ALD. A prevalência é de 1 em cada 17.000 meninos. A ALD ataca a bainha de mielina, camada que reveste uma parte dos neurônios e impede progressivamente a transmissão de impulsos nervosos. Isso tudo faz com que a criança vá desenvolvendo sintomas degenerativos, como progressiva perda da memória, visão, audição, fala e movimentos. Os pais de Lorenzo (Augusto e Michaela Odone) decidiram mergulhar numa solução, brigando contra o tempo e contra a ignorância – nenhum dos dois tinha formação acadêmica em bioquímica ou medicina, mas encararam o desafio. Pesquisaram e descobriram uma mistura de óleo de canola e oliva que estancou o processo e deu enorme sobrevida a Lorenzo. O Óleo também foi responsável pela prevenção das manifestações da ALD em um monte de crianças portadoras da anomalia genética, uma vez que se mostra mais eficaz quando a doença é diagnosticada precocemente – enfim, uma história de amor e superação.
Sensibilizado pelo filme, fui pesquisar mais e o que eu não sabia é que Lorenzo Odone sobreviveu até os 30 anos de idade - morreu em 2008 e não foi por causa da ALD. Morreu dormindo, de pneumonia persistente, após ter aspirado alimentos que ficaram alojados no pulmão. Segundo seu pai, Augusto Odone, “ele não se mexia, nem se comunicava, mas estava ali com a gente e isso já era uma grande vitória”. Michaela Odone morreu em 2000, de câncer de pulmão (ironias dessa vida).
Sobre o Óleo de Lorenzo – Foi estudado, sintetizado e é até hoje produzido pela CRODA International, uma empresa inglesa de insumos químicos. Desde 2008, a Support comercializa o produto por cerca de 370 dólares um vidro de 500ml (cerca de 600 reais). Nos EUA,  o óleo ainda passa por avaliação do Kennedy Krieger Institute. Esse instituto está encarregado de defender sua aprovação como droga para a terapia da ALD junto ao FDA e até o momento, só pacientes inscritos no estudo clínico podem ter acesso. No Brasil, o Óleo de Lorenzo é aprovado e comercializado como suplemento nutricional (não medicamento) e não é distribuído pelo SUS, até onde foi possível pesquisar. Por aqui existem cerca de 25 casos registrados da doença.
fontes:look for diagnosis website, Myelin website, Rare diseases website e wikipedia. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Cientistas encontram gene ligado ao consumo de álcool

Cientistas identificaram um gene que aparentemente influencia no quanto alguém consome de álcool, aponta estudo com mais de 47 mil pessoas publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O achado poderá ajudar no entendimento do  O gene, chamado "candidato 2 de suscetibilidade autista" (AUTS2), foi anteriormente, como o nome sugere, ligado ao autismo e ao distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade, mas não se sabe ao certo qual é a sua função. Este estudo, conduzido por cientistas do Imperial College London e da King's College London, revelou que há duas versões do gene AUTS2, um deles é três vezes mais comum que o outro. Pessoas com a versão menos comum bebe cerca de 5% menos bebida alcoólica do que as demais. O gene é mais ativo em partes do cérebro associados com o mecanismo neuropsicológico de recompensa. Já se sabia que os genes tinham um papel neste processo, mas único conhecido por fazer uma contribuição no quanto as pessoas bebem era o gene de codificação da desidrogenase, enzima que quebra as moléculas de álcool no fígado. "Claro que há vários fatores que afetam quanto de álcool um pessoa bebe, mas sabemos que os genes desempenham um papel importante. A diferença que este gene em particular faz é pequena, mas descobrindo isto nós abrimos uma nova área de pesquisa nos mecanismos biológicos de controle do consumo de bebidas alcoólicas", disse o professor Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública da Imperial College London. Os pesquisadores analisaram amostras de DNA de mais de 26 mil voluntários procurando pelo gene que aparentemente afeta o consumo de álcool, e depois verificaram os achados com as descobertas em outras 21 mil pessoas. Os voluntários reportaram o quanto beberam por meio de questionários. Uma vez identificado o AUTS2, foi examinado o quanto do RNA mensageiro, uma cópia do código genético usado na produção de proteína, estava presente em amostras de tecido cerebral doados para a pesquisa. A equipe então descobriu que aqueles que tinham a versão do gene associada com o baixo consumo de álcool produz mais RNA mensageiro, o que significa que o gene é mais ativo. Os pesquisadores também investigaram cepas de camundongos que foram escolhidos de acordo com o quanto de álcool consumiam voluntariamente. Eles descobriram que havia diferenças nos níveis de atividade dos genes AUTS2 entre as diversas raças que ingerem mais ou menos álcool. Uma observação em gene relacionado em moscas das frutas também foi levado em consideração e mostrou que o AUTS2 influencia o consumo de álcool em várias espécies. "Nestes estudos nós combinamos pesquisas genéticas com investigação do comportamento animal. Como as pessoas bebem por motivos diferentes, entender o comportamento influenciado pelo gene nos ajuda a entender a base biológica destes motivos. Este é um passo importante em direção ao desenvolvimento da prevenção individual e tratamento para o alcoolismo, avalia o professor Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King's College London.
fonte: Estadao.com - matéria na íntegra 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Onde a Saúde e a Fé se Cruzam?

Número aproximado de religiões no Brasil: 140 (IBGE, 2000), sem falar nas pessoas que não declaram pertencer à uma religião específica, mas rezam e creditam sua fé à sua maneira. Só este fato já mostra que, na hora “do péga pra capar”, é na fé que as pessoas se agarram e não dá pra fazer de conta que não existe. Boa parte dos hospitais têm capelinhas. Esses cubículos costumam ser o refúgio ideial para aquela loucura de corredor de hospital, onde se vê gente ajoelhada, quase em transe, pedindo ajuda por alguém em estado crítico. Próximo ao centro cirúrgico, uma Senhora, de uma dessas religiões evangélicas, reza em voz alta pelo marido, junto com a filha. Sempre me pergunto se, afinal, rezar faz alguma diferença pra quem está numa UTI. Faz mais diferença pra quem reza ou pro doente? Onde ajuda e onde atrapalha?
Ótica do médico: Reinaldo Ayer é Professor de Bioética da PUC e declarou em entrevista que pela ética médica vale a preservação da vida. Segundo ele, o médico propõe alternativas terapêuticas adequadas ao paciente. Normalmente um ou mais procedimentos podem ir contra um preceito religioso, encontrando resistência por parte de parentes e até do próprio doente. Mas se a situação implica em risco de vida, o médico tem amparo legal para fazer o que considera o correto para salvar a pessoa, independente de razões culturais e religiosas.
Na literatura médica, impera o contraditório. A web é fértil nesse tema, tem de tudo contra e a favor da oração pelos enfermos. O fanatismo é um bom exemplo do que pode ser um inimigo à saúde, principalmente pelo aspecto sanitário e psicossocial. Se o estado de espírito do paciente, bem como da família é comprovadamente um fator determinante para o sucesso de um tratamento, pelo "sim"/pelo "não", fico com a declaração do Dr. Eugênio Ferreira, cirurgião e doutor da USP: “Com certeza aqueles que acreditam em uma religião podem se curar com mais facilidade do que aqueles que não crêem” - e creio que, sob a ótica do paciente, não eu nem o Dr. Eugênio estamos sozinhos nessa crença. Por isso, na dúvida, junte as mãos e reze. Não custa nada...
fonte|: Jus Navigandi e revista MedAtual

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A TVP nas alturas


TVP – sigla pra Trombose Venose Profunda, ou a formação de coágulos nas veias mais profundas das pernas (veja ilustração ao lado). Um coágulo é a forma sólida do sangue e o mecanismo de formação é complexo, normalmente co-relacionado a três principais motivos: diminuição da circulação sanguínea, lesão vascular ou situações em que a pessoa fique mais sensível à coagulação sanguínea. O TVP é relativamente comum, ocorre na proporção de 50 casos em cada 100 mil habitantes – pessoas que normalmente tem problemas associados à circulação do sangue ou dificuldade de locomoção, como gestantes e idosos. Porém um fato novo faz do tema algo especialmente preocupante: pessoas que habitualmente passam mais de 4 horas em vôos têm risco aumentado de desenvolver o TVP, tanto ou mais que o tradicional grupo de risco. Mais especificamente, 6 mil passageiros/ano, segundo a Organização Mundial de Saúde. Até atletas fazem parte desse grupo, pois tem seu ritmo sanguíneo mais lento, o que facilita a condução dos coágulos – o impressionante é que nesse grupo o risco dobra, principalmente após participarem de grandes eventos, geradores de grande desgaste físico. A consequência disso tudo? Se um coágulo migrar, pode causar até mesmo uma embolia. 
Mas atitudes simples podem prevenir sustos: durante uma viagem longa, levante e caminhe de duas em duas horas. Muito líquido também ajuda e, se você já luta com problemas de circulação, uma boa meia de compressão pode fazer grande diferença - nessas casas cirúrgicas se encontra aos montes. Estas são sugestões pesquisadas na web, mas bom mesmo, caso vá viajar em breve, é usar esse tema na próxima consulta ao seu médico, inclusive para saber sobre medicações adequadas e detalhes sobre as próprias meias de compressão.
fonte: ABC da Saúde e revista Go Outside  

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Aedes aegypti - um mosquito e duas doenças

Aedes aegypti
agora, versão com duas doenças

O aedes aegypti - mosquito minúsculo, listrado que voa a baixa altitude, ficou famoso por uma enorme “contribuição social”: a Dengue.  Pois ele volta à carga, desta vez como transmissor da uma doença “nova”, a febre de Chikungunya (artritis epidémica chikungunya - abrev. CHIK). Tem os mesmos sintomas da Dengue e um adicional: dores fortes nas articulações. É uma infecção com risco de morte bem menor do que o da Dengue (cerca de 1%), mas afinal quem precisa de mais uma infecção? Mas está aí. Os três casos identificados no Brasil em agosto, setembro e outubro de 2010 foram de pessoas não contaminadas no país e sim na Indonésia e na Índia - segundo o Ministério da Saúde, o vírus não circula ainda pelas Américas. 
O governo já está em alerta e controle para a doença. O problema é que, como somos realmente péssimos na arte de encontrar e acabar com o mosquito, existe sim o risco real de uma epidemia de Chikungunya. Infelizmente, não dá pra duvidar até de uma promoção "casadinha" - pegue Dengue e leve a Chikungunya no pacote. Da mesma forma que a Dengue, o tratamento é sintomático e a única forma de prevenção continua sendo acabar com o transmissor.
fonte: Montes Claros.com & Revista Isto É  

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Timothy Ray Brown - O homem que se curou da AIDS

Thimoty Ray Brown - sem sinais do HIV

Para que possa passar de célula pra célula, o vírus do HIV utiliza uma “ponte”, o receptor CCR5. Com ele, o vírus se “encaixa” nos linfócitos CD4+, células de defesa do organismo e que são dizimadas pelo HIV. Porém existe uma parcela de 1% da população que não tem esse receptor. Nestes pacientes, o vírus não consegue se multiplicar, ou seja estamos falando de pessoas resistentes ao vírus HIV. Pois Timothy Ray Brown, americano de 44 anos, soropositivo e leucêmico, fez um transplante de medula em 2007, onde recebeu células-tronco de um doador resistente. A medula nova começou a produzir células que repeliram o vírus HIV e assim, Timothy está imune à doença há mais de três anos.  
O fato é conhecido no meio científico e a afirmação de que foi encontrada uma cura para a AIDs ainda é vista com muita dúvida, cautela e ceticismo – temor justificável, por três motivos: 
1) Um estudo com um paciente não é absolutamente conclusivo. 
2) Trata-se de uma parcela ínfima de possíveis doadores, menos de 1%. 
3) Um transplante de medula não é como uma cirurgia de apêndice ou de varizes – os riscos são enormes.
Mas toda vez que um passo como este é dado, aponta um caminho a ser seguido e com fortes chances de chegar a algum lugar na luta para nocautear o HIV – ao menos por hora, esse caminho tem um nome: células-tronco.
Fonte: folha online, veja.com e correio do estado 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ESTEATOSE HEPÁTICA - um palavrão

Tem certas expressões que, por si só, soam terminais. Quer ver? ESTEATOSE HEPÁTICA. Que palavrinha mais póstuma. Não mata, mas só de ouvir, o sujeito já morreu. Isso porque "HEPÁTICA" já apavora, é uma credencial de que algo não vai bem. Não que o fígado seja sinônimo de coisa ruim, pelo contrário. É uma usina metabólica de respeito que se regenera com absurda perfeição no caso de uma agressão. Mas falou em “não sei o que” hepática, assusta, afinal toda lesão de fígado é grave, nesse terreno não existe “mais ou menos grave”.  E as conotações são as piores possíveis: ou tem hepatite severa ou é alcoolista. O sufixo “ose” (ou osis em latim) carrega o fardo das doenças, aquilo que não tem cura, tem “ose” pra tudo.
A Esteatose é o acúmulo de gordura (triglicérides) nas células do fígado (hepatósito) - detalhe: esse é um processo natural, uma forma do corpo estocar energia. Anormal é o excesso desse "estoque" (acima de 10% de gordura acumulada) e é mais comum do que se pensa. As causas: obesidade, alto consumo de bebidas alcoólicas ou diabete miellitus desconpensado - existem outras causas, mas estas são as mais comuns. A prevalência na população em geral é de 10 a 24%, mas esse percentual se altera quando falamos na população de gordinhos. Como o fígado tem um papel extremamente importante no processo metabólico, seu funcionamento anormal pode influenciar diretamente no comportamento nutricional do indivíduo. Se pode evoluir pra uma cirrose? Pode sim, se nada de efetivo for feito pela pessoa.
Mas dá pra reverter tratando a causa – quem for diagnosticado pelo médico com quadro de Esteatose, precisa perder peso e se movimentar, além de fazer mudanças importantes na alimentação. Muita gente tem Esteatose e não sabe. Vale o reforço que sempre dou: faça seus exames periódicos, ao primeiro sinal de dor abdominal (sintoma mais comum na esteatose), procure um médico. Mas convenhamos. Essa palavrinha assusta. E como assusta.
fonte: Hepcentro Hepatologia Médica  , Doutor, me explica? e MD Saúde

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pesquisadores do Incor associam apneia do sono à síndrome metabólica

Pesquisadores do Instituto do Coração (Incor-USP) propõem que a apneia do sono seja considerada mais um componente da síndrome metabólica - condição associada a um risco elevado de doenças cardiovasculares.

Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE
Cuidado. O pneumologista Geraldo Lorenzi Filho; exame de polissonografia ajuda identificar apneia em paciente diagnosticado com a síndrome metabólica

Os cientistas descobriram que a maior parte das pessoas com a síndrome tem apneia, apesar de não suspeitar. A presença da apneia poderia aumentar ainda mais o risco de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e enfartes nesses pacientes.
A síndrome metabólica reúne pelo menos três das seguintes condições: obesidade, pressão alta, diminuição do colesterol bom, aumento dos triglicérides e resistência à insulina. A apneia ajudaria a compor o quadro da síndrome, segundo os estudiosos.
O trabalho examinou 152 pacientes com síndrome metabólica por de 14 meses. Todos foram submetidos ao exame do sono por meio da polissonografia, mesmo quando não havia sintomas que recomendassem o exame. A conclusão: 92 deles (cerca de 60,5%) também sofriam de apneia enquanto dormiam. A maioria desconhecia o problema.
Segundo Geraldo Lorenzi Filho, coordenador da pesquisa, 30% da população brasileira sofre de diferentes graus de apneia, ou seja, metade dos pontos porcentuais observados nos pacientes estudados.
Com 142 quilos e 1,82 metro de altura, o engenheiro de manutenção Ricardo Teiji experimenta todos os dias o incômodo decorrente da interação entre problemas do sono e obesidade. Para ele, a altura do ronco sempre foi proporcional à marca da balança. "Minhas melhores noites foram enquanto mantive meu peso em 115 quilos", conta. "Ronco a noite inteira e durmo sentado em alguns momentos do dia."
Mas os especialistas alertam que muitos participantes no estudo não sentiam sonolência diurna e, por isso, não sabiam que sofriam de apneia do sono. "Ainda é muito subdiagnosticada", avalia o cardiologista Luciano Drager, autor principal do artigo. Para Lorenzi Filho, o trabalho mostra a conveniência de realizar exames de polissonografia para identificar apneia em pessoas com a síndrome. O estudo também sugere que a apneia do sono não é só um coadjuvante. Ela agrava o quadro geral. Os pesquisadores analisaram, no sangue de cada paciente, a presença de substâncias associadas à síndrome metabólica - triglicérides e açúcar - e a marcadores inflamatórios que aumentam o risco cardiovascular (a proteína C reativa e o ácido úrico). Nas pessoas com apneia, os níveis dessas substâncias eram maiores que nos pacientes com síndrome metabólica e sem apneia. O resultado ratifica a tese de que pacientes com apneia podem correr um risco maior de complicações cardiovasculares, como AVC e enfarte.
Já se suspeitava da correlação entre síndrome metabólica e apneia. Estudos anteriores tentaram avaliar a prevalência de condições como a obesidade, o diabete e a hipertensão - que acompanham a síndrome - em pacientes com diagnóstico prévio de apneia. Os pesquisadores do Incor realizaram a análise inversa: investigaram a prevalência da apneia do sono em pessoas que já tinham diagnóstico de síndrome metabólica. "Trata-se de uma questão mais relevante, pois pode apontar um fator de risco ignorado até agora nos pacientes com a síndrome", diz Drager.
A pesquisa, que contou com a participação de especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, foi publicada na revista científica virtual PLoS One (plosone.org). "Estabelecer os motivos que conectam distúrbio de sono à síndrome simbólica é extremamente importante", afirma Rosana Radominski, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). "O estudo reforça a ideia de que uma forma de combater a apneia é por meio de exercícios físicos que contribuam com a perda de peso."
Os médicos do Incor já iniciaram uma segunda fase da pesquisa. Com a participação do grupo de reabilitação cardiovascular do Incor, eles analisarão os efeitos dos exercícios físicos em pacientes diagnosticados com os dois problemas. Eles creem que a perda de peso poderá diminuir a apneia. "Um problema a princípio neurológico poderá ser tratado com a ajuda da endocrinologia e assim evitar uma série de consequências que diminuem a qualidade de vida do paciente", diz Márcio Bezerra, neurologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Associação Brasileira do Sono (ABS). Outra abordagem que será testada é o uso de um aparelho que impede o fechamento da garganta durante o sono - o CPAP (sigla em inglês para pressão positiva contínua de vias aéreas superiores). Segundo Drager, o objetivo é verificar se o tratamento da apneia reduz os riscos de doenças cardiovasculares em pessoas com síndrome metabólica.
matéria na íntegra - estadão.com

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Acorde para o Câncer de Mama - entrevista com Gilze Francisco


Gilze Francisco
Presidente do Neo Mama
A enfermeira Gilze Francisco descobriu-se um dia, aos 38 anos, portadora do Câncer de Mama.  Arregaçou as mangas e enfrentou seu destino, na luta contra a doença e suas adversidades. Fez mais que isso – criou um site – www.cancerdemama.com.br – hoje considerado o mais relevante sobre o tema em língua portuguesa. E fez mais ainda – Fundou o Instituto Neo Mama  de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama, responsável por inúmeras iniciativas de peso, focadas no suporte às portadoras do Câncer de Mama.
Entrevistar Gilze foi um privilégio para o “Se Espirrar, Saúde!”. Conhecermos um pouco mais de sua vida e suas iniciativas e apresentar tudo aqui é uma forma de participar dessa cruzada.  
SeES! - Quando e como foi que começou o NEO MAMA?
Gilze - O Instituto Neo Mama surgiu após o site www.cancerdemama.com.br. Foi um grande passo, pois uma atitude inédita sempre incomoda, e só surgiu porque fui falar ao vivo sobre o assunto no "Domingão do Faustão" – fui muito cobrada sobre o porquê das mulheres da região terem que entrar no site ou telefonarem-me para conversarmos. Daí a idéia do Instituto.
SeES! - Quais foram os maiores desafios para colocar esta ONG para funcionar?
Gilze - A falta de dinheiro (na realidade, é um desafio até hoje), e principalmente pelo fato de lidarmos predominantemente com mulheres. A imagem de fortaleza da mulher atrapalha, por mais incrível que possa parecer, não comove como a de uma criança, adolescente ou idoso. Passamos sempre a impressão de "possibilidades mil". Graças a Deus, a credibilidade e a seriedade das nossas propostas sobrepuseram-se sempre. Continuamos lutando.
SeES! - Qual o maior foco de atuação de grupo atualmente?
Gilze – É a interdisciplinariedade do atendimento, visando a reestruturação da mulher acometida pelo câncer de mama, sua reinserção na sociedade e mercado de trabalho. Auto-estima e auto-imagem também são focos fortes dentro do nosso antendimento.
SeES! - Hoje o NEO MAMA conta com quantos colaboradores e quais as funções ou missões de cada grupo, se posso assim chamar?
Gilze - Contamos com um grupo de aproximadamente 40 voluntários comprometidos, engajados, onde realizam seus trabalhos segundo suas funções. Advogados, nutrição, fisioterapia, auxilio a sexualidade, artesãs, cada um tem seu espaço, tempo de atuação e metas. Quem não se identifica, logo se desliga, isso acontece.
SeES! - As atitudes em torno do CA de Mama estão evoluindo no Brasil? Temos números sobre isso?
Gilze - Podemos detecta-lo precocemente, a fim de podermos evitar cirurgias mais mutiladoras, tratamentos mais agressivos e baixa sobrevida. Os números indicam (segundo o INCa), que em 2010 perto de 42.000 mulheres se descobrirão portadoras de câncer de mama, e aproximadamente 11.000 mulheres morrerão - é o câncer que mais mata mulheres no Brasil.
SeES! - Você pode citar quais as empresas alavancam o NEO MAMA?
Gilze - Libra Terminais, Clínica Mult imagem, Unicred Metropolitana, Moinho Paulista. Com exceção à primeira empresa, as demais patrocinam o programa "Um Toque Pela Vida", que vai ao ar para toda Baixada santista pela Santa Cecilia TV, e para todo o mundo pelo site www.santos.tv.br/umtoquepelavida.
SeES! - Gilze, porque as pessoas são tão reticentes em tomar uma atitude quanto ao exame para detecção do CA de Mama?
Gilze - Por questões culturais e religiosas, principalmente, além do baixo nível de informações coerentes e acessíveis, e da escassez das mesmas. O medo também é um fator forte, pois paralisa, faz com que percam tempo, acreditem que ao ignora-lo ele desaparecerá, etc. O medo e o sentimento de culpa que vem depois, associados ao medo da perda da mama são cruciais.
SeES! - Me parece que muitos consideram esse tipo de mobilização “piegas”, fruto de uma banalização. Isto faz sentido ou é uma visão equivocada?
Gilze - Não faz sentido algum! Toda informação ainda é pouca perto da triste realidade do câncer de mama. Só quem passou por ele ou viu de perto o sofrimento de outros sabe dizer ao certo. Banalização é ignorar o crescimento dos casos ano-a-ano, as vidas que se vão por falta de diagnóstico precoce, ver que muito poderia ser feito, mas que poucos se mobilizam com seriedade e sem outras intenções para deter o índice de mortalidade por câncer de mama.
SeES! - De zero a dez, como você avalia a atenção dada ao tema Câncer de Mama:
Gilze - Mídia, nota 0. A midia não se dedica, despreza e menospreza a grandiosidade do problema. Agem como se tudo fosse auto-promoção para quem as propõe. Pura falta de visão e de preparo para este tipo de abordagem. Governo, nota 0. Motivos semelhantes aos acima citados, excetuando a responsabilidade inerente aos governos, que é grande e omissa. Iniciativa privada, nota 5. Se interessa um pouco mais "quando se deixa ouvir". Comunidade médico-científica, nota 8. Todos estão cientes e conscientes desta realidade.
SeES!  - Em que veículos de comunicação como o nosso blog, no facebook e no linked in (por exemplo) podem contribuir para a luta contra o Câncer de Mama?
Gilze - Divulgação sem exageros, realidade sem máscaras, mas com sutileza, elegância e clareza. A mulher é um ser privilegiado, inteligente, que muitas vezes esconde a doença porque percebe que sua família não está preparada para este diagnóstico (a seu ver). Poupa mas não é poupada. Esclarecimentos sempre são importantes, mas vindos com embasamento, sem "achologismo". Uma dura realidade, bem colocada, sempre é melhor e ajuda mais que uma doce mentira ou omissão.
SeES! - E você? Conte como foi a sua trajetória do início de tudo até os dias de hoje com o NEO MAMA.
Gilze -  Descobri-me portadora de um câncer de mama em maio de 1999, após realizar o auto-exame. Ao procurar na Internet sobre o assunto, quis criar um site onde as mulheres pudessem ter aquilo que eu mesma procurava: esclarecimentos e esperança. Criei então o site www.cancerdemama.com.br, o mais acessado no mundo em língua portuguesa sobre o assunto. Depois dele veio o Instituto Neo Mama, o programa de Tv e palestras por todo o Brasil
SeES -  Uma mensagem final aos leitores e leitoras?
Gilze - Gostaria de, se possível, "entrar" dentro das mentes e corações (são terras onde ninguém vai) e conscientizar que encontrar um câncer de mama pequeno, precoce, é curável. Mesmo em alguns casos, um pouco mais adiantados, como o meu, podem resultar em sucessos. Deixar para lá, não ir ao médico ou seguir suas solicitações, notar anormalidades e ignora-las são fatais em se tratando de câncer de mama. Lutar de peito aberto é o que de melhor podemos fazer. Pare de colocar o que lhe ameaça debaixo do tapete, pinte sua vida com cores mais fortes, vibrantes, e a nebulosidade irá embora. Sua cabeça lhe salva ou lhe condena. Cabe a cada um de nós optar pelo caminho a ser trilhado...

sábado, 9 de outubro de 2010

Olhem para o OUTUBRO ROSA o ano inteiro

Nunca tinha dado muita atenção ao Outubro Rosa, confesso. Até o dia em que comecei a me envolver com o tema detecção do câncer de mama e percebi que  tem um batalhão de gente que trabalha em silêncio por essa causa. Não dá pra deixar passar isso.
O Outubro Rosa surgiu nos EUA, em meados de 1990. Ações isoladas ocorridas em vários estados americanos motivaram o congresso a eleger o outubro como o mês  nacional da prevenção ao Câncer de Mama. As atenções se voltaram fortemente para a data quando aconteceu a Primeira Corrida da Cura em 1990, nos EUA, onde foi oficialmente lançado e distribuído o famoso laço cor de rosa.  Não se sabe ao certo quem criou e quando começou o ato de iluminar de rosa monumentos, pontes, prédios oficiais, mas essa passou a ser a “cara” do Outubro Rosa, tornando-se uma linguagem entendida em todo o mundo. No Brasil, as primeiras manifestações pelo Outubro Rosa aconteceram em 2002, quando o Obelisco do Ibirapuera ficou rosa, em comemoração aos 70 anos da Revolução Constitucionalista. De lá para cá, diversos monumentos foram iluminados e realizaram-se diversos mutirões de mamografia através do envolvimento de governos estaduais e da iniciativa privada.  
Sobre a doença em si, informação na web é o que não falta e tem gente muito forte pra opinar e orientar a respeito, como o Doutor Dráuzio Varella em seu blog (clique sobre o nome dele). Então, me chamou a atenção a existência da FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), entidade criada em 2006 e que congrega as ONGs focadas na luta pela prevenção, detecção e tratamento do Câncer de Mama no Brasil. A FEMAMA está por trás das iniciativas envolvendo o Outubro Rosa, versão brasileira.  Mas eles fazem muito mais, desde trabalhar pelo acesso da população à mamografia, encurtar o período entre a detecção da doença e o tratamento e pleitear políticas públicas focadas no Câncer de Mama. Não é pouca coisa, pena que se veja tão pouca informação exposta a respeito. Pena mesmo. 


fontes: estadão.com, FEMAMA website & blog dr. Dráuzio Varella

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Número de doentes de Alzheimer deve dobrar em 20 anos


O número de doentes de Alzheimer e outras demências similares irá dobrar nos próximos 20 anos, passando dos atuais 35,6 milhões para 65,7 milhões em 2030 em todo o mundo, segundo estudo divulgado pela ADI (Alzeimer"s Disease International). Ainda segundo a pesquisa, esse número deve triplicar em 40 anos, totalizando 115,4 milhões em 2050.

No Brasil, as mortes por Alzheimer passaram de 1.343 em 1999 para 7.882 em 2008, um aumento superior a 500%, segundo estudo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). A demora no diagnóstico correto e o acesso aos remédios adequados dificultam o tratamento.
O custo do tratamento da doença de Alzheimer e demências deve representar 1% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial em 2010, que equivale a mais de 604 bilhões de dólares, diz o relatório da ADI.
Para atender a todos os doentes, os fundos dedicados ao Alzheimer teriam que se multiplicar por 15, financiamento comparável ao do tratamento de doenças cardiovasculares, e por 30, para se igualar ao financiamento para os que padecem de câncer, segundo especialistas.
A doença de Alzheimer e as outras similares afetam 0,5% da população mundial. O Alzheimer afeta a memória e é incurável e, a partir dos 65 anos, o risco de ter a doença duplica-se a cada cinco anos, chegando a 50% aos 85.
fonte: Saúdebusinessweb - matéria na integra

sábado, 24 de julho de 2010

Quais as perspectivas para Idosos HIV Positivo?

Existe uma parte pouco alardeada da sociedade que luta duas vezes mais para envelhecer condignamente e esse é um grande desafio ainda sem perspectiva – pessoas HIV positivo com mais de 60 anos. Só nos EUA, em 1995 eram 20 mil pessoas. Em 2005, o número saltou para 120.000, um dado preocupante. Com o avanço dos tratamentos antiretrovirais, esta população, que no passado adoecia e morria menos de dois anos depois de contraído o vírus, está vivendo mais - o que não quer dizer que viva em condições iguais ou melhores do que idosos saudáveis.
Durante a XVIII Conferência Internacional Sobre Aids em Viena (Áustria) Lisa Power, da organização de beneficência britânica Terrence Higgins Trust, mostrou estudo onde foram entrevistados mais de 450 desses pacientes na Inglaterra. A grande maioria deles está desempregada, não têm poupança e sofre com o medo da dupla discriminação (tanto por ser idoso quanto por ter HIV).
Se considerarmos também o número de pessoas que vivem em países onde os antiretrovirais chegaram à pouco, teremos no futuro um número absurdo de pacientes nessa condição. Temos aí uma prioridade em Políticas de Saúde Pública, uma oportunidade para que governos passam mapear mais profundamente essa população. É necessário desenhar um plano de ações concretas com o objetivo de proporcionar maior qualidade de vida para estas pessoas e uma perspectiva mais digna - se eu fosse um decisor do governo nesta área, buscaria parcerias com Laboratórios Farmacêuticos focados na pesquisa do HIV.
fonte: Folha.com (24/07/2010) e aids2010 wesite

terça-feira, 13 de julho de 2010

Uma Vacina anti-HIV

Pelos números das Nações Unidas, cerca de 33 milhões de infectados pelo HIV (dados de 2007). Ao mesmo tempo, morreram 2 milhões de pessoas e outros 2,7 milhões foram infectadas. Nesse contexto, descobrir uma vacina anti-HIV tem sido um tema desafiador na mesa dos cientistas. Já foram testadas mais de 100 vacinas desde 1987, mas sem avanços significantes até a última novidade: Um grupo de cientistas americanos descobriu um par de anticorpos extremamente potentes, criando uma possibilidade real de se ter uma vacina contra o HIV. A descoberta foi anunciada num estudo no Jornal Science recentemente como o primeiro desse tipo em mais de 10 anos de busca. De hoje até se ter a vacina, o trabalho é longo. Falta descobrir como esses anticorpos se aderem ao HIV e como isso pode servir de base para a vacina. A partir daí, é possível fazer estudos em animais e humanos.
O U.S. National Institutes of Health, instituição que mais pesquisa uma vacina anti HIV, tem instigado novas abordagens, por exemplo, forçando os cientistas a olharem mais profundamente para a estrutura do HIV e identificar fragilidades que possam ser melhor observadas.
"Nós decidimos mudar o direcionamento, fazendo perguntas básicas sobre o virus,”, diz Anthony Fauci, diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, uma parte do NHI. “Essa recente descoberta”, completa, “é resultado desse direcionamento”.
Os anticorpos mais recentemente isolados (foto digital) foram de um homem africano, local onde existem altas taxas de infecção e onde a vacina é absurdamente necessária e aguardada. Os dois anticorpos são dez vezes mas potentes que os descobertos até então. “Mas”, o Dr Burton alerta, “não quer dizer que essa força se traduza em proteção para humanos”. Ok, para se fazer uma longa caminhada, há de se começar com um grande passo e, ao que parece, este foi dado.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Obesidade - Um novo tratamento pode vir da pimenta

As pimentas comuns possuem uma substância, a capsaicina, irritante para o homem e urticante quando em contato com a pele. O chilli é um bom exemplo. Pois o cientista coerano Jong Won Yun (Universidade Daegu/Coréa) está desenvolvendo um estudo comprovando que a capsaicina reduz a absorção de calorias pelas células e, consequentemente, ajuda a perder peso. Ainda não está claro o mecanismo pelo qual isso acontece, porém o Dr. Yun estudou a ação do composto em ratos com dieta hiper gordurosa e relatou que os roedores que receberam capsaicina ganharam 8% menos de peso do que os demais.
Pode ser o sinal para o desenvolvimento de novas drogas para o combate à obesidade. Será a revanche da “Big Macs” generation. Quem sabe? Veja o estudo no íntegra (passe o mouse): Journal of Proteome Research
fontes: Journal of Proteome Research, wikipédia & Folha Online (jun/2010)