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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Thedy Correa - 50 anos e muito Rock

Thedy Correa - 50 anos
Quero hoje mandar o meu abraço a mais um cinquentão. Thedy Correa, líder da banda Nenhum de Nós, hoje faz 50 anos. E, a despeito do “make up” próprio do universo artístico, o reconhecimento é fruto de um belo, consistente e longevo trabalho como músico, poeta, arranjador e líder de uma das bandas mais legais que o Rock brasileiro já teve.

O bordão “Meus heróis morreram de overdose” não é uma regra no mundo do Rock e isso é um alivio. Tenho orgulho de mostrar ao meu filho as músicas do Nenhum de Nós e poder curtir com ele o som, dando a ele um exemplo de banda do bem. Porque dar bons exemplos às gerações futuras de que rock não tem nada a ver necessariamente com “sexo e drogas” é um exercício de cidadania.  Música boa não precisa de bandeiras. As atitudes são a própria música e seus exemplos.


Thedy, parabéns pelos seus 50 anos. E obrigado por tudo.
(vejam vídeos)



segunda-feira, 15 de julho de 2013

O Dia do Homem existe - ainda que o próprio não saiba

O Dia Internacional do Homem existe – como se fosse possível algum homem lembrar de alguma data, quanto mais o Dia do Homem. Mas existe e desde 1999, apoiada pela ONU. A data exata depende do país onde é comemorado. Não confundir com o Dia do Homem, que no Brasil existe desde 1992, por iniciativa da Ordem Nacional dos Escritores.

Sinceramente, pra mim é novidade. Então tá. Campanhas tem usado o Dia do Homem como alvo promocional, normal em datas comemorativas. Não que exista muito o que comemorar, mas os apelos mais fortes apontam pro lado dos cuidados com a saúde. Homem não vai a médico nem faz qualquer prevenção. Tem exceções, claro, mas a regra é ficar longe de qualquer atitude nesse sentido. Isso porque homem fantasia que nunca vai morrer, então não faz check up. Exame de toque retal, então, nem pensar. Pouco importa se o câncer de próstata é a segunda causa de morte do Brasil (só perde pro câncer de pele). 400 mil homens tem a doença e não sabem. Isso conta? Pois é. Pra grande maioria de nós, o futebol, a cerveja e a patroa afinzona é o que interessa de fato. Falar em qualidade de vida soa clichê, além de não ser lá muito coisa de macho.

Fica o recado. Não existe nada de edificante em se deixar abater por descaso. Veja abaixo divertida sátira do Diogo Portugal sobre o Dia do Homem. Mazelas. O universo masculino tem as suas. Mas lembre-se que não se cuidar não tem nada de engraçado.

fonte: Wikipedia, Site do INCA, Paraná Online

terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 de setembro - como vovô já dizia


Todo o 11 de setembro, ao longo destes onze anos, lembro do meu avô. Lembro que falava da guerra como o acontecimento mais marcante da geração dele. Com o olhar distante, dizia também que “só quem viveu naquela época podia entender o que foi a II guerra, mesmo não tendo lutado nela. Nossas vidas andavam em função daquilo e no rádio, era só que se ouvia.”
Quando se fala no 11 de setembro nunca falta um comentário malicioso tipo “e Hiroshima não foi pior?” ou “e o Vietnã? Não matou mais gente?”

O pensamento simples do meu avô explica em parte essa contradição: para quem viveu o fato, perto ou longe, é fato – aconteceu no tempo presente. Pra quem não viveu o momento ocorrido, por mais que os registros não deixem esquecer, é história. E história contada não tem o mesmo impacto. A tecnologia nos faz participantes de ocasos como os do 11 de setembro – a cobertura é instantânea, dá quase para estar ali em 3D. Mas naqueles anos 30 e 40, era o papel do rádio.

Segundo a imprensa, dez anos foram necessários para que os americanos assimilassem os atentados. Sinal disso é o número de pessoas presentes nas cerimônias do 11º ano, nos locais dos fatídicos. Locais esvaziados, comparando com 2011 (10 anos) e talvez, a partir de agora, tenha maior significado apenas para os parentes. Mas não dá pra negar que um atentado daqueles no quintal do país que queria levar o mundo nas costas, mexe com tudo – os EUA mudaram, por isso o mundo vem mudando. Se pra melhor ou pra pior, o futuro vai dizer. Como dizia meu avô, só quem esteve lá vai saber o que tudo isso significa. 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Terapia de Agendas Passadas

Pense em agendas velhas, muitas delas – é coisa de colecionador compulsivo. Não acredito que alguém em sã consciência guarde, por exemplo, uma agenda de dez anos atrás intencionalmente. Achei uma em casa e mordi a língua. Folheando aquilo, a primeira coisa que chamou a atenção foi a lista de telefones. Se eu ligar, quem vai atender? Alguns ainda encontro no Facebook, mas a voz não ouço a, pelo menos, cinco anos. Na parte dos compromissos, uma constatação. Ninguém anota uma coisa que JÁ fez, então agenda remete a presente e futuro. Ler uma agenda antiga me dá a impressão de vasculhar a história contada por outra pessoa. Escolhi um compromisso. Lembrei do caso, dos fatos, da minha atitude como se fosse ontem.  Recordo das pessoas envolvidas. Hoje, jamais teria feito daquele jeito. A decisão foi boa, mas desastrada, completamente desastrada, coisa de principiante. Só que isso dito pelo “Eu do Futuro”, não o “Eu do Passado”, que naquele momento era o Presente, dá pra entender? Vou folheando os itens e me dando conta que minha agenda de dez anos, na verdade, virou um tratado. Um tratado com o futuro de um passado pregresso que não pode ser mudado. O que tá lá, fica, mas me ajudou a mudar a forma de encarar minha agenda hoje, que preencho com cuidado. Tá ali um pacto com o futuro que não deixa opção - escolheu errado, já era. Daqui dez anos, o que era compromisso virou o meu legado. Será que é esse legado que quero deixar? 

sábado, 31 de dezembro de 2011

All We Need Is Love

Não há muito o que dizer, nem cantar. Muito a fazer, é seguir em frente. Dezembramos todos os anos, dizemos coisas que vamos fazer e o dobro daquilo que não vai ser feito, não importa. Se comprometer é o que importa. Continuar caminhando, como o comercial do wisky. E amor. Continuamos precisando. Hoje, no ano novo e pra todos os que virão. Feliz Ano Novo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

É tempo de Proposições Honestas

Já encontrei o Professor Marins, antropólogo e palestrante, em aeroportos por aí. Não conheço ele, mas sei de quem conhece e  me parece uma pessoa que busca viver o que diz nos vídeos e palestras. Costuma cumprimentar amistosamente as pessoas que falam com ele até na esteira das malas. Já vi ele ser cortes com um executivo que o abordou chegando à meia noite num aeroporto de São José do Rio Preto, depois de um vôo atrasado. Ninguém merece, mas o Professor Marins foi elegante, atencioso. Se fosse falsidade, não resistiria ao tempo.

Prof. Marins - até provem o contrário,
a generosidade em pessoa
Pois procurava uma mensagem honesta pra postar e me deparei com essa do Professor Marins. Não queria proposições irreais. Chega de dizer coisas que não vai fazer. Que seja algo mais simples, mas que dê pra correr atrás e garantir alguma sinceridade. Veja:

1. Neste novo ano vou tentar conviver com o melhor de mim mesmo, fazendo algumas boas concessões em nome da qualidade de vida.
Gostei dessa - lembra a frase de um amigo: " mas tú queres ser feliz ou ter razão?"

2. Neste novo ano vou ter mais coragem de errar e permitir que as outras pessoas errem;
Também acho que essa dá pra encarar – até porque, por mais que essa coragem possa existir, ainda existe sofrimento e auto-cobrança. O “Nirvana” é rir de si mesmo e ajudar os outros sem se martirizar, aí é perfeito.

3. Neste novo ano vou praticar esportes e fazer longas e sadias caminhadas. Prometo dar mais atenção à minha saúde;
Eterna promessa cujo prazo de validade é renovável. É como esperar que as multas de trânsito façam um ano pra zerar os pontos na carteira. Mas, vá lá, preciso dar um bom exemplo ao meu filho, por isso vou ser persistente. Mas não prometo barrigas de tanquinho nem meias maratonas. Aí, é hipocrisia.

4. Neste novo ano vou praticar um hobby e dar tempo a ele;
Esse já está encaminhado e funciona. Mais que isso, se virar paixão, melhor ainda. Sem remédios nem terapia.

5. Neste novo ano vou tirar férias e vou viajar para aquele lugar que sempre desejei conhecer ou voltar;
Também vale investir. Não importa o tamanho das férias. Se for pra encontrar sua antiga turma de primário ou pra ver seu filho jogar com o time da cidade vizinha.


6. Neste novo ano vou sair mais, namorar mais, amar mais e fazer programas memoráveis com que amo;

Valem os comentários do item 2 e 3 – mais leveza na relação, menos intransigência. Mais namoro, menos disputa. Mais flerte, menos rusgas.

7. Neste novo ano vou confiar mais em minhas intuições, acreditar e pisar fundo;

Assim como a do hobby, funciona, apesar de não ser um exercício fácil. É se preocupar menos com o que os outros pensam. Ouvir menos os donos da verdade e da vaidade. Tem gente que acorda e dorme dando conselhos. Temos que fugir de gente assim.
8. Neste novo ano vou ter tempo para o que vale a pena;
Outra que me lembra o item 3, o dos esportes – o problema não é o tempo e sim saber eleger o que vale à pena. Tantos anos acertando e errando e me sinto tão calouro nisso...mas tenho que seguir insistindo.   

9. Neste novo ano só vou me cercar de pessoas animadas, com alto astral, entusiasmadas e prometo me livrar dos "sugadores de energia" e dos "corvos";
Esse faz par com item 7. Não dá pra fazer da vida da gente uma rede social. Isso é pobre demais e ilusório demais. Pra estar bem acompanhado, precisamos de poucos e bons amigos, desde que o mundo é mundo. E amigos mesmo raramente fazem algum julgamento.

10. Neste novo ano vou viver, trabalhar, torcer pelo Brasil e fazer tudo com Entusiasmo e Renato Russo disse num de seus últimos shows: “quando eu era novo, queria mudar o mundo. Hoje, se conseguir mudar a mim mesmo, já está de bom tamanho.” Precisa dizer mais?

Tenha o Natal dentro de você e use como estoque pra 2012.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O mito é tudo e é nada. Imagine.

Strawberrry Fields Memorial
a plaquinha é a mesma (ou não? será que é mito?)
Mitos. Explico porque não gosto de mitos - por vergonha. O mundo tem mitos em profusão. Toda esquina tem um herói anônimo, alguém cuja vida renderia fácil fácil uma candidatura a mito. Gente com história, gente real. Gente que nunca esteve na vida a passeio. E gente que jamais conhecerei. Então, um dia achei mais justo desdenhar dos que tem a simpatia dos holofotes, em respeito aos que nunca terão essa chance, mas mereceriam de todo o jeito.
Por isso, quando ouvi no rádio do carro que há 31 anos morreu John Lennon, resolvi não falar nele – o mito. Gosto de algumas músicas dele. Um dia, passei em frente ao Edificio Dakota, parecia que tinha entrado num dos filmes os quais o prédio já foi pano de fundo. Imponência sombria. Pedi que o porteiro me mostrasse onde Lennon tinha tombado - o cara era sisudo, como o prédio. Me mostrou o local com cara de velório. Perguntei se era ele quem estava lá no dia do tiro. Aí ele riu - "Não senhor, eu trabalho aqui no Dakota há apenas dois anos". Tirando onda de fã, fui até o Central Park, ficar ali olhando pro "Strawbarry Fields" no chão cheio de neve. Lembro que pensei "pena que tropeçou num maluco". Todo mundo tropeça em doidos todo o dia, mas afinal era John Lennon. Sobre a vida, a produção dele, as maluquices e tudo o mais, deixo pros “Beatle maníacos” e “Lennon maníacos”.  Graças a isso, Yoko Ono tem mais de 500 milhões de dólares em caixa – aliás, não menosprezando a quantia, mas pra um mito, achei que o espolio era bem maiorzinho...
Abaixo, vídeo que o Google fez em 2010 para homenagear os setenta anos de John Lennon, muito legal. O resto, é mito.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Halloween - Saci vs Jack

31 de outubro – eu e a TV frente a frente, coisa rara. E a campanhia toca. Parecia que toda a criançada da quadra tinha resolvido fazer protesto na minha porta. Não era protesto. Tinha uns três “Pânicos”, “dois diabos, três dráculas, um Zorro (?!) e apenas uma bruxa (curioso, normalmente tem mais). “Gostosuras ou Travessuras?”. Sempre ouvi isso em desenhos animados. Foi a senha proferida assim que abri a porta. E não saíram dali até que eu enchesse as mãos deles de balas.
Nunca entendi esse negócio de Dia das Bruxas no Brasil. O Halloween é comemorado nos países de origem inglesa. A festa veio pros EUA com os irlandeses celtas. Era a festa de Samhain, para marcar o final do verão e o Dia de todos os Santos (1 de novembro). O termo Halloween foi adaptado, vem de Hallow Evening (Dia Sagrado). A Igreja execrava a festa, taxando de pagã e coisa de Bruxas, daí a relação direta.  E a abóbora iluminada não era abóbora. Os Irlandeses escavavam um nabo. Reza a lenda que um homem chamado Jack, pão duro de carteirinha, foi proibido de entra no céu. Também o diabo não o queria no inferno, forçando o coitado a ficar vagando no escuro. Ele implorou por uma luz e o diabo lhe deu um pedaço de carvão incandescente. Pra proteger a sua “lanterna”, Jack colocou o carvão dentro de um nabo. Por isso ficou conhecido como “Jack The Lantern”. Nos EUA haviam nabos de menos e abóboras demais. Os imigrantes irlandeses não se fizeram de rogados. Usaram abóboras mesmo.
Continuei pesquisando pra achar quem foi o culpado de trazer isso pro Brasil. Achei: o crescimento dos Cursos de Inglês somado à proliferação das tranqueiras chinesas, deu no que deu. Nessa data as lojas ficam lotadas de mascaras, foices e outros badulaques. Mas o que já era estranho, sempre pode piorar. Um projeto de lei antigo foi desengavetado pelo Ministro Aldo Rebello querendo instituir no Brasil o “Dia do Saci”. O Saci-Pererê é um personagem surgido no Sul do Brasil, um negrinho de uma perna só e piléo vermelho. Vivia atasanando a vida dos outros com suas brincadeiras. Ficou famoso desde que começou a frequentar as histórias de Monteiro Lobato. Voltando ao projeto de lei, é de 2003 e um dos autores é Angela Guadagnin (aquela da dancinha da Pizza, lembra? veja abaixo). Pensava que o legado deixado por ela era só a dancinha? Mas Dia do Saci? Tentei não rir, não dá. Fico imaginando meus próximos 31 de outubro. Vou abrir a porta pra uns 15 “Sacizes” à caráter (só que com perna) pedindo pé de moleque, milho verde e curau. Me poupe...
Fontes: blog sobreisso, lexiophiles website, folha online, youtube
Angela Guadagnin
Co-autora do Projeto Pelo Dia do Saci

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Dia do Médico e o Dia de Lucas

Um evangelista era bastante intelectualizado pros padrões daquela época. Era pintor historiador, músico e também médico. Era Lucas, nascido em Antióquia (hoje, Turquia). Reza a lenda que era muito próximo aos apóstolos de Jesus Cristo. Com sua sensibilidade e muita dedicação, aliviava a dor e curava. O Dia 18 de outubro é o Dia de São Lucas e, por isso, é também do Dia do Médico. E não só no Brasil, mas em diversos países de cultura predominantemente Cristã – Portugal, França, Inglaterra, EUA e outros. Não sabia de nada disso. Então foi Lucas....
Especialmente no Brasil, o Dia do Médico está tenso e já faz tempo. Impasses entre médicos e Planos de Saúde, reforçam um paradoxo: A lucratividade dos planos e a busca pela diminuição dos custos versus a busca por valores mais descentes para consultas e procedimentos necessários. No meio disso, resta o paciente, que paga o plano e espera meses por um atendimento “vapt-vupt”. O Sistema Único de Saúde segue sem leitos nem equipamentos suficientes para quem não pode pagar por um Plano. Nas emergências, as pessoas se empilham, nas mãos de funcionários que se desdobram - se por um lado sobra boa vontade, falta capacitação. De novo, no meio disso, está o paciente.
O médico evangelista
São poucos os médicos que conheço que conseguem combinar harmonicamente uma rotina de trabalho produtiva, uma relação médico-paciente saudável, períodos necessários de estudo e atualização e uma fonte de renda que lhes permita um padrão de vida justo para custear isso tudo. Tem que se desdobrar em plantões sucessivos, ambulatórios, emergências, UTIs. Mas alguém tem que fazer o serviço (que não é sujo, muito pelo contrário). O médico brasileiro virou um operário da medicina e não é de hoje – pra bem da verdade, nem todos tem vocação pra gestão do seu próprio meio de vida e, dessa forma, se deixaram levar. É bem verdade também que faltou mobilização. Assim como advogados e professores, mobilizar é preciso e parece que acordaram. Mas de novo no meio disso está o paciente. Aliás, o paciente é um bicho à parte. Não me considero um paciente chato. Sou sim um ausente, a eterna frustração do médico dedicado. Vou, faço a consulta, ouço a tento às orientações. Aceito fazer exames sem reclamar. Pego as guias do convênio, viro as costas e demoro uns...meses pra voltar. Se voltar. Mas ao menos não sou aquela “mala” que usa o Google pra colocar o médico contra a parede, repete o que ouve naquelas correntes por e-mail, as crendices e vigarices normais. E quer que o médico tenha paciência e atenda sorrindo.
E ainda vivemos numa sociedade que cultua o voto de pobreza do médico. Os que ganham dinheiro por serem legitimamente competentes (no ofício e na gestão) são vistos com desconfiança, muitas vezes, até pelos próprios colegas. Pra frente, pra trás, por qualquer perspectiva que se olhe, a necessidade de uma solução equilibrada para todo esse impasse está longe de acontecer. Aos meus amigos médicos, serenidade, persistência e senso pra lidar com o futuro.
fontes: Brasil Escola website, Folha de Pernanbuco, Saúde Web

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Todos os Aviões do Mundo

Nem Santos Dumont nem Irmãos Wright. Genialidade coletiva. Assim surgiu o avião e não foi rápido. O Santô, como o brasileiro era conhecido em Paris, conseguiu voar 220 metros com um artefato de bambú e seda mais pesado que o ar – ainda não dava pra chamar de avião. Mas chegou perto, com a Demoiselle, o tetravô dos ultraleves.  Os Irmãos Wright deram dirigibilidade, leveza e desenvolveram motores fortes – os aviões da primeira guerra surgiram a partir daí. Mais adiante, Howard Hughes, rico, genial e lunático, deu sua pesada contribuição – o avião como a gente conhece hoje, de asa baixa, aerodinâmico, com uma fuselagem lisa e bem acabada saiu das obsessões dele por desempenho e design. Aconteceu na época o mesmo que ocorre hoje com a era digital. Todo mundo vai metendo a mão e vai criando  um “algo a mais”.
"Todos os Aviões do Mundo"
Enzo Angelucci
Um novo Boeing, o primeiro Dreamliner pousou num aeroporto japonês em 2011. Vinte por cento mais econômico que os outros, muito mais leve e tecnologicamente o mais avançado - é o que a imprensa diz. Lembrei do meu livro “Todos os Aviões do Mundo”, Enzo Angelucci.  Tinha 9 anos quando ganhei esse livro dos meus pais. Meu primeiro livro de gente grande. Quantas páginas, um monte de aviões...”- Pai, porque um avião voa?” Meu filho veio com esta pergunta, atônito, enquanto folheava o mesmo livro amarelado. Pensei rápido. Explicar tecnicamente o porque um avião voa é um pouco demais quando se tem oito anos. “- Ele voa porque uns caras pensaram nisso e acreditaram que alguma coisa mais pesada que o ar podia voar.”  Ele folheava e ouvia. Parou num punhado de páginas rasgadas. “-Pai, cadê esses aviões?”. Olhei de canto: “- Isso foi quando resolvi te dar esse livro cedo demais, quanto tu eras bem pequeno.” Ele não acreditou: “- Fui eeeu? Pai, como que tu me dá um livro desses pra eu rasgar??” E folheava consternado. “-...fui eu mesmo, né pai...eu rasguei a história da aviação”. E fazia carinho nas páginas. Ante a minha confirmação, acabou ali o último fio de esperança naquele olhar miúdo, tipo “diz que eu não fiz isso”.  Jeito simples e natural para uma criança cair na real e aprender a respeitar ainda mais os livros.  Com um olho no livro rasgado e outro na televisão, ele me solta essa: “- Pai, pra esse Dreamliner ser construído, muita gente teve que sonhar com ele voando, né...”.  É isso mesmo filho. Você entendeu bem o recado.
veja vídeos:
Irmãos Wright - o primeiro vôo
Howard Hughes e o "Spruce Goose"
A "jóia tecnológica" de Howard Hughes"

sábado, 13 de agosto de 2011

Histórias de Pais e Filhos

Agosto, segundo domingo, sempre é dia dos pais no Brasil. Sentei pra ver vídeos sobre “Dia dos Pais” na web, tem aos montes. Tem pai pra todo o gosto fazendo as coisas mais estranhas. Vendo aquilo tudo, penso que à medida que me vejo perdendo o interesse por coisas que vão ficando pra trás, vejo meu filho despertando pros interesses dele e sem muita medida. O tempo nos torna seletivos, mas eles, ao contrário, querem tudo e muito. O humorista e ex-Casseta Hélio de la Penã diz: “Ser pai é saber a hora de ser brother e a hora de ser mala”. Entendi o que o Hélio diz, mas seria perfeito demais. Como filho não veio com manual, acho que passo mais tempo sendo o mala do que o brother. Meu consolo é olhar pro lado e ver que não estou sozinho. Tem gente que prefere colocar o pêndulo só pro lado do brother, o que também não é bom. Resolvi ser mais mala, porque percebo que é melhor dificultar e, com o tempo, ir soltando a guia. Encontrei a frase "Sofrimento constrói o caráter" numa tirinha do Calvin (personagem de Bill Watterson). O pai dele (foto) entoa esse mantra em todas as histórias e faz todo o sentido pra mim, por isso não facilito muito as coisas. Mas pra não ser um déspota, vou pelo caminho do exemplo, o que torna as coisas mais complicadas ainda – só posso mostrar o melhor caminho se trilhar exatamente a mesma estrada, senão nada feito. Por essa via, quero acertar mais do que errar. O brother ou o mala? Só o futuro vai dizer quem tem razão. Um abraço a todos os pais e filhos. E um abraço especial ao meu pai e ao meu filho.

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa 2011

Tenho um orgulho danado da minha turma de faculdade. Conseguimos superar os anos de gelo e retornar o contato, o calor humano dos tempos de PUC. Isso é raro. Tá cada um num canto, mas todo mundo sempre conectado. Sinal de que todo o carinho reprimido estava ali, precisando de um empurrão. Pois o meu amigo e colega de PUC Felipe de Oliveira presenteou a todos da turma com essa linda mensagem de Páscoa que divido com todos os leitores do "Se Espirrar, Saúde!".   Pessoas, eu sempre desejo dias felizes pra todos vcs...e não poderia ser diferente na Páscoa, né?
Ocorre que nós, eternos aproveitadores, transformamos a Páscoa de tal jeito, que hoje muitas crianças estão divididas sobre isso: umas acham que a Páscoa é do Coelhinho (entre estas existem, inclusive, algumas, que acham que o coelho bota os ovos da Páscoa. Isso, é claro, seria impossível, uma vez que são de chocolate e derreteriam ao passar pelo ânus do pobre animalzinho), outras acham que o dia da Páscoa é o dia da churrascada, aliás não sabem porque se come tanto peixe nesta época. Há, ainda as que associam a Festa, a uma visita ao Mac Donalds e até suspeitam que o Coelhinho fala inglês (nunca sei direito onde colocar esse acento circunflexo). Também existem aquelas que acham que a data é apropriada para ganharem aquela camiseta do time do coração (se for o Grêmio é claro que serão perdoadas). Assim o que fazemos, de verdade, é transformar a Páscoa em um grande bazar, onde se vende de tudo, e nos esquecemos do que ela realmente representa. Não que nós devamos nos enfurnar em algum lugar sozinhos e passarmos todo o dia fazendo retiro, mas vamos nesta Páscoa, por alguns minutos do dia, nos reunirmos com nossas crianças e ensinar a elas o que ela representa de verdade. Tenho a certeza que se agirmos assim esta será uma Páscoa maravilhosa. 
Um grande abraço a todos e Feliz Páscoa

domingo, 8 de agosto de 2010

Obrigado, Pai (especial Dia dos Pais)

Esses dias recebi um mail perguntando se eu tinha alguma forte lembrança sobre “Dia dos Pais”. Parei, pensei...tenho sim. Lembro de uma noite muito fria de inverno, a cidade era Gramado/RS, o ano era por volta de 1988.  Não sabia dirigir. Um amigo e a namorada, bêbados, forçaram a barra pra que eu pegasse o carro. “Não sei dirigir”, disse. “Eu te ensino. Vai, pega logo”, veio  a resposta. O resultado: Um lindo fusca 86 jogado dentro do jardim de uma casa, depois de uma porrada com outro carro (que conseguiu fugir do local) num cruzamento qualquer de Gramado. Todos bem, sem polícia no meio (cidade pequena era assim, creio que ainda é), o susto passou, mas aquele final de semana estava acabado. “Porra, meu pai vai me matar”,  ouvi do meu “amigo” que com o susto, curou o porre. “Fica frio que vou pagar o prejuízo”, falei. O dublê de amigo, apesar de também ter culpa no cartório, aceitou de pronto.
Na volta pra Porto Alegre, não se ouvia uma mosca além do barulho do vento a bordo daquele fusca torto e com a porta amarrada por arame. Era aquele gosto amargo, a horrível sensação de derrota. Pensava: “Ok, vou pagar essa merda com a grana que guardei, mas...o que vou dizer pro meu pai?” Cheguei em casa, momento de dar a notícia, que foi dada sem rodeios, firme, de forma respeitosa. Meu pai ouviu atento, pensou e cortou o silêncio: “Filho, tu tens grana suficiente pra pagar isso?”. Fiz que “sim” com a cabeça. “Então filhão, agora tu entendes melhor do que ninguém o preço e o risco de pegar carro emprestado sejam quais sejam as circunstâncias, né?” Fiz outro “sim” com a cabeça, morto de vergonha. “Beleza, então levanta essa cabeça e vai em frente que acidentes acontecem e que bom que vocês estão bem, se precisar de alguma ajuda me fala.” Dito isso, foi cuidar dos discos dele, tranquilo e sereno. E eu, passei 4 meses pagando o conserto. E também fui fazer 40 aulas de auto-escola, porque o susto foi realmente grande (também nunca mais vi o tal “amigo”).
Bom, e sobre o que o Dia dos Pais me lembra? Valores. A história acima foi sobre como aprendi mais uma lição sobre valores. Eles são a base de um caráter e de uma atitude, algo que só um pai pode dar. Se tudo começasse pelos valores, a conversa sobre integridade, honestidade, cidadania e tudo o mais acabaria por aí. É o que salva uma sociedade inteira. Obrigado Pai. 

sábado, 7 de agosto de 2010

Pequenos Expressionistas

Este final de semana, o mercado de obras de arte está aquecido, vai ter Modigliani, Portinari, Picasso à vontade. Um que outro Salvador Dali ou Van Gogh, também tem. São obras raras, porque têm um único ponto em comum:  vão sair da cabeça (e, porque não, do fígado e do coração) de milhares de artistas célebres cujo objetivo é um só - fazer o melhor desenho de todo o mundo pro papai. Por isso são trabalhos únicos, com traços únicos e com todo tempero expressionista o qual não se vê em obras dos grandes artistas (aliás, tem uns de Salvador Dali que, convenhamos, literalmente coisa de louco. E com aquele bigodinho, ninguém merece...). O Dia dos Pais faz milagres, a verdadeira multiplicação das artes – todas autênticas. Qual museu no mundo conseguiria reunir tantos cérebros e idéias? Taí um museu que ainda não foi inventado – “Museu do Papai”, para que todos os artistas possam expor suas obras e serem apreciados. Só a “vernissage” seria um arraso (única no mundo que não teria críticos). Prepare-se, se você tem um artista em casa, vai ganhar a sua tela. Eu já ganhei o meu “Gauguin” (foto).
fontes: wikipedia e história da arte wesite

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Corpus Christi - De Chinelos em casa porquê?

Feriado de Corpus Christi – fato: estou de chinelos em casa, me dão um feriado de presente desde que me conheço por gente e nunca me perguntei o porquê. Tive minha iniciação religiosa no catolicismo, passando por 2 grandes colégios – O Meninópolis (de padres) em São Paulo (hoje não existe mais, colocaram uma faculdade lá) e o Nossa Senhora da Glória (de freiras), em Porto Alegre. Se em algum dia no passado, me foi dito o significado da data, não fixei. E acho hipocrisia aquela história de “católico não praticante” (é o mesmo que ser um “tenista não praticante”, me poupe) há muitos anos não sou mais católico, migrei pra outras vertentes. Fui pro “Google” pesquisar. Segundo o preceito católico:
“É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar pelos séculos, até seu retorno, o sacrifício da cruz, confiando assim à sua Igreja o memorial de sua Morte e Ressurreição.”
Continuei na mesma – é pouca comida pra alimentar meu espírito pragmático. Segui adiante e o mais perto que cheguei foi o seguinte: É uma data católica instituída para celebrar a presença de Cristo, sua Morte e Ressurreição (Sacramento da Eucarestia), materializada através da transubstanciação, um dogma baseado na mensagem de Jesus através da Santa Ceia – a transformação do pão e do vinho em seu corpo e em seu sangue. Para a Igreja Católica, muito embora pão e vinho conservem suas propriedades originais (segundo o significado dado por Cristo), já não são mais pão e vinho. A comemoração oficial foi determinada através da bula “Transiturus”, do Papa Urbano IV em torno do ano de 1200. No Brasil, a data entrou para o nosso calendário em 1961.
Me chamou a atenção os zilhões de blogs e sites de “peregrinos” explicando o que significa o Corpus Christi, mas nenhum link sequer para um site da própria Igreja, em português. O site do Vaticano tem um link em portugês, mas se ocupa das atividades do Vaticano apenas. Falta Marketing agressivo ou a enxurrada de peregrinos “geeks” é a própria essência do Marketing Viral Eclesiático? O pão e o vinho são o must. Já pensou a inveja das outras bebidas, por não serem milenarmente vinculadas à uma figura tão influente quanto Cristo? Será que um dia, nem por um minuto, Jack Daniels sonhou com a sentença divina: "E Cristo, tomando nas mãos o cálice do mais puro bourbon, disse...".
Ok, me sinto mais aliviado em conhecer a data que me pôs em casa de chinelo e jornal na mão. Só ficou sem resposta a pergunta que não quer calar: Porque feriado? Saúde e bom Corpus Christi!

domingo, 9 de maio de 2010

Happy Mother's Day!

Generosidade, é o que as mães representam (ou, ao menos, devem representar) pra todos os filhos e filhas. Achei esse vídeo, fantástico. De uma espontaneidade sem igual. Espero que gostem e se divirtam como eu me diverti.
Um beijo a todas às mães e que elas estejam muito felizes por serem MÃES. Um beijo caseiro para a minha mãe, por todo o carinho e devoção, pela amizade e aprendizado também. Saúde! (Marci, there ain't no portuguese to catch the meaning of this article in my blog! It's for you too!).
fonte: Youtube

sábado, 3 de abril de 2010

Rápidas de Páscoa 2- Ovos e Coelhos: de onde vieram?

Decorar ovos é uma tradição que veio da Ucrânia cerca de 4.000 a.c (pysanka - foto). O ovo simboliza nascimento para os cristãos e judeu (estes, por não reconhecerem Cristo, festejam a Páscoa uma semana depois). O nome Páscoa foi uma evolução de “Eostre”(nome da Deusa da Primavera) que evoluiu para “Easter” (Leste em inglês).
Em algumas tribos européias, as pessoas colocavam os ovos decorados em cestas que mais pareciam ninhos de pássaros, em homenagem a esta deusa, que tinha como animal sagrado...o Coelho. Pois colonizadores alemães do século 18 levaram para os EUA a idéia do coelho da Páscoa que distribui ovos. O resto é história – finalmente as coisas se encaixam.
fontes: Novo Milênio website e wikipédia, enciclopédia livre

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cuidado com o "Coelhinho"

Estamos na Páscoa. Para os cristãos, Cristo ressuscitou, pra criançada, caçar ovos debaixo de coisas. Pros pais, dia de não fazer nada, dia da preguiça, feriado do bacalhau mas cuidado. Se der aquela vontade de sair por aí entoando a plenos pulmões “De Olhos Vermelhos, de Pêlo branquinho...”, você pode ter que morrer numa nota preta. Pra quem não sabe, a música “Coelhinho”, não pertence ao cancioneiro popular, tem dono. A professora Duhília Madeira, carioca, assistente de regência do Maestro Villa Lobos, compôs a música em 1944. Falecida em 2003, a professora deixou um tesouro para os descendentes, uma vez que uma composição só cai no domínio público 70 anos após a morte do compositor.

Direitos autorais no Brasil são mesmo obra de ficção. Lembrei de um filme do Hugh Grant, “About a boy” (2002) sobre um cara que não trabalhava e levava uma vida de playboy, à custa de uma única música de Natal deixada pelo pai, um sucesso estrondoso, algo como "Coelhinho" da Professora Duhília. Desde os anos 80, não têm sido poucas as situações em que a família Madeira têm batalhado pelo recebimento dos royalties de “Coelhinho”. Um exemplo? A Globo lançou em 2002 Xuxa Só para Baixinhos – o disco (que vinha até com DVD) arrebentou, ganhou Grammy Latino e tudo mais - lá estava "Coelhinho" e nada sobre a Profa. Duhília. Uma ação e um acordo entre a família e a Som Livre garantiram o tratamento da professora (vítima de dois derrames) em seus últimos anos de vida.
Christina Madeira, filha da professora Duhília, planeja varrer a internet na busca de usos indevidos. Pensei no potencial do Youtube, me deu uma coceira. Fui lá fazer as contas, usando as seguintes tags: “coelhinho” (2510) + “de olhos vermelhos e pelo branquinho” (43) + “páscoa” (5360) + “apresentação de páscoa” (770) = 8683 menções a tudo onde possa haver “Coelhinho” (pesquisinha básica, com tags mínimos e sem o mínimo de critério).

Fiquei inspirado:
“De ternos Armani, de bolso cheinho, andando de Porche, sou Mr. Coelhinho...” - Christina Madeira, parabéns. Boa Páscoa! Saúde.

Fonte: revista Piauí/jan 2010, wikipédia, enciclopédia livre, IMDB website e Youtube