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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cuidado com o "Coelhinho"

Estamos na Páscoa. Para os cristãos, Cristo ressuscitou, pra criançada, caçar ovos debaixo de coisas. Pros pais, dia de não fazer nada, dia da preguiça, feriado do bacalhau mas cuidado. Se der aquela vontade de sair por aí entoando a plenos pulmões “De Olhos Vermelhos, de Pêlo branquinho...”, você pode ter que morrer numa nota preta. Pra quem não sabe, a música “Coelhinho”, não pertence ao cancioneiro popular, tem dono. A professora Duhília Madeira, carioca, assistente de regência do Maestro Villa Lobos, compôs a música em 1944. Falecida em 2003, a professora deixou um tesouro para os descendentes, uma vez que uma composição só cai no domínio público 70 anos após a morte do compositor.

Direitos autorais no Brasil são mesmo obra de ficção. Lembrei de um filme do Hugh Grant, “About a boy” (2002) sobre um cara que não trabalhava e levava uma vida de playboy, à custa de uma única música de Natal deixada pelo pai, um sucesso estrondoso, algo como "Coelhinho" da Professora Duhília. Desde os anos 80, não têm sido poucas as situações em que a família Madeira têm batalhado pelo recebimento dos royalties de “Coelhinho”. Um exemplo? A Globo lançou em 2002 Xuxa Só para Baixinhos – o disco (que vinha até com DVD) arrebentou, ganhou Grammy Latino e tudo mais - lá estava "Coelhinho" e nada sobre a Profa. Duhília. Uma ação e um acordo entre a família e a Som Livre garantiram o tratamento da professora (vítima de dois derrames) em seus últimos anos de vida.
Christina Madeira, filha da professora Duhília, planeja varrer a internet na busca de usos indevidos. Pensei no potencial do Youtube, me deu uma coceira. Fui lá fazer as contas, usando as seguintes tags: “coelhinho” (2510) + “de olhos vermelhos e pelo branquinho” (43) + “páscoa” (5360) + “apresentação de páscoa” (770) = 8683 menções a tudo onde possa haver “Coelhinho” (pesquisinha básica, com tags mínimos e sem o mínimo de critério).

Fiquei inspirado:
“De ternos Armani, de bolso cheinho, andando de Porche, sou Mr. Coelhinho...” - Christina Madeira, parabéns. Boa Páscoa! Saúde.

Fonte: revista Piauí/jan 2010, wikipédia, enciclopédia livre, IMDB website e Youtube

segunda-feira, 29 de março de 2010

Como Se Não Houvesse Amanhã

Pouco antes de dormir, estava naquele fim de feira, zapeando a TV e de súbito, parei na notícia da qual não tinha me dado conta. Renato Manfredini Junior teria feito 50 anos no dia 27 de março. Em segundos, enquanto ouvia aquela enfurecida sequência de bateria de “Há Tempos” durante a matéria da Bandeirantes, minha época de Legionário passou pela minha cabeça. Não é exagero se disser que repetir e repetir Renato Russo moldou a forma como eu coloco a voz pra cantar. Me sinto bem cantando naquele tom, a respiração, as pausas. A música do Legião Urbana foi como uma fôrma e dalí, aprendi a gostar de todo o resto do que percebo na música. Cantei muito Renato Russo - tocava fielmente os arranjos simples, nada passava despercebido. E ainda hoje, ao ouvir no carro “Faroeste Caboclo” soa espantosamente moderno, atual e vigoroso. Uma vez, num dos seus shows, Renato sentenciou: "Quando eu era bem novo, queria mudar o mundo. Beleza, pensei melhor e me contentei em mudar o Brasil. Hoje, se eu conseguir melhorar a mim mesmo, já estou satisfeito". E mandou acordes de "Que País é Este" - O estádio veio abaixo e eu na época, óbvio que não entendi direito o significado daquele tesouro. Vadio? Sensato? Misterioso? Underground? Um artista se despindo em público? Não importa, passou. Obrigado Renato Manfredini Junior. Saúde a tudo o que você deixou por aqui.
fonte: wikipédia enciclopédia virtual

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do CD, para o MP3, para...o LP! Como assim?

Em entrevista à revista Exame (21/10/09), João Marcelo Bôscoli, Presidente da Gravadora TRAMA, sentencia: “As gravadoras acabaram. O CD risca, o encarte rasga e o estojo desmonta. Não vai deixar saudades”. Isso porque, a partir de 2010, sua gravadora (ou ex-gravadora, pelo jeito) vai disponibilizar na rede os mais de 400 álbuns do seu catálogo para download gratuito.

Discordo do João Marcelo - exagero dele, que deveria ponderar, respeitando seus clientes. A história mostra que quem decide o “timming” das novas tecnologias é o consumidor. E que, quando uma nova tecnologia nasce, não necessariamente vai matar a outra, tudo se reorganiza em oportunidades de mercado. As rádios AM não sumiram com a chegada da Televisão e das FMs. A TV aberta não deixou de existir com o “boom” da TV a Cabo. O cinema não morreu com a chegada do DVD e do Blue Ray.

Em meados de 90, vieram os CDs e era dada com certa a morte do vinil - não aconteceu. Hoje, graças aos DJs e aficionados, os bolachões fazem parte de um nicho bem diferenciado. Um álbum duplo do Eric Clapton ou da Madonna, nas melhores livrarias do país, não saem por menos que R$ 150,00. E dá pra ouvir num pick up Numark ou Stenton, facilmente encontrados por cerca de R$1.500,00. Artistas como Ed Mota, Lenine, Radiohead e Amy Winehouse, lançaram LPs. Principais vantagens segundo os artistas: são tecnicamente impossíveis de serem pirateados e a qualidade sonora é superior a dos CDs.

O fato - CDs e LPs são únicos, com seus encartes e capas maravilhosas. O MP3 é conveniente. Até as fitinhas cassete tem seu charme. Quem nunca gravou uma trilha especial para AQUELA pessoa numa BASF C90, caprichando no desenho das capinhas? Para saudosistas, futuro e passado se misturam – o site http://www.mixtape.me/ permite criar fitinhas virtuais e enviar o link para a pessoa querida. Basta uma única mensagem, tão rara de se ouvir nos dias de hoje: “Gravei pra você” – chique, não? E, Se Espirrar, Saúde!