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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tributo MTV ao Legião Urbana - só a devoção salva

Wagner Moura e Dado Villa-Lobos
Emoção e devoção salvaram o Tributo
Resisti muito a aceitar ter que assistir Legião Urbana sem Renato Russo e com Wagner Moura. O purismo refuta novas perspectivas as vezes e isso não é saudável. Assistir o Tributo a Legião Urbana foi sofrido. O tempo todo pensava “porque Wagner Moura se expôs desta forma?”. Ele pode (pode não!)...e ficava nessa guerra íntima enquanto torcia pra dar certo. As primeiras músicas foram de doer – guitarras desafinadas, a voz do Capitão Nascimento não saia e, quando saia, ou embargava ou desafinava, a voz sempre curtinha. Primeira música - Tempo Perdido. Wagner Moura com voz trêmula meio desafinado, meio confiante. Uma coisa é certa: o cara é peitudo. Disse no twitter e repito: Ele é aquele cara contagiante, o amigão com quem todo mundo canta junto quando, na rodinha de amigos regada a vinho e violão, ele desafina. É um não-cantor. E isso elimina o risco de parecer pretensiosamente maior do que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá no palco (e até Renato Russo). E é um super ator, o que lhe dá credencial pra ganhar o público mesmo quando erra aos montes.
O que faltou de voz pro Capitão Nascimento sobrou naquilo em que ele é realmente bom: a entrega no palco e no papel. O cara pulou, chorou, suou, reverenciou, contou história, foi um mestre de cerimônias. A imprensa definiu bem: clima de ensaio. O show tributo foi isso mesmo. O carisma do Wagner Moura e a atitude de fã (e não de vocalista) assumida por ele  aproximou a platéia, que dava uma força nos vocais o tempo todo - fã é impressionante. Tinha nervosismo? Tinha. Emoção? Demais. E tinha Rodrigo Fávaro no baixo e Caio Costa nos teclados/guitarras – esses acharam um bilhete de loteria e estavam impecáveis. Mas quando os convidados começaram a fazer parte do show, a banda relaxou e entrou no clima de MTV onde errar vira selo de autenticidade – há muito tempo não se vê mais isso na TV, lembrou a MTV dos bons tempos. Coisas genuínas sendo feitas ao vivo são apaixonantes porque permitem atitudes como a de Marcelo Bonfá, cantando a la Phil Collins. E Dado deitado no chão tocando Via Láctea enquanto via vídeos no teto do palco. Andy Gill, Bi Ribeiro, Catatau, toda essa galera ajudou a melhorar o clima de autenticidade e de relax da banda. David Grohl montou o Foo Fighters e o Them Crooked Vultures, provando que existia salvação além do Nirvana. Dado e Bonfá, vocês são "os caras"...tem que seguir adiante.
Ok, tenho que dizer que valeu. Wagner Moura, captei vossa mensagem - sua atitude (e coragem) me ganharam. Parabéns; Missão dada, missão cumprida.

domingo, 27 de maio de 2012

Tributo MTV ao Legião Urbana - Legionários, uní-vos

Wagner Moura canta Legião
(na foto, ensaiando com Dado Villa-Lobos)
brrrr...que meda!
Tributo ao Legião Urbana com o ator Wagner Moura nos vocais. Nada contra o Wagner Moura - bom ator, na minha modesta visão leiga. Mas cantar legião é forçar no papel. Dá pra entender ele. Se você fosse um cara famoso, ousado, em busca de emoções fortes e a MTV te ligasse pra sondar se você queria tocar com os caras do Legião Urbana, você negaria? Se fosse comigo, sinceramente não sei.  Tem que estar com o ego muito em dia pra se achar o cara que NÃO VAI assassinar as músicas de Renato Russo nem sair chamuscado. Acredito que cantando na banda “Sua Mãe” ele até não faz feio, mas não é só o peso da responsabilidade, tem o peso da voz: e a vozinha dele é curta, é fato. Dado Villa-Lobos diz que não vai rolar turnê (ufa...), só uma homenagem. Isso deve até dar um bom dinheiro, deve mesmo, vá lá.
Sensato seria então convidar o Kim, da banda Catedral (se convidaram e ele não quis, ok. Posso estar dizendo bobagem mas não acredito que isso tenha acontecido). Aquilo sim é uma voz “Russoniana”, de arrepiar o cabelo do braço. Faria bonito, sem nenhuma pretensão de substituir Renato Russo. Não conhece o Kim? Pois lhes apresento: KIM, banda Catedral. Compare você mesmo. Wagner Moura, não leva a mal, mas volta pra “Sua Mãe”? Cara, muito obrigado, obrigado mesmo.

Renato Rocha - O Faroeste Caboclo de um ex Legionário

Renato Rocha
Nos tempos do Legião Urbana e hoje, no Centro do Rio
Meus heróis ainda morrem de overdose. É uma pena.

E então o mito do Sexo, Drogas e Rock’n Roll perde a graça, porque a miséria humana e suas psicoses não tem graça. Sai o palco, sai a fama e o que fica são pessoas comuns e seus dramas de carne e osso. O tributo dos ex Legião Urbana com o ator Wagner Moura (brr..que medo!) tem mexido com a libido de milhares de Legionários adormecidos. E trouxe à tona a situação que vive hoje Renato Rocha, baixista consagrado nos primeiros três discos da banda, de 1984 a 1988.  O Negrete, como era conhecido nos tempos do Legião, foi encontrado pela TV Record morando numa rua do centro do Rio de Janeiro. Renato é morador de rua e não cabe julgar o que aconteceu. A história de Negrete não é diferente de milhares de ídolos do Rock ao longo da história recente e muito menos de milhões de ilustres desconhecidos – todo mundo conhece ou, no mínimo, já ouviu falar de ao menos um Renato Rocha entre amigos ou pessoas próximas, um João de Santo Cristo em cada esquina. Faroeste Caboclo é aqui e nem todo mundo sobrevive. Nada mais lamentável, nada mais Rock’n Roll...
veja matéria da Record:
fonte: R7

segunda-feira, 29 de março de 2010

Como Se Não Houvesse Amanhã

Pouco antes de dormir, estava naquele fim de feira, zapeando a TV e de súbito, parei na notícia da qual não tinha me dado conta. Renato Manfredini Junior teria feito 50 anos no dia 27 de março. Em segundos, enquanto ouvia aquela enfurecida sequência de bateria de “Há Tempos” durante a matéria da Bandeirantes, minha época de Legionário passou pela minha cabeça. Não é exagero se disser que repetir e repetir Renato Russo moldou a forma como eu coloco a voz pra cantar. Me sinto bem cantando naquele tom, a respiração, as pausas. A música do Legião Urbana foi como uma fôrma e dalí, aprendi a gostar de todo o resto do que percebo na música. Cantei muito Renato Russo - tocava fielmente os arranjos simples, nada passava despercebido. E ainda hoje, ao ouvir no carro “Faroeste Caboclo” soa espantosamente moderno, atual e vigoroso. Uma vez, num dos seus shows, Renato sentenciou: "Quando eu era bem novo, queria mudar o mundo. Beleza, pensei melhor e me contentei em mudar o Brasil. Hoje, se eu conseguir melhorar a mim mesmo, já estou satisfeito". E mandou acordes de "Que País é Este" - O estádio veio abaixo e eu na época, óbvio que não entendi direito o significado daquele tesouro. Vadio? Sensato? Misterioso? Underground? Um artista se despindo em público? Não importa, passou. Obrigado Renato Manfredini Junior. Saúde a tudo o que você deixou por aqui.
fonte: wikipédia enciclopédia virtual