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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Thedy Correa - 50 anos e muito Rock

Thedy Correa - 50 anos
Quero hoje mandar o meu abraço a mais um cinquentão. Thedy Correa, líder da banda Nenhum de Nós, hoje faz 50 anos. E, a despeito do “make up” próprio do universo artístico, o reconhecimento é fruto de um belo, consistente e longevo trabalho como músico, poeta, arranjador e líder de uma das bandas mais legais que o Rock brasileiro já teve.

O bordão “Meus heróis morreram de overdose” não é uma regra no mundo do Rock e isso é um alivio. Tenho orgulho de mostrar ao meu filho as músicas do Nenhum de Nós e poder curtir com ele o som, dando a ele um exemplo de banda do bem. Porque dar bons exemplos às gerações futuras de que rock não tem nada a ver necessariamente com “sexo e drogas” é um exercício de cidadania.  Música boa não precisa de bandeiras. As atitudes são a própria música e seus exemplos.


Thedy, parabéns pelos seus 50 anos. E obrigado por tudo.
(vejam vídeos)



sábado, 23 de fevereiro de 2013

David Bowie - de volta, dando um "banho" de Marketing


Não dá pra dizer que me amarro em David Bowie. A fase Ziggy Stardust então era kitsch demais, surreal. Muito criança, a androgenia e todos aqueles significados passava há quadras lá de casa. Peguei a onda mais oitentista de Bowie, quando ela já tinha seus quarenta e poucos e cantava Modern Love, Let’s Dance (o vídeo clipe era uma porcaria, mas a música tinha uma batida irresistível), uma parceria genial com Queen em Under Pressure e outra não menos fundamental com Pat Metheny em This is not America. Fora isso, minha curiosidade por suas músicas e estilo peculiar pararam aí.

Era 1989, e o Nenhum de Nós lançou O Astronauta de Mármore. Adorei a música de primeira, porque gostava de tudo que eles faziam e me decepcionei ao ouvir a versão original, Starman – meu santo não batia mesmo com o Bowie. E o tempo se encarregou de dar uma mãozinha no gelo, quando a imprensa dizia que David Bowie tinha se aposentado. Nem nesse momento me interessei em ler algo sobre. Jornais falaram que tinha se enclausurado pra pintar, coisas do tipo, até sair do meu radar. Nada mais ouvi sobre ele até janeiro de 2013.

David Bowie - CD novo após dez anos
Dizer que David Bowie tem sido um dos artistas mais influenciadores de carreiras na música pop (senão o mais influente) é chover no molhado. Posso não ser muito fã, mas negar isso é negar o Holocausto, o Apartheid...fez a cabeça de muita gente. Marc Spitz, autor de Bowie – A Biografia (Benvirá, 2010) diz que o surgimento do tal do indie rock foi fruto da frustração daqueles que tinham a certeza de que jamais seriam como David Bowie. Tocando vários estilos, sempre teve fama de inovador e precursor.

Em 2013, com 66 anos, David Bowie reaparece de hit e disco novo, trabalhados em perfeito sigilo por dois anos – single Where are you Now, um baladão bem comportado e estiloso, foi lançado na web no dia do 8 de janeiro, aniversário de Bowie. A própria gravadora Sony só ficou sabendo pouco antes do lançamento. A forma low profile e simples com que lidou com o lançamento é tida pelos fãs como mais uma faceta inovadora do cara. O CD “The Next Day” data de março de 2013.




E veja no site de David Bowie mais detalhes sobre o lançamento do CD....clique AQUI

sábado, 12 de janeiro de 2013

Casamento, Nenhum de Nós e o Dia do Fotógrafo


Dia do Fotógrafo (8 de janeiro). Me peguei pensando como seria a vida sem a fotografia. Aliás, como já foi. Pintar e desenhar era o que tinha até por volta de 1840. A fotografia guarda seus significados, independente do contexto. Está aí o grande mistério. O momento eternizado revela apenas o instante. À imaginação resta o trabalho de recriar o quadro por detrás daquele momento. Dos filmes pros celulares. Ficou tão banal fotografar, me pergunto se temos a ideia da dimensão dessa mudança em nossa vida?   

O ano era 1993, Porto Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil, Mundo), contagem regressiva pro meu casamento. E casamento tem que ter foto boa. Boa não. Insuportavelmente boas. Botei na cabeça que não queria um fotógrafo convencional, daqueles que eu sempre via chegar nas igrejas, maquininha na mão, seguindo a noiva. Não queria. Nada contra, por favor, não me entendam mal. Tive uma tia que viveu por uns 50 anos da fotografia. Pagava as contas a custa de muita foto tirada em casamentos, tenho o maior respeito por essa profissão. Mas no dia do casório queria algo inédito. Um fotógrafo jornalístico. Capaz de criar fotos instantâneas, incidentais, justamente quando as pessoas não estavam olhando. Acreditava que desta forma quem visse as fotos, teria um olhar mais franco, tipo bastidor de evento.

Apesar de circular justamente na faculdade de comunicação, estava enrascado. Tinha conseguido a promessa de uma amiga jornalista, mas furou comigo e, 15 dias antes do casamento, não achava o meu fotógrafo dos sonhos. Tava enrascado. Isso até chegar na casa da minha avó numa tarde dessas e travar uma conversa que mudaria tudo. Vovó tomava chá com uma amiga de muitos anos, Dona Lezith, companheira desde os tempos de colégio. Quando entrei, fui apresentado pela minha avó:

– Meu filho, eu acho que tu conhece o filho da Lezith. É o Thedyzinho, ele toca num conjunto chamado Nenhum de Nós. Tú conhece, meu filho?

Quando ouvi aquilo e olhei pra aquela simpática senhora de xícara na mão no meio da sala da minha avó, faltou voz. Sempre fui um fã ferrenho do Nenhum de Nós e do Thedy Corrêa. Simplesmente surreal.

- E te digo mais, meu filho. Já falei pra ela do fotógrafo que tú precisas, não é Lezith?

A gentil senhora largou a xícara na mesa e nem piscou.

Sorrisos by Carlos Stein
- Então, Daniel. Quando o Thedyzinho casou, quem fez a s fotos pra ele foi o Carlos Stein, fotógrafo da revista Isto É. Tenho certeza que se a gente falar com ele, ele faz as fotos, deixa comigo. Fazemos assim: amanhã vai ter um evento de comemoração da semana Farroupilha no Palácio do Governo e o Thedyzinho vai estar lá. Vamos juntos, que ele te apresenta pro Carlos e vocês se acertam, que tal?

E assim aconteceu. Foi com muita simpatia e no meio daquela muvuca que o Thedy apresentou  o Carlos a mim e à minha namorada e intimou-o a fazer as fotos. Graças a esse encontro insólito, tenho as melhores recordações que se pode ter de um casamento. Serei sempre grato ao Thedy, à Dona Lezith e ao Carlos Stein. Sem essa pra lembrar, sinceramente talvez nem lembrasse do Dia do Fotógrafo.

sábado, 14 de maio de 2011

Nenhum de Nós - melhor com o tempo


Acho que era 1986. Lembro de um show na SAT (Sociedade Amigos  Tramandaí), praia de Tramandaí, litoral distante de um Rio Grande do Sul ainda mais distante, no Brasil. Uma banda caloura chamada Nenhum de Nós ia tocar com mais duas bandas - Taranatiriça e TNT. Quando os acordes de Camila, Camila começaram, Thedy Corrêa Rodrigues Filho, o Thedy, entrou no palco com um gorro da Legião Estrangeira e soltou aquela voz. Vendo aquilo sabia que nunca mais esqueceria aquela banda. Comentei com o João Henrique, um amigo que estava junto: "com essa atitude, não pode ser uma banda de um sucesso só, esses caras vão estourar"... 

Eu nunca conseguiria deixar tudo sempre igual tudo igual. E você queria que tudo fosse sempre igual, tudo igual? Nem pensar. Pois pra quem não lembra mais do Nenhum de Nós, que fora do Rio Grande do Sul se fez adulta com hits como "O astronauta de Mármore" e "Camila, Camila", aí está. Sempre inovadores, o Nenhum foi a primeira banda de Rock a fazer um acústico sem instrumentos de Rock, em 1994. Os caras continuam fortes, fazendo muito shows por aí e, há anos, mais focados no Rio Grande do Sul, onde a banda vive. O estilo não mudou quase nada, ainda bem. Então pra quem não tem tido notícias deles, aí vai o mais novíssimo lançamento do Nenhum de Nós - Último Beijo, do CD "contos de água e fogo". Bom domingo, ouvindo Nenhum de Nós!