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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Mundo enfim


Acordo e vejo que aceitar a complexidade da vida,
as contradições, o submundo, as perguntas sem resposta,
os gadgets que mudam a cada dois meses, as desordens naturais,
a demagogia, a cacofonia, a pedofilia, a magia, a sangria, 
a liturgia, a megalomania, acordar, levantar, trabalhar, gastar, 
pagar, manter, provar e provar de novo, reprovar, 
exigir, tudo isso junto de novo. 

Melhor acreditar que tudo vai acabar. Melhor derramar o mundo
Em lava, em lama. Mas, entredentes, confirmo a realidade,
Onde a loucura se expressa.
A vergonha que será o novo, o velho, imundo.
Cadê o final que me prometeram. É tudo novo, de novo.
Acordar, rugir, trabalhar, ganhar, perder...
Melhor que se acabe o mundo. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O mundo "entre aspas" 25 - Antônio Aleixo


Há tantos burros mandando 
 em homens de inteligência, 
 que às vezes fico pensando, 
 se a burrice não será uma ciência. 
 - '' António Aleixo'' 


Antônio Aleixo foi um poeta português do início do século vinte, respeitadíssimo. A foto ao lado é de uma estatua em sua homenagem, na cidade de Loulé (pequena cidade ao sul de Portugual, na região do Algarve. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Abril não é apenas um mês

Abril Despedaçado (Walter Salles Brasil – Suíça – França – 2001). Nesse filme terno e comovente, o amarelo-deserto é a cor que, em seu funcionamento como significante-mestre desta linguagem cinematográfica, articula uma fala que remete o espectador para o universal

"O que me chamou a atenção é que já é abril. É hora de romper o silêncio aqui porque descobri recentemente que tem gente que nota quando minhas linhas cansam. Bom saber. Então abril avança e me cutuquei até dormir pensando o que escreveria. Acordei e pensei, abril despedaçado. Sai procurando google adentro pela expressão abril despedaçado e me chamou o trecho que abre este post, de autoria de José Paulo Bandeira da Silveira, cientista político e Professor-Doutor da UFRJ. Não pelo título do Silveira, mas pela referência à cor, despertei. Amarelo – deserto. Choque, transe, sonolência. Amarelo-deserto pode ferir, ao mesmo tempo que nos mantem em dormência. Repare nos finais de tarde deste abril. Amarelo-deserto, rosa-vulcão, vermelho-pálido, azul-bolha. E o céu parece anunciar a chegada de um fato, de um aniversário, de um brilho nos olhos, o ônibus que estaciona na plataforma lá no canto. E partem. Ônibus, o ano velho, a notícia no jornal, fica só o brilho nos olhos, que acalma, fascina, transborda aos sentimentos nem sempre os melhores. Abril, monte suas peças, siga seu rumo, sobreponha março, mas não proíba maio."
fonte: Poesia com Bobagem (Amanda Reis) - matéria na integra

domingo, 5 de junho de 2011

O Dom da Palavra

“Uma vez uma professora me disse algo revelador: procure sempre saber os autores das músicas que você ouve. Apesar da música durar só quatro minutos, pode ter levado anos pra sair do papel e significar a vida inteira de um poeta”.  Foi meu grande amigo Cássio Bossi quem trouxe esse tema pra conversa, entre um gole de refrigerante e outro, numa noite fria de junho. São dele estas palavras e fui pensando nisso enquanto dirigia pra casa. Sempre tive um profundo respeito pelos poetas, pelos autores e suas obras. Podia ser uma quadrinha que fosse, simples que fosse, mas certamente aquilo deu trabalho, exigiu reflexão e talento. Veio desse respeito a atitude de sempre referir as fontes dos comentários aqui do blog. 
A verdade é universal, ninguém pode se dizer dono dela. Mas a forma como as pessoas juntam idéias, formam estruturas e contam suas histórias, essa é intocável, pessoal, intransferível e precisa ser respeitada sempre. Veja esse video do Palavra Cantada, uma das coisas mais belas que já surgiu na televisão brasileira. Como tudo é universalmente cíclico, quem sabe o que é bom e belo possa ressurgir pra ocupar o lugar de todo o péssimo conteúdo que se vê na TV de agora... 

sábado, 14 de maio de 2011

Nenhum de Nós - melhor com o tempo


Acho que era 1986. Lembro de um show na SAT (Sociedade Amigos  Tramandaí), praia de Tramandaí, litoral distante de um Rio Grande do Sul ainda mais distante, no Brasil. Uma banda caloura chamada Nenhum de Nós ia tocar com mais duas bandas - Taranatiriça e TNT. Quando os acordes de Camila, Camila começaram, Thedy Corrêa Rodrigues Filho, o Thedy, entrou no palco com um gorro da Legião Estrangeira e soltou aquela voz. Vendo aquilo sabia que nunca mais esqueceria aquela banda. Comentei com o João Henrique, um amigo que estava junto: "com essa atitude, não pode ser uma banda de um sucesso só, esses caras vão estourar"... 

Eu nunca conseguiria deixar tudo sempre igual tudo igual. E você queria que tudo fosse sempre igual, tudo igual? Nem pensar. Pois pra quem não lembra mais do Nenhum de Nós, que fora do Rio Grande do Sul se fez adulta com hits como "O astronauta de Mármore" e "Camila, Camila", aí está. Sempre inovadores, o Nenhum foi a primeira banda de Rock a fazer um acústico sem instrumentos de Rock, em 1994. Os caras continuam fortes, fazendo muito shows por aí e, há anos, mais focados no Rio Grande do Sul, onde a banda vive. O estilo não mudou quase nada, ainda bem. Então pra quem não tem tido notícias deles, aí vai o mais novíssimo lançamento do Nenhum de Nós - Último Beijo, do CD "contos de água e fogo". Bom domingo, ouvindo Nenhum de Nós!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tasso da Silveira

O poeta Tasso da Silveira
Tasso da Silveira foi um poeta modernista curitibano da época de 1932 e viveu até 1968. Mas, a contar pelos verbetes no Google, nunca se falou tanto nesse nome quanto nas últimas horas aqui no Brasil - 580.000 verbetes, não é pouca coisa. Veja um trecho de um de seus poemas mais famosos na época:


Intróito
Nós temos uma visão clara desta hora.
Sabemos que é de tumulto e de incerteza.
E de confusão de valores.
E de vitória do arrivismo.
E de graves ameaças para o homem.
Mas sabemos, também, que não é esta a primeira 
hora de agonia e inquietude que a humanidade vive.  


...intrigante.