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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Vá em paz, maestro Pletskaya

Não lembro de algo na vida do qual me arrependa. Até hoje. Me arrependi de ter repensado se iria assistir Tangos & Tragédias na temporada de verão deste ano de 2014 em Porto Alegre. Fiquei na cidade 4 dias apenas por motivo de doença na família e um desses dias era o sábado. A decisão recaiu sobre motivo fútil: não consegui ir ao centro de Porto Alegre comprar o ingresso – não vendem por internet, só na porta do tradicional teatro São Pedro. Devia ter me esforçado mais, até errado mais, ter feito o que devia fazer...


Uns dias depois, quando voltei dessa fugida ao sul, li nos jornais sobre a interrupção do espetáculo e a internação do ator Nico Nicolaiewsky, pra tratar uma leucemia. Tive um mau pressentimento. Devia ter ido ao espetáculo. Tem coisas que só se vive uma vez. Assim como a maioria dos portoalegrenses, já assisti várias performances do Tangos, sempre soava diferente, mesmo sendo igual. Queria ter essa chance só mais uma vez, mas não vai dar. Nico se foi, ou melhor Pletskaya. Ficou só o Kraunus.

O acordeão mágico que nos fazia rir e chorar com interpretações improváveis de sucessos improváveis ficou quieto. Aprendi que a distância entre o arrependimento e a bilheteria de um teatro pode ser bem maior do que se imagina. Aquele ingresso tava lá me esperando e não fui.

E também aprendi que é na Sbórnia que se dança o Copérnico. Lá, ninguém morre de fato. Vá em paz, Pletskaya.

domingo, 5 de junho de 2011

O Dom da Palavra

“Uma vez uma professora me disse algo revelador: procure sempre saber os autores das músicas que você ouve. Apesar da música durar só quatro minutos, pode ter levado anos pra sair do papel e significar a vida inteira de um poeta”.  Foi meu grande amigo Cássio Bossi quem trouxe esse tema pra conversa, entre um gole de refrigerante e outro, numa noite fria de junho. São dele estas palavras e fui pensando nisso enquanto dirigia pra casa. Sempre tive um profundo respeito pelos poetas, pelos autores e suas obras. Podia ser uma quadrinha que fosse, simples que fosse, mas certamente aquilo deu trabalho, exigiu reflexão e talento. Veio desse respeito a atitude de sempre referir as fontes dos comentários aqui do blog. 
A verdade é universal, ninguém pode se dizer dono dela. Mas a forma como as pessoas juntam idéias, formam estruturas e contam suas histórias, essa é intocável, pessoal, intransferível e precisa ser respeitada sempre. Veja esse video do Palavra Cantada, uma das coisas mais belas que já surgiu na televisão brasileira. Como tudo é universalmente cíclico, quem sabe o que é bom e belo possa ressurgir pra ocupar o lugar de todo o péssimo conteúdo que se vê na TV de agora... 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Psicólogos do Trânsito - paz no trânsito por um sorriso

Não entendo a intolerância no trânsito. Uma vez estava com um amigo, de carona. Ele demorou um pouco mais pra arrancar com o carro e fazer uma conversão. Foi o suficiente pra um taxista atravessar o Ômega na frente dele e emergir de lá de dentro com uma barra de ferro, espumando como um pitbull. Um pouco de “deixa disso” em troca de alguns palavrões o cara foi embora tão rápido quanto apareceu, mas ninguém mais dormiu naquela noite. Uma barra de ferro. Pra que isso?
Psicólogos do Trânsito: Fornecem sorrisos sem pedir nada em troca
A frota carros no Brasil mais que dobrou de 2000 a 2010. São quase 65 milhões, número superior à população da Argentina.  Assim, trânsito confuso não é mais “privilégio” de paulistanos há muito tempo. E com tanto carro na rua, intolerância, stress, socos e pontapés se multiplicam. Na capital paulistana, são cerca de 150 ocorrências por dia. Mas ainda tem salvação. Tem gente que dedica horas da semana, que poderiam ser usadas pra estar com família ou amigos pra fazer motoristas se desarmarem e sorrirem. Arrancar sorriso de motorista estressado no trânsito de São Paulo, ainda que por cinco segundos, assume outra perspectiva quando se trata do “rush” - e eles conseguem. Um dia, Guilherme Brandão, um ex-estressado no trânsito, resolveu passar pro outro lado. Inspirado no trabalho que a trupe Doutores da Alegria faz em hospitais, desenvolveu repertório semelhante só que tendo como palco a faixa de pedestres dos cruzamentos mais movimentados de São Paulo. Surgiu a trupe de palhaços “Psicólogos do Trânsito” – seis palhaços que usam o intervalo nos sinais de trânsito na tentativa de tornar aquele momento mais leve para os motoristas que assistem às performances.
Tenho inveja de quem, como Guilherme, descobre uma forma de exercer a cidadania e acredita nela. Gente assim desperta na gente a vontade de acreditar que as coisas podem melhorar. Só que essa é a inveja do bem. A inveja do mal faz outras coisas: o Conselho Regional de Psicologia reclama o uso do termo "Psicólogos", uma vez que são Palhaços. Engraçado, sabe que eu não tinha percebido? Achei que aqueles palhaços na esquina do escritório eram Psicólogos mesmo! - me poupe. 
Recado pra Dona Maria Bethânia (a cantora): Criaram coisa bem mais útil que um blog de poesia e não precisou um milhão e meio de reais pra isso!

fonte: site Psicólogos do Trânsito e Notícias Terra website

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dia a dia dos Deputados e Senadores custará mais caro

Nico  Nocolaiewsky e Hique Gomes
Deputados e Senadores pagam mais
Isso mesmo. Imagine que, ao chegar numa loja qualquer, padaria, açougue, bar ou cinema, em sabendo que o cliente ali postado se trata de um "nobre" deputado ou senador, o preço do produto seria automaticamente remarcado em mais 73% (deputado federal) e 61% (senadores) respectivamente.  Tudo bem que a grande maioria das despesas dessa gente são jogadas nas nossas contas, mas certamente eles compram coisas que eventualmente não são lançadas em relatórios de despesas parlamentares. E aí..."pow", metemos a mão nesses bolsões enormes cobrando mais por produtos e serviços. 
Pois em Porto Alegre (Rio Grande do Sul/Brasil), os "nobres" parlamentares que quiserem assistir à temporada de verão da peça de teatro Tangos & Tragédias (Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky), terão que pagar mais caro pelo ingresso - foi criada uma nova modalidade de ingresso especialmente para esse público "VIP". Além do preço normal e da meia entrada para estudantes e idosos, agora existe o acréscimo, sob medida para deputados e senadores. Verdadeiro ou zombeteiro, o aviso está na bilheteria do Teatro São Pedro. Simplesmente fantástico. Uma lorota bem contada, vira folclore e, quem sabe, realidade...apoio a idéia. Já assisti Tangos & Tragédias, ao longo dos últimos 25 anos, umas 9 vezes. E pretendo rever mais algumas, mesmo não estando mais no sul há muitos anos. Não dá pra perder a chance de reciclar o riso com o "milenar" teatro-humor refinado de primeira linha.
fonte: Jornal Zero Hora 

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Na arte como na vida real - conversa com Jorge Fernando

O Ator e Diretor de TV Jorge Fernando participava de um evento em uma empresa onde trabalhei há uns anos atrás. Falava sobre a rotina nos bastidores da TV Globo, mostrando que, fora a fantasia e a ilusão das pessoas, a Globo era uma empresa normal como outras e que fazer novela era tão complexo quanto gerenciar qualquer outro grande projeto. Se você estoura um budget, te cobram. Se um patrocinador não gosta de uma cena, tem que refazer tudo e rápido pra não perder o timming. E a escalação do elenco é como escolher os melhores para um projeto arrojado. Se uma novela que custou milhões não emplaca nos primeiros capítulos, rola a cabeça do diretor e de mais algumas pessoas ou, no mínimo, a vida desse mesmo diretor fica bem mais difícil em futuros projetos. Deu o exemplo do aperto que passou com o fracasso da novela "As Filhas da Mãe" (2002), segundo ele, "um trabalho cuja proposta o telespectador não entendeu". Seu pescoço foi salvo pelo trabalho seguinte, "Chocolate com Pimenta" (2004), esse sim um sucesso de público e de crítica. Enfim, nada diferente do mundo corporativo. O resto é história.

No café, fui me chegando. Até que ficamos próximos o suficiente, fui perguntar: “- Jorge, entre os atores, quem é a verdadeira estrela e quem é a que quer ser a estrela?” Jorge Fernando é daquelas pessoas cujos os olhos claros indefectíveis mesmerizam - olhou através de mim, mexeu o café por uns 3 segundos e tascou: “- Gente como o Tony Ramos, a Nicete Bruno, o Paulo José por exemplo, a gente reverencia e eles ainda ficam envergonhados. Na hora de filmar, se um ator novato treme na base, ajudam, dão apoio, tranquilizam. Não é lindo? São sábios, gênios humildes. Diferente de gente que consegue uma ponta numa minissérie adolescente e já quer BMW, chega e maltrata os maquiadores, tem chilique no set.”

Nunca esqueci dessa conversa. Nada diferente dos corredores da vida corporativa. Gente pequena querendo ser grande e pessoas imensas que se notabilizam com pequenos gestos. Saúde e vida longa ao Jorge Fernando.

domingo, 2 de maio de 2010

Hairspray Brasil - Mamãe acorda, eu ja cresci!

Fui ver a peça "Hairspray" (montagem de Miguel Falabella), em cartaz no Teatro Bradesco (SP), novinho em folha. Musicais não são a minha preferência, muito embora as orquestas, alí tocando ao vivo e em cores, são de tirar o fôlego. O Celulari no papel de Edna Turnblad deu um banho em John Travolta (filme homônimo de 2007). Impressionante - é voltar ao American way of life de 1962 sem nunca ter estado lá, adicionado ao jeito brasileiro de fazer teatro misturado com "Sai de Baixo". E a Broadway não tem Arlete Salles e pronto, nada a declarar.
Quem estiver por São Paulo e curte as montagens da Broadway (aliás, as brazucas dão um pau nas "originais" americanas), não pode perder, mas sugiro já vir com o ingresso comprado via Ticket Master ou serviço que o valha, pois tinha gente lá com ingresso comprado há um mês, casa lotada direto. Veja a matéria do jornalista Michel Fernandes, quando peça chegou a SP em fevereiro. Para ver um trecho da Peça, clique no título deste post.
fonte: Youtube, Aplauso Brasil website