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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Livros na novela das 21 horas - "tudo a ler"

O folhetim das 21 horas da Rede Globo é chato, arrastado e inconsistente. Estou falando de uma chamada “Amor à Vida”. Mais uma novela. Sou suspeito a falar, porque não as acompanho. Falta paciência pra acompanhar tantos capítulos e tem um nível de desconexão com a realidade que me angustia. Todas as novelas me parecem ter em comum o ar de chanchada e eu estou mais pra “Tropa de Elite”, acho que é isso. Mas uma atitude nessa de Walcyr Carrasco me chamou a atenção: uma profusão descarada de merchandisings de livros e sugestões de autores a serem lidos, trocados entre os personagens. Vejo em média um capitulo pro semana e 80% deles, tem livro no roteiro. Num dos capítulos onde o vilão Felix tenta explicar para a irmã Paloma porque resolveu pedir perdão a ela, ele cita o livro “Os Miseráveis”, onde em alguma parte o personagem principal busca a redenção por meio de uma boa ação, A cena onde o livro foi citado durou mais de 3 minutos. Curioso isso em horário nobre. Fui pesquisar pra saber porque. Reza a lenda que foi iniciativa do próprio Carrasco, segundo ele próprio um leitor compulsivo (já pensou que legal um autor de novelas que não gostasse de ler?), como forma de motivar os espectadores pro hábito da leitura. Boa a intenção, mas forçada demais. Não acredito que uma profusão de livros em horário nobre vá mudar uma deformação que vem de berço. A leitura se estimula no cidadão criança e, salvo exceções, pelo exemplo dos pais. A criança que não tem o exemplo da leitura em casa, se vê obrigada a ler na escola. Quem, em sã consciência, consegue ser amigo de um livro por obrigação?
Walcyr Carrasco - promove livros em novela pra estimular o gosto pela leitura
Segundo pesquisa do instituto Pró-Livro realizada em 2011, seguimos como referencia de que o Brasil é um dos países do mundo que menos lê. Apenas 28% dos brasileiros pesquisados tem o livro como primeiro hobby. Esse índice era de 36% EM 2007. Não é difícil imaginar porque com Laptops, iphones, Xbox, 360 canais em HD, youtubes, facebooks fora baladas e outras dispersões.

Os países campeões em consumo de livros por habitante/ano: França (11), Japão (10), Coréia do Sul (10). O brasileiro lê algo em torno de 3 livros por habitante/ano. Bem intencionado esse Walcyr. Só não creio que, com esses números, ler vai ser mais interessante que o capitulo da novela ou o BBB.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Joelmir Beting - o Adeus à Botocúndia S.A.


Como nenhum outro jornalista, Joelmir era um termômetro do humor político-econômico brasileiro. Vai fazer falta. Suas tiradas curtas, sutis e sarcásticas resumiam crises e bonanças, escândalos e virtudes. Em segundos, inventariava os fatos, ações e reações, sem jamais perder a calma e o bom humor, mesmo nos momentos de indignada contemplação. Por isso era referência. Pintava um escândalo qualquer, uma pasta preta ou uma iminente fuga de dólares (fossem lícitas ou ilícitas), era quase certa a pergunta “o que será que o Joelmir vai dizer hoje na BAND?” Joelmir Beting deixa um legado difícil de passar adiante. No seu site (clique aqui), dizia estudar 15 horas por dia desde a infância. Ter opinião e ser imensamente respeitado por ela dá trabalho e pode levar uma vida inteira, mesmo pra quem tinha 55 anos de carreira e 75 anos de idade.

Vá em paz Joelmir e obrigado. 


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Fica em paz, Professor Tatata


Tatata Pimentel
1938 - 2012
Poucos professores marcam nossa travessia escolar. Tenta lembrar quantos foram - dá raiva. 

Pois poucos professores me marcaram tanto quanto Tatata Pimentel. Cursava comunicação social na PUC/RS e lembro que existia na turma de “bichos” um misto de curiosidade e expectativa sobre como seria. Tatata já era muito famoso como intelectual do jornalismo e televisão, o que aumentava ainda mais a mística em torno daquela figura de baixa estatura, olhar glacial e meio arrogante.  Não era nada disso. Era pose. Quando Roberto Pimentel entrava na sala, passo miúdo, sempre elegante, entrava o ser humano, não “a diva”. A envergadura daquele cara não cabia numa aula de Teoria da Comunicação. Então ele falava tudo que vinha a cabeça, às favas com o programa de aula: “- Vocês merecem mais que isso e eu vou lhes dar”. E tudo se absorvia naquelas duas horas. História da arte, guerras, comportamento, etiqueta, fofocas, misticismo, filosofia, política, moda. Só perdia o humor pra perguntas burras – o olhar mudava, atravessava o interlocutor, o cenho franzia. Mas nunca vi perder a elegância pra destratar um aluno, não descia do salto – a didática e a língua afiada eram o antídoto. Lembro que se orgulhava de jamais ter dirigido um carro – “- Mestrado na África e não tenho a menor coordenação com aqueles pedais”, dizia. Era um usuário contumaz dos táxis de Porto Alegre.

Por ficar muitos anos fora do Rio Grande do Sul, não soube mais do Tatata até hoje. Saber que tinha sido demitido do Grupo RBS no final do ano de 2011 só foi menos frustrante do que saber da sua morte aos 74 anos, possivelmente de infarto. Morreu dormindo. Vá em paz professor, fica aqui minha modesta homenagem.  Vejam vídeo do último programa apresentado por Tatata Pimentel, no final de 2011.

sábado, 30 de junho de 2012

Quero ser Grande (mas nem tanto...!)

Marmanjos e Marmanjas que ainda vivem confortavelmente sob a barra da saia de mamãe alimentam a farsa de um dia se tornarem economicamente independentes

Não teve arrego da concorrência o novo programa da jornalista Fátima Bernardes (Rede Globo). Cairam de pau. Chegou a anunciar vitória dos desenhos do SBT no Ibope daquele horário. Então minha curiosidade me levou pro Youtube. Realmente o programa não entusiasma. Morno, denuncia um desejo mal contido da âncora de ser Oprah. Não rola. Mas teve um tema interessante e cujo desenrolar da matéria seria cômico se não fosse trágico – independência financeira da juventude brasileira. E ela começa perguntando a uma psicóloga se criança que ganha mesada aprende a lidar melhor com o dinheiro. O detalhe sórdido é que em toda a matéria não se vê uma criança sequer, só marmanjos que continuam pendurados na barra da saia da mãe e do pai. São adultos-crianças, que ainda ganham mesada e não pensam em sair da casa dos pais tão cedo. Gente que acha normal, aos 23 anos, ganhar "insuficientes" mil reais de mesada ou que a mãe pague a coleção de sapatos de festa. A criatura vai morar sozinha, mas leva a carteira da mãe – vida fácil. Estágio, um trabalhinho honesto nem pensar. Mas o mais chocante foi uma mãe que resolveu bancar o filho, a nora e o neto. O argumento dela: “- Mãe é mãe, né...eu ajudo até ele se estabilizar?”. E o cara de pau do filho engroça o côro: “– ...uma ajuda de custo é sempre bem vida, eu ficaria constrangido de ficar devendo”.

Fátima Bernardes, a carioca Lilian e seu marmanjo: " -Mãe é mãe, né..."
Isso explica porque metade dos brasileiros entre 18 e 29 anos ainda não alcançou a maioridade financeira. Sempre pensei que educação financeira fosse assunto prá criançada – leituras como “A Cigarra e a Formiga” ou “João e o Pé de Feijão” sempre ajudaram na formação da atitude quando o assunto é a criança e o dinheiro. Mas e quando a criança tem mais de 20 anos? Querem tudo o que a maturidade pode proporcionar sem sair do conforto da adolecência. Pais que fizeram o favor de dar asas a uma fantasia de sucesso tardio pros filhos estão criando um batalhão de acomodados, uma geração que consome sem gerar renda. Num mundo em que, enquanto seu filho gasta seu dinheiro em balada se achando "o cara", um japonês ou um coreano é incitado a estudar 12 horas por dia e começar a trabalhar cedo. Estamos mal mesmo. Fátima, uma pena que o seu programa tenha arrancado fraquinho, mas valeu pelo tema. Tomara que melhore.
Caso queira ver a matéria, clique aqui.
fonte: youtube, uol noticias.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ninguém precisa de um BBB

Não me sofri de falar da notícia do momento, chover um pouco no molhado. O caso de um camarada que transa com uma garota sem o consentimento dela, depois de um porre homérico - coisa séria, caso de polícia. E, em horário nobre, é o que exatamente? Não me interessa o tal do BBB, nunca me interessou. Esses dias li que esse programa já tem mais de dez anos de Brasil, impressionante. À exceção do “patrão” Silvio Santos, programas longevos não são muito a cara das televisões brasileiras. Não lembro de outro exemplo com tanto tempo no ár.
Um produto longevo, popular, dando retorno como se fosse lançamento e com impecável relação custo versus investimento  é o sonho de toda empresa dentro do seu negócio. E esse BBB é só mais um produto televisivo longevo, ponto. O público? Voyeurs aos milhões. Quem quiser, consome. A miséria começa quando um produto televisivo leva pra dentro das casas uma cena de estupro e trata isso apenas como “quebra de regras”. Hipocrisia séria. Não dá nem pra dizer que é moralismo, é sobrevivência mesmo. Tudo tem um limite e no caso de um BBB, o limite precisa ser o da cidadania. A televisão precisa fazer sua parte, praticar mais gestos de cidadania na tela. Se dá pra controlar quase tudo numa grade de programação, mesmo um BBB, não dá pra acreditar que não seja possível colocar mais atitudes de cidadania no ar, ainda que a fórceps. Qual a diferença entre mostrar uma rinha de galo em cadeia nacional e um estupro?  Me imagino na pele de um executivo responsável por uma marca de automóveis que estivesse patrocinando um circo destes. Teria ficado uma noite sem dormir, faria uma telecom com a matriz da empresa e repensaria rapidinho o patrocínio - mas isso é o que euzinho faria. Não ia querer minha marca metida em polêmica. Se você é um desses caras, ligue já pra outros dois ou três patrocinadores fortes e, em colegiado, exija um plano de contingência mais efetivo da Rede Globo, com direito a mudanças no perfil do programa. Não fez? Perdeu tempo, prestígio e dinheiro. E ganhou um risco, se a polêmica perdurar.
Reprimir a imprensa é um ato tão ante democrático quanto um Ministro mandar mais dinheiro pro seu estado de origem do que pros demais. Então não seria mal se algum juiz questionasse a Rede Globo plin plin por plin plin sobre o tal estupro no Big Brother. Mas o melhor antídoto mesmo pra esse tipo de coisa é o bolso do patrocinador, infelizmente. E se foi armação? Se tudo foi armação justamente pra criar polêmica, estuprador e vítima podem ter feito parte do "deixa disso" em troca de um cachê polpudo, claro. E se foi tudo milimétricamente pensado? Quantos advogados cuidadosamente mobilizados de ambas as partes são necessários pra que uma polêmica premeditada não saia do controle? Só tem um jeito: se você não tem filhos, vá transar nessa hora e de forma saudável, amorosa e criativa. Engane o patrocinador e aproveite o horário nobre pra uma prática nobre. Se você tem filhos, ofereça alternativas de coisas legais pra eles, dê livros divertidos, crie distrações saudáveis nessa hora pra que não exista o mínimo interesse por parte deles em ficar vendo o tal BBB. Dá um pouco mais de trabalho, mas não basta ser pai e mãe, tem que participar. O futuro da sua família agradece.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Hope Ensina - a SPM não aprende

Gisele Bündchen
"amor, bati seu carro....de novo"
Fico imaginando uma reunião de briefing numa sala de agência, sobre a nova super campanha que precisa ser materializada. A conta pede uma atitude. O cliente quer dizer o que ninguém jamais disse, num tempo recorde e num instantâneo absurdo, onde ninguém raciocina mais assim com propagandas – ficou chato, é zap e pronto. Como vender calcinha falando mais por menos segundos? E à custa de polêmica, a Hope foi à luta. Aí aparece a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República pedindo ao CONAR pra dar uma sapatada no comercial. Gisele Bündchen ensinando como dar uma notícia ao marido sob duas perspectivas bem humoradas: a “Amélia” e a “Deusa”. Que mal há nisso? A maneira mais autêntica e necessária de desfazer um estereótipo é justamente usá-lo para rir dele próprio. Mas meia duzia de senhoras (não acredito que sejam tantas mesmo) resolvem torcer o nariz acusando o comercial de sexista. Pra que? Sexismo é reforçar a pecha de que mulher é o sexo frágil, que é alvo de desigualdades e que precisa de proteção da lei contra comerciais de TV mal encarados. Dona SPM, gaste seu tempo dando mais espaço pra mídia em reforço à Lei Maria da Penha, por exemplo. Faça isso e não discuta, pelo imposto que lhe pago. Isso sim é que seria esforço anti-sexismo. Se o objetivo era criar polêmica, parabéns à Hope. Se não era pra chegar nesse ponto, parabéns duas vezes. Veja os filmes:

terça-feira, 19 de julho de 2011

Vovó, turbulências e o Zorro brasileiro

Minha vó e eu nunca discordamos. Lembro de uma única vez em que me fuzilou com os olhos; encasquetei de dizer que o Zorro brasileiro era o Rubens De Falco. Veio um sonoro protesto: “- Nada a ver, credo meu filho!”, como se fosse uma heresia. E insisti no erro: “- Claro vó, vê se não é a pose do Guy Williams do tempo dos bondes...”. Bastou pra fechar a cara e o tempo. Tinha mexido na única hóstia sagrada daquela casa: falar do Rubens De Falco, a lenda da TV e do teatro. Pensava nisso e acho que pensei meio alto. Quando dei por mim, era ele meu opositor de poltrona na fila 23 daquele voo, a última poltrona. O Senhor De Falco me observava. Mas tinha algo errado. Era ele, mas não era exatamente ele. Rosto fechado, sombrio, me fez um gentil aceno de cabeça, mas não soava natural, suava. Isso mesmo. “Medo de avião”. E de novo acho que pensei alto. Ele me olhou e respondeu meio sem graça:

- Tenho sim. Ainda sou do tempo em que se pensava que se homem fosse pra voar, teria asas.
Retribui pra relaxar: - Mas na sua profissão o Senhor deve voar muito, não?
- Verdade, mas evito sempre que possível. Esses vôos de Porto Alegre pro Rio de Janeiro são angustiantes, principalmente os da noite. Já recusei alguns trabalhos por não achar que era um bom dia pra voar.

Cheguei a abrir a boca pra dizer "minha vó é sua fã", mas parei. Ator famoso é cheio de melindres, podia soar como ofensa. Nisso, a aeromoça tropeçou, soou o alerta de três toques (turbulência forte) e o avião estremeceu brutalmente, e mais um solavanco no vácuo. Muita gente gritou e uma mão forte agarrou a minha. Era o Senhor De Falco de novo. Tentei acalmá-lo: “- Posso assegurar que hoje não será o seu dia, fique tranquilo.” Num gestou instintivo, respondeu: “- E muito menos, penso eu, que será o seu dia, tão pouco.”  Coisa estranha. Estava parecendo aqueles textos de novela de época mesmo, o diálogo não evoluía.
Rubens de Falco e Guy Williams...
também tínhamos o nosso Zorro

Passado o susto, pulsação normal e a rotina no avião também recomeça. Vi, aos poucos, o Senhor Leôncio ir apagando na poltrona, sereno como num capítulo de A Escrava Isaura. Não tinha nada de tão épico assim. Pousamos e na escada do avião, nos apertamos as mãos. Confirmei: “- Viu? Não era mesmo o seu dia.”, ao que ouvi um sorridente “- Nem o seu, meu caro, nem o seu” e sumiu apressado pelo saguão do Santos Dumont.  

No táxi, o visual da Baia da Guanabara ia rápido e resolvi ligar pra minha vó. “- Vó, adivinha com quem voei hoje? Com o Zorro brasileiro!” Qual o quê! Fechou o tempo no telefone.  

sábado, 2 de outubro de 2010

Eu e Fred Flintstone

Dublar um personagem famoso deve ser o céu e o inferno na vida de um dublador  – a estrela que não brilha, empresta o brilho.  Depois de personificar aquela voz, pegar uma caroninha na fama... e se mudam o dublador? é aposentadoria forçada, em se tratando de memória auditiva, rapidinho ninguém mais lembra.
Marthus Matias, ator e dublador (do Fred Flintstone) morreu em Campo Grande em 1995, de câncer – talvez desgostoso pelo ostracismo. Se o conheci pessoalmente? Mais ou menos. A Hanna-Barbera entrou em minha vida no fim dos anos 80. Desenhava e licenciava personagens “HB” quando desenvolvi para um cliente uma idéia: a Familia Flintstone ia desfilar por Porto Alegre no Dia da Criança. O evento não vinha sozinho, teria o suporte de comerciais de televisão, promoção em locais públicos, uma verdadeira festa.
No briefing pro cliente, precisava desesperadamente achar a voz do Fred. Queria usá-la no fechamento do contrato, nos comerciais, nos spots de rádio. Onde achá-lo? “Tá aqui o telefone dele, em Mococa, Interior de São Paulo”, disse por telefone Attiliano Martins, nosso Gerente de Marketing.
Peguei o telefone, respirei fundo e liguei – “Por gentileza, posso falar com o Sr. Marthus?” Uma voz feminina no fundo chamou “- Fred, é pra você!” – meu coração disparou.
- Alooou! Quem me procura?
Gelei do outro lado. Estava vivendo uma experiência – foi meio segundo enquanto eu não respirava e “Fred Flintstone”, em pessoa, me aguardava do outro lado do Brasil. Passado o susto, disse o quanto admirava a história dele, mas tudo o que eu dissesse não ia traduzir o que estava acontecendo. Contei o projeto – Marthus não acreditava que se abria possibilidade de voltar a dublar o Fred. Os 166 episódios antigos que se via na TV nunca mais deram chance ao guerreiro, não surgiu um comercial sequer onde pudesse voltar a brilhar – meu projeto acendeu a chama daquele senhor-lenda. Falamos por 30 minutos e todas as “gags” foram repetidas, os “yahbadahbadoos”, tudo ao vivo, ali mesmo. Combinamos falar para acertar tudo, mas dias depois, o plano Collor deixou o desfile do Flintstones na lembrança - eu e Fred Flintstone só voltamos a falar quando lhe dei a notícia. Fizemos um pacto de que um novo projeto surgiria, mas não pude realizar seu desejo. Pensei que ouviria aquela voz no longa metragem em 1994, mas não era ele. Nova decepção. 
Marthus, saúde e paz, esteja onde você estiver – nesses 50 anos de Flintstones, saiba que nunca esquecerei de você. Yahbadahbadooo!

"yabadabadoo" - 50 anos de "Os Flintstones"

Desenho animado já foi um passatempo mais romântico, mais inspirador. Correção: desenho animado já foi passatempo. E nesse assunto, sou saudosista sim, veja porque: 2010 (a.c!) é um ano especial na cidade de Bedrock. Fred Flintstone comprou uma gravata nova, desta vez não azul, mas laranja com bolas pretas. Wilma discute com Beth Rubble sobre qual vestido deve usar. Barney e Fred estão impacientes com o atraso das meninas e devoram um Brontoburguer com Cactus-Cola. Não é difícil imaginar essa cena – o carro de pedra vai lotado para a festa de comemoração dos 50 anos da família Flintstone. Esse desenho sempre fez e sempre vai fazer parte do inconsciente coletivo de muita gente – desculpem, mas Ben 10, Phineas e Ferb, Jimmy Neutron, Padrinhos Mágicos....são personagens feitos pra consumo rápido, não podem ser ídolos. Por isso, são e serão cada vez mais raros personagens infantis que podem se dar ao luxo de comemorar o seu 50ª aniversário. 
Os Flintstones
50 anos e mais de 300 milhões de espectadore
s
Existe uma diferença grande entre ver desenhos animados na TV e viver uma experiência. A experiência, mais do que diversão garantida, produz memória. E essa memória não morre, influencia comportamento e tem seus efeitos pro resto da vida – Os Flintstones, Scooby-doo, Penélope Charmosa, Space Gost, Mandachuva e Sua turma, capitão Caverna e uma lista enorme de “clássicos” da “Hanna-Barbera” (quem lembra desse nome?) preenchiam o recreio da criançada e essa criançada éramos nós. Detalhe: numa época sem TV a cabo, isso tem um peso e tanto.
Exagero? Em abril de 2010, o bombeiro de 34 anos Ed Robinson, e a mulher, Gayle Watson, de 29 (que nem eram nascidos quando Os Flintstones já brilhavam na telinha), fizeram da cerimônia do seu casamento uma verdadeira Bedrock, com direito a padrinhos vestidos de Barney e Beth e tudo o mais. Até o hospício da pequena cidade inglesa de Ilfracombe foi avisado. Tem louco pra tudo.
A Hanna-Barbera, produtora de todos esses desenhos, foi vendida em 2001 para o conglomerado Time-Warner (após a morte de um de seus fundadores, William Hanna) e virou o Cartoon Network Studios
E tem gente que prefere "A Vaca e o Frango" ou "Bob Esponja, Calça Quadrada"...
fonte: Wikipedia, R7 Notícias e O Estadão.com 

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Na arte como na vida real - conversa com Jorge Fernando

O Ator e Diretor de TV Jorge Fernando participava de um evento em uma empresa onde trabalhei há uns anos atrás. Falava sobre a rotina nos bastidores da TV Globo, mostrando que, fora a fantasia e a ilusão das pessoas, a Globo era uma empresa normal como outras e que fazer novela era tão complexo quanto gerenciar qualquer outro grande projeto. Se você estoura um budget, te cobram. Se um patrocinador não gosta de uma cena, tem que refazer tudo e rápido pra não perder o timming. E a escalação do elenco é como escolher os melhores para um projeto arrojado. Se uma novela que custou milhões não emplaca nos primeiros capítulos, rola a cabeça do diretor e de mais algumas pessoas ou, no mínimo, a vida desse mesmo diretor fica bem mais difícil em futuros projetos. Deu o exemplo do aperto que passou com o fracasso da novela "As Filhas da Mãe" (2002), segundo ele, "um trabalho cuja proposta o telespectador não entendeu". Seu pescoço foi salvo pelo trabalho seguinte, "Chocolate com Pimenta" (2004), esse sim um sucesso de público e de crítica. Enfim, nada diferente do mundo corporativo. O resto é história.

No café, fui me chegando. Até que ficamos próximos o suficiente, fui perguntar: “- Jorge, entre os atores, quem é a verdadeira estrela e quem é a que quer ser a estrela?” Jorge Fernando é daquelas pessoas cujos os olhos claros indefectíveis mesmerizam - olhou através de mim, mexeu o café por uns 3 segundos e tascou: “- Gente como o Tony Ramos, a Nicete Bruno, o Paulo José por exemplo, a gente reverencia e eles ainda ficam envergonhados. Na hora de filmar, se um ator novato treme na base, ajudam, dão apoio, tranquilizam. Não é lindo? São sábios, gênios humildes. Diferente de gente que consegue uma ponta numa minissérie adolescente e já quer BMW, chega e maltrata os maquiadores, tem chilique no set.”

Nunca esqueci dessa conversa. Nada diferente dos corredores da vida corporativa. Gente pequena querendo ser grande e pessoas imensas que se notabilizam com pequenos gestos. Saúde e vida longa ao Jorge Fernando.