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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Joelmir Beting - o Adeus à Botocúndia S.A.


Como nenhum outro jornalista, Joelmir era um termômetro do humor político-econômico brasileiro. Vai fazer falta. Suas tiradas curtas, sutis e sarcásticas resumiam crises e bonanças, escândalos e virtudes. Em segundos, inventariava os fatos, ações e reações, sem jamais perder a calma e o bom humor, mesmo nos momentos de indignada contemplação. Por isso era referência. Pintava um escândalo qualquer, uma pasta preta ou uma iminente fuga de dólares (fossem lícitas ou ilícitas), era quase certa a pergunta “o que será que o Joelmir vai dizer hoje na BAND?” Joelmir Beting deixa um legado difícil de passar adiante. No seu site (clique aqui), dizia estudar 15 horas por dia desde a infância. Ter opinião e ser imensamente respeitado por ela dá trabalho e pode levar uma vida inteira, mesmo pra quem tinha 55 anos de carreira e 75 anos de idade.

Vá em paz Joelmir e obrigado. 


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Fica em paz, Professor Tatata


Tatata Pimentel
1938 - 2012
Poucos professores marcam nossa travessia escolar. Tenta lembrar quantos foram - dá raiva. 

Pois poucos professores me marcaram tanto quanto Tatata Pimentel. Cursava comunicação social na PUC/RS e lembro que existia na turma de “bichos” um misto de curiosidade e expectativa sobre como seria. Tatata já era muito famoso como intelectual do jornalismo e televisão, o que aumentava ainda mais a mística em torno daquela figura de baixa estatura, olhar glacial e meio arrogante.  Não era nada disso. Era pose. Quando Roberto Pimentel entrava na sala, passo miúdo, sempre elegante, entrava o ser humano, não “a diva”. A envergadura daquele cara não cabia numa aula de Teoria da Comunicação. Então ele falava tudo que vinha a cabeça, às favas com o programa de aula: “- Vocês merecem mais que isso e eu vou lhes dar”. E tudo se absorvia naquelas duas horas. História da arte, guerras, comportamento, etiqueta, fofocas, misticismo, filosofia, política, moda. Só perdia o humor pra perguntas burras – o olhar mudava, atravessava o interlocutor, o cenho franzia. Mas nunca vi perder a elegância pra destratar um aluno, não descia do salto – a didática e a língua afiada eram o antídoto. Lembro que se orgulhava de jamais ter dirigido um carro – “- Mestrado na África e não tenho a menor coordenação com aqueles pedais”, dizia. Era um usuário contumaz dos táxis de Porto Alegre.

Por ficar muitos anos fora do Rio Grande do Sul, não soube mais do Tatata até hoje. Saber que tinha sido demitido do Grupo RBS no final do ano de 2011 só foi menos frustrante do que saber da sua morte aos 74 anos, possivelmente de infarto. Morreu dormindo. Vá em paz professor, fica aqui minha modesta homenagem.  Vejam vídeo do último programa apresentado por Tatata Pimentel, no final de 2011.

domingo, 28 de novembro de 2010

RJ - Guerra com torcida de Copa do Mundo

Jornalistas acuados na Invasão da Polícia ao 
Complexo do Alemão - Rio de Janeiro/Brasil

Num restaurante do aeroporto de São Paulo, uma tela de LCD reunia umas 30 pessoas. Só se vê isso em final de Copa. Gente tensa, meio que torcendo, atenção redobrada ao vídeo. Não era futebol, era o momento em que polícia civil, polícia militar e exército (chamadas Forças de Segurança) começavam a entrada no Morro do Alemão, no RJ. Pra quem não sabe, o Morro do Alemão é um complexo de 13 favelas (Slums) localizadas na cidade do Rio de Janeiro (Brasil).  Nessa região do Rio de Janeiro existem mais de 100 mil pessoas numa área de 3 km². E muitos bandidos e quadrilhas que comandam ações criminosas na cidade se concentram nessa região. O que acontece hoje e sempre no Rio de Janeiro, não pode ser comparado a uma Colômbia, mas é um bom referencial. A integração das forças de segurança, uso de carros blindados, a coordenação direta de uma operação de guerra por parte do Comandante Geral da Polícia Militar (Coronel Mário Sérgio de Brito Duarte) e até o uso de Polícia Florestal pra que não exista evasão de bandidos por região de matas, são novidades pro Rio de Janeiro e para o Brasil – demonstração de força por parte do governo é novidade – contraria a cultura histórica da leniência. “Cada casa da região será minuciosamente revistada”, diz o Coronel Mário Sérgio em entrevista à imprensa.
Algo novo contra o crime organizado está acontecendo por aqui. E o brasileiro faz o que sempre soube fazer - torce pelo seu time do coração, nesse caso, forças policiais. Na verdade, essa é a última chance pra que Forças Políciais façam as pazes com a população. Polícia no Brasil tem sido sinônimo de despreparo e também de corrupção no caso do Rio de Janeiro. A cobertura intensiva da imprensa brasileira ao que acontece no Rio de Janeiro lembra a CNN cobrindo a guerra no Afeganistão. Mas guerra no Brasil tem seu charme - apesar do ambiente tenso, nunca foi tão intensa também a atenção da polícia com informação aos jornalistas. Entrevistar policiais em ação em pleno "pitstop" de batalha é novidade também. Só se via jornalista de colete à prova de balas cobrindo guerras pelo mundo, não aqui – tão longe e tão perto... o jornalista da Agência Reuters, Paulo Whitaker, foi atingido por estilhaços essa semana. Se a vida vai ficar melhor no Rio de Janeiro é cedo pra dizer. É certo que nada mais vai ser como antes. A palavra de ordem é "batalhão" - seja de policiais, de jornalistas, de pessoas denunciando. Outras grandes cidades pelo mundo já comprovaram que sociedade organizada em batalhões faz milagres. 


O Rio foi minha casa por 6 anos. Tenho uma relação de amor e desesperança com a cidade, mas isso pode mudar - o povo do Rio de Janeiro merece dias bem melhores. Por mais que gente corrupta esteja entre nós, tráfico, venda de drogas e crime organizado só interessa mesmo a quem deles participa
fonte: Globo.com e Estadao on line

sábado, 30 de outubro de 2010

Diário de Barrelas - pra degustar

Esses dias descobri o Diário de Barrelas através de um amigo, fã do Paul McCartney. Desolado, me mandou uma matéria preditiva: que Paul não cantaria os sucessos dos Beatles em sua turnê pelo Brasil. Quase acreditei – era o conto do Diário de Barrelas, muito bem escrito, satirizado, “fundamentado”. Segundo o próprio editorial: “No Diário de Barrelas, tentamos explicar a realidade por meio de meias-verdades. Ou meias-mentiras, se preferir.”
É impressionante o que essa turma faz com o cotidiano - as coisas acontecendo de acordo com a perspectiva de quem narra o fato e muito sarcasmo pra temperar. Uma dica? Chegue em casa depois de um dia daqueles, jogue o sapato longe, bote uma música do Spyrogyra (clip abaixo) e se dê ao direito de confortavelmente degustar alguns artigos do Diário de Barrelas. Depois você me diz como foi, ok?

domingo, 27 de junho de 2010

Inter e Grêmio - fascínio irracional

Clima de "Grenal", ânimos acirrados. Já falei aqui no SeEs! a respeito dessa coisa chamada Inter vs Grêmio, mas esse tema instiga, em todo e qualquer momento.
Conversava animadamente com dois jornalistas respeitados no Sul do Brasil (não vou falar os nomes em respeito a eles e para preservá-los, claro) sobre a irracionalidade da paixão despertada pelo futebol. Fato: os jornalistas evitam declarar para qual time torcem e isso no Sul é levado “na ponta da faca”, como diz a expressão máxima do gauchismo, principalmente em função da forte rivalidade Inter/Grêmio. E eles me contavam o porque disso  - pra um leigo como eu, uma bobagem, porém com consequências sérias pra quem é do meio.
Se um jornalista resolve declarar sua preferência, pode arrumar encrenca com o patrão (nesse caso, empresa jornalística), se esse for do time contrário – leia-se “o patrão” como sendo inclusive a empresa inteira, colegas, acionistas e outros jornalistas líderes de opinião (já viu o tamanho do problema). Aí o coitado sai do veículo e corre o risco de não arrumar mais emprego nos outros veículos cuja "orientação futebolística" seja também contrária ao do super sincero que resolveu “sair do armário”. Isso existe, isso é futebol (foto-tributo ao futebol e à Michael Jackson, assim já antecipo as homenagens).