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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Oportunidades no Mercado Brasileiro de Produtos e Equipamentos Médicos

O mercado de produtos e equipamentos médicos no Brasil, estimado em quase R$ 8 bilhões (US$ 4,5 bilhões), está em expansão. Depois de um crescimento de 6% em 2009, na comparação com 2008, deve aumentar mais 10% em 2010, segundo estimativas da ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios. O otimismo da indústria leva em conta as perspectivas de crescimento do País que deve ultrapassar 6% este ano. No mercado farmacêutico por exemplo, a expectativa é que haja um crescimento de 13% em 2010.
Os números da balança comercial do setor mostram que em 2009, as exportações somaram pouco mais de US$ 500 milhões, enquanto que as importações ultrapassaram US$ 2,7 bilhões; um déficit significativo. O setor público representou 21,5% das compras, o setor privado 68,6% e as exportações 8,8%. A constatação que o Brasil já é um importante ator ganha força no mercado internacional. No ano passado, efetivou negócios com compradores da Ucrânia, Polônia, Servia, Romênia e Moldávia e registrou mais de 3 mil contatos com representantes de 108 países na maior feira dirigida ao setor médico-hospitalar, que aconteceu na Alemanha. No entanto, os principais compradores são os Estados Unidos(25,8%), Argentina (8,1%) e México (6,9%). O Brasil possui cerca de 500 fabricantes de equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos. As indústrias de médio porte representam 52,20% e as micro ou pequenas respondem por 25,7%.  
Os materiais de O.P.M.E – Órteses, Próteses e Materiais Especiais – utilizados em intervenções médicas, representam até 80% do total da conta hospitalar. O avanço tecnológico nessa área tem sido notável, principalmente em algumas especialidades como cirurgias de coluna, ortopédicas e cardiovasculares.Desde maio de 2010, todas as petições de solicitação de registro, revalidação e alterações pós-registro de produtos passaram a ter que apresentar protocolo de Certificação de Boas Práticas de Fabricação e Controle (CBPFC) emitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Antes, a apresentação do certificado era restrita a medicamentos. É de competência da própria Agência avaliar o sistema de qualidade dos fabricantes de equipamentos e produtos médicos e conceder a sua certificação. Hoje cerca de 85% dos processos de registro de equipamentos médicos e  implantes ortopédicos não são aprovados na primeira solicitação; recebem pelo menos uma exigência por estarem mal-instruídos. Os motivos podem ser a ausência de um documento, de um teste ou até mesmo a falta de clareza na prestação das informações. A Anvisa no entanto, tenta acelerar os processos de concessão de registro, garantindo maior agilidade e competitividade entre as empresas.  
Segundo Glauco Santos, diretor da empresa de assuntos regulatórios Register Brasil: “Em virtude do grande crescimento deste setor no País, tanto os fabricantes nacionais quanto os internacionais estão cada vez mais interessados em expandir o seu crescimento, seja melhorando a qualidade da fabricação de seus produtos, seja analisando a possibilidade de possuir uma base de produção instalada no Brasil. Em um mercado que muitas vezes não possui uma concorrência no nível de qualidade e tecnologia necessária, as empresas estrangeiras estão cada vez mais ganhando espaço no mercado nacional.” 
É importante destacar que a resolução normativa da ANS (Agência Nacional de Saúde) – RN 211 de Janeiro de 2010 atualizou o rol de procedimentos e eventos que os planos de saúde estão obrigados a cobrir, incluindo os produtos de alto custo como os de OPME. Ela entrou em vigor em junho de 2010, com a inclusão de exames como a PET-scan (Tomografia por emissão de Positrons), a oxigenoterapia hiperbárica e a capilaroscopia periungueal. A RN 211, adicionou 54 procedimentos para os planos de saúde médico-hospitalares e 16 procedimentos para os planos odontológicos, totalizando um conjunto de mais de 3000 procedimentos. Isto obriga os hospitais e clínicas a se atualizarem e adequarem.  
No que tange a aquisição de produtos farmacêuticos, o Ministério da Saúde que baseia suas compras em menor preço, tem mudado a metodologia justamente para evitar comprar produtos de baixa qualidade oriundos especialmente de países em desenvolvimento asiáticos. O conteúdo local, tem se tornado cada vez mais importante nesta decisão. Tendência similar tem acontecido com o setor de equipamentos médicos. Os produtos fabricados no Brasil, passam por um controle de qualidade muito mais rigoroso, mas, por outro lado, evitam as elevadas tarifas de importação e aproveitam da maior proximidade com o mercado consumidor. Há um grande potencial para empresas internacionais, uma vez que muitos desses produtos ainda vêm de outros países.
fonte: Marcelo Sicoli e Thaise Mrad, consultores da Enter Brazil (matéria na íntegra)

sábado, 6 de março de 2010

Varejo Brasileiro - Uma visão do Passado e um Cenário Futuro (parte 2)

Nesta 2a. parte sobre tendências do Varejo, Lourival Stange nos fala de MUDANÇAS realizadas pelo Varejo para, aos poucos, ir recebendo um novo tipo de consumidor. Vamos ver?

"Em Varejo Brasileiro - Uma visão do Passado e um Cenário Futuro (parte 1)”, comentamos os dados do IBGE, bem como o que significam, tentando mostrar que o varejo tem sido, nos últimos 4 anos, o grande precursor do PIB Nacional.

Assim, podemos afirmar que o motor do crescimento do varejo serão as classes C e D, entrantes recentes no cenário do consumo e que representam importantíssima fatia dos gastos das famílias Brasileiras, na verdade a maior parte. A classe C, alta consumidora não só de alimentos, mas de produtos duráveis, também é campeã no uso de celulares, de viagens de turismo e do crédito fácil (mas ainda caro), especialmente com cartões de crédito, através de produtos especialmente desenvolvidos para este público.
O varejo, hoje atento a este fenômeno, cria formatos de lojas e modelos de negócios para esse público. Construtoras e incorporadoras estão desenvolvendo empreendimentos focados na classe C. Os bancos, também atentos, criam linhas de crédito, especialmente a Caixa Federal, que bate recordes na cessão de crédito imobiliário e será seguida pelos outros bancos. O varejo da construção civil, que cresceu como rabo de cavalo em 2009 (-5,9% sobre 2008) crescerá em 2010, levando com ele o varejo de móveis e eletrodomésticos, com crescimento pífio em 2009 (2,1% sobre 2008).
Quem consome está mais atento à qualidade, ao atendimento e ás facilidades de compra, inclusive a eletrônica, de largo crescimento em 2009 e que deverá bater recordes em 2010. Aqui incluímos o uso de celulares para compras, autorizando eletronicamente o débito. Mídias indoor auxiliarão na compra é já é possível interagir eletronicamente com o consumidor em uma gôndola. O varejo de luxo (que caiu em pompa, mas não em circunstância) repaginou seus templos apontando para o descolado, que harmoniza Louis Vuitton com Hering. O luxo, mais democrático, foca produtos e formatos de loja especialmente para classe B, ávido por parecer sem poder ser, mas feliz com o mimetismo possível. O mesmo ocorre com veículos, novos, semi-novos e usados, que ajudarão no congestionamento das grandes cidades. E o governo desinveste no setor de transporte público e sistemas viários, mesmo em pré-temporada de Copa do Mundo e Olimpíada Carioca, onde o varejo vai crescer, a renda aumentar, o dinheiro fluir e os preços subirem como orelha de burro.
Este comportamento de compra permeia camadas sociais que, jamais na história deste país (o criador desta frase tem menos culpa por isto do que alardeia por aí), puderam comprar nada além de comida. Hoje as classes C e D consomem acima de suas posses, auxiliados pelo crédito, que ameaça romper a barreira dos 50% do PIB em 2010. E o calote cai em todos os tipos de crédito (mesmo com R$ 1,4 trilhões de reais em crédito em 2009). Os juros, baixas historicamente, mas altíssimas se comparadas às outras nações em desenvolvimento, voltaram a crescer em Jan/10, impulsionadas pelo comunicado do BACEN sobre o depósito compulsório e pela elevação da taxa Selic em abril, ao redor de 0,25 pontos percentuais. Mas isso não afeta o consumo, que buscará prestações que caibam no bolso.
Em resumo, teremos o consumo das famílias novamente puxando o PIB Brasileiro, emprego e renda relativamente em expansão, crédito abundante para pessoa física, mas juros em crescimento, e uma tendência de exigir qualidade, atendimento, serviços e algum tipo de luxo, por todas as classes sociais, nos levarão, ao fim de 2010, a comemorar números preciosos para a economia e varejo, mesmo em tempo de eleição e alguma incerteza política. Resta-nos saber se teremos, também, investimento no varejo da educação (pública), coisa que implica, no longo prazo, em sólido e sustentável crescimento econômico."

terça-feira, 2 de março de 2010

Varejo Brasileiro - Uma visão do Passado e um Cenário Futuro (parte 1)

Comprar, o brasileiro está comprando e muito. O Varejo rí de orelha a orelha e 2010 já começou quente - em dezembro/2009, o Grupo Pão de Açucar comprou as Casas Bahia, uma operação de mais de 40 bilhões de reais. Mas será que 2010 vai ser mais um ANO DO VAREJO BRASILEIRO? Pois vamos ver o que Lourival Stange - Economista, Especialista em Marketing Estratégico e Consultor para empresas de varejo - tem a nos dizer:

"Para uma leitura mais tranqüila e rápida, vamos quebrar o tema em duas partes, a serem publicadas em seqüência. Nesta, vamos comentar os dados do varejo recentemente divulgados pelo IBGE, bem como o que isto significa.

Os dados de 23 de fevereiro mostram o vigoroso desempenho do varejo em 2009, com um crescimento sobre o excelente 2008 de 5,9%, apesar da queda em Dezembro em relação a Novembro de 2009 - prova que o Brasil tem um mercado interno forte e vai continuar crescendo em 2010. O consumo das famílias, especialmente em alimentos, artigos médicos, farmacêuticos e equipamentos e material de escritório, foi o responsável pelo crescimento de 2009 sobre 2008. Mas olhando o varejo ampliado, com material de construção (queda de 5,9% no ano) e veículos e motos (partes e peças também - alta de 11,1%), o crescimento foi de 6,9% sobre 2008. Aliás, foi um recorde no setor automobilístico (aqui as classes A e B despontam). O crédito, a liberação dos depósitos compulsórios do Banco Central, a queda de impostos e a relativa manutenção do emprego (e renda) foram fundamentais para este desempenho que, espera-se, em 2010 seja ainda muito melhor. Protegeram-nos, e protegerão os sólidos alicerces da política econômica e da relativa independência do Banco Central do Brasil.

Com o crescimento da inflação, o IPCA projeta 0,52% para os próximos quatro meses, o BC do Brasil já eleva os depósitos compulsórios nos patamares de antes da crise (foi o que protegeu o sistema bancário na crise, garante Henrique Meirelles). Este movimento eleva os juros bancários, especialmente pessoa física – atitude utilizada para travar o crescimento econômico, forçando a queda da inflação preventivamente. Quanto aos juros básicos da economia (taxa Selic), sobem em abril, mas o efeito disso só vai ser sentido entre quatro e seis meses depois da alta. Assim, o varejo vai crescer em 2010 e sem a ajuda do governo, que se manterá gastando muito (elevando a inflação), aumentando juros (para reduzir a inflação) e elevando a carga tributária mesmo em ano de eleição. Ocorre que ele, governo, vai gastar o quanto puder, para eleger a figura nada carismática da Ministra Dilma, especialmente com programas assistencialistas. Assim, teremos o crescimento da renda e do emprego, conjugado com o crédito crescente (projeção do BC de um crescimento de 15% sobre 2009), que deverá atingir, ao fim de 2010, um patamar de 50% do PIB, segundo o Ministro Mântega. Mas o Governo segue sem ajudar na desoneração de preços e produção, bem como redução de seus gastos (Custeio)".
fontes complementares: veja.com website e wikipédia