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domingo, 4 de julho de 2010

Os Mistérios que envolvem o efeito Placebo

Placebo em latim, significa “algo para agradar” – O Dr. Tor Wagner, professor de psicologia na Universidade do Colorado, desenvolve estudos sobre Efeito Placebo, um tema controverso - Isso porque estudá-lo significa mexer com aspectos e fatores emocionais diretamente relacionados à saúde das pessoas e neste caso, ainda não existem respostas para muitas perguntas. E também porque pertencemos à uma cultura halopata, onde “aquilo que não tem efeito”, não pode curar. Mas estamos falando de qual efeito afinal?
A expressão “agradar”, mencionada anteriormente, não exclui o fato de haver também um benefício real do placebo com pacientes, tanto que pesquias apontam que 96% dos médicos acadêmicos nos EUA acreditam no seu efeito. A utilização dos placebos em estudos clínicos randomizados mostra nitidamente que existe uma resposta diferenciada e comparável. Mas porque alguns asmáticos e depressivos, por exemplo, reagem melhor ao uso de placebos do que outros pacientes? Não se sabe ainda e esse tem sido um grande desafio para cientistas obstinados como o Dr. Wagner.
O fato é que desconsiderar a presença do efeito placebo no arsenal terapêutico disponível seria o mesmo que duvidar do efeito benéfico da simples interação do médico com seu paciente como um recurso terapêutico. Tema bom pra continuarmos desenvolvendo mais adiante....
fontes: International Journal of Psychiatry in Clinical Practice (2006) e Folha Online - Eric Vance, NY Times - jul/2010)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Saúde sem Adesão? Claro que Não.

Se todo mundo tivesse remédio e tratamento de graça, as pessoas seriam mais saudáveis e se cuidariam mais? (Mas afinal, que perguntinha é essa?). Se depender do que defende o New England Wealthcare Institute, certamente que não. Adivinhe o que faz com que as pessoas não se cuidem adequadamente ou com que os tratamentos sejam ineficazes: preço do medicamento? Acessibilidade? Disponibilidade? Pasmem: A ADERÊNCIA (ou a falta dele) por parte dos pacientes com doenças crônicas é o vilão. Em outras palavras – AS PESSOAS PARAM OS TRATAMENTOS, OU NEM COMEÇAM. Isso mesmo.
Nos Estados Unidos estima-se que de um terço a metade dos pacientes não tomam os medicamentos prescritos por seus médicos, o que resulta em 100 bilhões de dólares a mais em gastos com internações hospitalares e cerca de 290 bilhões em desperdício de medicamentos por ano que poderiam ser evitados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, dosagens prescritas erradamente, remédio errado para a doença errada, multiplicidade de medicamentos prescritos, causando confusão nas dosagens e no escalonamento das tomadas são os os motivos da não aderência mais comuns. Pacientes que consultam com vários médicos, tomam várias medicações, porém sem a coordenação multidisciplinar do seu tratamento, engrossam o côro dos que abandonam.
O estudo defende um ponto curioso, de caráter mais cultural - acesso fácil a medicamentos, através do pagamento compartilhado via planos de saúde contribui para a baixa adesão (ou seja, mexer no bolso, funciona). Várias alternativas educacionais são apontadas como formas de ganho em adesão, algumas soam meio absurdas (como remunerar a pessoa que tomar os remédios direitinho, me poupe), outras nem tanto (tais como: treinar times multidisciplinares, investir em educação do paciente, rever o sistema de reembolso, integrar e gerenciar um banco de dados coordenado sobre hábitos do paciente, etc...).
Vale a pena ler o estudo, pois se trata de um desafio e tanto para profissionais da área de Saúde – entender qual linha de comunicação adotar e quais caminhos seguir na luta contra a baixa adesão e respeito aos tratamentos propostos. Não é pouca coisa não.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Tocar é Compartilhar

O toque humano é algo único, não instintivo, energético, saudável, fraterno e no entanto não o levamos a sério. Quer ver? O cérebro humano interpreta o toque como uma forma de compartilhamento de energia. Isso faz com que tocar seja a forma mais eficiente de reconhecimento e demonstração de satisfação humana com o outro jamais estudada. O toque pode comunicar uma gama muito maior de emoçoes do que aprendemos e segue sendo, segundo Dacher Keltner, "nossos meios mais ricos de expressão emocional" através da vida.
Num artigo a sair no jornal "Emotion", Michael W. Kraus, Cassy Huang e Keltner, relatam que os bons times tendem a se tocar mais do que os piores. As equipes mais ligadas pelo toque eram os Boston Celtics e os Los Angeles Lakers, atualmente dois dos melhores da liga americana de basquete; no fim da lista estavam os medíocres Sacramento Kings e Charlotte Bobcats.
Tudo leva a crêr que o mesmo racional se aplica a pares do tipo romântico, dizem psicólogos. Christopher Oveis, de Harvard, conduziu entrevistas de cinco minutos com 69 casais, estimulando cada um deles a discutir períodos difíceis em seus relacionamentos. Foram classificadas a frequência e duração dos toques em cada um, sentados lado a lado e, segundo ele, casais que se tocavam mais, demonstravam maior satisfação em seus relacionamentos (faz todo o sentido – pense naquela ótima massagem nos ombros e pés). Dá pra perceber a importância disso?