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quinta-feira, 28 de junho de 2012

"Seu Câncer curado ou seu dinheiro de volta" - faz sentido?

Imagine o quadro – uma empresa lança um medicamento inovador para tratar determinado tipo de Câncer. O médico prescreve o medicamento e, caso o paciente tenha índice de melhora inferior ao mínimo esperado, será reembolsado do custo do tratamento. Se o dispensador do remédio for o governo, o paciente só continuará sendo reembolsado se o resultado, após três meses, também for o aquém do esperado. Isso me parece algo como “eu, laboratório, pretendo dividir o risco com o paciente caso meu medicamento não seja tão eficaz quanto nós imaginávamos...”. Isso faz sentido?
Velcade - estudo mostra que a doença avançou mais rápido
em pacientes que tomaram
Medicamentos pra Câncer são caros. Esse fato leva governos e sociedade a considerar alternativas aparentemente bizarras para que pacientes acometidos por diversos tipos de câncer possam se tratar. Na Europa, acordos do tipo “Cure seu Câncer ou tenha seu dinheiro de volta” se tornam cada vez mais comuns. A frase parece gozação macabra, mas o tema é sério. As farmacêuticas Onyx e Pfizer fecharam acordos com o governo italiano justamente nesse sentido. Pacientes em tratamento com o Nexavar (Câncer de Rim e Fígado) e Sutent (Câncer de rim) obtém a medicação gratuitamente nos primeiros três meses de tratamento. Porém antes do início do tratamento, é acordado um nível de resposta esperado. Passados os três meses, o paciente seguira sendo reembolsado apenas se o resultado ficar abaixo dos níveis acordados. O problema é a imprevisibilidade do Câncer. Contar com resultados de curto prazo é um tiro no escuro nesse tipo de acordo.

A Janssen-Cilag e o governo francês fizeram algo parecido com o Velcade (pra câncer ósseo) em 2007. O medicamento era o Velcade e, caso os resultados fossem modestos, haveria reembolso do custo. Dois anos depois, um estudo publicado no British Medical Journal mostrou progressão mais rápida da doença em pacientes que tomaram o remédio em comparação aos que não tomaram.
Segundo a matéria, Arthur Caplan, do Centro de Bioética da Universidade da Pensilvânia, pondera: "Nos cuidados de saúde, o mais necessário são evidências sólidas e comprovadas em ensaios clínicos sobre o que funciona. Não precisamos de programas de desconto, garantia ou um vale. Isso é praticar a má medicina."
fonte: Bol Saúde

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pfizer - estratégia para reduzir impacto da perda de patentes é comprar empresas

Comprar empresas, principalmente em países como China, Rússia, Turquia e Brasil para crescer nos mercados emergentes. Essa é a estratégia da Pfizer para compensar o fim da patente de medicamentos fundamentais para os seus resultados. Além da patente do Viagra, a empresa vai perder em dezembro de 2010 os direitos de exclusividade sobre o Lipitor, um dos mais populares remédios contra o colesterol alto. O Lipitor sozinho registra US$ 12 bilhões em vendas, o equivalente a 25% do faturamento global da Pfizer, que foi de US$ 48 bilhões em 2008.
Para reduzir a dependência de alguns produtos e aliviar o baque sobre os resultados, a Pfizer comprou em janeiro de 2009 o laboratório americano Wyeth, por US$ 68 bilhões. No Brasil, avaliou a aquisição da Neo Química, laboratório de capital nacional, com sede em Goiás, especializado em genéricos e similares.
Com a compra, abriria uma porta para ela mesma entrar no mercado de genéricos e lançar versões do Lipitor e do Viagra. O negócio, no entanto, foi fechado pela Hypermarcas. Segundo Adilson Montaneira, diretor de Negócios da Pfizer no Brasil, a empresa também pretende fortalecer a divulgação de suas marcas, mesmo após o vencimento das patentes. “Apesar de a Pfizer ser uma empresa de inovação em medicamentos, seu portfólio de produtos maduros é vasto”, diz Montaneira. “Aproximadamente 35% das vendas da Pfizer no Brasil são de produtos maduros, já estabelecidos.”
iG: Qual será a estratégia da Pfizer para lidar com o fim da patente de Viagra?
Montaneira: O vencimento da patente de qualquer medicamento sempre afeta, em maior ou menor grau, a indústria. É um processo natural do negócio farmacêutico, bem como de outros setores, e a Pfizer se planeja para isso. Para minimizar os impactos, investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, firmamos parcerias e fazemos aquisições. A compra da Wyeth sinaliza uma das estratégias da companhia, que pretende ser a maior empresa biofarmacêutica do mundo. Por outro lado, o vencimento de uma patente também gera oportunidades. O Viagra é a marca do segmento de disfunção erétil. Seu valor é incalculável. Nosso objetivo será defender essa marca junto aos médicos, pacientes e canais de comercialização. Acreditamos que Viagra continuará no mercado convivendo com genéricos e similares. Outra forma de lidar com o impacto da perda de patente é crescer no segmento de produtos maduros ou estabelecidos. Apesar de a Pfizer ser uma empresa de inovação em medicamentos, seu portfólio de produtos maduros é vasto. Estamos falando de medicamentos já consagrados. Só para se ter uma idéia, aproximadamente 35% das vendas da Pfizer no Brasil são de produtos maduros, já estabelecidos. Assim, somado os produtos inovadores e a linha de produtos maduros, seguiremos convivendo de forma saudável com a perda de patentes.
iG: Parcerias, aquisições estão nos objetivos da empresa?
Montaneira: Parte da estratégia de crescimento da Pfizer é investir em mercados emergentes. Sete países foram selecionados como prioridade nos próximos anos, entre eles o Brasil. Estima-se que o mercado brasileiro nos próximos quatro anos apresentará crescimento de 10% ao ano no mercado farmacêutico. Neste contexto, a empresa se valerá de todos os mecanismos e alternativas para atingir essa meta.
iG: Existe liminar para extensão do prazo da patente de Viagra? Como anda esse processo?
Montaneira: Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a Pfizer não tem nenhum pedido de extensão de patente de Viagra. Houve um pedido de correção no prazo da patente do medicamento, porque a data estipulada no Brasil para o vencimento difere da contagem que a Pfizer entende como correta. A Pfizer entrou com uma ação judicial para corrigir a data da vigência da patente de Viagra de 2010 para 2011. A situação atual é: a Pfizer tem uma decisão judicial favorável à correção do prazo, tal como solicitado para a Justiça, e este processo está tramitando normalmente no Poder Judiciário.