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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Como assistir a uma partida de Squash


Para assistir uma partida de Squash ou de qualquer outro esporte, você precisa definir que tipo de telespectador você será. Qual o seu objetivo em assistir aquele jogo. Observem que o cérebro acaba filtrando algumas informações as quais você não deu muita atenção, fazendo com que passem despercebidos muitos detalhes que poderiam ser importantes para a evolução do jogo, ou qualquer que seja seu objetivo. Acredito que no Squash você pode assistir aos jogos em três “módulos” diferentes: Técnico, Árbitro e o Torcedor.  

No Modulo Técnico você pode e deve observar pontos específicos. A parte técnica do Squash é muito ampla, você poderá analisar em um rally de dois minutos inúmeros detalhes tais como posição do braço, posição da perna, volta para o meio, à tática da jogada, o fundamento utilizado. Assistir neste “modulo” exige muito olho clínico e tempo para analisar. Quem é muito bom em fazer isso é nosso técnico da seleção de vôlei masculino, Bernardinho, ele é mestre nisso.

No Modulo Árbitro, você deverá esquecer a parte técnica, tática, evitando distrações como uma conversa paralela e, em muitos momentos, esquecer-se do rumo da bola (eu utilizo isso, Nelson Neto poderá nos dizer se estou certo). Mas daí você pergunta: Como parar de olhar a bola? Como saber se a bola foi pra fora ou quicou duas vezes? E eu respondo: Você deve saber direcionar a sua atenção para cada momento do jogo. Você não precisa acompanhar a bola em seu percurso total, pois já sabe o rumo que ela irá tomar. Nestas ocasiões o foco da atenção é na movimentação dos jogadores. Vejo se um não esta atrapalhando o outro para chegar à bola e também se o rebatedor tem a parede livre para sua batida. Quando você é o arbitro não poderá se preocupar muito com o placar, isso vai estar na súmula, fixe sua atenção principalmente nos jogadores, em suas movimentações.  Algumas situações as quais você prevê que a bola irá “morrer” daí sim foque a bola, caso contrário à bola só será um objeto para tirar sua concentração. Portanto atenção na bola, só no início de sua trajetória. De resto, foco nos jogadores.

Agora o Modulo Torcedor é moleza, seu foco pode estar onde bem quiser. Pode estar no placar quando está chegando ao fim do game, pode estar no peixinho que o jogador deu para pegar a bola, pode estar no simples fato de transmitir energias positivas para quem esta torcendo, ou seja, é o modulo da curtição (tirando os nervosismos do jogo, claro).

Lembre-se de definir bem em qual “módulo” você irá assistir a um jogo. Se você for o árbitro da partida não vai querer reparar em como o jogador segura a raquete, ou como executa um Forehand, ou muito menos querer torcer para alguém. E quando quiser absorver algo de um jogo de alto nível, atente-se para algo especifico, analise o que você quer separadamente, pois se você analisar tudo de uma vez, verá que não tirará nenhum proveito. Assista rapidinho a este vídeo de uma campanha publicitária de trânsito inglesa. Surpreenda-se e entenda onde quero chegar. 



Fábio Milani
Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

domingo, 29 de julho de 2012

BRINCANDO DE SQUASH


O aumento no número de praticantes o Squash traz também um problema já comum a outros esportes. Tem pai que, na tentativa de realizar no filho algo não realizado consigo mesmo, acaba obrigando a criança a praticar esportes ou atividades com os quais não se identifica. Isso interfere no desenvolvimento motor natural e deixa a criançada cada vez mais frustrado, destruindo o que possa ser um futuro talento esportivo.  Em alguns casos a criança tem dom para o Squash e a cobrança precoce acaba prejudicando todo o processo de aprendizado.

Volta e meia aparece um pai ou uma mãe perguntando com quantos anos pode iniciar o filho no Squash. Minha resposta geralmente é por volta dos oito anos de idade, mas de forma lúdica, sem especialização dos movimentos. Crianças próximas dos 10 anos devem brincar explorar o mundo de forma abrangente, com movimentos gerais, vivenciando todo e qualquer tipo de atividade, sem muito compromisso e pressão. Sou a favor da prática de ginástica olímpica nesta primeira década de vida. A modalidade explora todos os tipos de movimento possível, dando uma coordenação motora e um desenvolvimento motor esplêndido para os infantis. Óbvio que isso se aplica também ao aprendizado do Squash, mas deve ficar bem claro para os pais que especialização precoce dos movimentos esportivos para a criança atrapalha seu desenvolvimento. De que adianta ter uma criança que faça um movimento de backhand perfeito para o Squash, mas que não tenha agilidade ou coordenação para se deslocar de forma rápida e qualificada para golpear a bola?? Ou ainda pior, muitas vezes a criança tem um dom natural e, com seus 10 ou 11 anos já consegue jogar de igual para igual com os adultos. Mas quando chega aos seus 14 ou 15 anos, idade boa pra deslanchar na modalidade, perde a vontade de praticar devido ao inicio precoce. Faça as contas: se uma criança começa no Squash com uma rotina de aulas aos seus 5 ou 6 anos, como será quando tiver 15 ou 16 anos? Ela passou 10 anos de sua vida jogando Squash, em uma rotina cansativa de atleta. Quando tiver a oportunidade de escolher o que quer, aumenta a chance de escolher outra coisa pra fazer, o que já vi acontecer inúmeras vezes.

Por tanto, ATENÇÃO pais que gostariam de ver seus filhos brilharem nas quadras de Squash: primeiramente desperte o interesse dele, inspire seu filho ou filha desde cedo, sem compromisso algum. Dê uma raquete para se familiarizarem, leve a em alguns campeonatos para brincarem com raquete e a bola, faça pegar gosto pela coisa. Mas a vontade tem que vir naturalmente - coisa fácil de acontecer, pois toda a criança se apaixona pelo Squash. Segunda dica: calma. Não ponha a carruagem na frente dos bois, só por que seu filho demonstrou interesse ou leva jeito para coisa. Não o enfie em uma quadra e faça-o praticar, apenas o deixe explorar. Se quiser colocá-lo para fazer aula ATENÇÃO para o tipo de aula. Se seu filho tem menos de 10 anos, observe se as aulas já não estão muito especializadas, com muitos movimentos específicos do squash. O professor deve trabalhar ensinando técnicas com brincadeiras e atividades que trabalhem saltos, deslocamentos, corridas, cambalhotas..., a criança deve brincar de Squash, para todas as habilidades motoras da fase sejam exploradas. E quando tiver com 15 ou 16 anos terá desenvolvido vontade e habilidade para jogar Squash.

Priorize um planejamento de ensino, tenha paciência, não exija resultados das crianças, não as pressione. O ensino é um processo que de movimentos gerais gradativamente para a especialização. Isso leva tempo e requer paciência. Se seu filho quiser ele será um bom jogador ao longo de 6 ou 7 anos, e não dali 1 ou 2 anos. Não torne seu filho ou filha um fenômeno aos 10 ou 11 anos de idade e um frustrado aos 15. Muito dialogo nesta fase é importantíssimo. Seja paciente e para enxergar a vontade do seu filho e não a sua.  

Fabio Milani  - Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

terça-feira, 12 de junho de 2012

A “DOR DE COTOVELO” no Squash

Muitos alunos se queixam dessa dorzinha chata. Boa parte de nós jogadores de Squash teve ou tem ainda. A tal dorzinha no cotovelo, aquelas “agulhadas” que muitas vezes impossibilitam de jogar e até mesmo fazer gestos simples como um aperto de mão é a  “epicondilite”. Está intimamente relacionada ao Squash e ao tênis. Navegando pela web, o artigo que achei mais interessante foi o “Epicondilite Lateral do Cotovelo” de Osvandré Lech, Paulo César Faiad Piluski Antônio L. Severo. Aconselho a leitura. Aqui estarei fazendo um breve resumo deste artigo, onde ele cita também vários outros autores.
“A etiologia da Epicondilite lateral é variada, sua patologia, obscura e sua cura, incerta”. Portanto estamos lidando com uma patologia complexa, onde por várias vezes alunos tentam diferentes tipos de tratamento sem muita eficácia. E é exatamente o que nos alerta os autores deste artigo. As contradições sobre o assunto começam já a partir da sua nomenclatura: “Epicondilite”- referindo-se a um processo inflamatório do local, coisa que não acontece, uma vez que não foi encontrado em muitos estudos realizados, qualquer tipo de inflamação. Kraushaar e Nirschl sugerem que a degeneração tecidual e a falha no processo de reparação são os responsáveis pela patologia e não um processo inflamatório como faz supor. É também conhecida como “Cotovelo de tenista”. Esse nome também é equivocado, pois acomete principalmente trabalhadores, entre a quarta e quinta décadas de vida (95% dos casos), e não somente esportistas jogadores de tênis, squash, paddle e golfe (5% dos casos) afirmam os autores. Mas como o nosso interesse é voltado para o Squash, trabalharei em cima destes 5%.
Para quem não sabe o epicôndilo é aquele ossinho que fica próximo ao cotovelo, na verdade temos o epicôndilo medial e o lateral, entre eles encontramos o cotovelo. A patologia acontece exatamente na inserção de um músculo no epicôndilo lateral. Especificamente no caso do Squash, esta lesão esta mais relacionada ao tendão do músculo extensor radial curto do carpo e ao tendão do extensor comum dos dedos. Isso devido às repetições de extensão do punho e sulpinação do antebraço (movimento clássico do braço para bater na bola, como um chicote). Existem casos abordados pelos autores no artigo os quais relacionam a epicondilite a outros motivos.
As hipóteses mais aceitas nos tratamentos convencionais para a recuperação da epicondilite é repouso relativo, fisioterapia, exercícios caseiros e medicação. Devem-se evitar exercícios repetitivos e estáticos. Aquelas “talas” de velcro que muita gente utiliza são boas na recuperação, pois ajudam na imobilização. Quando cessar as dores deve-se começar exercícios ativos de punho e os estáticos para o fortalecimento da região evitando novas dores. Uma recomendação feita para os que sentem dor quando jogam e a mudança de empunhadura.

Osvandré Lech e Paulo César Faiad Piluski recomendam não utilizar os populares anti-inflamatórios, uma vez que não existe processo inflamatório envolvido na patologia. Já outros artigos dizem que devem usar os anti-inflamatórios. Para tirar a dúvida consultei o Dr. Ildeu Almeida que afirma que a “epicondilite” não é uma inflamação, e sim um processo degenerativo do tendão e na tentativa do organismo de cicatrização ocorre à inflamação. Então, os anti-inflamatórios devem ser usados apenas para cessar a dor e sem o intuito de curar a lesão. Alguns médicos realizam infiltração de 2 ml de sangue autológico (com origem do próprio corpo) para induzir uma cascata de cicatrização, melhorando com isso a degeneração do tendão e consecutivamente o processo inflamatório. Muito cuidado com as injeções de corticóide, caro leitor. Elas aliviam a dor no curto prazo, mas em contra partida causam deterioração do colágeno e não alteram o curso da doença. Também agem no processo inflamatório (assim como os anti-inflamatórios) e não na causa especifica da cura da patologia. A cirurgia só é aconselhada se as dores não melhorarem no prazo de 8 a 12 meses sendo feito o tratamento convencional.

Acredito que o melhor remédio para isso é a prevenção. Ou seja, você que joga Squash e não sente essas dores ou percebe uma dor fraca ou sensibilidade na região do cotovelo ou punho, faça exercícios de fortalecimento. Evite esse desconforto. Com os exercícios você evita o processo degenerativo do tendão. Exercícios como os de flexão e extensão de punho são ótimos, assim como os exercícios de sulpinação e pronação (giro) do antebraço. E para quem quiser saber mais detalhes, os artigos que usei como base para este post clicando aqui: artigo 1, artigo 2.
 
Fabio Milani  - Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Squash - você prefere usar um óculos ou um tapa olho?


Uma das modalidades que mais cresce no mundo, o Squash esta sendo procurado por diversas pessoas como uma atividade de lazer, perda de peso ou outros objetivos quais sejam. Como muitos começam a jogar sem ter conhecimento algum do esporte, a prática sem orientação adequada pode trazer riscos. Para evitar possíveis aborrecimentos trago algumas dicas.

Óculos para Squash
diversos estilos, muita segurança
Parto do pressuposto que para praticar um esporte a pessoa tenha feito um aquecimento prévio e também possua condições físicas adequadas para sua prática, certo? Daí para frente o perigo é outro. Os aspirantes começam a jogar sem a mínima noção de posicionamento em quadra. Também não dominam as regras adequadas para evitar acidentes. Boladas e raquetadas desferidas entre parceiros de quadra são comuns nesse início de aprendizado. Não isentando também os que jogam há algum tempo. Com iniciantes é naturalmente mais comum, porém os jogadores já experientes volta e meia são premiados com hematomas. E na maioria das vezes, quem é acertado (pela bola ou pela raquete) acaba sendo o real culpado pelo simples erro no posicionamento de quadra. Muitas vezes estes acidentes param nos hematomas, mas o negócio pode ficar sério – uma bolada ou raquetada no olho, por exemplo, pode ter consequências nefastas. O Olho é uma parte muito sensível e um golpe no globo ocular pode causar cegueira. Estudos científicos em Oftalmologia citam o Squash como responsável por alguns casos de deslocamento de retina. Achei a seguinte citação em um site médico: "No momento atual, os esportes mais populares em nosso meio não costumam causar acidentes oculares graves. No entanto, a introdução de novas modalidades de esportes e de mudanças nas regras pode alterar esta tendência (por exemplo: o “Squash” passa a ser comum em alguns meios, e este esporte pode ocasionar graves acidentes oculares, pois a bola de pequena dimensão cabe dentro da abertura orbitária e sua grande velocidade aumenta muito o potencial de trauma)." Para acessar a citação clique aqui.

Você, professor ou dono de academia de Squash, aconselhe fortemente seus alunos e jogadores a usar óculos e faça-os assinar um termo de responsabilidade. Um texto mencionando que o aluno está ciente da importância de utilizar óculos de proteção. Isso cria senso de responsabilidade no aluno e evita também complicações jurídicas, isentando proprietários e professores das responsabilidades pelo não uso. Além disso, tenha pares de óculos reserva para oferecer aos alunos e jogadores – estimule o uso.


Jogadores, amadores, professores não se assustem, meu objetivo aqui é preventivo. É alertar a todos sobre a importância de se usar ÓCULOS protetores. Volta e meia fico sabendo de histórias de jogadores que sofreram acidentes jogando Squash. Não se arrisque a jogar sem óculos, se acostume. Acidentes são muito raros, mas acontecem. Não deixe um momento de lazer e diversão se transformar em uma tremenda dor de cabeça. Portanto óculos moçada! E vamos jogar!

Fabio Milani  - Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Que tal jogar um Squash de qualidade? É só treinar!

Sempre fui muito adepto a um bom treinamento. Se você quer ser bom em alguma coisa na vida, vai ter de repetir diversas vezes a atividade que está a fim de realizar. Digo isso não apenas nos esportes, mas pra qualquer área da vida, "a pratica leva a perfeição" sim! Se você quer aprender a falar bem inglês vá e pratique, se quer aprender bem a escrever, pratique a escrita, se quer aprender a tocar algum instrumento musical, idem. O mesmo acontece para o Squash. Não tem segredo algum. Você quer ganhar posição na sua categoria, você quer ganhar daquele seu "arquirrival", ou ganhar o titulo do seu estado, da sua região, quer melhorar seu jogo, pratique, pratique, pratique.

Nas academias onde dou aula, sempre tem aqueles que não querem saber de treinar, apenas jogam com seus parceiros. É obvio que isso depende exclusivamente do objetivo do jogador. Se o objetivo for apenas suar e dar boas risadas então tudo bem, vá lá e arrebenta a bola na parede, mas assim como já disse em um post anterior, não acredito que alguém entre numa quadra de Squash sem querer ganhar. A pessoa até pode falar que vai para se divertir, mas quer sair do jogo vitorioso. E para que isso aconteça não pode dar uma de Romário e ignorar os treinos. Você repetirá diversas vezes os fundamentos até que comece a acertar sem pensar. Como treinar fundamentos como drops, boasts ou saques apenas jogando? Durante um jogo normal repetimos poucas vezes estes fundamentos, e muitas vezes nem os usamos. Enquanto isso em um treino de drop você, em 5 minutos de exercício, repetirá mais de 100 vezes o movimento, melhorando a sua precisão. Isso dará mais habilidade e confiança para, no momento do jogo, conseguir acertar.

Jogadores que apenas jogam sem os treinos, aderem a um estilo de jogo no mínimo previsível, com muitas bolas no fundo de quadra, e sem definições nas horas que é preciso. O jogo se torna uma correria só e muito cansativo. Se você dedicar de 15 a 20 minutos antes de seu jogo para alguns drills (sequências de batidas) de drops, paralela, boast... Verá que esse aquecimento vai trazer grande melhora em seu jogo. Mas calma, não basta treinar duas semanas, ou um mês e pronto. Deve ser algo constante e você melhorará a passos curtos, terá uma evolução gradual. Não pense que um instrutor de squash fará mágica e que, do dia para noite, irá fazer você acertar mais drops do que nunca. Isto é uma coisa que se adquire com o tempo, e quanto mais você treinar, melhor será. Muitas vezes vejo um aluno que há tempos não treina, e na véspera de um torneio quer treinar enlouquecidamente. É obvio que vou estender a mão, faço o possível para ajudá-lo, mas jamais farei milagres. Imagine você ficar o ano todo comendo e bebendo, fazendo festa e sem atividade física alguma. Um belo dia, antes de ir para praia no final do ano, você contrata um personal trainer e pede, com a maior cara de pau: "- Olha só,  queria ficar com barriga de tanquinho, me ajuda??". Sem chances.

Programe-se junto com seu instrutor de Squash, faça treinos periódicos e, o mais importante, tenha paciência. No Squash não tem muito o que se inventar. Não vai ter muita alternativa além de ficar batendo a bola na parede repetidas vezes. Quer uma dica? Pratique com música. Vale um Iphone, MP3, o que for preciso para ajudar nas repetições. Escolha aquele som que te move pra mudança, que marcou sua vida. Quer melhor ocasião pra essa trilha sonora?

...Bora suar a camisa!!

Fabio Milani  - Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

terça-feira, 27 de março de 2012

Mitos do Squash


Existem vários mitos e folclores sobre o Squash - fuja deles e divirta-se!

O Squash é um dos esportes que mais cresce no mundo e forte candidato as Olimpíadas de 2020, mas ainda tromba com muitos mitos que atrapalham sua ascensão. Tem pouca informação e divulgação nas mídias de massa, dificilmente se escuta falar do Squash na televisão. Já vi passar campeonato de bolinha de gude em canais fechados da tv a cabo, mas nada do Squash. Um esporte que merece um pouco mais de atenção da mídia. Graças a essa falta de informação, quando sou questionado sobre o que eu faço e respondo que dou aulas de Squash, não raro escuto: "ah Squash, sei, aquele na água né...".

Existe um estigma de que é um esporte de muita complexidade, que agride o corpo (principalmente joelhos e a coluna) pelo impacto – ledo engano. As quadras oficiais de Squash possuem um sistema peculiar de absorção de impacto. A madeira por si só já amortece, mas além disso, essas quadras possuem um sistema de camadas de borracha por baixo dos tacos. Esse sistema ajuda proteger contra o impacto com o solo. A maioria das quadras possui este sistema, mas convém sempre conferir - observe alguém saltando no meio da quadra e é fácil notar se tem ou não o amortecimento. Sobre a complexidade do jogo, é o que eu sempre digo: o Squash é muito fácil de jogar. Acertar uma bola preta com uma raquete em uma parede de 5m x 6m e começar a correr atrás dela quando retorna pra você não parece ser algo de outro mundo. Já tentou entender as regras do baseball ou do futebol americano assistindo um único jogo?

Outra pergunta que escuto com frequência é sobre a disparidade dos braços. Por ser um esporte unilateral (que trabalha apenas com um braço), as pessoas tem medo de ficar com braços desiguais, ou desvios posturais. Isso é raro, só em casos extremos de atletas ou professores que treinam muitas horas por dia. E pode tranquilamente ser evitado com exercícios de compensação para o braço que não se usa. Se você é um aluno semanal, a diferença será quase imperceptível, em razão do pequeno peso da raquete e da bola. Ambos não oferecerão muita resistência aos músculos trabalhados no ato de golpear a bola. O maior risco do Squash talvez esteja em um iniciante acertar o parceiro com a bola ou a raquete - é verdade. Geralmente o resultado é a dor da pancada, mas pode ser grave se o local atingido forem, por exemplo, os olhos. Mas isto é assunto pra outro post. Apenas adiantando: use óculos protetores específicos para Squash e tá tudo certo. Não tem? Ok, mas certamente você tem uma furadeira em casa. Na maleta dela, repare um óculos de proteção gigante, todo transparente. Também serve!

Para finalizar, nunca inicie um exercício físico sem a parceria de um profissional especializado e nisso, o Squash não foge à regra. Vejo pessoas entrando em quadra sem aulas (tipo pelada de fim de semana) ou com profissionais desqualificados. Isso poderá causar "vícios" de execução da técnica limitando o seu jogo e prejudicando a sua aprendizagem no longo prazo. Sem orientação correta, o aluno faz os movimentos errados podendo lesionar articulações. Sem metodologia correta ministrada pelos professores, o aluno se posiciona e se desloca de forma errada em quadra, correndo o risco de ser atingido pela raquete do adversário. Quer um conselho “do bem”? Procure um professor e quebre os mitos que te venderam sobre o Squash. Venha se divertir e suar um pouco na quadra mais próxima de você. E não acredite em tudo o que te disserem sem ter, ao menos, tentado.

Fabio Milani 
Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

segunda-feira, 12 de março de 2012

OLHE, RESPIRE E BATA!

O squash é um jogo de calma e paciência. Para executar os movimentos, tão exaustivamente realizados ao longo de uma partida, é de exímia importância que você esteja com a "cabeça vazia", livre de quaisquer pensamentos. Isso é difícil? Diga “SIM!”, claro que é, exige esforço e disciplina. Quer um exemplo? Pare agora mesmo, tente ficar sem pensar em nada........................... Difícil não?

Seja qual for o esporte, é da função dos técnicos a preocupação com a execução perfeita dos movimentos, sua precisão. Mas tem um aspecto que não pode ficar de fora de um torneio, sob o risco de colocar por água abaixo todo o investimento em treinos de precisão e aperfeiçoamento. Estamos falando da parte psicológica do jogo. Acredito que, juntamente com o Tênis, o Squash seja um dos esportes onde se exija alto índice de concentração. Buscando este conhecimento, cheguei num livro (que aconselho a todos) que serviu de base para este post: "O Jogo Interior do Tênis" (Timothy Gallwey). Um livro fabuloso, onde ele aborda um lado pouco trabalhado pelos técnicos de diversas modalidades – concentração.

Para se alcançar um alto estágio de concentração Gallwey nos dá algumas dicas das quais ponho em destaque duas delas:

1.      Sua mente ficará “livre” quando conseguir "prendê-la" a algo que acontece aqui e agora. Algo que te "prenda" no presente. Assim como sua respiração. Parece uma informação inútil, mas a respiração durante o jogo também é de fundamental importância para o desempenho. É claro que você não joga sem respirar, caso contrário cairia no meio do 4ª ou 5ª ponto sem oxigênio. A respiração a que me refiro durante o jogo é aquela profunda, para oxigenar, para encher os pulmões de ar. Serve para manter a concentração a todo vapor. A cada “quique” da bola, sincronize com a sua respiração. Inspire na preparação da batida e expire logo após golpear a bola. Se concentre na respiração para manter o foco no jogo. Assim como a respiração nos intervalos dos pontos, ou quando o saque é seu ou é do seu adversário. Assim como a Hortência, a lenda do basquete brasileiro, fazia antes de cada arremesso livre. Tudo para manter o foco e a concentração.

Fábio Milani - " A cada quique da bola
concentr-se na sua respiração".
2.      Outra maneira de se prender no aqui e no agora é o olhar para a bola. Se concentrando apenas nela, se esqueça dos problemas e pensamentos do mundo lá fora. Tente enxergar os pingos amarelos dela, espere o tempo certo, sua fase ascendente e descendente. Isso fará com que não disperse ao longo do jogo, sua única preocupação deve ser o olhar para a bola. Conforme começar a colocar isso em prática a impressão é que a bola fica maior e mais lenta, tudo flui mais fácil, ou seja, você se mantém mais concentrado.

"Entendemos por concentração o ato de focalizar a atenção. Quando se permite à mente focalizar um único objeto, ela se acalma. Mantendo-se a mente no presente, ela se aquieta. CONCENTRAR SIGNIFICA MANTER A MENTE NO AQUI E NO AGORA." (Gallwey Pg. 94).

Difícil? Fácil? Pode ser um ou outro, depende da nossa predisposição em tentar. Então TENTE e depois você me diz o que percebeu, ok? Boas raquetadas.

Fabio Milani 
Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

sexta-feira, 2 de março de 2012

Mulheres no Squash

Falo com gente do meio e vejo um fato: tem pouca mulher no Squash.

Até se vê meninas em quadras que são um anexo das academias de musculação e fitness, mas poderia ter bem mais. Nas academias só pra Squash o público feminino é minúsculo comparado ao público masculino. E um fato curioso: mencionar que tonifica pernas e glúteos deveria ser o suficiente para provocar um corre-corre rumo às quadras, mas isso não acontece. Comecei então a observar o ambiente das academias de Squash e escutar a mulherada que quer jogar – acho que descobri o porquê de não haver tantas mulheres em quadra.

Homem no meio de muita mulher se sente “o rei do pedaço”. Para as mulheres é um pouco diferente. Se elas chegam num ambiente tomado por homens, a maioria fica intimidada e com motivo. Nós homens afastamos as mulheres do Squash. É nossa culpa. Quando aparece uma corajosa para jogar no meio dos "cuecas" temos duas situações: Se for bonita pra maioria, será como “uma ovelha no meio das raposas”. Sobram olhares, surgem cantadas, deixando-as desconcertadas. E se a beleza não for consenso, daí ela tá perdida mesmo, vai ser jogada para escanteio. O pessoal se fecha nas "panelinhas" e ela vai pro fim da fila, sem jogar. Por isso as poucas guerreiras preferem fazer aulas em horários de baixo movimento e diversas vezes eu escuto pedidos de alunas para colocar cortinas nos vidros (pasmem). Não querem olho comprido nem passar pela vergonha de fazer feio no jogo. Mas também não treinam jogando com outras pessoas. Outra situação comum: mulheres que se acham incapazes de jogar Squash... sem ter nem tentado. Por experiência, posso assegurar que acontece com muitas mulheres. Coisas do tipo “não tenho coordenação!” são as afirmações mais comuns. E quando consigo convencê-las depois de muito esforço, percebem que podem e se saem muito bem. Se amarram principalmente por sentirem aquelas tão desejadas dorzinhas musculares. Sensação de dever cumprido. Nos torneios, vemos categorias femininas com poucas inscritas e são sempre as mesmas em quadra - mas este assunto fica pra num próximo post. Professores e proprietários das academias de Squash: invistam no público feminino. Tragam para experimentar o esporte e, mais a frente, trave outra "batalha" para elas participarem de torneios. Quem convive com as mulheres sabe muito bem que a grande maioria foge de competições. Façam ações voltadas para elas, repito, dêem espaço. Que tal uns cafés da manhã com Squash em um sábado de manhã só de Meninas Super Poderosas?

Fábio Milani: "O mundo mudou
também no Squash -
dêem mais espaço às mulheres."
O correto é que devemos repensar-nos e me refiro a nós homens - é cruel e pouco inteligente a atitude de não dar espaço a elas. Precisamos da presença e da competitividade feminina, é estimulante. Um ambiente misto fica mais agradável e dinâmico. Então meninas, vocês que ainda não experimentaram o Squash, por gentileza, venham! Esta é a minha singela solicitação às mulheres. E parabéns às que jogam Squash, só pelo fato de jogarem já são campeãs, pois sei bem o que vocês passam com a nem sempre dissimulada atitude masculina.

Fabio Milani 
Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011