TDAH – você já deve ter ouvido essa sigla. Se não ouviu, ok – se eu descrever rapidamente alguns comportamentos de um amigo ou parente, um sobrinho, você certamente vai entender o que essa sigla significa – TDAH: Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Pense naquela criança que parece ficar “24 horas ligada na tomada”, mexe em tudo, fala muito. Uma brincadeira ou jogo tem o poder de prender a atenção dessa criança por não mais do que poucos minutos. Distrae-se facilmente, não fixa a atenção, seja por estímulo externo ou com os próprios pensamentos. E normalmente é muito agitada.
O TDAH é um transtorno que combina desatenção, inquietude e hiperatividadde. Até o início dos anos 80, acreditava-se que apenas as crianças apresentavam, mas não: o distúrbio se manifesta em adultos também e, nesse caso, o diagnóstico é normalmente subestimado ou tratado como algum transtorno de personalidade. O adulto com TDAH não consegue eleger prioridades e se organizar – pense agora naquele primo agitado, falador compulsivo e energético, que dorme pouco. O famoso “enrolado” - está sempre correndo de forma improdutiva e sem focar algo específico. Normalmente, pessoas assim vivem estressadas, pois se sobrecarregam com atividades demais, sob o grande risco de não terminarem o que começam (isso deve, com certeza causar uma sensação de incompetência permanente).
O TDAH atinge 6% da população, porém, segundo Mario Louzã (coordenador do PRODATH, Projeto de Déficit de Atenção e Hiperatividade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo), muitas pessoas passam uma vida inteira sem serem diagnosticadas – não se tem idéia dos obstáculos que foram vencidos para uma pessoa chegar, por exemplo, à universidade.
A importância de conhecer o TDAH é seus desdobramentos extrapola os aspectos individuais - a pesquisadora americana Melissa Orlov está lançando o livro “The ADHD Effect on Marriage – Understand and Rebuild Your Relationship in Six Steps” (Os efeitos do TDAH no seu casamento – entenda e reconstrua a sua relação consjugal em seis passos). O livro aborda os efeitos do transtorno na vida de um casal, uma vez que a relação com um portador normalmente significa uma sobrecarga muito grande para o outro, normalmente a mulher (80% dos portadores são homens). Se o leitor se vê aqui, acenda uma vela pra sua santa...
O diagnóstico do TDAH se dá através de sintomas clínicos e o tratamento combina medicamentos e terapia. Mas o primeiro passo é, uma vez identificados sinais, buscar a ajuda de um profissional que possa ajudar a diminuir o sofrimento – ou existe alguma dúvida de que a pessoa portadora de TDAH não passe 24 horas por dia sofrendo?
fontes: ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção website, Revista ISTOÉ (ago/2010), Universo TDAH website e Dr. Dráuzio Varella website