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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Psicopatas Corporativos - você ainda vai encontrar um

Imagine um Psicopata. Tipo frio, sanguinário. Ganha a confiança de sua presa, enquanto espera o momento certo de dar o bote. Mata de forma silenciosa, com uma faca de cozinha, uma lâmina de cortador de grama ou por estrangulamento. Os psicopatas normalmente nos remetem a criminosos de alta periculosidade, incentivados por filmes de suspense e terror. Mas a psicopatia é algo muito mais presente e sutil entre nós do que se imagina. É só dar uma checada nas atitudes que descrevem um psicopata: busca no outro ou através do outro aquilo que lhe dá prazer, mente descaradamente, se utiliza da crueldade com amigos, colegas ou familiares pra obter vantagens, não sente remorso ou culpa, não tolera frustração e não se constrange quando é pego mentindo. Opa, não é só em manicômios ou em prisões que se vê gente assim. Já vi gente assim sentada em reuniões de trabalho, com laser pointer na mão ditando regras - são apaixonantes. Já vi sim e você também. Pois é.
Estima-se que 20% da população carcerária no mundo são de Psicopatas e mais de 80% são mesmo serial killers (aqueles da faca e do cortador). E normalmente prazer, dinheiro, status e poder estão entre as principais motivações do Psicopata. Onde mais poderia existir ambiente fértil pras mesmas motivações? a empresa em que você trabalha. Segundo o Dr. Robert Hare, médico especialista em psicopatia, psicopata é “a pessoa que usa carisma ou medo e também uma combinação de técnicas para manipular outras pessoas – e não sente absolutamente nenhum remorso por ter essa atitude”. O Dr. Paul Babiak, psiquiatra americano especialista em treinamento, realizou um estudo envolvendo 200 altos executivos. O estudo revelou algo surpreendente: enquanto 1 em cada 100 seres humanos mostra sinais de psicopatia, no mundo corporativo esse número é de 1 pra cada 25. Ou seja, você tem 4 vezes mais chances de topar com um psicopata no cafezinho da sua empresa do que na rua. Psicopatas correm risco, são agressivos, gostam de estar no controle, são envolventes, eloquentes e charmosos. Que empresa não quer um executivo assim, principalmente em momentos de crise interna? Mas isso dá resultado? Pior que dá. Em um ambiente extremamente competitivo, daqueles em que a empresa rankeia os “Stars” e expõe os “Hot Box” com prazo de validade pra dizer a que vieram, a linha que divide a sanidade da ética costuma ser muito, muito fina. Veja, eu comparei sanidade com ética – é isso mesmo.
Mas, se por um lado, ter um Psicopata na liderança pode trazer resultado no curto prazo, o histórico recente de companhias pegas em atitudes nada sustentáveis indica o futuro. Na ânsia para atingir resultados, esses “líderes” começam passando por cima de colegas indigestos, intimidações à equipe, roubo descarado de projetos e vão até o ápice da organização. Burlam regras de complience, colocando a empresa em xeque. O sumiço da Enron americana é um bom exemplo disso, porém exemplos definitivos como este não diminuíram o apetite dos psicopatas. De acordo com pesquisa feita pela PWC, 30% das empresas no mundo são vítimas de fraudes a cada ano. O Dr. Hare publicou uma lista de 10 indícios que ajudam a identificar um Psicopata Corporativo, agrupados em Relacionamentos, Sentimentos e Estilo de Vida:
Relacionamentos

1)      Sociável “ma non troppo” – os relacionamentos são sempre superficiais e jamais se importa com o conteúdo, e sim em como vendê-lo.
2)     Narcisista - preocupa-se apenas e tão somente consigo mesmo.
3)     Manipulador - mente e usa as pessoas para conseguir o que quer.

Sentimentos

4)     É Frio e calculista - racional e calculista, pois tem pouca atividade no sistema límbico, centro de emoções como medo, tristeza, nojo.
5)     Não tem remorso nem culpa - a parte responsável por isso no cérebro tem baixa atividade.
6)     Sem empatia - não consegue se colocar no lugar dos outros.
7)     Irresponsável - só se compromete com o que lhe trouxer benefícios.
Estilo de Vida
8)     Impulsivo - Tenta satisfazer as vontades na hora.
9)     Incapaz de planejar - Não estabelece metas de longo prazo.
10)  Imprudente - Corre riscos e toma decisões ousadas.
Se você já suspeita de que seu colega mais camarada ou seu chefe estão nesse grupo de eleitos, pouca coisa dá pra fazer. Não tente estabelecer vínculos ou afinidades, é perda de tempo. Até porque o psicopata é um exímio "leitor de pessoas" e, em percebendo esse seu esforço, vai se sentir ultrajado e achar você bastante pretencioso, afinal de contas você "nem chega aos pés dele". Desde afastar-se da alça de mira até ir agilizando seu networking são atitudes sensatas e imediatas. Noutra empresa não vai ser diferente. Mais hora menos hora você vai topar com outra dessas aves raras, a coisa é matemática. As empresas estão mesmo doentes – essa é apenas uma das patologias. Mas ao menos você ganha tempo e saúde pra seguir trabalhando e mostrando seu melhor desempenho. Melhor assim.
fontes: The Week website, Folha online, Babiak website, Revista Superinteressante, wikipedia

quarta-feira, 21 de março de 2012

Coaching SIM, Exorcismo NÃO

Imagine poder entrevistar (e filmar) dez especialistas em gestão de pessoas, com a pergunta “quais são os principais desafios em gestão de pessoas hoje em dia?”. Agora misture os depoimentos numa ilha de edição, tipo um mosaico em vídeo. O resultado? Um desfile de coisas como “reter talentos”, “conhecimento”, “motivação” “treinamento”, “reconhecimento”,     “liderança” e “competências (esqueci alguma coisa? talvez).
Enquanto isso, o “x” da questão continua refém das mazelas diárias de uma empresa. A rotina se revela um tal de planejar o futuro e realizar o presente. Mas o “x” tá lá: afinal como as pessoas se tornam gerentes de outras pessoas? Ainda se promove gente porque trouxe bons resultados, bateu meta, tem motivação. Errado? Claro que não. Justo? Depende. E depende mesmo. Cresci ouvindo que um Gerente não nasce pronto. Tem que “ralar peito” no dia a dia, tentativa e erro, até entender seu papel. “O cara” tem que ser modelo pra equipe, ensinando o grupo a reproduzir os resultados que trazia pra empresa quando era Vendedor. Como se fosse uma questão de virar a chave e puf!, se fez um Gerente motivado, esforçado. A equipe é sua antiga equipe, então na camaradagem vai dar conta do recado, afinal tem experiência e resultados pra mostrar. Falo por mim, pois sou fruto dessa cultura – hoje enxergo as cabeçadas que dei nos primeiros cinco anos como Gerente. Lembro que, quando fui promovido, no jantar de comemoração, olhava aquela gente toda e pensava baixinho: “esses caras estão loucos, não estou pronto pra isso!”.
Só que na ponta existe um grupo de “novatos” inclementes. Gente bem menos afeita à escola do “aqui mando eu” e que muda de emprego como quem muda de camisa. Estão dispostos a seguir um líder que realmente desafie a equipe com propostas simples, planos de ação coerentes e metas claras. Que saiba reconhecer virtudes e ajude a superar defeitos, delegando responsabilidades. E que tenha maturidade pra enxergar os próprios defeitos como ferramentas risonhas de aprendizado pra si e para a equipe. Só que o nosso Gerente não se não se sente bem dessa forma, porque não pediu pra estar lá. Passou o ano fazendo curso de liderança disso e daquilo. Até um Coach contrataram pra ver se “endireitava”. Ele fazia tão bem aquilo que sabia fazer e hoje não consegue fazer com que a equipe repita os resultados que ele entregava. O desfecho a seguir é uma equipe com duas vagas – um bom vendedor desperdiçado e um péssimo gerente demitido.  

O artigo de Jaqueline Weigel (diretora da Weigel Coaching Associados - para ler, clique aqui) aborda o tema mostrando como o Coaching pode auxiliar na solução de um problema velho que só tem cara de novo. O profissional de Coaching pode ajudar a reparar erros como o caso acima, usando técnicas e ferramentas pra que o Gerente se descubra e assim encontre a melhor forma de influenciar sua equipe. Concordo com Jaqueline e digo mais: jamais confunda, por gentileza, o Coach com um Exorcista – tem empresa que contrata o Coach como último recurso, na bacia das almas, como se o cara já entrasse na sala de reuniões de crucifixo em punho, bradando “xô Incompetência, deixa o corpo desse Gerente que não te pertence!”.
Enquanto o problema “de raiz” continuar, seguiremos andando em círculos, buscando a salvação onde não há salvação e as empresas, perdendo dinheiro e gente. Já venceu o prazo para revermos a forma como escolhemos pessoas e as colocamos na fogueira. Você Gerente Sênior, pense nisso com carinho. Pense já e faça a coisa certa desde o início. Pare de confundir promoção com punição - os verbetes tem diferenças sutis na escrita mas bizarras na atitude - depois, não vai adiantar nada transferir o “mico” pro Coach
fonte: administradores.com

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Na música, nas empresas, na vida

Wynton Marsalis
Perguntado sobre como contrata pessoas, respondeu: “tem que ter conhecimento, ser bastante original, gostar de trabalhar em equipe e lidar com compressão”. Uma resposta assim caberia na boca de qualquer líder empresarial de destaque - desde que pratique, claro. Mas não; Veio de Wynton Marsalis músico americano estrelado e fundador da Jazz at Lincoln Center Orchrestra em entrevista à Harvard Business Review. Sobre liderança: “Quando jovem, era duro demais com os músicos. O pessoal que tocou comigo me ensinou a ser melhor. Aprendi a ter uma direção clara. Se a pessoa for indecisa ou fraquejar, não há como segui-la”.  
Não preciso falar sobre Wynton Marsalis...assista o vídeo.

domingo, 18 de julho de 2010

Quer Ser um Líder? Comece sendo Saudável

A Consultora de Marekting Maria Ana Neves publicou um post no linkedin que dá o que pensar: Faltam Lideranças nas Empresas. O tema não é um primor de surpresa, longe disso. Mas incomoda, sem dúvida, pois se continuarmos tendo essa percepção anos a fio, fico imaginando quanto recurso se vai, quando dinheiro se perde porta afora por não dar especial atenção à formação de líderes nas corporações. O ponto da Ana está embasado em pesquisa da Kienbaum (veja aqui o post), publicado em portais e revistas especializadas, não se trata de um tema esparso nem de uma percepção intuitiva. Lendo a matéria, vejo que um tema incomodativo mas que não foi mencionado na diferença entre um chefe antigo e um líder moderno se chama cuidado com a Saúde. Esse tema é complexo: Eu tive um chefe uma vez que dizia pra Deus e todo mundo que era depressivo e o fazia com certo "orgulho", como se a depressão fosse um passaporte para o existencialismo, uma postura mais filosófica...Isso não pode ser normal, desculpem.
Faz parte de uma cultura de gestão mais retrógrada "não ter tempo de se cuidar em prol do trabalho". Que exemplo é esse que se dá pra uma equipe? Se minha equipe um dia lêsse em minha lápide "aqui jaz um homem que morreu por seu trabalho" eu sinceramente teria vergonha. Eles precisam de um líder, não de um mártir, dá um tempo...Colesterol alto não pode ser uma competência profissional, mas a realidade nesse ponto é triste. Uma pessoa que cuida da saúde, não raramente, é percebida nos corredores corporativos como "vaidosa demais" ou, como já ouvi um comentário maldoso de um dublê de líder, "como é que pode trabalhar e ter tempo pra malhar, aí tem gato...". Gato, leia-se, trapaça, pilantragem...
Gerente que não dorme, come hambúrger debruçado no excell, que passa mail as 5hs da manhã (e quer que a equipe leia), fuma maços e maços diariamente, não cuida da aparência, quer dar que recado ao seu time?? O blog fala de Saúde (ou coisas relacionadas). Fica aqui o recado aos pretensos líderes: comece dando um bom exemplo às pessoas e salve sua equipe. E só refletir não dá, tem que agir hoje, pois um dos itens que diferencia o antigo chefe do novo líder é ter um discurso igualzinho à prática e aí o buraco é mais embaixo...fácil? Ninguém disse que era, não é verdade?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Na arte como na vida real - parte 2

Conheci um desses Gênios Humildes a que se referiu o Jorge Fernando (post anteiror). Tive esse privilégio. Mas não era um popstar, pelo contrário, era tímido e não gostava muito de palco. Uma vez conheci e trabalhei com Milton Fukujima (1954-2008), médico, Gerente de Marketing e de Treinamento. Na Indústria Farmacêutica brasileira, poucos homens foram (e são) tão respeitados quanto o Milton (foto).
Um dia, comendo um sushi, ele me fixou os olhos e mandou: “-Você está para aprovar um projeto numa concorrência e, do nada, chega na sua casa um relógio lindo, caro, presente de um fornecedor que está participando dessa concorrência. Você aceita ou não aceita?” Respondi um “não” sem muita convicção, querendo saber o porque daquela pergunta. Ele, sábio, percebendo meu aparente embaraço de novato, sentenciou: “-Se um dia te oferecerem qualquer coisa sobre a qual você teria vergonha de contar pra alguém o motivo do presente, seja pai, mãe, filho...não aceite. Esta é sutil diferença”.
O que mais dizer? ele definiu tudo com tintas tão simples...Me senti pequeno diante daquele oriental magro, testa longa, de fala mansa, mas firme. Milton: esteja você onde estiver, o infarto fulminante não levou o seu exemplo, acredite nisso.

Na arte como na vida real - conversa com Jorge Fernando

O Ator e Diretor de TV Jorge Fernando participava de um evento em uma empresa onde trabalhei há uns anos atrás. Falava sobre a rotina nos bastidores da TV Globo, mostrando que, fora a fantasia e a ilusão das pessoas, a Globo era uma empresa normal como outras e que fazer novela era tão complexo quanto gerenciar qualquer outro grande projeto. Se você estoura um budget, te cobram. Se um patrocinador não gosta de uma cena, tem que refazer tudo e rápido pra não perder o timming. E a escalação do elenco é como escolher os melhores para um projeto arrojado. Se uma novela que custou milhões não emplaca nos primeiros capítulos, rola a cabeça do diretor e de mais algumas pessoas ou, no mínimo, a vida desse mesmo diretor fica bem mais difícil em futuros projetos. Deu o exemplo do aperto que passou com o fracasso da novela "As Filhas da Mãe" (2002), segundo ele, "um trabalho cuja proposta o telespectador não entendeu". Seu pescoço foi salvo pelo trabalho seguinte, "Chocolate com Pimenta" (2004), esse sim um sucesso de público e de crítica. Enfim, nada diferente do mundo corporativo. O resto é história.

No café, fui me chegando. Até que ficamos próximos o suficiente, fui perguntar: “- Jorge, entre os atores, quem é a verdadeira estrela e quem é a que quer ser a estrela?” Jorge Fernando é daquelas pessoas cujos os olhos claros indefectíveis mesmerizam - olhou através de mim, mexeu o café por uns 3 segundos e tascou: “- Gente como o Tony Ramos, a Nicete Bruno, o Paulo José por exemplo, a gente reverencia e eles ainda ficam envergonhados. Na hora de filmar, se um ator novato treme na base, ajudam, dão apoio, tranquilizam. Não é lindo? São sábios, gênios humildes. Diferente de gente que consegue uma ponta numa minissérie adolescente e já quer BMW, chega e maltrata os maquiadores, tem chilique no set.”

Nunca esqueci dessa conversa. Nada diferente dos corredores da vida corporativa. Gente pequena querendo ser grande e pessoas imensas que se notabilizam com pequenos gestos. Saúde e vida longa ao Jorge Fernando.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Saúde à minha Equipe


Gerencio gente, trabalho delicado. Bem delicado. Estou falando de um sem número de sucetibilidades, cada um com suas circustâncias e bombinhas-relógios. Centenas de celulares se falando por dia, coisas boas e ruins acontecendo, gente se decepcionando com filhos, uma doença, o mundo se acabando, ou comemorando uma visita inesperada, uma herança, todo o dia é uma surpresa...E o meu trabalho lá, rolando (como se fosse possivel existir uma zona de fronteira...).

E no meio de tudo isso, tenho sempre a pretenção de que tudo é sabido e dominado e de que conheço e sei quem são e o que pensam as pessoas da minha equipe durante 24 horas do dia, afinal são meus colegas, minha equipe. Conheço nome dos filhos, das esposas, o que gostam, a música predileta. Tenho fotos do último Natal num restaurante, sei até a marca do vinho. Bobagem. Pura bobagem. A gente não tem a menor idéia de quanto impacta ou não na vida de outra pessoa, quanto um gesto ou uma palavra insuspeita tem seu preço - é a Empatia, moço, coisa de "lôco".

Segundo o Wikipédia, lá diz que Empatia é "espécie de inteligência emocional" e pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva - relacionada à capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva - relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia. Português simples: se pôr no sapato do outro, por uma fração de segundo que seja.

E em se tratando da equipe que você gerencia, o papo é outro, o buraco é mais embaixo. As vezes me pego com a cabeça nas núveis, achando que tenho tudo dominado, tudo planejado e que motivei todo mundo. Resultados ótimos, plano de ação, tudo na mão,...e basta uma pessoa da equipe te fazer uma pergunta mais franca que está sacramentado o silêncio – nuvem preta. É aquele “desmancha prazer”, que vem encomodar com detalhezinho bobo.

Só que muitas vezes é aquela pessoa que está trazendo franqueza à conversa. O único seguidor que temos de verdade só que não consigo enxergar por que a arrogância não sai da minha frente. É o fantasma da Empatia rondando - linda palavra, mas valor raro e caro. Quantas vezes tudo seria mais fácil se eu tivesse ouvido um pouco mais “o chato” e a todos “os chatos”, anjos da guarda com quem estou e estive ao longo dos anos. Poque tem momentos que alguém precisa fazer o papel do "chato", pô...trazer o cara pra terra. Alguém sempre fica com o serviço sujo.

Eles merecem essa “mea culpa” – e que continuem tendo muita paciência comigo, continuaremos aprendendo juntos! E, Se Espirrar, Saúde!