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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Papo Reto - Lewis Carroll


ALICE: "Você pode me ajudar?"
GATO: "Sim, pois não."
ALICE: "Para onde vai essa estrada?"
GATO: "Para onde você quer ir?"
ALICE: "Eu não sei, estou perdida."
GATO: "Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve."
(Lewis Carroll, "Alice no País das Maravilhas")


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Como assistir a uma partida de Squash


Para assistir uma partida de Squash ou de qualquer outro esporte, você precisa definir que tipo de telespectador você será. Qual o seu objetivo em assistir aquele jogo. Observem que o cérebro acaba filtrando algumas informações as quais você não deu muita atenção, fazendo com que passem despercebidos muitos detalhes que poderiam ser importantes para a evolução do jogo, ou qualquer que seja seu objetivo. Acredito que no Squash você pode assistir aos jogos em três “módulos” diferentes: Técnico, Árbitro e o Torcedor.  

No Modulo Técnico você pode e deve observar pontos específicos. A parte técnica do Squash é muito ampla, você poderá analisar em um rally de dois minutos inúmeros detalhes tais como posição do braço, posição da perna, volta para o meio, à tática da jogada, o fundamento utilizado. Assistir neste “modulo” exige muito olho clínico e tempo para analisar. Quem é muito bom em fazer isso é nosso técnico da seleção de vôlei masculino, Bernardinho, ele é mestre nisso.

No Modulo Árbitro, você deverá esquecer a parte técnica, tática, evitando distrações como uma conversa paralela e, em muitos momentos, esquecer-se do rumo da bola (eu utilizo isso, Nelson Neto poderá nos dizer se estou certo). Mas daí você pergunta: Como parar de olhar a bola? Como saber se a bola foi pra fora ou quicou duas vezes? E eu respondo: Você deve saber direcionar a sua atenção para cada momento do jogo. Você não precisa acompanhar a bola em seu percurso total, pois já sabe o rumo que ela irá tomar. Nestas ocasiões o foco da atenção é na movimentação dos jogadores. Vejo se um não esta atrapalhando o outro para chegar à bola e também se o rebatedor tem a parede livre para sua batida. Quando você é o arbitro não poderá se preocupar muito com o placar, isso vai estar na súmula, fixe sua atenção principalmente nos jogadores, em suas movimentações.  Algumas situações as quais você prevê que a bola irá “morrer” daí sim foque a bola, caso contrário à bola só será um objeto para tirar sua concentração. Portanto atenção na bola, só no início de sua trajetória. De resto, foco nos jogadores.

Agora o Modulo Torcedor é moleza, seu foco pode estar onde bem quiser. Pode estar no placar quando está chegando ao fim do game, pode estar no peixinho que o jogador deu para pegar a bola, pode estar no simples fato de transmitir energias positivas para quem esta torcendo, ou seja, é o modulo da curtição (tirando os nervosismos do jogo, claro).

Lembre-se de definir bem em qual “módulo” você irá assistir a um jogo. Se você for o árbitro da partida não vai querer reparar em como o jogador segura a raquete, ou como executa um Forehand, ou muito menos querer torcer para alguém. E quando quiser absorver algo de um jogo de alto nível, atente-se para algo especifico, analise o que você quer separadamente, pois se você analisar tudo de uma vez, verá que não tirará nenhum proveito. Assista rapidinho a este vídeo de uma campanha publicitária de trânsito inglesa. Surpreenda-se e entenda onde quero chegar. 



Fábio Milani
Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Networking - só os "malas" são infelizes

Nessa coisa do networking, se criou uma fantasia de tudo o que essa expressão não é: trocar cartões, mandar spans pro e-mail dos “amigos”, ficar mandando mensagens do tipo: “e aí? Tudo bem? Mande noticias”. Quando eu recebo uma mensagem destas pedindo noticias, dá vontade de responder “compre um jornal”, mas claro que não faço. Não sou assim, de sair destratando. A pessoa que faz isso, na maioria das vezes não faz por mal. E às vezes são amigos ou ex-colegas pelos quais a gente nutre simpatia, não é legal ser grosso. Mas que dá vontade, dá. Como Coach, tenho encontrado alguns casos interessantes de quem não sabe como lidar com sua rede de contatos. Pois achei um artigo do Jornal "O Globo" com dicas bem legais de como construí-la forma saudável, duradoura e principalmente, pertinente – hoje em dia ninguém tem tempo pra perder.
1)     Cuidado com o uso do mail – não mande mails gerais pra aquela big-lista o tempo todo, pois vira spam. Se vai fazer um mail, personalize. Uma mensagem curta, consistente, enviada pessoa a pessoa. Se a lista é grande, selecione. Ninguém é tão querido para ter “500 exclusivos amigos”. Nas redes sociais faça o mesmo.
2)     Não seja vago – se vai acionar a sua rede, seja específico no que pretende. Seja claro também na forma como essa pessoa pode te ajudar. Num almoço ou cafezinho, valorize o tempo que ela está te oferecendo.

3)     Não pare – eu tenho um amigo que diz: “Eu sei direitinho quando fulano ou beltrano estão desempregados – é quando me ligam pra almoçar”. Dar a percepção de você só dá as caras quando precisa de ajuda é horrível. Vez por outra troque idéias, deixe-as saber que está por perto.

4)     Não seja egoísta - Networking é sempre uma via de dupla mão, ajude pra ser ajudado. Vai pegar um projeto, tente lembrar a quem também pode interessar. Tem que mostrar que se interessa mesmo pela pessoa.

5)     Não canse a beleza dos seus contatos – ficar mandando mail toda semana é um porre. E mandar informações demais sobre seus passos, como se fosse um “foursquare”, também. Mande poucas informações e que sejam relevantes pra ambos.
      Não custa observar um pouco esses hábitos. Modere a ansiedade e evite virar a figurinha carimbada da chatice. Sua rede (e seu emprego) agradecem.
fonte: O Globo

quarta-feira, 21 de março de 2012

Coaching SIM, Exorcismo NÃO

Imagine poder entrevistar (e filmar) dez especialistas em gestão de pessoas, com a pergunta “quais são os principais desafios em gestão de pessoas hoje em dia?”. Agora misture os depoimentos numa ilha de edição, tipo um mosaico em vídeo. O resultado? Um desfile de coisas como “reter talentos”, “conhecimento”, “motivação” “treinamento”, “reconhecimento”,     “liderança” e “competências (esqueci alguma coisa? talvez).
Enquanto isso, o “x” da questão continua refém das mazelas diárias de uma empresa. A rotina se revela um tal de planejar o futuro e realizar o presente. Mas o “x” tá lá: afinal como as pessoas se tornam gerentes de outras pessoas? Ainda se promove gente porque trouxe bons resultados, bateu meta, tem motivação. Errado? Claro que não. Justo? Depende. E depende mesmo. Cresci ouvindo que um Gerente não nasce pronto. Tem que “ralar peito” no dia a dia, tentativa e erro, até entender seu papel. “O cara” tem que ser modelo pra equipe, ensinando o grupo a reproduzir os resultados que trazia pra empresa quando era Vendedor. Como se fosse uma questão de virar a chave e puf!, se fez um Gerente motivado, esforçado. A equipe é sua antiga equipe, então na camaradagem vai dar conta do recado, afinal tem experiência e resultados pra mostrar. Falo por mim, pois sou fruto dessa cultura – hoje enxergo as cabeçadas que dei nos primeiros cinco anos como Gerente. Lembro que, quando fui promovido, no jantar de comemoração, olhava aquela gente toda e pensava baixinho: “esses caras estão loucos, não estou pronto pra isso!”.
Só que na ponta existe um grupo de “novatos” inclementes. Gente bem menos afeita à escola do “aqui mando eu” e que muda de emprego como quem muda de camisa. Estão dispostos a seguir um líder que realmente desafie a equipe com propostas simples, planos de ação coerentes e metas claras. Que saiba reconhecer virtudes e ajude a superar defeitos, delegando responsabilidades. E que tenha maturidade pra enxergar os próprios defeitos como ferramentas risonhas de aprendizado pra si e para a equipe. Só que o nosso Gerente não se não se sente bem dessa forma, porque não pediu pra estar lá. Passou o ano fazendo curso de liderança disso e daquilo. Até um Coach contrataram pra ver se “endireitava”. Ele fazia tão bem aquilo que sabia fazer e hoje não consegue fazer com que a equipe repita os resultados que ele entregava. O desfecho a seguir é uma equipe com duas vagas – um bom vendedor desperdiçado e um péssimo gerente demitido.  

O artigo de Jaqueline Weigel (diretora da Weigel Coaching Associados - para ler, clique aqui) aborda o tema mostrando como o Coaching pode auxiliar na solução de um problema velho que só tem cara de novo. O profissional de Coaching pode ajudar a reparar erros como o caso acima, usando técnicas e ferramentas pra que o Gerente se descubra e assim encontre a melhor forma de influenciar sua equipe. Concordo com Jaqueline e digo mais: jamais confunda, por gentileza, o Coach com um Exorcista – tem empresa que contrata o Coach como último recurso, na bacia das almas, como se o cara já entrasse na sala de reuniões de crucifixo em punho, bradando “xô Incompetência, deixa o corpo desse Gerente que não te pertence!”.
Enquanto o problema “de raiz” continuar, seguiremos andando em círculos, buscando a salvação onde não há salvação e as empresas, perdendo dinheiro e gente. Já venceu o prazo para revermos a forma como escolhemos pessoas e as colocamos na fogueira. Você Gerente Sênior, pense nisso com carinho. Pense já e faça a coisa certa desde o início. Pare de confundir promoção com punição - os verbetes tem diferenças sutis na escrita mas bizarras na atitude - depois, não vai adiantar nada transferir o “mico” pro Coach
fonte: administradores.com

quarta-feira, 14 de março de 2012

Timothy Gallwey e o Coaching

Às vezes o universo conspira. Queria falar de Coaching, mas tudo tem seu momento. E o Professor Fábio me deu a deixa que eu queria. Citando o “Jogo Interior do Tênis” em seu ótimo post Olhe, Respire e Bata! (clique aqui para ler) nos trouxe Gallway. Segundo este autor, as pessoas possuem enormes potencialidades que ficam escondidas. Basta que alguém (nesse caso, o Coach) as descubra e revele ao mundo. Fez fortuna percorrendo o mundo em palestras pra grandes empresas e como consultor da Apple e da Coca-Cola. Também escreveu livros com adaptações da prática esportiva para a vida corporativa (ski, golf e outros).
Timothy Gallway
A chave do sucesso - ensinar sem ensinar
Durante um período, Gallway parou de dar aulas na Universidade e foi "relaxar" dando aulas de tênis. Percebeu que, em determinadas situações, o hábito de encher o aluno com instruções atrapalhava. O rigor técnico às vezes travava o jogo. Percebeu então que os melhores jogadores enxergam a jogada e jogam. Resolveu mudar a tática – ensinar sem ensinar. Dar dicas, orientar o caminho de forma indireta, sem dar as soluções. Ao deixá-los em paz, os alunos começaram a aprender. E aprendiam cada vez mais rápido.”, diz Gallway em uma entrevista. “Batizei o desafio que esses alunos conseguiram vencer de jogo interno – um jogo em que o medo de perder, a dúvida, a falta de concentração e o estresse são os maiores oponentes. Vi milagres nas quadras com o novo método.”
Essa perspectiva reforça o entendimento sobre o trabalho de um Coach. Aliás a palavra Coach remonta o século XVIII, era o instrutor das crianças, mas o uso da expressão tendo como significado o treinador de atletas só apareceu no início do século XX. Muitas vezes, ao fazermos um balanço do nosso trabalho, é comum a sensação de que estamos andando em círculos. É possível canalizar atitudes de forma mais produtiva e realizadora. Isso bate diretamente na forma como nos relacionamos com projetos, chefes, colegas e todo o tipo de desafio imprevisto. O fato é que fazer mudanças na forma como nos comportamos ou reagimos ao ambiente podem ser grandes geradoras de sucesso e satisfação pessoal. Parece fácil, mas não é e nem todo mundo consegue fazer isso sem ajuda. Esse socorro pode vir do Coach, um profissional preparado para ajudar a identificar e desenvolver comportamentos que ajudem na realização dos objetivos de quem procura. O Coaching também ajuda a desmistificar a tendência que temos de assumir que uma atitude errada ou decisão mal tomada em nossa vida determina uma sucessão de desastres. É como se, após um fracasso, disséssemos a nós mesmos que dali pra frente “é ladeira abaixo, só pode dar errado”. De acordo com Gallway, colecionamos um número enorme de instruções baseadas no que pode dar errado – é o caminho mais curto para a auto-sabotagem.
Mas atenção na hora de procurar o seu Coach. A prática do Coaching é algo relativamente novo no Brasil. E como tudo que é novo, cheira a oportunidade. Aparecem candidatos a Coach de todos os lados, mas Gallway alerta sobre a escolha do Coach sério: Checar se o profissional integra a Federação Internacional de Coaches é uma opção, embora existam muitos coaches bons por aí que não sejam federados. Verificar as credenciais dele – onde estudou, que empresas ou pessoas já atendeu e quais cursos de especialização fez, também é um bom caminho.”
Fábio, obrigado pela "deixa". Graças a você, falaremos muito ainda de Coaching.

fonte: Revista Isto É e Globo Blog

segunda-feira, 12 de março de 2012

OLHE, RESPIRE E BATA!

O squash é um jogo de calma e paciência. Para executar os movimentos, tão exaustivamente realizados ao longo de uma partida, é de exímia importância que você esteja com a "cabeça vazia", livre de quaisquer pensamentos. Isso é difícil? Diga “SIM!”, claro que é, exige esforço e disciplina. Quer um exemplo? Pare agora mesmo, tente ficar sem pensar em nada........................... Difícil não?

Seja qual for o esporte, é da função dos técnicos a preocupação com a execução perfeita dos movimentos, sua precisão. Mas tem um aspecto que não pode ficar de fora de um torneio, sob o risco de colocar por água abaixo todo o investimento em treinos de precisão e aperfeiçoamento. Estamos falando da parte psicológica do jogo. Acredito que, juntamente com o Tênis, o Squash seja um dos esportes onde se exija alto índice de concentração. Buscando este conhecimento, cheguei num livro (que aconselho a todos) que serviu de base para este post: "O Jogo Interior do Tênis" (Timothy Gallwey). Um livro fabuloso, onde ele aborda um lado pouco trabalhado pelos técnicos de diversas modalidades – concentração.

Para se alcançar um alto estágio de concentração Gallwey nos dá algumas dicas das quais ponho em destaque duas delas:

1.      Sua mente ficará “livre” quando conseguir "prendê-la" a algo que acontece aqui e agora. Algo que te "prenda" no presente. Assim como sua respiração. Parece uma informação inútil, mas a respiração durante o jogo também é de fundamental importância para o desempenho. É claro que você não joga sem respirar, caso contrário cairia no meio do 4ª ou 5ª ponto sem oxigênio. A respiração a que me refiro durante o jogo é aquela profunda, para oxigenar, para encher os pulmões de ar. Serve para manter a concentração a todo vapor. A cada “quique” da bola, sincronize com a sua respiração. Inspire na preparação da batida e expire logo após golpear a bola. Se concentre na respiração para manter o foco no jogo. Assim como a respiração nos intervalos dos pontos, ou quando o saque é seu ou é do seu adversário. Assim como a Hortência, a lenda do basquete brasileiro, fazia antes de cada arremesso livre. Tudo para manter o foco e a concentração.

Fábio Milani - " A cada quique da bola
concentr-se na sua respiração".
2.      Outra maneira de se prender no aqui e no agora é o olhar para a bola. Se concentrando apenas nela, se esqueça dos problemas e pensamentos do mundo lá fora. Tente enxergar os pingos amarelos dela, espere o tempo certo, sua fase ascendente e descendente. Isso fará com que não disperse ao longo do jogo, sua única preocupação deve ser o olhar para a bola. Conforme começar a colocar isso em prática a impressão é que a bola fica maior e mais lenta, tudo flui mais fácil, ou seja, você se mantém mais concentrado.

"Entendemos por concentração o ato de focalizar a atenção. Quando se permite à mente focalizar um único objeto, ela se acalma. Mantendo-se a mente no presente, ela se aquieta. CONCENTRAR SIGNIFICA MANTER A MENTE NO AQUI E NO AGORA." (Gallwey Pg. 94).

Difícil? Fácil? Pode ser um ou outro, depende da nossa predisposição em tentar. Então TENTE e depois você me diz o que percebeu, ok? Boas raquetadas.

Fabio Milani 
Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011