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quarta-feira, 14 de março de 2012

Timothy Gallwey e o Coaching

Às vezes o universo conspira. Queria falar de Coaching, mas tudo tem seu momento. E o Professor Fábio me deu a deixa que eu queria. Citando o “Jogo Interior do Tênis” em seu ótimo post Olhe, Respire e Bata! (clique aqui para ler) nos trouxe Gallway. Segundo este autor, as pessoas possuem enormes potencialidades que ficam escondidas. Basta que alguém (nesse caso, o Coach) as descubra e revele ao mundo. Fez fortuna percorrendo o mundo em palestras pra grandes empresas e como consultor da Apple e da Coca-Cola. Também escreveu livros com adaptações da prática esportiva para a vida corporativa (ski, golf e outros).
Timothy Gallway
A chave do sucesso - ensinar sem ensinar
Durante um período, Gallway parou de dar aulas na Universidade e foi "relaxar" dando aulas de tênis. Percebeu que, em determinadas situações, o hábito de encher o aluno com instruções atrapalhava. O rigor técnico às vezes travava o jogo. Percebeu então que os melhores jogadores enxergam a jogada e jogam. Resolveu mudar a tática – ensinar sem ensinar. Dar dicas, orientar o caminho de forma indireta, sem dar as soluções. Ao deixá-los em paz, os alunos começaram a aprender. E aprendiam cada vez mais rápido.”, diz Gallway em uma entrevista. “Batizei o desafio que esses alunos conseguiram vencer de jogo interno – um jogo em que o medo de perder, a dúvida, a falta de concentração e o estresse são os maiores oponentes. Vi milagres nas quadras com o novo método.”
Essa perspectiva reforça o entendimento sobre o trabalho de um Coach. Aliás a palavra Coach remonta o século XVIII, era o instrutor das crianças, mas o uso da expressão tendo como significado o treinador de atletas só apareceu no início do século XX. Muitas vezes, ao fazermos um balanço do nosso trabalho, é comum a sensação de que estamos andando em círculos. É possível canalizar atitudes de forma mais produtiva e realizadora. Isso bate diretamente na forma como nos relacionamos com projetos, chefes, colegas e todo o tipo de desafio imprevisto. O fato é que fazer mudanças na forma como nos comportamos ou reagimos ao ambiente podem ser grandes geradoras de sucesso e satisfação pessoal. Parece fácil, mas não é e nem todo mundo consegue fazer isso sem ajuda. Esse socorro pode vir do Coach, um profissional preparado para ajudar a identificar e desenvolver comportamentos que ajudem na realização dos objetivos de quem procura. O Coaching também ajuda a desmistificar a tendência que temos de assumir que uma atitude errada ou decisão mal tomada em nossa vida determina uma sucessão de desastres. É como se, após um fracasso, disséssemos a nós mesmos que dali pra frente “é ladeira abaixo, só pode dar errado”. De acordo com Gallway, colecionamos um número enorme de instruções baseadas no que pode dar errado – é o caminho mais curto para a auto-sabotagem.
Mas atenção na hora de procurar o seu Coach. A prática do Coaching é algo relativamente novo no Brasil. E como tudo que é novo, cheira a oportunidade. Aparecem candidatos a Coach de todos os lados, mas Gallway alerta sobre a escolha do Coach sério: Checar se o profissional integra a Federação Internacional de Coaches é uma opção, embora existam muitos coaches bons por aí que não sejam federados. Verificar as credenciais dele – onde estudou, que empresas ou pessoas já atendeu e quais cursos de especialização fez, também é um bom caminho.”
Fábio, obrigado pela "deixa". Graças a você, falaremos muito ainda de Coaching.

fonte: Revista Isto É e Globo Blog

segunda-feira, 12 de março de 2012

OLHE, RESPIRE E BATA!

O squash é um jogo de calma e paciência. Para executar os movimentos, tão exaustivamente realizados ao longo de uma partida, é de exímia importância que você esteja com a "cabeça vazia", livre de quaisquer pensamentos. Isso é difícil? Diga “SIM!”, claro que é, exige esforço e disciplina. Quer um exemplo? Pare agora mesmo, tente ficar sem pensar em nada........................... Difícil não?

Seja qual for o esporte, é da função dos técnicos a preocupação com a execução perfeita dos movimentos, sua precisão. Mas tem um aspecto que não pode ficar de fora de um torneio, sob o risco de colocar por água abaixo todo o investimento em treinos de precisão e aperfeiçoamento. Estamos falando da parte psicológica do jogo. Acredito que, juntamente com o Tênis, o Squash seja um dos esportes onde se exija alto índice de concentração. Buscando este conhecimento, cheguei num livro (que aconselho a todos) que serviu de base para este post: "O Jogo Interior do Tênis" (Timothy Gallwey). Um livro fabuloso, onde ele aborda um lado pouco trabalhado pelos técnicos de diversas modalidades – concentração.

Para se alcançar um alto estágio de concentração Gallwey nos dá algumas dicas das quais ponho em destaque duas delas:

1.      Sua mente ficará “livre” quando conseguir "prendê-la" a algo que acontece aqui e agora. Algo que te "prenda" no presente. Assim como sua respiração. Parece uma informação inútil, mas a respiração durante o jogo também é de fundamental importância para o desempenho. É claro que você não joga sem respirar, caso contrário cairia no meio do 4ª ou 5ª ponto sem oxigênio. A respiração a que me refiro durante o jogo é aquela profunda, para oxigenar, para encher os pulmões de ar. Serve para manter a concentração a todo vapor. A cada “quique” da bola, sincronize com a sua respiração. Inspire na preparação da batida e expire logo após golpear a bola. Se concentre na respiração para manter o foco no jogo. Assim como a respiração nos intervalos dos pontos, ou quando o saque é seu ou é do seu adversário. Assim como a Hortência, a lenda do basquete brasileiro, fazia antes de cada arremesso livre. Tudo para manter o foco e a concentração.

Fábio Milani - " A cada quique da bola
concentr-se na sua respiração".
2.      Outra maneira de se prender no aqui e no agora é o olhar para a bola. Se concentrando apenas nela, se esqueça dos problemas e pensamentos do mundo lá fora. Tente enxergar os pingos amarelos dela, espere o tempo certo, sua fase ascendente e descendente. Isso fará com que não disperse ao longo do jogo, sua única preocupação deve ser o olhar para a bola. Conforme começar a colocar isso em prática a impressão é que a bola fica maior e mais lenta, tudo flui mais fácil, ou seja, você se mantém mais concentrado.

"Entendemos por concentração o ato de focalizar a atenção. Quando se permite à mente focalizar um único objeto, ela se acalma. Mantendo-se a mente no presente, ela se aquieta. CONCENTRAR SIGNIFICA MANTER A MENTE NO AQUI E NO AGORA." (Gallwey Pg. 94).

Difícil? Fácil? Pode ser um ou outro, depende da nossa predisposição em tentar. Então TENTE e depois você me diz o que percebeu, ok? Boas raquetadas.

Fabio Milani 
Professor de Educação Física pela Universidade de Maringá. Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011