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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Abril não é apenas um mês

Abril Despedaçado (Walter Salles Brasil – Suíça – França – 2001). Nesse filme terno e comovente, o amarelo-deserto é a cor que, em seu funcionamento como significante-mestre desta linguagem cinematográfica, articula uma fala que remete o espectador para o universal

"O que me chamou a atenção é que já é abril. É hora de romper o silêncio aqui porque descobri recentemente que tem gente que nota quando minhas linhas cansam. Bom saber. Então abril avança e me cutuquei até dormir pensando o que escreveria. Acordei e pensei, abril despedaçado. Sai procurando google adentro pela expressão abril despedaçado e me chamou o trecho que abre este post, de autoria de José Paulo Bandeira da Silveira, cientista político e Professor-Doutor da UFRJ. Não pelo título do Silveira, mas pela referência à cor, despertei. Amarelo – deserto. Choque, transe, sonolência. Amarelo-deserto pode ferir, ao mesmo tempo que nos mantem em dormência. Repare nos finais de tarde deste abril. Amarelo-deserto, rosa-vulcão, vermelho-pálido, azul-bolha. E o céu parece anunciar a chegada de um fato, de um aniversário, de um brilho nos olhos, o ônibus que estaciona na plataforma lá no canto. E partem. Ônibus, o ano velho, a notícia no jornal, fica só o brilho nos olhos, que acalma, fascina, transborda aos sentimentos nem sempre os melhores. Abril, monte suas peças, siga seu rumo, sobreponha março, mas não proíba maio."
fonte: Poesia com Bobagem (Amanda Reis) - matéria na integra

terça-feira, 21 de junho de 2011

Mudar é caminhar....

Mudar é preciso, é bom, difícil, mas possível e necessário. Mudar de cenário nos desnuda pra melhor, pra ver no que dá. Então tá. 
Espero que gostem do novo visual do "Se Espirrar, Saúde!" Quem não gostar, tudo bem. A gente muda até cansar, pra crescer, porque mudar é tentativa e erro, é transformar, mas jamais ficar como está.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Hora de Virar a página 2

Ir ao começo de tudo, inventariar, buscar razões escondidas e renovar perspectivas. Esse vídeo é sobre isso - Return to Innocence. Saúde ao retorno!

fonte: Youtube

Hora de Virar a página

Dia desses eu conversava com uma consultora de RH sobre qual era, na opinião dela, o momento mais decisivo na vida de executivos com os quais ela trabalhava. A resposta foi direta: saber o momento de mudar, de virar uma página. “Daniel, ilusão a sua, isso acontece em todos os níveis”.
O problema é que a grande maioria dos Executivos acha que virar páginas é a mesma coisa que arrancar folhas, quer seja por arrogância, insegurança, apego, vai saber. Em setembro de 2009, falei de Resiliência aqui no "SeEs!" (a sutil diferença entre Energia e Força - capacidade de tomar decisões considerando a pressão de um ambiente tenso à busca por um resultado importante). Vejo essa definição como extremamente útil tanto pelo aspecto da resistência como o da noção de limite.
capacidade de tomar decisões considerando a pressão de um ambiente tenso - O resiliente precisa ter noção de limite. Ambiente tenso e ambiente tóxico são coisas completamente diferentes e aí entra uma palavrinha chamada humildade – pra reconhecer que aquele é um lugar onde você não quer mais estar.
a busca por um resultado importante – pergunta: importante pra quem “cara pálida”? E que resultado? Resultado também pode ser a preservação da saúde, da serenidade, do senso de coletividade, capacidade de tomar decisões e tudo o mais. Virar a página te faz deixar coisas pelo caminho, mas aproxima e antecipa um monte de outras possibilidades. Uma competência adormecida, a motivação pra fazer perguntas incômodas sem ser mal interpretado, um negócio novo e que você nunca tinha feito antes.
Isso explica em parte porque muitos Executivos de sucesso falham - não sabem identificar o momento de mudar o rumo da bússola. Há uns anos atrás a Siamar, empresa desenvolvedora de vídeos de treinamento tinha um filme chamado "Ventos da Mudança". Filme antigo, nunca mais vi ser usado em nenhum treinamento (o que considero injusto) - o principal questionamento em torno do filme, um desenho animado divertidíssimo, era sobre dois grupos de pessoas: os que queriam mudar e os que seriam atropelados pela mudança. E desafiava o espectador perguntando a qual grupo afinal pertencia. Nunca mais esqueci aquele filme, fiz até uma cópia em VHS (nem tenho mais video cassete, preciso copiar em DVD).
Mudar, dá medo sim, é humano, mas também é se dar a oportunidade de viver o elemento surpresa de forma saudável, amparado pelo aprendizado. Por isso, não tem porquê rasgar as folhas - basta virar a página. Eu estou virando a minha...
fonte: Fontes: HSM Management jan-fev 2004

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um futuro próximo ou um presente distante?

Dia desses observava Dona Lourdes, 79 anos. Uma enfermeira lhe fazia umas perguntas pro prontuário, no ambulatório de um grande hospital de Curitiba. Tinha asma grave, chiava enquanto falava com calma. Um pouco falava, um pouco chiava, levava a mão ao peito - outra crise noturna. O filho esperava no carro enquanto consultava, numa manhã fria de Curitiba (em se tratando dessa cidade, isso chega a ser um pleonasmo). Não era a primeira nem a segunda vez que me pegava imaginando como poderia ser uma pessoa como Dona Lourdes não precisar vir ao médico tantas vezes. E se ela (ou o filho) pudesse acionar a emergência via skype, o filho preencheria um protocolo via web mesmo. O médico faria um primeiro bate papo com ela pela rede dando o primeiro diagnóstico, providências e, se necessário, pediria a um paramédico que a recolhesse em uma ambulância para o hospital, mas somente em último caso. Será que é sonhar demais? Creio que não.
Pois quando lí um artigo do Dr. Ronald Dixon, percebi o quanto estamos perto disso, pelo menos tecnicamente. O Dr. Dixon é Diretor do Programa de Atendimento Virtual do Massachusetts General Hospital e Professor da Harvard Business School – caramba, acertei em cheio. Ele está testando um tipo de serviço onde o paciente é atendido em quiosques públicos e pode passar informações básicas sobre o seu estado. Segundo ele, tendo estas informações, a intervenção pode ser imediata, sem que o paciente precise se deslocar ao consultório. O Dr. Dixon, não defende um atedimento meramente virtual, longe disso. A relação direta com o paciente continua tendo um papel imperativo num modelo de saúde que se preze. Mas uma vez que mais de 60% das idas do paciente ao consultório são para mostrar exames, ele defende sim um equilibrio entreo atendimento remoto e a visita. Isso com certeza melhoraria a qualidade dos atendimentos e ajudaria médicos e pacientes a tomarem melhores decisões. Parece fazer todo o sentido, não? Dona Lourdes, pode crêr, a evolução de alguns costumes está mais próxima do que a senhora pensa!
Fonte: Harward Business Review – fev/2010 e Wikipédia

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do CD, para o MP3, para...o LP! Como assim?

Em entrevista à revista Exame (21/10/09), João Marcelo Bôscoli, Presidente da Gravadora TRAMA, sentencia: “As gravadoras acabaram. O CD risca, o encarte rasga e o estojo desmonta. Não vai deixar saudades”. Isso porque, a partir de 2010, sua gravadora (ou ex-gravadora, pelo jeito) vai disponibilizar na rede os mais de 400 álbuns do seu catálogo para download gratuito.

Discordo do João Marcelo - exagero dele, que deveria ponderar, respeitando seus clientes. A história mostra que quem decide o “timming” das novas tecnologias é o consumidor. E que, quando uma nova tecnologia nasce, não necessariamente vai matar a outra, tudo se reorganiza em oportunidades de mercado. As rádios AM não sumiram com a chegada da Televisão e das FMs. A TV aberta não deixou de existir com o “boom” da TV a Cabo. O cinema não morreu com a chegada do DVD e do Blue Ray.

Em meados de 90, vieram os CDs e era dada com certa a morte do vinil - não aconteceu. Hoje, graças aos DJs e aficionados, os bolachões fazem parte de um nicho bem diferenciado. Um álbum duplo do Eric Clapton ou da Madonna, nas melhores livrarias do país, não saem por menos que R$ 150,00. E dá pra ouvir num pick up Numark ou Stenton, facilmente encontrados por cerca de R$1.500,00. Artistas como Ed Mota, Lenine, Radiohead e Amy Winehouse, lançaram LPs. Principais vantagens segundo os artistas: são tecnicamente impossíveis de serem pirateados e a qualidade sonora é superior a dos CDs.

O fato - CDs e LPs são únicos, com seus encartes e capas maravilhosas. O MP3 é conveniente. Até as fitinhas cassete tem seu charme. Quem nunca gravou uma trilha especial para AQUELA pessoa numa BASF C90, caprichando no desenho das capinhas? Para saudosistas, futuro e passado se misturam – o site http://www.mixtape.me/ permite criar fitinhas virtuais e enviar o link para a pessoa querida. Basta uma única mensagem, tão rara de se ouvir nos dias de hoje: “Gravei pra você” – chique, não? E, Se Espirrar, Saúde!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Fazendo Escolhas – parte 2

Enquanto continuava dirigindo na chuva, lembrei duma situação interessante: dia desses atendi uma ligação dum gringo – parei e liguei a tecla Sap (recurso mega instantâneo dos que dominam um pouco o idioma sem serem fluentes – o meu caso, mas estou tratando disso). Era de um banco de investimentos britânico, montando escritório em São Paulo e queria me vender aplicações financeiras! O cara de pau queria meu dinheiro e fazia aquilo pra me impressionar (ou me intimidar)! Depois de ouvir a ladainha, tasquei: Você não fala a minha língua? Ao que ele respondeu “Claro”. E depois de ter ouvido de mim “Cara, então me faça a sua venda no meu idioma, é mais educado”, encerrou-se ali nosso papo. Cada Maluco...

Essa ligação, digamos insólita, deu o que pensar sobre ESTAR ANTENADO pro mundo. Não dá pra deixar que uma certa miopía cotidiana nos roube a CURIOSIDADE. Coisas como saber o que é TWITTAR uma mensagem (tuit-o-quê??) ou que a AMAZON lançou o KINDLE (e que isso vai mudar o hábito de ler), ou que um cliente está fazendo inglês via web enquanto ouve Bob Siclar (como assim, nunca ouviu Bob Sinclar?).

Você acredita que é preciosismo da minha parte? Sem ofensa, ok? Mas talvez você pertença ao grupo que acha que Pós Graduação ainda é mais negócio do que falar inglês...Me poupe.
Qual a solução mágica pra tudo isso? Na real não tem, mas uma ótima iniciativa pode ser a de largar planilhas e projeções e xeretar um pouco o MUNDO. Ele vai dar as respostas. E hoje em dia, o MUNDO está logo ali, nem que seja no Dr. Google. Mas vá sem preconceito (Resiliência - lembra do outro artigo logo abaixo?) e ou divirta-se ou assuste-se, depende do que vai descobrir.