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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Halloween - Saci vs Jack

31 de outubro – eu e a TV frente a frente, coisa rara. E a campanhia toca. Parecia que toda a criançada da quadra tinha resolvido fazer protesto na minha porta. Não era protesto. Tinha uns três “Pânicos”, “dois diabos, três dráculas, um Zorro (?!) e apenas uma bruxa (curioso, normalmente tem mais). “Gostosuras ou Travessuras?”. Sempre ouvi isso em desenhos animados. Foi a senha proferida assim que abri a porta. E não saíram dali até que eu enchesse as mãos deles de balas.
Nunca entendi esse negócio de Dia das Bruxas no Brasil. O Halloween é comemorado nos países de origem inglesa. A festa veio pros EUA com os irlandeses celtas. Era a festa de Samhain, para marcar o final do verão e o Dia de todos os Santos (1 de novembro). O termo Halloween foi adaptado, vem de Hallow Evening (Dia Sagrado). A Igreja execrava a festa, taxando de pagã e coisa de Bruxas, daí a relação direta.  E a abóbora iluminada não era abóbora. Os Irlandeses escavavam um nabo. Reza a lenda que um homem chamado Jack, pão duro de carteirinha, foi proibido de entra no céu. Também o diabo não o queria no inferno, forçando o coitado a ficar vagando no escuro. Ele implorou por uma luz e o diabo lhe deu um pedaço de carvão incandescente. Pra proteger a sua “lanterna”, Jack colocou o carvão dentro de um nabo. Por isso ficou conhecido como “Jack The Lantern”. Nos EUA haviam nabos de menos e abóboras demais. Os imigrantes irlandeses não se fizeram de rogados. Usaram abóboras mesmo.
Continuei pesquisando pra achar quem foi o culpado de trazer isso pro Brasil. Achei: o crescimento dos Cursos de Inglês somado à proliferação das tranqueiras chinesas, deu no que deu. Nessa data as lojas ficam lotadas de mascaras, foices e outros badulaques. Mas o que já era estranho, sempre pode piorar. Um projeto de lei antigo foi desengavetado pelo Ministro Aldo Rebello querendo instituir no Brasil o “Dia do Saci”. O Saci-Pererê é um personagem surgido no Sul do Brasil, um negrinho de uma perna só e piléo vermelho. Vivia atasanando a vida dos outros com suas brincadeiras. Ficou famoso desde que começou a frequentar as histórias de Monteiro Lobato. Voltando ao projeto de lei, é de 2003 e um dos autores é Angela Guadagnin (aquela da dancinha da Pizza, lembra? veja abaixo). Pensava que o legado deixado por ela era só a dancinha? Mas Dia do Saci? Tentei não rir, não dá. Fico imaginando meus próximos 31 de outubro. Vou abrir a porta pra uns 15 “Sacizes” à caráter (só que com perna) pedindo pé de moleque, milho verde e curau. Me poupe...
Fontes: blog sobreisso, lexiophiles website, folha online, youtube
Angela Guadagnin
Co-autora do Projeto Pelo Dia do Saci

terça-feira, 20 de setembro de 2011

20 de setembro - Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo

Que mal há em um povo cultivar façanhas e querer que o mundo saiba de suas contendas revolucionárias? Querer ser forte, bravo e contestador. Se for em nome de um futuro pros filhos e netos, que mal há nisso? Um povo cantar seu hino, cheio de atitude. E cantam mesmo. Gaúcho aprende o hino do estado no colégio e canta. 
Povo que teve coragem de dar um "chega pra lá" no governo imperial de 1835. Já pesnou se fosse nos dias de hoje? Na base do "sai pra lá que aqui mandamos nós"? Por muito menos que um Mensalão, a gauchada pôs medo no governo central e quase levou a melhor - cada um faz o melhor possível com o que a casa oferece e eles tentaram mesmo. Nada de separatismo, isso é bobagem. Civismo, civilidade e atitude pra rejeitar o que não está certo.
Que isso possa servir de modelo a outras terras. Já que não temos mais exemplos de bravura nos dias de hoje. Parabéns ao povo do estado do Rio Grande do Sul (Brasil) por comemorar a sua Semana Farroupilha. 

veja o vídeo;Renato Borghetti

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nem Bom Jovi, nem Mccartney, nem Winehouse...

Geraldo Flach
O Maestro que veio do frio
...e sim um piano sincero, poderoso que o Brasil, enorme, pouco conheceu. Meu pai ligou no início da semana: “- Geraldo Flach faleceu hoje” – e assumi minha melancolia, de altos e baixos, a semana toda. Pus o CD "Interiores" (1995) no carro e foi minha homenagem solitária estrada afora. Não que eu conhecesse o Maestro pessoalmente (putz!, se tivesse tido esta oportunidade...), mas tinha 18 anos quando ouvi aquele piano, num disco do Renato Borghetti. E daí, quis saber tudo sobre aquela coisa meio campeira agauchada, meio jazz com marcha-rancho.
“Geraldo Flach compunha como um ourives, trabalhando demoradamente suas criações e exigindo o máximo da perfeição” - frase de Aramis Millarch, outro monstro sagrado, só que do jornalismo, música e cinema, também já falecido. E, vendo sua discografia, vi que não foi exagero de jornalista. Geraldo Flach teve apenas nove discos gravados em sua carreira iniciada na década de 60. Segundo Ivan Lins, o piano dele tem sotaque - poucos artistas puderam e podem se dar ao luxo de ter esta identidade reconhecida. E quer saber? Esse portoalegrense ”da gema”, gremista,  já tendo tocado com gente como Ivan Lins, Elis Regina e Emilio Santiago, só não passou batido (tal qual Johnny Alf, veja post aqui no blog: Johnny Alf - Só agora o Brasil o redescobre?)  porque teve seu espaço preservado e respeitado no Rio Grande do Sul – o artista gaúcho, quando é muito bom, faz sucesso no quintal dele, mesmo que ninguém mais saiba dele em lugar algum do país (e raramente ganha dinheiro com sua música) – coisa de gaúcho, não me pergunte porque. 
Sem Copacabana, Flach foi o Tom Jobim do Sul, não devia nada ao colega maestro. Bateu a curiosidade? Que bom. Conheça Geraldo Flach. É a homenagem mais pura e honesta que podemos fazer para o Maestro que veio do frio. Um câncer de laringe o silenciou aos 65 anos no dia 03 de janeiro de 2010. Veja clip primoroso do Youtube - Geraldo Flach
(Papai do Céu, a Amy Winehouse tenta, tenta, tenta e não consegue...tinha que ser justo o Geraldo Flach??)

terça-feira, 6 de abril de 2010

"Uh, Tererê!" e Manteiga Aviação (!?)

Tanto fiz, tanto fiz, que achei mais uma expressão brasileira tão usada e tão estranha. "Uh! Tererê!" Estava procurando na verdade outros termos, mas o Dicionário Informal é um mundo impressionante. Tropecei nisso. Uh! Tererê!
Segundo um Sr. chamado Steagall-Condé, do Paraná (vou mencionar o autor, para não apanhar depois, afinal dai a Cesar o que é de Cesar), Uh! Tererê!, quer dizer:
“Corruptela de cariocas ignorantes, vindo do original em inglês "WHOOMP! THERE IT IS!", grito-de-guerra mais comum no basketball e que depois, também foi adotado pelas torcidas de american football. Literalmente, significaria algo como: "AH!, É ISSO AÍ!" "-Uh! tererê! Uh!, Thererê!, Uh!, Tererê!"( Whoomp! There it is!).
Com licença, mas....porque “Cariocas Ignorantes”? Subo no tamanco toda vez que tentam jogar a criatividade e a competência rítmica do brazuca na vala da ignorância. A gente brinca com a fonética, desconstruímos e desequilibramos métricas e rimas com uma enorme cara de pau semântica - aliás o brasileiro é bicho semântico por natureza. Nosso idioma é dificílimo e ainda conseguimos criar, dar um olé em cima dele. Ignorante o quê? Vai tentar explicar pra um americano o que significa uma sinédoque (agora, ferrou...), por exemplo: "A única Aviação que dá certo no país é a da manteiga" (será que todo mundo conhece a maravilhosa manteiga Aviação??). Duplo sentido é com a gente mesmo...inventamos isso.
Me diga, Sr. Condé, um único exemplo de um povo que consiga criar um grito de guerra apenas a partir do som de um, sei lá, pretenso “anglicismo”, dando a ele a sonoridade de um expressão indígena?? Eu achava que “Uh! Tererê!" Era um índio poderoso, morto por Bandeirantes desbravadores. Cheguei a suspeitar que fosse parte de uma lenda de Monteiro Lobato (Pedrinho e Narizinho nas Terras do "Uh! Tererê!"). Que povo faz isso no mundo? Um sonoro "Uh! Tererê!" Pra Você!

sábado, 20 de março de 2010

MAZÁ!!!

Esses dias conheci um dicionário divertidíssimo na web: Dicionário Informal - trás palavras e expressões, puros regionalismos no idioma, bem explicados em sua essência. Mas alguns vão além e viram neologismos. Assim como o gaúcho é um”bicho” à parte, o “gauchês” é outro capítulo a parte. E eu posso falar confortavelmente, sem risco de ser mal interpretado, porque sou gaúcho. Por exemplo: o MAZÁ! É uma expressão que tem luz própria, olha só:

[de mas + ah] (interj., RS) usado geralmente no início de sentenças para congratular alguém por suas qualidades ou por algum grande feito; designa também admiração, contentamento ou espanto. Quando dito com o segundo "a" prolongado, no final de uma sentença ou sozinho na frase, indica regozijo ou júbilo muito intenso.

Exemplos práticos:
Mazá gaiteiro bom! Mazá tchê, ganhou o prêmio! Trouxe a cerveja, Mazáaaaa!
(se você ouvir esse, é quase um orgasmo).

Ri muito lendo isso, é genial. Só quem presencia um gaúcho recebendo uma notícia boa pra entender o significado de um sonoro Mazáaaaaaaaaa!!!! Quer uma dica? Normalmente quando as pessoas encontram um gaúcho, o instinto natural pra criar empatia é um sonoro BAH, tchê!! O Bah é simpático mas não é moderno nem tão visceral. Experimente um MAZÁ!!, que é só para inciados. Você vai derreter o coração do quéra (essa está no Aurélio = vellho, indío velho). Saúde à gauchada.