sábado, 9 de junho de 2012

Filhos - direitos, deveres e recompensas


Um legado que quero deixar pro meu filho é a noção saudável entre direitos, deveres e recompensas. O que vem do coração não pode ser precificado. Solidariedade e respeito às obrigações diárias, por exemplo, são gestos de cidadania que começam em casa. Mas um pequeno deslize pode por tudo isso, lindo de morrer, a perder. Meu filho na saída do colégio:
- Pai, vai ter prova essa semana. E se o Charles tirar dez, a vó dele vai dar 50,00 pra ele.
Dan Kadlec
remunerar por obrigações? jamais.
Pra ganhar tempo antes da resposta, devolvi: “-Quem é Charles, filho?”
- É meu colega, pai. A mãe dele aumentou a mesada dele porque ele ajudou a limpar o pátio e tirar o mato dos vasos da casa. Puxa, pai a gente podia fazer isso, né...
Tema espinhudo. Tomava fôlego, quando meu pequeno foi de súbito distraído por outro amiguinho que passava. O assunto mudou radicalmente e isso me deu tempo pra elaborar. Direitos, deveres e recompensas – não posso ser leviano com uma coisa dessas, tenho que pesquisar.
Achei Dan Kadlec, respeitado escritor e colunista de finanças do Time e da Money Magazine. Em seu artigo no CBS Money Watch, Kadlec menciona as cinco situações onde jamais se deveria pagar aos filhos em troca de algo. São elas:
Para ter boas notas na escola – incentivar o estudo pesado dando uma grana caso a criança tire 9 ou 10 numa prova é forçar a barra – ser bom aluno é pro futuro da criança e não uma moeda de troca com os pais. E, segundo Kadlec, pode causar problemas de baixa estima em crianças esforçadas, mas com dificuldade de aprendizado.
Tarefas domésticas – tão perigoso quanto o de cima. Tarefas são uma contribuição ao bem estar da família, não um trabalho remunerado. E pode plantar a dúvida, ainda que inconsciente, sobre a real participação da criança na família. Se quiser remunerar o pimpolho, use atividades que não fazem parte de sua rotina de contribuições livres.  
“Aparições sociais” – não raro, a criança acha “um saco” ter que ir num recital da irmã ou na casa da vovó. Isso faz parte do “ser criança” e do fazer parte dessa família. Jamais deve ser remunerado. Segundo Kadlec “-qual será o próximo passo? Suborná-lo para amar você?”
Por praticar boas ações – um trabalho voluntário com alguma remuneração combinada é bom pra formação de um curriculum, mas isso é outra coisa. Não faz sentido remunerar por ajudar uma velhinha a atravessar a rua, por exemplo. O reconhecimento deve ser demosntrado com atitudes de valorização da estima também.
Comportar-se bem – respeitar os outros ou não bagunçar num teatro faz parte do comportamento de um ser humano equilibrado. Mas é triste ver um pai quase suplicando pro filho não ter um chilique numa loja de brinquedos. Quase sempre o preço do silêncio é um lindo e vistoso G-Joe indo pro caixa. Boas maneiras jamais serão motivo pra recompensar.

Concordo com cada ponto escolhido por Dan Kadlec. Não me cabe atribuir juízo de valor à forma como você que lidar com isso junto a seus filhos. Espero que sirva pra você também. A questão é que, assim como no meu e no seu tempo, educação financeira foi (e continua sendo) um tema distante demais da sala de aula. Meus pais não fizeram milagres, mas se esforçaram pra dar essas noções, ainda que de forma intuitiva. Ou seja, o tema sempre esteve e continua nas nossas mãos e ainda podemos fazer algo a respeito. E, se não se importa, tenho ainda um papo pra levar com um carinha lá em casa...
fonte: Dan kadlec.com, CBS Money Watch, Exame.com

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