sexta-feira, 25 de maio de 2012

Vício Frenético

Vale pro Squash, vale pra vida
Antes de mais nada, gostaria de pedir a todos que me acompanham e jogam squash para um debate virtual. Principalmente os top 10 brasileiro. Peço para meus amigos: Alarcon, Roni, Roninho, Manu, Vini Costas, Vini Rodrigues, Pedro Mometto, Julio Caseiro, Kiki... dentre outros, opinem, escrevam dizendo o que se passa na cabeça de vocês no decorrer do jogo. Espero que gostem do meu novo post.
Sempre após cada torneio que participo procuro fazer uma auto-análise dos meus jogos. E sempre trombo com o aspecto psicológico que envolve o Squash. Ganhando ou perdendo jogos, gosto de analisar o que eu fiz de bom ou ruim, principalmente como me comportei psicologicamente durante as partidas. Não raro, percebo uma “bipolaridade” em meu jogo. Apresento a vocês o EU RELAX e o EU STRESS.
O EU RELAX: é quando jogo bem e a minha principal atitude é a falta de pressa em definir o ponto - troco bolas, esperando o momento certo da definição. Consigo visualizar a quadra como um todo e não cada batida específica. Adquiro uma visão ampla. Encontro tranquilidade que, muitas vezes, em jogos que estou perdendo não encontro tão fácil. Coloco meu adversário para correr sem me apavorar quando ele pega minhas batidas. Não me desgasto. Quero que o jogo não tenha fim. Divirto-me jogando.
Agora, o EU STRESS: nesse momento, é como se a palavra CALMA não existisse no meu vocabulário. Quero definir o ponto de primeira, me concentro apenas na batida torcendo para que a bola “morra”, que o ponto venha e acabe logo com aquela tortura. Frases surgem na minha cabeça após cada batida, do tipo: “Morre bola, por favor,” ou então “Nick, Nick, Nick” e, seguidas dessas, vem outras “não acredito que não morreu” ou então “esse cara pega tudo”. Não consigo enxergar nada, fico com a visão “fechada”. O resultado: pontos mal trabalhados, bolas que sobram e eu correndo igual um louco. Fim de jogo, perdi e fiquei exausto, só sobrou a capa do Batman. E, claro, qual a primeira coisa pra culpar: falta de condicionamento. ERRADO! O jogo foi mal feito, me desesperei. Sei que quando canso excessivamente, joguei mal.
O interessante é que em um mesmo jogo, às vezes, aparecem os dois “EUs”. Um jogo calmo pode virar um stress e vice e versa. Portanto a concentração é um aspecto fundamental. Além das dicas que passei a vocês no meu post “Olhe, Repire e Bata!”, considero importante começar um jogo com bolas profundas, principalmente paralelas, vai sentindo o jogo comece controlando a pressa. Defina os pontos calmamente, esperando o momento certo. É de fundamental importância começar com este controle. Caso comece partindo pro tudo ou nada, dificilmente vai conseguir recompor a calma. As bolas de definição são viciosas e depois que você começa a usar, dificilmente irá parar. Mas também cuidado para não assumir a postura puramente defensiva, apenas não se afobe.
A definição do ponto é fundamental no Squash, mas deve ser realizada no momento certo. Dose seu jogo desde o começo, vá com cautela para que não vire um “vicio frenético”.
Fabio Milani - Professor de Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Pós Graduado em Atividade Física e Saúde pelo Centro Universitário de Maringá. Professor e Técnico da Equipe de Squash de Maringá e Londrina. Campeão paranaense 1ª classe de Squash - 2011

2 comentários:

  1. Muito bem escrito!
    O que se passa em minha cabeça durante um jogo?
    Diria que um eterno diálogo entre dois "atletas", um que está jogando e outro que está observando, e que opina durante todo o jogo, questionando táticas e analisando pontos.
    Resta a mim, ter concentração suficiente para analisar cada momento do jogo e tranformar as análises em algo construtivo dentro da quadra. Desta forma, acredito que seja possível chegar no limite da capacidade técnica, tática e psicológica sem atingir o tão indejesável "Eu stress"!
    Espero ter colaborado,
    Pedro Mometto

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  2. Eduardo Lisauskas27 de maio de 2012 06:35

    Interessante este conflito entre finalizar e simplesmente jogar . . . acredito que este equilibrio vem da confiança que adquirimos com a maturidade dos nossos jogos e tambem do estado de espirito individual do momento da partida pois se entramos muito estressados por outros motivos demoraremos mais para adquirir a concentração necessaria para evoluirmos um bom jogo

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