Mostrando postagens com marcador palhaços. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador palhaços. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Psicólogos do Trânsito - paz no trânsito por um sorriso

Não entendo a intolerância no trânsito. Uma vez estava com um amigo, de carona. Ele demorou um pouco mais pra arrancar com o carro e fazer uma conversão. Foi o suficiente pra um taxista atravessar o Ômega na frente dele e emergir de lá de dentro com uma barra de ferro, espumando como um pitbull. Um pouco de “deixa disso” em troca de alguns palavrões o cara foi embora tão rápido quanto apareceu, mas ninguém mais dormiu naquela noite. Uma barra de ferro. Pra que isso?
Psicólogos do Trânsito: Fornecem sorrisos sem pedir nada em troca
A frota carros no Brasil mais que dobrou de 2000 a 2010. São quase 65 milhões, número superior à população da Argentina.  Assim, trânsito confuso não é mais “privilégio” de paulistanos há muito tempo. E com tanto carro na rua, intolerância, stress, socos e pontapés se multiplicam. Na capital paulistana, são cerca de 150 ocorrências por dia. Mas ainda tem salvação. Tem gente que dedica horas da semana, que poderiam ser usadas pra estar com família ou amigos pra fazer motoristas se desarmarem e sorrirem. Arrancar sorriso de motorista estressado no trânsito de São Paulo, ainda que por cinco segundos, assume outra perspectiva quando se trata do “rush” - e eles conseguem. Um dia, Guilherme Brandão, um ex-estressado no trânsito, resolveu passar pro outro lado. Inspirado no trabalho que a trupe Doutores da Alegria faz em hospitais, desenvolveu repertório semelhante só que tendo como palco a faixa de pedestres dos cruzamentos mais movimentados de São Paulo. Surgiu a trupe de palhaços “Psicólogos do Trânsito” – seis palhaços que usam o intervalo nos sinais de trânsito na tentativa de tornar aquele momento mais leve para os motoristas que assistem às performances.
Tenho inveja de quem, como Guilherme, descobre uma forma de exercer a cidadania e acredita nela. Gente assim desperta na gente a vontade de acreditar que as coisas podem melhorar. Só que essa é a inveja do bem. A inveja do mal faz outras coisas: o Conselho Regional de Psicologia reclama o uso do termo "Psicólogos", uma vez que são Palhaços. Engraçado, sabe que eu não tinha percebido? Achei que aqueles palhaços na esquina do escritório eram Psicólogos mesmo! - me poupe. 
Recado pra Dona Maria Bethânia (a cantora): Criaram coisa bem mais útil que um blog de poesia e não precisou um milhão e meio de reais pra isso!

fonte: site Psicólogos do Trânsito e Notícias Terra website

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Natal 2010 - gestos de doação são deste mundo?

Cirurgiões da Alegria
Não sei se um sorriso cura de fato. Soa meio piegas, alegórico, parece uma metáfora batida de desesperança disfarçada, aquela coisa da Polyanna, que eu já tinha mencionado aqui. Aliás, esses dias recebi um mail gaiato, perguntando se eu estava de brincadeira ou tinha mesmo lido Polyanna – li sim e não me arrependo. Me dou conta que desde sempre era dado a experimentar livros. Não é lá grande coisa mas não perdi a viagem, longe disso. Voltando o raciocínio: mais do que curar, um gesto de doação é pra desconcertar. E foi desconcertante pra mim, chegando na portaria do hospital, encontrar o palhaço Cirurgião Gaguelho, de violão em punho, sapatão vermelho, sorriso de orelha a orelha, pronto pro “front” - o “front” dele é bem diferente do meu e provavelmente do seu também. Ele faz parte da troupe “Cirurgiões da Alegria”. É um artista, como tantos artistas brasileiros que passam de hospital em hospital oferecendo diversão para pessoas debilitadas, algumas sem muita expectativa, velhos, crianças, gente de todo o tipo. Onde um olhar vire um sorriso, está valendo. Os “Doutores da Alegria” (a troupe que começou tudo no Brasil) classifica a “besteirologia” como não tendo contra-indicações e “deve ser aplicada diariamente até que o paciente não saiba mais como ficar triste. É remédio para a vida toda”. Conheço tantos médicos que nem sequer são capazes de disfarçar a própria desesperança para lidar com um paciente de forma mais abnegada (ok, o inverso também é verdadeiro - conheço outros que, junto ao paciente, são pura sabedoria e charme). A doação precisa fazer parte da anamnese.
Gente que se doa desta forma me deixa pequeno e roxo de raiva. Me sinto infame com meus pensamentos negativos, o calculismo exagerado, o ceticismo protetor. Naquela manhã de sol, parecia decidido no meu passo firme e embrutecido. Nada disso. Foi só tropeçar no Gaguelho pra entender tudo errado (ou tudo certo?) – pessoas ali dentro daquele hospital dão menos valor a essas bobagens de rotina cotidiana e mais valor a vida, quem sou eu pra duvidar deles? Ok, não estou preparado pra tanta doação, terei que aprender um bocado, mas tudo tem um início. Esse ano serei Papai Noel pela primeira vez e vou treinar bem o “Rôu, rôu, rôu!!!”  pra não fazer feio. Chega a ser simplório, comparado a esses guerreiros da alegria, mas é meu humilde começo. Feliz Natal a todos e meu carinho especial a quem tem o dom de provocar sorrisos espontâneos em gente que não necessariamente teria motivos pra rir. “Rôu, rôu, rôu!!!”