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sábado, 27 de julho de 2013

Médicos Estrangeiros – O Brasil precisa deles?


(Doutor Ricardo Tedeschi - Piracicaba, SP)

A vinda de médicos estrangeiros para atuar em solo brasileiro tornou-se o assunto do momento, tanto no meio médico, como pela população em geral e a pergunta que se faz: O Brasil precisa deles?

Antes aos fatos, ressalto ser o Brasil uma república democrática de direito, no qual há o direito de qualquer cidadão seja brasileiro ou não, exercer suas atividades profissionais, desde que seja respeitada a nossa legislação. Reafirmo não haver uma posição de discriminação social ou racial, mas sim um posicionamento técnico, puramente racional, baseado em estatísticas e fatos.

A real falta de médicos nos rincões nacionais, pequenos municípios e periferias, se deve a falta de investimento público, gerando salários inadequados, falta de um plano de carreira e condições inadequadas de trabalho.

Alguns destes lugares chegam atrair médicos com altos salários iniciais, estes anunciados de forma irresponsável pela mídia, porém meses após, tais valores não são mantidos pelas prefeituras ou mantenedores, e estas alegam falta de recursos do SUS repassados pelo governo federal. Ou seja, os médicos que se aventuram a trabalhar nestes rincões são vítimas de verdadeiros golpes e ilusões.

O médico com formação no exterior necessita para exercer sua atividade no Brasil de ser aprovado no exame nacional de revalidação de diplomas médicos (REVALIDA) aplicado por conceituadas universidades públicas e aprovado pela portaria do MEC n 278/2011, no qual menos de 10% dos inscritos são aprovados, na maioria médicos formados na Bolívia, Cuba e Argentina. Trazer profissionais sem a realização deste exame é um desrespeito á lei e uma ofensa á toda classe médica brasileira e nossa população. Países sérios exigem tais processos, como os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, África do Sul e nosso vizinho Chile.
Vale lembrar que ocorreram experiências similares e recentes na Bolívia, no Paraguai e no estado do Acre (municípios como Porto Acre, Acrelândia, Feijó) os quais alegando “falta de médicos” houve a importação de médicos cubanos, sem a devida avaliação técnica e no Acre tão pouco a fluência da língua portuguesa foi valorizada.  Não é preciso ser nenhum especialista para afirmar que os resultados foram péssimos, sendo evidente a utilização política deste projeto, sem contar o prejuízo á saúde do ser humano, a Justiça Federal do Acre proibiu a atuação destes profissionais naquele estado.

Mas fica a indagação: Faltam médicos no Brasil? A resposta é NÃO. O Brasil é o quinto país no mundo em número absoluto de médicos, possui a densidade demográfica de 2 médicos/100 mil habitantes, o preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de  1,4, em relatório recente sobre escassez de médicos, a OMS excluiu de sua lista o Brasil, assim como os Estados Unidos e alguns países Europeus.

Reafirmo que a falta de médicos nas regiões mais remotas é decorrente a falta de investimento público, por isso o CFM e as demais entidades médicas como AMB e FENAM defendem o repasse de 10% do orçamento da receita da União para a saúde, a criação de uma carreira de estado para os médicos do SUS, uma adequada infraestrutura para trabalho, educação continuada e remuneração justa e estável, são os ingredientes para haver uma melhor concentração de médicos pelo país.

Não se pode admitir a instalação de um programa de saúde pública, cujo objetivo é “MEDICINA POBRE PARA OS MAIS POBRES”.

Por fim, reafirmo o posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o ingresso irresponsável de médicos estrangeiros no Brasil, “que a exigência de critérios para revalidação do diploma médico obtido no exterior deve ser entendido como defesa da qualidade na assistência  e da segurança dos brasileiros”.


FONTES: Conselho Federal de Medicina (Audiência de 15/05/2013) e JORNAL DO CREMESP.





(*)Dr. Ricardo Tedeschi Matos
Endoscopista e Cirurgião Geral
Mestre em Gastroenterologia pela FMUSP
Titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED)
Membro do Corpo Clínico da Clínica Bragalha, Piracicaba (São Paulo)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Paradóxo de importar médicos - não é novidade

A despeito do impacto gerado na opinião pública, governos criarem condições para importação de médicos não é novidade, uma vez que os fatores que motivam esse movimento também são velhos conhecidos: melhores salários e melhores condições de trabalho. A consequência mais evidente é o prejuízo aos países mais pobres (normalmente, os mais necessitados) como fornecedores de mão de obra e o descontentamento dos médicos nativos, reféns de um problema de múltiplas causas.

Tome-se como exemplo a Inglaterra, com 235 mil médicos registrados, dos quais 40% desse efetivo são estrangeiros – a índia é quem mais fornece médicos, mas o país recebe gente de mais de 20 nações menos abastadas. A África é o continente que mais perde médicos e padece tanto com o déficit na formação de mão de obra, como de condições atraentes pra mantê-los em seus países de origem. Em contrapartida, segundo a Associação Médica Mundial (WNA), o continente africano tem apenas 3% da mão de obra médica e magros 1% dos recursos destinados à saúde no mundo. Triste paradoxo. Na via contrária, dos países captadores, quem mais importa médicos são os Estados Unidos, com déficit estimado em mais de mais de 60 mil médicos.

O Brasil tem hoje 1, 8 médicos pra cada mil habitantes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que, para evitar desfalcar países necessitados, os importadores procurem profissionais apenas em países onde, no mínimo, o índice de médicos por mil habitantes seja semelhante. Nesse caso, entra em cena a questão dos médicos cubanos – o país tem 6,7 médicos por mil habitantes. Sabiamente, a cultura de exportar médicos foi adotada por Fidel Castro para aumentar a influencia da ilha mundo afora e melhorar divisas.

A WNA reconhece que medir o conhecimento (e, como consequência, garantir alguma qualidade) dos médicos estrangeiros é um problema ainda a ser transposto mundialmente. Barbeiragens, riscos aos pacientes e cassações de registro fazem parte desse universo e tornam o tema ainda mais complexo e longe de ter a melhor solução por meio de um único caminho. Mas sempre existem aqueles caminhos que já começam tortos.  Nada garante que um médico espanhol vá dar conta do recado lá em Santa Maria das Barreiras, estado do Pará, onde apenas um abnegado faz milagres (Dr. Sérgio Perini, Cardiologista e o que mais for preciso). Quem, em sã consciência, depois de 10 anos pagando faculdade, vai se jogar num fim de mundo pra passar trabalho? 

Tudo isso deixa claro que o que o Governo Federal propõe não é novidade, mas pode ser perverso se for usado, pra variar, a partir de uma premissa torta – por exemplo, pressão política sobre uma determinada categoria ou motivações e outros supostos interesses ainda pouco evidentes ao senso comum.

Ao invés de estrutura e projetos de suporte e redistribuição populacional de médicos já existentes, dá-lhe mais médicos. É começar a casa pelo telhado. Mas isso também não seria novidade. Vida que segue.

fonte: Deutsche Welle Brasil website e Dr. Drauzio Varella website.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Relação entre Médicos e Indústria Farmacêutica

CFM assina acordo com demais entidades médicas e define novos parâmentros
Indústria Farmacêutica e Médicos
eterna polêmica
O CFM (Conselho Federal de Medicina) assinou um acordo com CREMESP (Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo), AMB (Associação Médica Brasileira e SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) que define certos limites na relação dos médicos com a indústria farmacêutica. Viagens patrocinadas devem ter o objetivo comprovado de aprimoramento científico – então resorts e navios de cruzeiro não valem. Também não será permitido o pagamento de despesas de parentes dos médicos. E os brindes ficam restritos a um terço do salário mínimo – 207 reais.
Sempre acreditei no dito “o que é acordado não é caro”. Quem trabalha ou trabalhou em atividades ligadas à saúde, sabe que a polêmica do “pode/não pode” sobre esses patrocínios sempre houve. E uma certa aura de hipocrisia também. Um bom exemplo são os Congressos Médicos - como é normal em qualquer segmento, são eventos caros e de estrutura complexa, cuja a realização fica inviável sem a participação de laboratórios farmacêuticos e empresas de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME).  Ou alguém acredita que seja possível fazer um congresso contando com doações, por exemplo, de entidades sem fins lucrativos?
A novidade é o Conselho Federal de Medicina vir a público dando um tom mais objetivo à conversa e, em caráter definitivo, deixar claro até onde a realção é aceitável e onde não é. A histórica falta de posicionamento claro é que abre o precedente pra exageros e constrangimentos. E parece que finalmente o CFM tomou sua posição.
Veja novas regras no site da Interfarma: clique aqui.
fonte: Interfarma website e veja.com