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sábado, 30 de outubro de 2010

Diário de Barrelas - pra degustar

Esses dias descobri o Diário de Barrelas através de um amigo, fã do Paul McCartney. Desolado, me mandou uma matéria preditiva: que Paul não cantaria os sucessos dos Beatles em sua turnê pelo Brasil. Quase acreditei – era o conto do Diário de Barrelas, muito bem escrito, satirizado, “fundamentado”. Segundo o próprio editorial: “No Diário de Barrelas, tentamos explicar a realidade por meio de meias-verdades. Ou meias-mentiras, se preferir.”
É impressionante o que essa turma faz com o cotidiano - as coisas acontecendo de acordo com a perspectiva de quem narra o fato e muito sarcasmo pra temperar. Uma dica? Chegue em casa depois de um dia daqueles, jogue o sapato longe, bote uma música do Spyrogyra (clip abaixo) e se dê ao direito de confortavelmente degustar alguns artigos do Diário de Barrelas. Depois você me diz como foi, ok?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Acorde para o Câncer de Mama - entrevista com Gilze Francisco


Gilze Francisco
Presidente do Neo Mama
A enfermeira Gilze Francisco descobriu-se um dia, aos 38 anos, portadora do Câncer de Mama.  Arregaçou as mangas e enfrentou seu destino, na luta contra a doença e suas adversidades. Fez mais que isso – criou um site – www.cancerdemama.com.br – hoje considerado o mais relevante sobre o tema em língua portuguesa. E fez mais ainda – Fundou o Instituto Neo Mama  de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama, responsável por inúmeras iniciativas de peso, focadas no suporte às portadoras do Câncer de Mama.
Entrevistar Gilze foi um privilégio para o “Se Espirrar, Saúde!”. Conhecermos um pouco mais de sua vida e suas iniciativas e apresentar tudo aqui é uma forma de participar dessa cruzada.  
SeES! - Quando e como foi que começou o NEO MAMA?
Gilze - O Instituto Neo Mama surgiu após o site www.cancerdemama.com.br. Foi um grande passo, pois uma atitude inédita sempre incomoda, e só surgiu porque fui falar ao vivo sobre o assunto no "Domingão do Faustão" – fui muito cobrada sobre o porquê das mulheres da região terem que entrar no site ou telefonarem-me para conversarmos. Daí a idéia do Instituto.
SeES! - Quais foram os maiores desafios para colocar esta ONG para funcionar?
Gilze - A falta de dinheiro (na realidade, é um desafio até hoje), e principalmente pelo fato de lidarmos predominantemente com mulheres. A imagem de fortaleza da mulher atrapalha, por mais incrível que possa parecer, não comove como a de uma criança, adolescente ou idoso. Passamos sempre a impressão de "possibilidades mil". Graças a Deus, a credibilidade e a seriedade das nossas propostas sobrepuseram-se sempre. Continuamos lutando.
SeES! - Qual o maior foco de atuação de grupo atualmente?
Gilze – É a interdisciplinariedade do atendimento, visando a reestruturação da mulher acometida pelo câncer de mama, sua reinserção na sociedade e mercado de trabalho. Auto-estima e auto-imagem também são focos fortes dentro do nosso antendimento.
SeES! - Hoje o NEO MAMA conta com quantos colaboradores e quais as funções ou missões de cada grupo, se posso assim chamar?
Gilze - Contamos com um grupo de aproximadamente 40 voluntários comprometidos, engajados, onde realizam seus trabalhos segundo suas funções. Advogados, nutrição, fisioterapia, auxilio a sexualidade, artesãs, cada um tem seu espaço, tempo de atuação e metas. Quem não se identifica, logo se desliga, isso acontece.
SeES! - As atitudes em torno do CA de Mama estão evoluindo no Brasil? Temos números sobre isso?
Gilze - Podemos detecta-lo precocemente, a fim de podermos evitar cirurgias mais mutiladoras, tratamentos mais agressivos e baixa sobrevida. Os números indicam (segundo o INCa), que em 2010 perto de 42.000 mulheres se descobrirão portadoras de câncer de mama, e aproximadamente 11.000 mulheres morrerão - é o câncer que mais mata mulheres no Brasil.
SeES! - Você pode citar quais as empresas alavancam o NEO MAMA?
Gilze - Libra Terminais, Clínica Mult imagem, Unicred Metropolitana, Moinho Paulista. Com exceção à primeira empresa, as demais patrocinam o programa "Um Toque Pela Vida", que vai ao ar para toda Baixada santista pela Santa Cecilia TV, e para todo o mundo pelo site www.santos.tv.br/umtoquepelavida.
SeES! - Gilze, porque as pessoas são tão reticentes em tomar uma atitude quanto ao exame para detecção do CA de Mama?
Gilze - Por questões culturais e religiosas, principalmente, além do baixo nível de informações coerentes e acessíveis, e da escassez das mesmas. O medo também é um fator forte, pois paralisa, faz com que percam tempo, acreditem que ao ignora-lo ele desaparecerá, etc. O medo e o sentimento de culpa que vem depois, associados ao medo da perda da mama são cruciais.
SeES! - Me parece que muitos consideram esse tipo de mobilização “piegas”, fruto de uma banalização. Isto faz sentido ou é uma visão equivocada?
Gilze - Não faz sentido algum! Toda informação ainda é pouca perto da triste realidade do câncer de mama. Só quem passou por ele ou viu de perto o sofrimento de outros sabe dizer ao certo. Banalização é ignorar o crescimento dos casos ano-a-ano, as vidas que se vão por falta de diagnóstico precoce, ver que muito poderia ser feito, mas que poucos se mobilizam com seriedade e sem outras intenções para deter o índice de mortalidade por câncer de mama.
SeES! - De zero a dez, como você avalia a atenção dada ao tema Câncer de Mama:
Gilze - Mídia, nota 0. A midia não se dedica, despreza e menospreza a grandiosidade do problema. Agem como se tudo fosse auto-promoção para quem as propõe. Pura falta de visão e de preparo para este tipo de abordagem. Governo, nota 0. Motivos semelhantes aos acima citados, excetuando a responsabilidade inerente aos governos, que é grande e omissa. Iniciativa privada, nota 5. Se interessa um pouco mais "quando se deixa ouvir". Comunidade médico-científica, nota 8. Todos estão cientes e conscientes desta realidade.
SeES!  - Em que veículos de comunicação como o nosso blog, no facebook e no linked in (por exemplo) podem contribuir para a luta contra o Câncer de Mama?
Gilze - Divulgação sem exageros, realidade sem máscaras, mas com sutileza, elegância e clareza. A mulher é um ser privilegiado, inteligente, que muitas vezes esconde a doença porque percebe que sua família não está preparada para este diagnóstico (a seu ver). Poupa mas não é poupada. Esclarecimentos sempre são importantes, mas vindos com embasamento, sem "achologismo". Uma dura realidade, bem colocada, sempre é melhor e ajuda mais que uma doce mentira ou omissão.
SeES! - E você? Conte como foi a sua trajetória do início de tudo até os dias de hoje com o NEO MAMA.
Gilze -  Descobri-me portadora de um câncer de mama em maio de 1999, após realizar o auto-exame. Ao procurar na Internet sobre o assunto, quis criar um site onde as mulheres pudessem ter aquilo que eu mesma procurava: esclarecimentos e esperança. Criei então o site www.cancerdemama.com.br, o mais acessado no mundo em língua portuguesa sobre o assunto. Depois dele veio o Instituto Neo Mama, o programa de Tv e palestras por todo o Brasil
SeES -  Uma mensagem final aos leitores e leitoras?
Gilze - Gostaria de, se possível, "entrar" dentro das mentes e corações (são terras onde ninguém vai) e conscientizar que encontrar um câncer de mama pequeno, precoce, é curável. Mesmo em alguns casos, um pouco mais adiantados, como o meu, podem resultar em sucessos. Deixar para lá, não ir ao médico ou seguir suas solicitações, notar anormalidades e ignora-las são fatais em se tratando de câncer de mama. Lutar de peito aberto é o que de melhor podemos fazer. Pare de colocar o que lhe ameaça debaixo do tapete, pinte sua vida com cores mais fortes, vibrantes, e a nebulosidade irá embora. Sua cabeça lhe salva ou lhe condena. Cabe a cada um de nós optar pelo caminho a ser trilhado...

sábado, 21 de novembro de 2009

Farmacêuticas dos EUA desenvolverão vacina contra tabagismo

NOVA YORK - As farmacêuticas GlaxoSmithKline (GSK) e Nabi Biopharmaceuticals informaram nesta segunda-feira, 16, que chegaram a um acordo para desenvolver uma vacina para o tratamento da dependência à nicotina, que evite as recaídas dos fumantes.

A GSK pagou US$ 40 milhões a Nabi que trabalha no desenvolvimento de uma vacina chamada "NicVAX", e em troca receberá uma opção para desenvolver um fármaco de segunda geração, como parte de uma operação avaliada em US$ 500 milhões, informaram ambas as companhias em comunicado distribuído em Nova York.

A vacina faz com que o sistema imunológico do paciente desenvolva anticorpos necessários que rejeitem a nicotina e bloqueiem seus efeitos.

A farmacêutica Nabi, uma empresa americana com sede em Rockville, em Maryland, está na última fase de um estudo sobre essa vacina e planeja continuar as pesquisas. "Se esta for concluída com sucesso, a britânica GSK será responsável por desenvolver e comercializar o remédio", indicou o comunicado.

As duas farmacêuticas lembraram na nota que o tabaco é a principal causa de mortes previsíveis no mundo e que o tabagismo é uma epidemia global que afeta 1,2 bilhões de fumantes, que a cada ano acaba com a vida de 5,4 milhões de pessoas. (Fonte: Estadão On line - 16/11/2009)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

GRIPE – A História da Pandemia de 1918

Esse eu acabo de reler depois de 4 anos. Um livro preciso, meticuloso, extremamente bem pesquisado e escrito. Pra quem está acostumado aos roteiros como os de “Os 12 Macacos”, “Ebola” e outros, vai o recado – o livro é sério. Nada contra ficção bem feita, mas não se trata disso. A narrativa remonta, de forma muito didática, o início de tudo desde a Gripe Espanhola, que matou milhões de pessoas durante a primeira Guerra Mundial (existe melhor lugar pra uma Epidemia do que no meio de um monte de soldados com frio e mal alimentados do início do século XX??). Traçando um denso e envolvente quebra cabeças histórico-científico da gripe e de epidemias anteriores, Gina chega até os dias de hoje e busca colocar em perspectiva os avanços futuros na pesquisa desta doença. Jornalista do caderno de Ciência do New York Times, ela escreveu o livro no auge da gripe asiática, em torno de 1999. Ter lido o livro quando a Epidemia de Gripe era uma possibilidade e agora em tempos de H1N1, me deu uma certeza: ela sempre soube o que dizia e isso, por si só, faz do livro tão mais impecavelmente bem feito quanto realista – o H1N1 não foi o primeiro e não será o último. Sugiro que todo profissional ligado direta ou indiretamente área da Saúde leia este livro. Vai ajudar a eliminar 80% do que circula de informação alarmista na sua caixa de entrada ou na web. Caso queira adquirir, é só passar o mouse sobre o livro - está linkado com a Saraiva (o blog não leva um centavo, é apenas pela gentileza de facilitar o seu acesso). Boa leitura!.