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terça-feira, 6 de março de 2012

Esteiras - seja um hamster saudável

Passo pela área de serviço e vejo o trambolho me olhando. Cabide caro, ali parado, me desafiando. Seu silêncio me incomoda, é minha resignação. Já comecei e parei de correr em esteira ergométrica um sem- número de vezes. Subo nela e a sensação me abate: um hamster gordinho acelerado, em sua rodinha de gaiola. A gente muda mesmo com os anos e vejo que minha cegueira pro óbvio me custou três mil reais. DVD, som, ventilador, paisagem, tudo arquétipo, assim como a eterna esteira.

Mas a lá de casa já viu dias melhores. Não tenho paciência pra correr na rua, o esforço é maior, a direção do vento nem sempre ajuda. Não pretendo que meu corpo domine a biomecânica. Por isso não me interesso por saber se a relação entre a força da perna e a transferência dessa força para o vôo vão me dar mais desempenho e menos esforço, tô fora. E desde guri criei certa prevenção aos cachorros da vizinhança. É certo que se alguém esqueceu a tramela do portão aberta, minha perna está em risco. Eu sei, soa meio paranóico, mas dá mais trabalho tentar mudar isso do que pular na esteira vendo um DVD do Paul McCartney. E também vem a sensação de que peso menos e não é só impressão – quem entende do assunto diz que o impacto é reduzido em até 20%, se comparado com a rua. Passo os olhos na distância, velocidade, calorias, pulsação, sempre nessa mesma ordem anti-horária, controlo tudo. Já pensei em colocar um espelho na minha frente. Esteiras com espelho dão a sensação de disciplina - a gente fica se olhando, vê a passada, se a perna está arqueada ou se corre  curvado, corrige a postura. Mas cansa ficar se olhando tanto também. Meu Narciso Vigoréxico isso, então não tem espelho (ver artigo sobre a Vigorexia, clique aqui). Sempre me perguntei se gasta-se a mesma quantidade de calorias correndo na rua ou na esteira, mas a ciência do esporte não é muito clara com relação a isso e faltam estudos a respeito. O certo é que, tanto na rua quanto na esteira, um bom tênis pode prevenir lesões e garantir uma corrida menos desgastante (leia sobre o tênis certo aqui).
Gostar não gosto, mas preciso correr. O Squash exige pernas fortes e um bom condicionamento cardiovascular. Então a esteira é algo mais realista. Você pensa diferente? Que bom, não importa. Apenas calce seus tênis e boa corrida, seja na rua ou na esteira. Boa corrida.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Como pode alguém Amar Muito Tudo Isso??

Ana Falk,
direto de Zurique, Suiça
É dieta da proteína, do carboidrato, da alface, da lua, disso e daquilo. Todas prometem um único objetivo: “reduzir medidas”. Brasileiros tem obsessão por estética, normalmente mais prioritária que a saúde.

Alguém já ouviu falar em dieta para engordar? Talvez, para subnutridos, mas e que tal uma dieta para engordar muito em pouco tempo e ficar doente de propósito? É exatamente essa a proposta (meio maluca, cá pra nós) de Morgan Spurlock em seu documentário “SuperSize Me”(2004). Com o objetivo de criticar a alimentação baseada em fast-food e a cultura americana de ingerir este tipo de alimento, ele mandou ver por 30 dias consecutivos só nas lanchonetes do Ronald. Com três refeições diárias e uma ingesta de cinco mil calorias por dia, Morgan literalmente "provou" as transformações no seu corpo (antes magro) as quais estes alimentos extremamente calóricos e gordurosos podem causar. Relatou mal estar, dor de cabeça, depressão, disfunção sexual, tontura e todo o tipo de inferno astral. Um Cardiologista, um gastroenterologista, um clínico geral, uma nutricionista e um preparador fisico monitoraram função hepática, cardíaca, colesterol pra garantir um mínimo de racionalidade científica à sessão de sadismo.

Momentos tensos (quando ele passa mal) se alternam com momentos curiosos e até engraçados, quando ele visita lojas do Mac e entrevista americanos grandes e espaçosos (no Brasil já temos os nossos também). Mesmo o desespero tragicômico da namorada (vegetariana) ao vê-lo comendo um “torpedo de gordura e colesterol” fica engraçado. Os resultados finais do "experimento" de Morgan são catastróficos, claro. Quase não pôde chegar ao fim dos 30 dias e levou mais de um ano para perder o peso ganho com a empreitada e ter sua saúde de volta. Para os céticos de plantão sobre a quão nocivo é o tipo de gordura usado em fast-foods, vale conferir o filme. Pra quem é ligado na boa dieta alimentar, ficam as reflexões (mostre pra um namorado ou amigo). Mais do que uma crítica sobre essas lanchonetes, existe todo um contexto cultural alimentar. O brasileiro da era emergente é cada vez mais simpático a essa gordureba.  Mas o nosso bom, bonito e barato arroz e feijão de cada dia ainda e a base da alimentação de muita gente e jamais deve ser ignorado ou trocado por congelados ou semi-prontos. Que a nossa geração (e as futuras) não se deixem levar pela preguiça e nunca substituam a boa cozinha de alimentos frescos e saudáveis por “lixo alimentar”. Ok, você é do time que gosta dessas gordurebas? Não leve a mal, claro que não vai ser um post que vai salvar suas coronárias, mas pense nas pessoas que gostam de você, talvez ajude. Tô pedindo muito?

Ana Falk, direto de Zurique...