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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Como pode alguém Amar Muito Tudo Isso??

Ana Falk,
direto de Zurique, Suiça
É dieta da proteína, do carboidrato, da alface, da lua, disso e daquilo. Todas prometem um único objetivo: “reduzir medidas”. Brasileiros tem obsessão por estética, normalmente mais prioritária que a saúde.

Alguém já ouviu falar em dieta para engordar? Talvez, para subnutridos, mas e que tal uma dieta para engordar muito em pouco tempo e ficar doente de propósito? É exatamente essa a proposta (meio maluca, cá pra nós) de Morgan Spurlock em seu documentário “SuperSize Me”(2004). Com o objetivo de criticar a alimentação baseada em fast-food e a cultura americana de ingerir este tipo de alimento, ele mandou ver por 30 dias consecutivos só nas lanchonetes do Ronald. Com três refeições diárias e uma ingesta de cinco mil calorias por dia, Morgan literalmente "provou" as transformações no seu corpo (antes magro) as quais estes alimentos extremamente calóricos e gordurosos podem causar. Relatou mal estar, dor de cabeça, depressão, disfunção sexual, tontura e todo o tipo de inferno astral. Um Cardiologista, um gastroenterologista, um clínico geral, uma nutricionista e um preparador fisico monitoraram função hepática, cardíaca, colesterol pra garantir um mínimo de racionalidade científica à sessão de sadismo.

Momentos tensos (quando ele passa mal) se alternam com momentos curiosos e até engraçados, quando ele visita lojas do Mac e entrevista americanos grandes e espaçosos (no Brasil já temos os nossos também). Mesmo o desespero tragicômico da namorada (vegetariana) ao vê-lo comendo um “torpedo de gordura e colesterol” fica engraçado. Os resultados finais do "experimento" de Morgan são catastróficos, claro. Quase não pôde chegar ao fim dos 30 dias e levou mais de um ano para perder o peso ganho com a empreitada e ter sua saúde de volta. Para os céticos de plantão sobre a quão nocivo é o tipo de gordura usado em fast-foods, vale conferir o filme. Pra quem é ligado na boa dieta alimentar, ficam as reflexões (mostre pra um namorado ou amigo). Mais do que uma crítica sobre essas lanchonetes, existe todo um contexto cultural alimentar. O brasileiro da era emergente é cada vez mais simpático a essa gordureba.  Mas o nosso bom, bonito e barato arroz e feijão de cada dia ainda e a base da alimentação de muita gente e jamais deve ser ignorado ou trocado por congelados ou semi-prontos. Que a nossa geração (e as futuras) não se deixem levar pela preguiça e nunca substituam a boa cozinha de alimentos frescos e saudáveis por “lixo alimentar”. Ok, você é do time que gosta dessas gordurebas? Não leve a mal, claro que não vai ser um post que vai salvar suas coronárias, mas pense nas pessoas que gostam de você, talvez ajude. Tô pedindo muito?

Ana Falk, direto de Zurique...