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quarta-feira, 7 de março de 2012

Mais um grande bloco farmacêutico no Brasil

Está em negociação a criação de uma segunda joint venture envolvendo os laboratórios nacionais Biolab, Cristália, Eurofarma e Libbs, com apoio financeiro do BNDES. O governo já está apoiando a criação da BioBrasil, empresa formada a partir da joint venture entre as farmacêuticas brasileiras Aché, EMS, União Química e a companhia Hypermarcas, conforme antecipou o Valor.
Os oito laboratórios chegaram a negociar uma joint venture única meses atrás, mas as negociações não foram levadas adiante. A BioBrasil está em fase mais adiantada. Essa nova farmacêutica, voltada para a produção de medicamentos biológicos, deverá ter aporte de capital de R$ 400 milhões e ter uma fábrica própria, cujo local ainda está em discussão. Os Estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e Bahia estão no páreo.
Já a companhia que deverá ser formada por Biolab, Cristália Eurofarma e Libbs em está em fase inicial, afirmou ao Valor uma fonte que participa das negociações. "Ainda não temos uma nome para a nova empresa, que também apostará em biológicos e biossimilares. Estamos em fase negocial", disse. O aporte de capital dessa segunda superfarmacêutica ficará entre R$ 400 milhões a R$ 500 milhões. O BNDES deverá ser apenas financiador, afirmou essa fonte. Na BioBrasil, o BNDES estuda entrar como acionista, com uma participação entre 20% e 25%. O banco não comenta ambas operações.
Segundo essa mesma fonte, esse bloco decidiu se dividir porque não havia afinidades com as quatro empresas que decidiram criar a BioBrasil. "Temos uma vocação mais para pesquisa. Cristália e Eurofarma já possuem unidade de biotecnologia no país", afirmou. Biolab e Eurofarma já tinham juntado forças para a criação da Incrementha, empresa de pesquisa em inovação, em 2007. Neste ano, Cristália e Eurofarma formaram joint venture com a MSD (Merck &Co) na Supera RX.
Biolab, que faz parte do segundo bloco, e a União Química, que está no primeiro, também têm razões particulares para não estreitar laços. O controlador da União Química, Fernando de Castro Lima, negocia a compra da participação de seus irmãos, Cleiton e Paulo de Castro Marques, controladores da Biolab, na companhia. Fernando também é sócio da Biolab. Os três irmãos têm participação cruzada nos laboratórios União Química e Biolab. Cleiton e Paulo são controladores da Biolab.
Em 2006, a Eurofarma deu início a acordos com o governo cubano na área de biotecnologia. O laboratório foi o primeiro a lançar no mercado nacional anticorpo monoclonal (linfócito clonado, utilizado no combate a doenças degenerativas). Executivos da companhia participaram da última viagem da presidente Dilma Rousseff à Cuba, onde parcerias em biotecnologia foram discutidas.
O governo brasileiro tem incentivado a união entre as farmacêuticas para estimular a competir com as grandes multinacionais. O déficit na área da saúde gira em torno de US$ 11 milhões, dos quais 10% são com medicamentos biológicos.
Procurados, os executivos da Eurofarma, Biolab, Cristália e Libbs não foram encontrados para comentar o assunto. (MS)
fonte: Valor Econômico, matéria na íntegra

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

BTG faz oferta hostil pelo controle da Hypermarcas

Por LÍLIAN CUNHA, PATRÍCIA CANÇADO, estadao.com.br, Atualizado: 11/1/2012
O BTG Pactual, do bilionário André Esteves, vem comprando ações da Hypermarcas na Bolsa desde a virada do ano, numa oferta hostil que pode chegar a R$ 1 bilhão, conforme informações da agência Bloomberg. Se considerado o valor de ontem, equivaleria a 15% da maior fabricante brasileira de cosméticos e produtos farmacêuticos. O banco vinha negociando 'amigavelmente' a entrada no bloco de controle da companhia, segundo o Estado apurou. Mas, quando os sócios da Hypermarcas mostraram preocupação com um possível conflito de interesse com a Brazil Pharma, rede de farmácias controlada pelo BTG, a negociação parou. O banco, então, partiu para a ofensiva, comprando as ações no mercado secundário.
A informação de que o BTG Pactual negociava a entrada no bloco de controle da companhia foi divulgada na semana passada com exclusividade pelo Estado, na coluna 'Direto da Fonte', de jornalista Sonia Racy. A operação de compra de ações estaria sendo feita por meio de fundos do BTG, segundo fontes do banco. Oficialmente, o BTG diz que não comenta o assunto. O fato é que a movimentação de compra das ações da Hypermarcas tem sido atípica nos últimos dias, o que levou a Bovespa a cobrar explicações da companhia. Na última sexta-feira, a Bovespa enviou uma carta em que mostrava o aumento do número de negócios desde o dia 23 de dezembro (veja gráfico ao lado). Pelo ofício enviado à companhia, o volume negociado saltou de R$ 21,505 milhões para R$ 118,381 milhões até às 15h20 da última sexta-feira. A média dos últimos dois pregões foi de R$ 99,8 milhões, segundo a Economática.

O movimento é contrário ao que vinha ocorrendo com o papel da companhia. No ano passado, as ações desvalorizaram 62%. Só neste ano, porém, as ações acumulam alta de 25,65%.
André Esteves, do BTG pactual
ofensiva pela participação
no controle da Hypermarcas
Por causa da depreciação, vários outros investidores além do BTG teriam abordado a empresa, interessados em comprar ações no mercado e depois aderir ao bloco de controle, conforme fontes próximas à Hypermarcas. Essas seriam conversas ainda preliminares, de acordo com essas mesmas fontes. Fundos de participação em empresas (private equity) como os brasileiros GP e Tarpon e os americanos TPG e KKR estariam entre os interessados. Na segunda-feira, em resposta à Bovespa, a Hypermarcas divulgou nota dizendo que desconhece 'quaisquer fatos, informações ou eventos, inclusive qualquer manifestação formal de grupo de investidores para ingresso no bloco de controle da companhia, que justifiquem as oscilações registradas com as ações'. Os controladores da Hypermarcas estariam divididos quanto à entrada do BTG no bloco de controle, segundo fontes próximas. O fundador da companhia, João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, seria favorável. Os sócios mexicanos da Maiorem e Marcelo Limírio (ex-dono da Neo Química, vendida para a Hypermarcas em 2009) seriam contrários. Se chegar aos 15%, o BTG terá uma participação semelhante a dos mexicanos e inferior apenas à de Júnior, que é de 20%. A restrição tem razão de ser, diz Mauro Pacanowski, especialista no mercado farmacêutico. 'Uma empresa não pode controlar tanto o ponto de venda quanto a fabricação dos produtos comercializados nele', diz ele. 'Acredito que essa história irá parar no Cade', diz ele, referindo-se ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Pela nova legislação em vigor desde o final do ano passado, negócios que possam ferir o direito de concorrência devem ser analisados previamente pela autarquia.

A Hypermarcas vive a fase mais difícil desde que foi criada, no início dos anos 2000. Após fazer 23 aquisições, que somaram R$ 8,4 bilhões, a máquina de compras brecou diante de uma dívida de R$ 2,8 bilhões, Com isso, a ordem foi vender ativos. / COLABOROU FERNANDO SCHELLER
fonte: estadão.com (matéria na íntegra)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Hypermarcas - mudar pra crescer (ainda mais!)


Assolan - ameaçou a Bombril
A Hypermarcas, hoje a maior empresa de consumo do mercado brasileiro (faturamento em torno de 3,5 bilhões de reais/ano), começou em 1969, com os temperos Arisco. Comprou a Assolan, uma modesta companhia de palhas de aço que em curto espaço de tempo ameaçou e ultrapassou a Bombril de forma agressiva. Mas toda a operação foi logo vendida pra americana Bestfoods, que virou Unilever. Como palha de aço não era o negócio da Unilever, a marca voltou pro dono original, o empresário João Alves Queiroz Filho (Júnior), que começou tudo.
Violland assume a área farma
da Hypermarcas
Desde que recomprou a Assolan, Junior manteve firme o objetivo de crescer a custa de comprar empresas. A última grande compra foi a farmacêutica Mantecorp, por quase 3 bilhões de reais e, seguida, aquisições menores como a linha Perfez, da Johnson & Johnson. Mas esse movimento parou e a meta agora é criar massa muscular, ter dinheiro em caixa. Como Junior mesmo diz em entrevistas, “com a abertura de capital, somos uma empresa condenada ao crescimento”. Só que as ações da empresa tem perdido valor em 2011, obrigando a empresa a redirecionar seus esforços de mercado. Vai se desfazer de marcas de baixo valor agregado ou que fujam muito do foco e direcionar seu crescimento nos produtos de bem estar, que respondem por 37% do faturamento, e farmacêuticos, que respondem por outros 56%.
Pra conduzir o crescimento acelerado na área farmacêutica, trouxeram um peso pesado do mercado, Luiz Eduardo Violland, ex-Glaxo-Smithkline e ex-Nycomed. Sou fã de carteirinha do Violland, Executivo com o qual tive o prazer de trabalhar. É um líder gigante que funciona com motor flex, acelerado e entusiasmado por gente e performance. Adora um corpo a corpo, olho no olho e se dedica a entender a natureza do mercado, seu dia a dia - ouve os clientes e a equipe como poucos. O pessoal lá vai perceber isso logo. Com a chegada do Violland, a Hypermarcas consolida sua estrutura de atuação em duas frentes: a farmacêutica e a de consumo, sob a direção do executivo Nelson Mello. Alguém duvida que vá dar certo?
fontes: luis nassif online, exame online, folha online e valor online

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pfizer - estratégia para reduzir impacto da perda de patentes é comprar empresas

Comprar empresas, principalmente em países como China, Rússia, Turquia e Brasil para crescer nos mercados emergentes. Essa é a estratégia da Pfizer para compensar o fim da patente de medicamentos fundamentais para os seus resultados. Além da patente do Viagra, a empresa vai perder em dezembro de 2010 os direitos de exclusividade sobre o Lipitor, um dos mais populares remédios contra o colesterol alto. O Lipitor sozinho registra US$ 12 bilhões em vendas, o equivalente a 25% do faturamento global da Pfizer, que foi de US$ 48 bilhões em 2008.
Para reduzir a dependência de alguns produtos e aliviar o baque sobre os resultados, a Pfizer comprou em janeiro de 2009 o laboratório americano Wyeth, por US$ 68 bilhões. No Brasil, avaliou a aquisição da Neo Química, laboratório de capital nacional, com sede em Goiás, especializado em genéricos e similares.
Com a compra, abriria uma porta para ela mesma entrar no mercado de genéricos e lançar versões do Lipitor e do Viagra. O negócio, no entanto, foi fechado pela Hypermarcas. Segundo Adilson Montaneira, diretor de Negócios da Pfizer no Brasil, a empresa também pretende fortalecer a divulgação de suas marcas, mesmo após o vencimento das patentes. “Apesar de a Pfizer ser uma empresa de inovação em medicamentos, seu portfólio de produtos maduros é vasto”, diz Montaneira. “Aproximadamente 35% das vendas da Pfizer no Brasil são de produtos maduros, já estabelecidos.”
iG: Qual será a estratégia da Pfizer para lidar com o fim da patente de Viagra?
Montaneira: O vencimento da patente de qualquer medicamento sempre afeta, em maior ou menor grau, a indústria. É um processo natural do negócio farmacêutico, bem como de outros setores, e a Pfizer se planeja para isso. Para minimizar os impactos, investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, firmamos parcerias e fazemos aquisições. A compra da Wyeth sinaliza uma das estratégias da companhia, que pretende ser a maior empresa biofarmacêutica do mundo. Por outro lado, o vencimento de uma patente também gera oportunidades. O Viagra é a marca do segmento de disfunção erétil. Seu valor é incalculável. Nosso objetivo será defender essa marca junto aos médicos, pacientes e canais de comercialização. Acreditamos que Viagra continuará no mercado convivendo com genéricos e similares. Outra forma de lidar com o impacto da perda de patente é crescer no segmento de produtos maduros ou estabelecidos. Apesar de a Pfizer ser uma empresa de inovação em medicamentos, seu portfólio de produtos maduros é vasto. Estamos falando de medicamentos já consagrados. Só para se ter uma idéia, aproximadamente 35% das vendas da Pfizer no Brasil são de produtos maduros, já estabelecidos. Assim, somado os produtos inovadores e a linha de produtos maduros, seguiremos convivendo de forma saudável com a perda de patentes.
iG: Parcerias, aquisições estão nos objetivos da empresa?
Montaneira: Parte da estratégia de crescimento da Pfizer é investir em mercados emergentes. Sete países foram selecionados como prioridade nos próximos anos, entre eles o Brasil. Estima-se que o mercado brasileiro nos próximos quatro anos apresentará crescimento de 10% ao ano no mercado farmacêutico. Neste contexto, a empresa se valerá de todos os mecanismos e alternativas para atingir essa meta.
iG: Existe liminar para extensão do prazo da patente de Viagra? Como anda esse processo?
Montaneira: Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a Pfizer não tem nenhum pedido de extensão de patente de Viagra. Houve um pedido de correção no prazo da patente do medicamento, porque a data estipulada no Brasil para o vencimento difere da contagem que a Pfizer entende como correta. A Pfizer entrou com uma ação judicial para corrigir a data da vigência da patente de Viagra de 2010 para 2011. A situação atual é: a Pfizer tem uma decisão judicial favorável à correção do prazo, tal como solicitado para a Justiça, e este processo está tramitando normalmente no Poder Judiciário.