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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Cidade Fantasma 2

Brasil e Holanda. O cenário é uma Curitiba Fantasma. Quando cheguei, o termômetro marcava dez graus, mas a impressão é que o clima foi esquentando a medida que o relógio se aproximava das 11hs. Meu amigo (e leitor do blog) Léo acompanhava comigo as primeiras movimentações em campo. Rompi o silêncio: “A Holanda tem tradição em futebol?”. Léo disparou: “hoje a copa do mundo é um campeonato europeu com equipes re-aranjadas. Os países representam bairros de uma grande comunidade onde a turma de baixo se encontra pra jogar com a turma de cima”. Silencio de novo até o primeiro gol. Léo, de onde você tira essas idéias? Isso é futebol politizado, ideológico. Não é pra qualquer um, fantástico. Uma pérola destas só me deixa um pouco mais consciente do quanto sou bronco nesse universo.
As cornetas urram (aqui no Brasil ainda não tem a praga da Vuvuzela, pelo menos). Dá a impressão que o Juiz está demorando um pouco pra apitar as faltas. Será que é o delay da HD TV? (O Léo riu da piada. Por uns segundos, me sentí futebolisticamente politizado também). Silêncio de novo, tensão no ár. Última vez que perdemos pra Holanda foi na copa de 74."Quem tem menos de 35 anos nunca viu a Holanda ganhar do Brasil", vaticinou Léo. “Léo, e o Dunga?”. Novo diparo: “Daniel, se fôsse numa empresa, como o Dunga seria percebido? O cara entrega resultado e o pessoal mete o pau, não faz sentido”. Perfeito, Léo. Novo urro na Rua e um berro no corredor: “Ih Dani, é o zelador festejando! Foi gol?”. Não era – alarme falso, de novo o delay do HD TV pagando pau pro radinho Coby do zelador. Brasil com um a menos, mas quando o Lúcio subiu buscando jogo, era o sinal - a coisa tava mal...2 a 1 Holanda. Pior foi o Galvão perguntando pro Falcão: "Falcão, você que já passou por isso duas vezes..." (leia-se, "você que é um perdedor de carteirinha"). Ai, Galvão...mancada justo na despedida do Brasil? Saúde ao Brasil em 2014!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Cidade Fantasma

Portugal e Brasil, o jogo do sufoco. Robinho no banco, Kaka fora, depois daquela expulsão besta contra a Costa do Marfim, Portugal foi se defendendo no primeiro tempo e atacando muito no segundo. Não deixou barato, ficou em zero a zero.
A TV da recepção do hospital onde eu estava tinha fantasmas, hoje em dia um defeito fashion depois que inventaram a SKY, mal deu pra ver o que rolava em campo. Mas quase não assistí ao jogo, meus pouco mais de 45 minutos foram passados longe da Globo e dos estádios sul-africanos. Naquela hora, Porto Alegre era uma cidade fantasma. Perimetral, Oscar Pereira, Azenha, Parque da Redenção, João Pessoa. Só o som do motor, nem viva alma perambulando, como um cenário de "The Legend", com Will Smith - minha mochila era meu cachorro, meu capa-preta. Eu dirigia há quilômteros de uma televisão e isso me deixava estranhamente sozinho – ônibus eram raros, lotações sumiram, cenário de guerra – as pessoas estavam em casa, no trabalho, estocando futebol. Nenhum vendedor de bandeiras, nada.
Atravessei aquele portal e, chegando ao meu destino, fui acolhido pelo William, Eduardo, Correia, Ricardo e o João. A TV foi nossa fogueira, onde homens e mulheres se reuniram pra dançar e pedir a Deus, desejo isso, não esqueça daquilo (e Deus, ponha o Kaká em forma).
Ainda que a fogueira da antiguidade tenha sido substituída pela tela da Globo, é envolta da Sky HD que o calor humano impera. Ser humano é Ser humano e isso não muda.