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domingo, 4 de julho de 2010

Não dê refresco aos bullies - parte II

Participei de uma de várias reuniões para avaliação de pessoas ao estilo 360 graus em minha empresa. Processo novo, denso, desgastante, mas funciona mesmo. Saí de lá com a cabeça cheia de idéias (e dúvidas) sobre como as pessoas se percebem avaliadas e o impacto disso no comportamento delas – de saída, ninguém fica confortável sabendo que outra pessoa está te “dissecando” e que isso vai gerar uma percepção (legítima ou não, é uma percepção) e essa percepção traz conseqüências. O que “consequência” quer dizer? Depende da atitude de quem avalia. Boas atitudes geram bons feedbacks, que geram mudanças positivas (isso se o avaliado tiver a fim, claro).
Pós-reunião, entre um chope e outro com colegas, a conversa enveredou pro medo que as pessoas têm de expor “fraquezas”. Acredito mesmo que exista uma raiz mal resolvida na forma como se avaliam pessoas e isso vem desde a escola. Provas, testes, campeonatos, quizzes. Tudo técnico, conteudista, mas cadê a competência e os valores? A primeira vez que ouvi falar de avaliações PPA, por exemplo, foi quando fui avaliado em minha primeira empresa. Era como estar entrando num enorme tomógrafo.
Desconheço métodos de ensino formal que privilegiem um forte mapeamento comportamental por competências. Se tiver alguma escola que invista fundo nisso, merece um prêmio. Fico imaginando um filho trazendo pra casa junto com o boletim, um PPA ou coisa do gênero – no mesmo dia, a orientadora liga pra mãe do garoto pra marcar uma sessão de feedback e, a partir daí, definem juntos um plano de ação para ajudá-lo a enfrentar as dificuldades e potencializar aquilo em que ele é "the best". Tudo de forma muito positiva e engajada no que é melhor pra criança, sem apelar pra estereótipos de comportamento ou coisas do tipo. Será que não funcionaria? Duvido. Pessoal do ensino, isso poderia ser uma poderosa arma anti-bullies, anti assédio moral nas empresas, etc...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Não dê refresco aos bullies

Assunto do momento: O bullying“todo o ato de violência, seja física ou não, intencional e repetitiva contra alunos de uma escola, impossibilitados de fazer frente às agressões sofridas”, segundo Ana Beatriz Barbosa Silva, psiquiatra da UFRJ e autora do livro “Bullying - Mentes Perigosas nas Escolas". E o criminoso se chama bully (agressor).
Começando a pesquisar, percebi que o bullying sempre esteve lá, não é novo, só o nome. Uso óculos desde os quatro anos, sempre adorei livros e era muito tímido – combinação explosiva - onde eu ia, tinha confusão. Seria o kit bullying perfeito, se eu fosse um pré-adolescente de hoje. Se emprestasse a juros todo o dinheiro de lanche que me roubaram só por sacanagem, era um homem rico. Só usava cordas duplas nas calças do moleton, senão...vuupt, era calça arriada em público a toda a hora. Ninguém merece.
O repúdio ao diferente sempre existiu, como uma patrúlia dos padrões de comportamento, nem sempre silenciosa, mas certamente eficaz. Hoje nas empresas, quando vejo um executivo á cata de um estereótipo entre seus subordinados, por exemplo, consigo ver esse cara no pátio do colégio, com seus 13 anos, humilhando um “nerd” em público e instaurando a lei da mordaça (“abre a boca e te cubro de porrada! E se amarelar,..também”). É uma pena, fico pensando quanta gente de valor desaparceu atrás de uma máscara de baixa estima porque um descerebrado desses achava isso normal e prazeiroso. Uma criança perturbada é mais cruel que dez adultos empilhados – usam, com precisão cirúrgica, o assédio psicológico.
Lembro que um dia enchi o saco de ser saco de pancada e fui à luta. Fiz dos meus óculos meu sabre jedi e aprendí a tocar violão – bem na época, pra insuflar o ódio dos meus bullies, a sorte deu uma mãozinha: Herbert Vianna lança “Óculos” (porque você não olha pra mim, por trás dessas lentes tem um cara legaaal...). A partir dalí, passei a dar as cartas pacificamente na turma do colégio, era o ínicio do meu aprendizado de liderança, sempre respeitando as diferenças e os diferentes. Mas não vou dizer que não foi doído, foi sim, não dá pra esquecer.
Quem é pai tem que olhar pra isso com atenção, não deixar o bullying barato. Vá pra cima com tudo, pois pode significar o futuro do seu filho. A Saúde dele, com certeza, agradece (Por trás dessas lentes também bate um coraçãão....).
fonte: "Bullying - Mentes Perigosas nas Escolas (Ana Beatriz Barbosa Silva - ed. Fontanár/2009).